
Capítulo 102
Assassino Atemporal
Uma desvantagem da hipervisão recém-adquirida por Leo era como ela tornava toda comida pouco apetitosa aos seus olhos.
Se um único grão de arroz fosse jogado no óleo, ele agora conseguia pinpoint exatamente quanto daquele grão tinha sido coberto e quais minúsculas manchas ainda permaneciam intocadas.
O que era imperceptível para o olho comum agora se tornava claro e evidente para ele, expondo uma nova dimensão de imperfeições na culinária de alguém — pois ele podia enxergar microfalhas que faziam cada refeição parecer menos atrativa.
'Essa carne selada está com queima desigual. Algumas áreas perderam toda a gordura natural, enquanto outros pontos ainda têm resíduos de gordura da grelha grudados…' observou Leo, sua visão ampliada dissecando o prato com uma precisão perturbadora, enquanto, sem hesitar, raspava as partes queimadas e gordurosas antes de dar uma mordida cuidadosa.
'Pelo menos ainda está com o mesmo sabor,' pensou, exalando um pouco de alívio.
Decidindo que era melhor fechar os olhos momentaneamente, ele focou apenas no ato de comer por ora, bloqueando os detalhes microscópicos que sua visão insistia em revelar.
Seu estômago já roncava em protesto, exigindo combustível para seu metabolismo recém-energizado.
E assim, ele mergulhou na refeição.
Prato após prato desaparecia diante dele, seu corpo consumindo comida a um ritmo alarmante — como uma máquina de guerra bem lubrificada reabastecendo suas reservas de energia.
"Ooo— Skyshard está comendo demais hoje. Essa já é a quarta recarga dele."
"Acho que ele está apenas morrendo de fome depois do despertar. Lembro que eu também era assim após minha primeira vez."
Os veteranos cochichavam entre si, observando de longe, pois, independentemente do que ele fizesse, Leo parecia estar sempre no centro das atenções — seu status como Talent de Nível Monarca garantia que cada movimento dele fosse minuciosamente analisado.
Se esse fosse o velho Leo, talvez ele se sentisse constrangido sob os olhares permanentes.
Se fosse o velho Leo, talvez hesitasse em pegar mais comida ou pensasse duas vezes sobre a necessidade de comer tanto.
Mas o Leo de hoje?
Ele não ligava a mínima.
Sua mente era afiada como uma navalha, o foco total. Ele sabia exatamente do que seu corpo precisava e quanto de comida era necessário para mantê-lo funcionando na máxima eficiência, pois nada — nem olhares, nem sussurros, nem opiniões alheias — tinha importância além disso.
O Leo de hoje era metódico. Desapegado. Com um propósito único.
E, como resultado, sua aura já intransponível só aumentou, fazendo-o parecer ainda mais uma ilha isolada, como um guerreiro solitário totalmente focado em autoaperfeiçoar-se, uma figura inacessível para quaisquer forasteiros.
De começo ao fim, devorou sua refeição em menos de quinze minutos, movimentando-se pelo refeitório como uma tempestade, eficiente e imparável.
Ele não perdia tempo com atividades que não fossem de treinamento: enquanto os outros ainda conversavam casualmente durante a refeição, Leo já tinha se despedido e voltava correndo para o dormitório, mergulhando novamente na meditação.
Por várias horas, meditou sem parar, aproveitando ao máximo esse dia livre, até também treinar sua [Visão Absoluta], prática que continuou após o jantar até adormecer à noite.
(Academia Militar de Rodova, Quarto de Leo)
Levaram cerca de meia hora de esforço consciente até que Leo finalmente conseguisse adormecer, pois seu cérebro recém-aumentado estava demasiado concentrado e ativo para o sono encarou facilmente.
Porém, assim que entrou no mundo dos sonhos, o inevitável aconteceu: sua consciência foi puxada para um reino alternativo, dando a ele sua primeira experiência de 'Sono Fantasma'.
(Uma Pátio Antigo Aleatório, 2700 anos atrás)
Leo se viu flutuando acima de um pátio espaçoso, assistindo enquanto dois jovens assassinos duelavam com precisão mortal.
