Assassino Atemporal

Capítulo 120

Assassino Atemporal

Quando o Segundo Ancião finalizou seu discurso e se sentou, uma nova discussão surgiu entre todos os Anciãos presentes, enquanto debatiam os méritos e os riscos de seu plano.

Vozes baixas preenchiam a câmara, sussurros de concordância misturavam-se a murmúrios de preocupação.

Alguns Anciãos assentiram em aprovação, enquanto outros recostaram-se em contemplação, ponderando o ganho potencial contra as consequências inevitáveis.

Então—uma voz destacou-se acima das demais.

Toc-toc. Toc-toc. Toc-toc.

Os dedos de luva do Quarto Ancião batiam ritmadamente na mesa de obsidiana enquanto ele se inclinava levemente para frente.

"Isto é um erro," disse, finalmente, sua voz calma, mas carregada com o peso de uma convicção firme, enquanto todos os olhares se voltavam para ele.

"O plano de sequestrar é ousado, mas é um risco que não podemos correr — ainda não."

Ele respirou lentamente, sua respiração se condensando no ar gelado.

"A Aliança Justa já nos observa de perto. Se realizarmos uma operação dessa escala, a reação será imediata e devastadora."

Seu olhar percorreu a câmara, fixando-se nas figuras mascaradas de seus colegas Anciãos.

"Eles não deixarão passar. Correrão atrás de nós, destruirão nossas redes e nos eliminarão de todas as sombras onde nos escondemos. Mesmo que consigamos pegar o garoto, o que fazer depois?"

Ele fez um gesto para o Primeiro Ancião.

"O Primeiro Ancião já nos avisou—o Governo Universal nunca permitirá que as Serpentes Negras façam a troca. Se eles não negociarem, então qual é o propósito desta missão?"

Alguns murmúrios de concordância espalharam-se pela câmara.

"É um bom plano — mas simplesmente não somos fortes o suficiente para suportar a reação. Este não é o momento de correr riscos assim, precisamos consolidar nossas posições primeiro, antes de tomar passos tão drásticos." O Quarto Ancião recostou-se, seu ponto apresentado.

Por um instante, a câmara permaneceu em silêncio.

Então—

Bang!

O Nono Ancião bateu o punho na mesa, sua voz carregada de frustração.

"Nunca seremos fortes o bastante!" exasperou, suas palavras reverberando pelo salão congelado.

Vários Anciãos se viraram para ele enquanto ele se endireitava, seu tom mais firme e intenso.

"Na vida, algumas coisas é melhor deixar ao acaso. Se esperarmos pelo momento perfeito, esperaremos para sempre."

Ele se inclinou para frente, seu rosto mascarado levemente inclinado enquanto direcionava seu argumento ao Quarto Ancião.

"Você diz que a reação será forte? Ótimo. Então, devemos começar a nos preparar agora. Em vez de recuar e cancelar este plano como covardes, devemos começar a fortalecer nossas fortalezas, garantir novas bases, expandir nossa influência e nos preparar para a guerra.

Porque um dia, a guerra virá até nós, de qualquer jeito — quer a iniciemos ou não."

Um silêncio pesado se instaurou.

Alguns Anciãos se remexeram desconfortavelmente, enquanto outros assentiram, considerando suas palavras.

O Nono Ancião continuou.

"Nosso dragão anterior já morreu. Nossas ações estão estagnadas. A Aliança Justa vem nos empurrando cada vez mais para o esconderijo, forçando-nos a recuar vez após vez. Se não fizermos nada, se ficarmos passivos, acabaremos desaparecendo na irrelevância."

"Mas isso?" Ele fez um gesto para o Segundo Ancião. "É uma declaração. Uma mensagem ao universo de que ainda estamos aqui — que não temos medo de dar passos ousados para frente."

Seu olhar se endureceu.

"Se vamos cair, que seja rugindo, não rastejando na lama."

Um murmúrio de aprovação seguiu seu discurso.

A tensão aumentou enquanto ambos os argumentos pesavam na mente dos Anciãos.

Então—

Clap. Clap.

O Primeiro Ancião aplaudiu com as mãos, chamando atenção de todos.

"Chega."

Sua voz foi calma, mas carregada da autoridade definitiva.

"Vamos resolver isso como sempre fazemos, por votação." Ele declarou, enquanto o ar ficava pesado de expectativa.

