Assassino Atemporal

Capítulo 95

Assassino Atemporal

(Academia Militar de Rodova – Ala Médica, Bloco A, Um Dia Depois da Luta)

A Ala Médica do Prédio Administrativo era a instalação médica mais avançada de toda a academia — reservada exclusivamente para membros do corpo docente e estudantes que sofressem ferimentos graves.

Não era um lugar onde os estudantes queriam acabar.

No entanto, lá estavam eles.

Leo e Su Yang — companheiros de cama na derrota.

Ambos estavam deitados em suas respectivas camas, envolvidos por grossas bandagens, machucados, machucados e carrancudos, olhando fixamente para o teto em silêncio absoluto, cada um perdido em seus próprios pensamentos, revivendo suas batalhas uma e outra vez.

Já se haviam passado vinte e quatro horas longas e exaustivas desde o término de suas lutas.

E nenhum deles lidava bem com a derrota.

'Eu sou Su Yang! Pertencente à filial principal do Clã Su… Meu avô é um Deus! E ainda assim, não consegui derrotar uma arqueira sem clã.'

Não consegui dar um único golpe nela —'

Pensamentos de Su Yang ferviam de raiva e vergonha enquanto seus dedos fechavam-se em punhos trêmulos, a pressão tornando seus nós 깨 하며 brancos.

Perder pesava sobre ele como uma rocha esmagadora, fazendo-o sentir-se impotente e sufocado sob seu peso.

Crescido toda a sua vida acreditando em sua superioridade. Acreditando que era um gênio supremo, alguém intocável, invencível e destinado à grandeza.

Mas, no final das contas —

Ele fora humilhado.

Não por um guerreiro lendário.

Não por um prodígio colega.

Mas por uma estudante mais velha com um arco.

Alguém sem um sobrenome famoso. Alguém que ele zombara antes mesmo da luta começar.

E ela o fez pagar por isso. Humilhou sua arrogância, e fez com que ele perdesse completamente o apetite, pois não suportava o gosto da derrota.

"Por favor, Estudante Su Yang, precisa se hidratar — caso contrário, seu processo de recuperação será dificultado," implorou a enfermeira, com a voz marcada pela preocupação.

Mas, apesar de sua insistência, Su Yang permaneceu imóvel. Sentado rigidamente na maca, com os braços cruzados e a mandíbula cerrada, recusou-se a sequer reconhecer a tigela de caldo nutritivo à sua frente.

Nem um grão de alimento.

Nem uma gota de água.

Por mais que implorassem, ele não cederia.

E ao seu lado, outra enfermeira suspirou de exasperação, virando-se para o outro paciente igualmente teimoso na sala.

"Por favor, Estudante Leo Skyshard, você precisa tomar seu remédio de recuperação," pediu ela, entregando-lhe uma pequena ampola de líquido brilhante, projetado para acelerar a cicatrização.

Mas Leo, assim como Su Yang, recusou-se.

Embora seus motivos fossem completamente diferentes.

Diferente de Su Yang, cuja derrota fora absoluta, Leo não havia sido humilhado.

Sua luta contra Khyaal não fora uma carnificina de um lado só. Ele lutara de volta. Colocara seu oponente ao limite e quase vencera.

Porém, no fim — ele ainda assim perdera, e a amargura dessa realidade se instalou em seu estômago como uma pedra.

'Eu não poderia ter feito melhor, mesmo se tentasse. Não há nada, com o passar do tempo, que eu pudesse ter feito de diferente.'

Perdi porque simplesmente não era forte o suficiente.

É isso. Essa é a verdade.' Leo percebeu, enquanto essa verdade o enojava.

Cada vez que pensava nisso, uma onda aguda de vergonha o percorria, rastejando sob a pele como uma coceira insuportável.

A derrota não lhe parecianatural.

E, mais do que tudo — ele era um péssimo perdedor.

Seu humor despencara drasticamente após a luta, pesado pela dura realidade de sua própria inferioresa.

Não era a dor das feridas que lhe fazia perder o apetite. Era a vergonha, que o deixava se sentir desconfortável, incapaz de suportar o sabor da derrota e incomodado por estar sob sua própria pele.

"Vocês dois são impossíveis! Vou reclamar com o Diretor!"

Finalmente, a chefe da enfermaria explodiu, jogando as mãos para cima, frustrada.

Antes que pudesse partir em fúria, o som de botas pesadas ecoou pelo ala médica enquanto o Major Hen entrou na sala, seu olhar afiado e autoritário fixando ambos os garotos como uma águia.

A presença dele por si só era suficiente para fazer o ambiente ficar mais pesado.

"Chega," disse Hen simplesmente, com tom firme, mas calmo. "Não deixe a enfermeira se irritar."

E assim — Su Yang imediatamente levantou a tigela e começou a beber o caldo, enquanto Leo, sem palavras, pegou a ampola de remédio e a ingeriu de uma só vez, enquanto a enfermeira piscava, atônita.