Por um momento, ficou confuso por que estava tendo um sonho tão vívido e realista, onde até conseguia perceber seu corpo metafísico. Contudo, logo percebeu que estava vivendo sua primeira episódio de 'Sono Fantasma', enquanto se preparava mentalmente para o que vinha a seguir.
'Que seja uma memória feliz—' orou, pois, embora as chances de uma linhagem de nível monarca experimentar uma memória feliz fossem mínimas ou nulas, Leo tinha esperança de ser uma exceção à regra.
*SHING–*
*SHING–*
Os dois assassinos se enfrentaram, seus movimentos fluidos e afiados, enquanto Leo se sentia momentaneamente hipnotizado pela batalha.
Cada ataque e defesa parecia instintivo, como se fosse algo ingr Dropdownthado por anos de treinamento incessante, com cada movimento perfeitamente sincronizado.
O mais alto dos dois empunhava duas adagas, atacando com golpes agressivos, porém controlados, enquanto seu adversário, um pouco mais baixo, mas igual de habilidoso, se movia como uma sombra, desviando de perto e contra-atacando com uma rasteira giratória.
'São insanos…' pensou Leo, completamente perplexo com a troca de golpes, pois a coordenação deles era algo que ele nunca tinha visto antes, parecendo quase sobrenatural.
No entanto, ao observar os dois por mais algum tempo, percebeu algo estranho neles.
Ambos tinham traços muito semelhantes — queixo afiado, olhos penetrantes iguais, e expressões de concentração total.
'Provavelmente são irmãos…' concluiu Leo, mas, antes que pudesse ficar pensando mais, uma terceira figura entrou no pátio.
Um homem.
Ao ver quem era, Leo ficou sem fôlego.
O novo arrivante tinha uma presença marcante, seus passos calmos, mas autoritários.
Porém, não foi a presença dele que surpreendeu Leo——
Não.
Leo ficou pasmo com o quanto o homem se parecia com os dois rapazes, e também com sua própria face.
'Caralho… Se eu tivesse uma barba cheia e fosse de meia-idade, pareceria exatamente com ele.' Leo percebeu, enquanto uma surpresa pura invadia suas veias, e sua mente se acelerava com perguntas.
*Silêncio*
No instante em que o pai apareceu, a luta cessou abruptamente, enquanto ambos os jovens se voltaram para ele, a empolgação brilhando nos olhos deles.
"Pai! Você finalmente melhorou?!" perguntou o mais velho, ansiosamente.
"Você dominou a formação indestrutível?" acrescentou o mais novo, com a voz carregada de expectativa, enquanto o homem apenas sorriu em resposta, orgulho evidente no olhar, esticando a mão para bagunçar o cabelo deles.
"Sim, eu consegui," confirmou, com tom caloroso, porém firme.
"Vem comigo. Quero mostrar os resultados para vocês." disse, sem hesitar, enquanto os dois garotos o seguiam, empolgados.
Antes que Leo pudesse compreender o que estava acontecendo, sentiu-se puxado para frente — os arredores mudando completamente, até que o pátio se dissolveu em um espaço desconhecido.
Na sequência, ele se viu dentro de um estudo antigo, de pé atrás do pai e dos filhos, enquanto eles se reuniam em torno de um pergaminho grande e envelhecido.
"Isto... isto é o maior igualador que o universo já viu. Será o legado supremo que deixarei ao universo antes de morrer," disse o homem, olhando com orgulho para o pergaminho antigo, rabiscado provavelmente umas centenas de vezes.
"Ninguém mortal consegue matar um deus, disseram..."
"Só deuses podem matar deuses, disseram..."
Pois bem, isso acabou!
Mortais não ficarão mais subjugados pelos deuses.
Com o uso desta formação indestrutível, um grupo de guerreiros mortais poderosos pode se unir para derrotar um deus, pois nem mesmo deuses escapam dessa armadilha —" disse o homem, enquanto as crianças olhavam com entusiasmo para sua obra.