Assassino Atemporal

Capítulo 131

Assassino Atemporal

(Academia Militar de Rodova – Dois meses depois)

Após o difícil primeiro exame de meio de semestre em Noções de Teoria da Magia, o restante das avaliações acabou se tornando muito mais tranquilo para Leo.

Na Educação Física, ele já superava seus colegas de longe, e quando avaliado pelo mesmo critério de nota, naturalmente conquistou a nota máxima.

Na Luta Prática, ficava lado a lado com Su Yang como um dos combatentes mais fortes da turma do primeiro ano, conquistando novamente a maior nota possível sem muita dificuldade.

Em Noções de Percepção, sua maestria perfeita em [Visão Absoluta] fazia toda a matéria parecer moleza, permitindo que passasse pelos testes com facilidade, enquanto outros se atrapalhavam.

Sigilo e Estratégia também não apresentaram desafio, já que seus instintos, disciplina e talento natural o ajudaram a passar com louvor.

E em Noções de Assassinato, uma disciplina em que muitos encontraram dificuldades para se firmar, Leo se destacou—sua precisão, seu gosto por estudar venenos e seu instinto natural de matador ficaram evidentes, garantindo-lhe mais uma nota excelente.

Assim, com todas as disciplinas dominadas e sua posição acadêmica consolidada, Leo finalmente pôde focar totalmente naquilo que realmente importava para ele—seu treinamento.

E, pelos próximos sessenta dias, foi exatamente isso que fez.

Leo treinou como um homem possuído—reconfigurando seu corpo, aprimorando seus instintos e afiadando sua mente, transformando-se em algo muito mais perigoso do que já fora antes.

Porque não era apenas sobre aperfeiçoar habilidades ou dedicar horas incontáveis nos campos de batalha.

Era a própria atmosfera—a pressão, a rivalidade, o ritmo de Rodova—que o impulsionava a superar seus limites.

E ele evoluiu, realmente evoluiu.


[Visão Absoluta] há muito se tornara parte do seu subconsciente.

Uma camada permanente na sua percepção—sempre ativa, sempre em funcionamento.

Enquanto uma parte da sua mente permaneceu dedicada exclusivamente a manter essa habilidade, filtrando continuamente as informações sensoriais ao seu redor em um ciclo sem fim, isso lhe permitia monitorar cada ponto cego sem pensar.

Mas o que mais o surpreendia—era o que começou a fazer com seus próprios olhos.

Pois o que aconteceu a seguir não era algo que Leo tivesse planejado ou treinado conscientemente.

Porém, após semanas lutando contra oponentes de nível Grande Mestre, sendo repetidamente derretido, derrubado no chão e superado em velocidade, seus instintos começaram a se adaptar de maneiras sutis que sua mente consciente só percebeu depois.

Começou a subconscientemente observar padrões.

Padrões como a forma como o ombro de um adversário se tensionava antes de um soco.

O torcer do tornozelo antes de uma rasteira.

A menor contração nos dedos antes de lançar um feitiço.

Nunca um movimento completo—apenas uma contração muscular, uma mudança na postura, um sussurro de movimento que entregava o que viria a seguir.

E embora tudo isso acontecesse em questão de microssegundos—era o tempo suficiente para Leo prever o próximo passo.

Seu cérebro, agora treinado a dividir sua atenção, permitia que [Visão Absoluta] monitorasse seu entorno em busca de ataques e movimentos bruscos.

Ao mesmo tempo, seus olhos reais focavam exclusivamente em ler o corpo do adversário, lhe dando uma janela de reação que, embora pequena, frequentemente fazia toda a diferença entre levar um golpe ou escapar dele, pois seus olhos físicos analisavam apenas as contrações musculares no corpo do oponente.

Sinais reveladores, como a direção em que as pupilas estavam voltadas.

O grau de contração dos bíceps.

A tensão nos tornozelos.

Era tudo o que Leo monitorava constantemente com seus olhos de carne e osso, tentando se manter um passo à frente sempre que possível.

Infelizmente, ainda não era um sistema perfeito.

Ele costumava cometer erros na interpretação do que significava aquela movimentação muscular.