"Huh?!" Ela arregalou os olhos diante da cena que se desenrolava à sua frente.

Momentos atrás, esses dois tinham agido como as crianças mais teimosas da academia — mas, no instante em que Hen entrou na sala, eles obedientemente seguiram sua ordem sem questionar.

Hen nem sequer reagiu à sua surpresa. Em vez disso, avançou mais para dentro da sala, cruzando os braços enquanto observava os dois garotos.

"Vocês lutaram bem ontem," declarou, sua voz carregada de autoridade. "Seus fundamentos são fortes. E, embora ainda tenham espaço para evoluir, não tenho dúvidas de que ambos se tornarão excelentes representantes desta academia no futuro."

Su Yang permaneceu em silêncio, com o rosto tenso, enquanto Leo apenas encarava o Major com uma expressão inexplicável.

"Skyshard," continuou Hen, voltando sua atenção para Leo, "sua luta foi fascinante. Você superou todas as nossas expectativas."

Leo não reagiu.

"E você, Su Yang," disse Hen, voltando seu foco ao primeiro ano carrancudo, "tem muito a melhorar. Contudo — se colocarmos de lado o resultado da luta — ainda há muitos pontos positivos na sua performance."

Os dedos de Su Yang enrijeçeram um pouco mais sobre o cobertor, mas ele permaneceu em silêncio.

"Seu equilíbrio com a espada, sua força, seus reflexos — tudo isso é de primeira linha," reconheceu Hen. "Estou convicto de que você possui mais talento bruto na ponta do dedo mínimo do que metade da Classe de Elite no corpo todo."

Su Yang expirou com força pelo nariz.

"Mas talento sozinho não basta," disse Hen de forma direta. "Você é um grande lutador, mas ainda tem um longo caminho pela frente antes de se considerar um verdadeiro guerreiro."

Um momento de silêncio tomou conta do ambiente.

Então — Hen mudou a direção da conversa.

"O restante da sua turma recebeu ontem a primeira dose do Serum de Despertar Genético," informou. "Vocês dois irão receber hoje. Estou aqui para levá-los comigo, assim que a enfermeira liberar sua saída."

O olhar de Leo brilhou de interesse ao ouvir sobre o Serum de Despertar Genético — mas, assim como surgiu a empolgação, ela desapareceu rapidamente, seu semblante escurecendo levemente, e sua voz saiu firme, mas carregada de peso, ao falar.

"Major… sobre nossa seleção para a Equipe de Circuitos," Leo disse, fixando os olhos em Hen.

"O que esse resultado significa para nós?" perguntou Leo, enquanto Su Yang, que estivera carrancudo há pouco, também ficou atento a essa questão.

"Olha, garotos," Hen começou, respirando fundo.

"Estamos no final de junho—" ele fez uma pausa, olhando para o teto, tentando encontrar palavras que soassem suaves.

"O Campeonato de Circuitos Interestudantis acontece em fevereiro do ano que vem. No entanto, a Equipe de Circuitos não fica parada até lá. Durante o ano, participam de várias partidas de treino, visitam outras academias militares para batalhas simuladas, e usam esse tempo para ganhar ritmo e confiança até a grande competição."

Ele hesitou por um instante, depois continuou, seu tom mudando um pouco.

"Se vocês tivessem vencido suas disputas, ambos garantiriam lugares permanentes na equipe e participariam de toda a jornada. Teriam feito parte de todas as partidas de treino, todas as trocas, todos os exercícios de integração."

Leo e Su Yang já sabiam onde aquilo ia chegar.

"Mas, por terem perdido," prosseguiu Hen, encarando-os firmemente, "vocês não terão essa chance."

Silêncio.

Ao invés de protestos imediatos, nenhum dos dois falou, embora suas expressões tenham escurecido.

"Dito isso," continuou Hen, "ainda há uma única maneira de vocês entrarem na equipe."

"Em janeiro, realizamos as últimas seleções para a formação oficial da Equipe de Circuitos," explicou Hen. "Se quiserem representar Rodova no Campeonato Interestudantil como calouros — terão que competir por isso."

Ambos os garotos inspiraram fundo ao mesmo tempo.

"Precisarão derrotar um membro estabelecido em uma luta singular durante as finais," avisou Hen.

"Somente assim conquistarão seu lugar na equipe —" concluiu, seguido de um silêncio pesado após suas palavras.

Derrotar um membro já experiente e consolidado da equipe será muito difícil daqui seis meses, especialmente porque terão tido um ano inteiro de batalhas simuladas e treinos para se preparar para o formato do circuito.

No entanto, alguma esperança ainda era melhor do que nenhuma esperança.

Enquanto Leo e Su Yang decidiram que lutariam por uma vaga na formação final, por mais difícil que fosse o caminho, eles estariam dispostos a trabalhar duro para alcançá-la.

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