Assassino Atemporal

Capítulo 143

Assassino Atemporal

(Academia Militar de Rodova – O Dia Antes da Grande Quebrada)

Após atingir o limiar para sua ascensão, Leo finalmente tirou um dia inteiro de folga — exatamente como o Major Hen havia aconselhado.

Foi a primeira vez em meses que se permitiu parar, e somente na quietude do descanso percebeu o quanto seu corpo vinha gritando por baixo da superfície.

As dores não eram agudas, mas profundas e internas—localizadas nos ossos como uma segunda pele. Cada articulação pulsava de forma amortecida, os músculos pareciam cabos tensionados à beira de se desfazer, e até sua respiração carregava uma sensação de peso que ele já tinha se tornado demasiado habituado a ignorar.

Naquele dia, Leo dormiu.

Não eram cochilos superficiais que ele vinha sobrevivendo entre uma sessão de treinamento e outra, mas um sono verdadeiro, sem interrupções.

Durantedezoito horas, seu corpo permaneceu imóvel—seu espírito silencioso—enquanto a tensão acumulada de esforço incessante se esvaía.

Quando finalmente abriu os olhos na manhã seguinte, seu corpo se sentia leve. Focado. Vivo.

Ele se levantou, vestiu-se e caminhou até a Ala de Promoção da Academia Militar de Rodova—com a mente afiada e sua aura tranquila, como a calmaria antes da tempestade.

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(Academia Militar de Rodova – Sala de Promoções)

A Sala de Promoções era enorme, sua estrutura composta inteiramente por aço reforçado com tonalidade de ébano, projetado para suportar explosões mágicas e rajadas de mana de alta pressão.

O ambiente estava vazio—sem runas, sem marcas, sem equipamentros—apenas um espaço vazio, como se convidando o caos a preenchê-lo.

Foi construída com um único propósito: permitir que um guerreiro transcesse sua evolução com segurança.

Major Hen aguardava no interior da entrada, segurando um frasco elegante com líquido violeta-azulado—A Poção de Grande Mestre para Ascensão. O mana que girava dentro dele brilhava levemente, como se fosse uma substância foto-sensível e mística.

Ele entregou o frasco a Leo sem cerimônia, com um olhar firme.

"Quando a formação do nó de chakra parar——

Quando o mana parar de se acumular, seu corpo começará a ferver… esse é seu sinal."

"Você deve queimar tudo imediatamente. Sem hesitar."

"Você terá uma janela de cerca de 1,5 a 2 segundos para queimar tudo antes que comece a danificar seu corpo, e se demorar mais de 5 segundos, estará perdido."—Hen avisou, enquanto Leo assentia sem dizer uma palavra, apertando firmemente o frasco enquanto Hen lhe lançava um último olhar antes de sair e fechar a pesada porta de aço com um som de estalo surdo.

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Quando Hen saiu, Leo entrou no centro da sala, respirando lentamente e de forma constante enquanto se ajoelhava, colocando o frasco diante de si.

Ele aproveitou seu último momento de calma.

Última respiração como Mestre.

Depois, destrancou o frasco e engoliu seu conteúdo.

A poção estava morna—estranhamente suave no começo—mas em segundos, essa sensação se transformou em calor fundente. Uma descarga de energia explodiu no seu peito, inundando seu núcleo de mana com uma força violenta enquanto se espalhava por cada canto de seu corpo.

A dor quase que instantaneamente atingiu.

Não era aguda, mas abrangente—uma onda de pressão que se expandia do centro para fora, como se estivesse sendo inflado de dentro para fora.

Seus circuitos acenderam enquanto o mana entrava neles como uma enxurrada por um canal estreito, ampliando-os com cada segundo que passava.

Leo cerrou os dentes, seu corpo tremendo enquanto caía de joelhos, mana saltando de forma descontrolada ao seu redor. Sua visão escureceu, os músculos se tensionaram, e ele pôde sentir as paredes de seus circuitos se esticando, rasgando e se reparando ao mesmo tempo, numa louca sequência de destruição e regeneração.

'Suporte. Direcione. Controle.'

Ele sentia sua mente guiando-o, como se [Indiferença do Monarch] estivesse trabalhando além do limite para manter a racionalidade diante daquela dor irracional.

Com os dentes cerrados, Leo concentrava toda sua força no fluxo—dirigindo o mana pelos braços, pernas, coluna—enquanto a torrente alimentada pela poção continuava a devastar seu interior.

A pele dele ficou vermelha, as veias saltaram pelo corpo enquanto o sangue infusionado com mana começava a se conectar ao sistema nervoso.

E então, começou.