Porém, eram erros dos quais com certeza aprendia—cada um aprimorando ainda mais suas habilidades, enquanto cada luta o aproximava de se tornar indetectável contra adversários do mesmo nível.

Com sua velocidade e reflexos superiores já lhe dando vantagem, a capacidade adicional de prever os movimentos do inimigo o tornava quase impossível de ser atingido.

E essa evolução ficou clara nas lutas recentes com Su Yang—que, apesar de progredir rapidamente na sua própria arte, agora tinha dificuldades até de encaixar um golpe limpo nele.


Durante esses sessenta dias, o treinamento de Leo com [ Véu Celestial] se tornou a parte mais penosa—e cara—de sua rotina diária, pois toda tarde, após as aulas, ele implorava ao Professor Hen, Muiyan Faye ou até Mu Shen para atacá-lo com feitiços vivos ou projéteis de alta velocidade, obrigando-o a ativar o escudo no momento exato para bloquear o golpe.

Era frustrante. Dolorido. E totalmente exaustivo.

Como em cada tentativa que fracassava, não só ele saia com hematomas e ferimentos, como também gastava 25% de sua reserva de mana, consumindo dezenas de frascos de poções de mana por dia, o que levantava olhares preocupados dos funcionários da academia, preocupados com o custo que seu treinamento representava.

Mas a dor e o gasto valiam a pena.

Pois, após dois meses nesse regime brutal—

Ele rompeu a barreira.

[Véu Celestial] finalmente atingiu o domínio (Avançado), à medida que sua compreensão da técnica se aprofundava com o uso contínuo.

E foi nesse ponto que tudo mudou.

O tempo de ativação caiu para apenas 0,3 segundos—rápido o suficiente para ser acionado no meio do combate, o bastante para salvar sua vida em confrontos corpo a corpo, pois ele finalmente conseguiu integrar a habilidade de forma fluida ao combate real, e não só em treinos.

O custo de mana, também, caiu de assustadores 25% para um mais gerenciável 10%, tornando viável usá-la várias vezes durante uma luta prolongada, sem esgotar completamente seus recursos.

Antes, a sensação de usar a técnica era como apostar tudo—uma proteção cara que ele rezava para ativar no momento certo—agora, tornou-se uma parte confiável, instintiva, de seu arsenal.

Ele não mais esperava que ativasse, sabia com certeza que iria.

E essa certeza mudou tudo.

Agora ele podia se permitir correr riscos. Chegar com tudo. Intensificar a pressão. Encarar o perigo sem vacilar.

Pois, por 1,2 segundos inteiros—Leo não estava apenas se defendendo.

Ele era simplesmente invencível.


Por fim—e talvez de forma inevitável—o maior avanço veio na sua ofensiva.

[Mil Fantasmas], que antes era uma habilidade chamativa, mas um pouco desajeitada, evoluiu para um verdadeiro pesadelo para quem tentava defendê-la.

Após dois meses de uso contínuo e refinamento, Leo finalmente levou a técnica ao nível (Avançado) de maestria.

As ilusões translúcidas e piscantes, que antes traíam o funcionamento do movimento, desapareceram.

Agora?

Elas pareciam reais.

A cada passo, imagens fantasmagóricas se desprendiam do seu corpo, dispersando-se em todas as direções como ecos em movimento.

Cada movimento gerava uma dúzia de lâminas fantasmas que espelhavam a verdadeira—cada golpe coordenado com precisão cirúrgica para sobrecarregar a percepção do adversário.

O movimento deixou de parecer apenas veloz.

Passou a ser elegante.

Fluido.

Letal.

Até Major Hen começou a interpretar errado os ataques durante as lutas de treino, errando de formas que nunca tinha feito antes, abrindo brechas raras que Leo agora explorava com frequência—causando golpes limpos, irreparáveis, em alguém que um dia brincou com ele.

Porque, uma vez que as imagens fantasmas dominavam o campo de visão, ficava quase impossível saber onde realmente Leo estava—ou qual lâmina iria atingir primeiro.

E, aliado ao [Troca de Lâmina], que permitia reposicionar-se por aberturas espaciais à vontade—

Leo transformava-se numa sombra de movimento e ilusão.

Uma força caótica imprevisível que nenhum adversário podia antecipar facilmente, muito menos segurar.

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