"Doze Anciãos estão nesta mesa," continuou o Primeiro Ancião. "A maioria simples decidirá."

"Aqueles que apoiam o plano do Segundo Ancião, levantem as mãos."

Silêncio — lentamente, as mãos começaram a subir.

O Segundo Ancião.

O Nono Ancião.

O Oitavo.

O Décimo.

O Sexto.

E por último—o Décimo Primeiro.

Seis mãos.

Então, após uma longa pausa—o Sétimo Ancião lentamente levantou a mão, equilibrando a votação.

Sete votos a favor.

O Primeiro Ancião respirou fundo, silenciosamente.

"E os contrários?"

O Quarto Ancião foi o primeiro a erguer a mão.

Seguido pelo Terceiro.

O Quinto.

O Duodécimo.

E, após um momento de hesitação—o próprio Primeiro Ancião para cinco votos contra a proposta.

"Sete a cinco, a decisão está tomada," disse o Primeiro Ancião, sem emoção na voz.

"O sequestro prosseguirá conforme sugeriu o segundo ancião—" concluiu, enquanto os anciãos a favor começavam a bater as mãos na mesa em comemoração.

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(Algumas horas depois, após a conclusão da reunião deste ano)

Os ecos da câmara ainda permaneciam na cabeça dele enquanto o Décimo Segundo Ancião subia o caminho serpenteante pelo labirinto de gelo, com o coração pesado.

A decisão havia sido tomada.

O sequestro avançaria conforme planejado.

Mas mesmo enquanto se afastava da reunião, seus pensamentos vagavam para o que não foi discutido.

Ninguém falou do próximo Dragão.

Nem uma vez.

Nem uma única voz na câmara mencionou criar um novo herdeiro para o legado que há muito juraram proteger.

Nenhum Ancião sugeriu candidatos em potencial.

Na verdade, ninguém sequer cogitou a possibilidade de alguém novo assumir o manto.

E essa era a verdadeira tragédia.

Eles tinham desistido.

Todos tinham desistido.

"Noah..."

O Décimo Segundo Ancião exalou lentamente, seu hálito se transformando em geada no ar gelado.

"Sua morte deixou uma marca mais profunda nesta organização do que você jamais poderia imaginar."

O Culto Maligno sofreu inúmeros revéses ao longo dos séculos. Perderam batalhas antes. Já perderam homens antes.

Mas nunca perderam a fé.

Porém, quando Noah caiu—a fé morreu com ele.

O dragão mais forte que eles cultivaram em mais de duzentos anos—um verdadeiro gênio guerreiro, a apenas um passo de atingir o nível de 'Monarca', aos 39 anos.

Mas o Mestre da Guilda das Serpentes Negras o matou antes que realizasse esse sonho, e com sua morte, a fé do Culto Maligno também se quebrou.

Os mesmos Anciãos que uma vez falavam de destino e providência enquanto Noah ainda estava vivo, agora apenas sussurram sobre sobrevivência e desespero.

A grande visão de criar o próximo Assassino Atemporal não era mais prioridade deles.

Era um sonho perdido, pois ao invés de moldar seu próprio destino, agora planejavam retaliar contra aqueles que os destruíram.

E o Décimo Segundo Ancião detestava isso.

Detestava que fossem aquilo que se tornaram.

Detestava terem abandonado a visão que um dia os uniu.

E, mais de tudo—

Ele odiava começar a entender a razão do desespero deles.

*Suspiro—*

O Décimo Segundo Ancião soltou um profundo suspiro, enquanto se aproximava da saída do labirinto de gelo, atrás do qual se estendia o abismo branco da superfície de FrostBurn.

Uma tempestade de neve uivava lá fora, carregando os sussurros de uma seita moribunda, e ao se aproximar da saída, ele não pôde deixar de pausar na soleira.

"Será que as coisas realmente estavam tão ruins... se só o Noah estivesse vivo?" Ele pensou alto, enquanto suas mãos de luva se fechavam firmemente, o maxilar contraindo-se de raiva.

No entanto, após alguns segundos de dúvida sobre o que poderia ter sido, o Décimo Segundo Ancião finalmente entrou na abertura, pois sabia que perder tempo questionando o que poderia ter sido era completamente inútil.

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