Os nós de chakra começaram a se formar.

Primeiro ao longo da coluna—pontos de convergência minúsculos onde circuitos de mana, nervos e vasos sanguíneos se sobrepunham e fundiam.

Um após o outro, esses nós se acendiam, cada formação queimando como um mini sol ao se fixar no lugar. A dor era insuportável, mas a expressão de Leo permanecia inalterada, sua mente processando cada mudança com uma precisão cirúrgica.

A cada novo nó, seu corpo se transformava—os músculos se tornavam mais tensos, mais compactos, enquanto a força aumentava a níveis nunca antes atingidos.

Tudo se potencializara. Tempo de reação, velocidade de movimento, potência—todos operando sob uma nova fonte de energia, enquanto o mana fluía diretamente para seus tecidos através do sangue.

Ele ficava mais rápido. Mais preciso. Mais forte.

Mas aquilo não durou.

O que inicialmente parecia energia limpa começou a se distorcer. O mana ainda circulando dentro dele começou a ferver—não figurativamente, mas literalmente—uma temperatura escaldante incendiou seu peito e se espalhou. Suas veias arderam. Seus músculos pulsaram. O mana começou a se tornar tóxico.

Era o momento.—essa era a janela.

Apesar da dor de cabeça, Leo se moveu sem hesitar.

Num só instante, ativou [319 Balanço de Fantasmas], [ Véu Celestial], [Processamento Paralelo] e [Visão Absoluta] todos juntos—sobrepondo ataque, defesa, precisão e consciência numa explosão sincronizada.

A lâmina dele cortou o ar, formando imagens após imagens que se multiplicavam em todas as direções enquanto seus membros se moviam em alta velocidade. O Véu Celestial brilhava sobre sua pele, protegendo seus músculos em combustão por tempo suficiente para que continuasse a avançar. O Processamento Paralelo fragmentou sua mente em hipereficiência, permitindo que ele conjurasse magias e desferisse golpes simultaneamente. A Visão Absoluta monitorava cada partícula de movimento ao redor, em perfeita clareza.

Com um rugido, empurrou a lâmina contra a parede reforçada—arrancando um pedaço de aço com força bruta—apenas para que os destroços desabassem para dentro em reação.

Ele não hesitou.

[Contram pokušaj completo] acendeu um batimento cardíaco depois, seu braço levantando-se em movimento rápido, redirecionando o material que vinha em sua direção, devolvendo-o com o dobro da força, vaporizando tudo na hora e acionando uma onda de choque secundária.

Todos esses — cada habilidade, cada explosão de poder — aconteceram em menos de meio segundo.

Porém… não foi suficiente.

Seu corpo ainda pulsava com mana residual, sua pele ardia de vermelho, os pulmões pareciam pegar fogo.

Então, ele fez de novo.

Uma vez.

Depois, duas vezes.

Cada vez, forçando mais, sobrepondo habilidades com mais rapidez, rasgando o ambiente com precisão implacável enquanto queimava cada traço daquele energia instável dentro de si.

E, por fim—

não havia mais nada.

Sem mana. Sem força. Sem peso nas extremidades, enquanto conseguiu queimar tudo em dois segundos, graças ao fato de ter sobreposto todas as habilidades uma sobre a outra.

"AH—"

Ele caiu de joelhos, respirando com dificuldade, enquanto o silêncio da câmara se abatia sobre ele como uma estrela em colapso.

Seu corpo tremia, o sangue esfriando, a pele pálida. Seus músculos recusavam-se a contrair completamente, o coração desacelerado, e uma sensação incomum começou a tomar conta:

Era como um peixe fora d'água. Sem ar. Asfixiando-se. Morrendo.

E então, ele olhou para dentro.

Invocando a mana natural armazenada em seu núcleo e bem dentro das células de seu sangue, enquanto começava a circulá-la.

Devagar no começo—sua consciência ligada à delicada linha de vida ainda piscando dentro dele—ele guiou a mana pura e estável através de seus circuitos recém-expandidos.

A diferença foi imediata.

Enquanto a mana da poção queimava como fogo selvagem, a sua própria mana movia-se como água fria—suave, harmonizando, preenchendo.

"Carne—"

Leo respirou fundo, expandindo os pulmões enquanto a vida retornava ao seu corpo em ondas. Sua visão estabilizou. Sua batida cardíaca voltou ao normal.

E seu corpo—revivido sob uma nova regra—renasceu mais uma vez.

Ele conseguiu!

Havia se tornado um Grande Mestre com sucesso, sem acidentes, enquanto as portas da câmara se abriam lentamente, e uma equipe médica surgia ao seu redor.

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