Assassino Atemporal

Capítulo 93

Assassino Atemporal

O que foi? Coelhinho? Com medo de lutar comigo sem sua tiny sword na mão?" Leo provocou, girando e brincando com suas adagas enquanto avançava lentamente em direção ao Khyaal, que agora não tinha armas.

*Aplausos*

A multidão explodiu em comemorações ensurdecedoras, apoiando Leo de vez, ao perceberem a mudança de ritmo a seu favor.

No começo desta luta, a maioria tinha duvidado dele. Ele não era a escolha óbvia para vencer, nem esperavam que durasse tanto. Mas, conforme a batalha se desenrolava num espetáculo clássico de Davi contra Golias, algo mudou. O azarão, machucado e ensanguentado, ainda se manteve firme contra uma força esmagadora — e, no final, todos não podiam deixar de torcer por Davi.

Porém, apesar de parecer pelo lado de fora que Leo tinha o controle, na verdade a situação era muito mais sombria.

Seu corpo estava destruído— cheio de hematomas, machucado, mal se sustentando. A quantidade de sangue já perdido fazia sua cabeça parecer leve, sua visão ameaçava ficar turva se ele distraísse por um segundo.

Cada respiração ardia no peito. Cada movimento enviava ondas novas de dor por todo seu corpo. Ele não conseguia mais se mover com toda a força, nem dobrar o corpo em certos ângulos sem o risco de abrir ainda mais suas feridas.

E mesmo assim—ele continuava.

Seu rosto permanecia impassível, seus movimentos eram precisos, e seu sorriso, inabalável.

Para a multidão, ele parecia um predador rondando sua presa ferida. Mas, por baixo da bravata, Leo conhecia a verdade.

Ele não estava aproveitando sua vantagem. Não tinha força física suficiente para isso.

Tudo o que ele podia fazer agora—era fingir que estava forte e lutar até o fim com força de vontade, porque era tudo que lhe restava.


Porém, justo quando ele chegou a menos de dez metros de Khyaal, algo no rosto do adversário mudou, seus olhos passando do choque para a convicção.

"Com medo? De mim? Você, coelhinho?" Khyaal zombou, arrastando o pescoço e sorrindo. "Você exagera, coelhinho. E me subestima."

Um momento antes, uma dúvida momentânea cintilou nos olhos dele, uma hesitação breve sobre como continuar a luta sem sua arma. Mas, no instante em que viu Leo se aproximar, todas as suas dúvidas desapareceram.

A confiança voltou à sua postura, seu corpo largo se endireitou na preparara para enfrentar o oponente de frente.

BOOM!

Khyaal pateou com toda a força, e o impacto foi tão intenso que quebrou o chão sob seus pés. Sem perder tempo, ele enfiou os dedos na terra fragmentada e, com força monstruosa, puxou um grande pedaço de pedra do chão, como se fosse arrancar uma pedrinha qualquer.

Os olhos de Leo se arregalaram, incrédulos.

'Que merda—!' pensou ele, justo quando um som ensurdecedor— WHOOSH!

Antes mesmo de perceber o absurdo do momento, a enorme laje de pedra já vinha em sua direção, em cheio na cabeça dele.

SHUA!

Os instintos de Leo pegaram força. Ele se inclinou para trás numa manobra de fuga desesperada, evitando por pouco o projétil mortal, que passou voando perto de seu rosto.

Como um piscar de olhos depois, ele caiu no chão atrás dele—

BOOM!

A pedra explodiu ao impactar o chão, espalhando estilhaços afiados em todas as direções enquanto a multidão soltava um grito de choque geral.

"MEU DEUS—!"

"Ele... rasgou o chão? Com as mãos?!"

"QUÃO FORTE É ESSE CARA?!"

O espanto era evidente nos gritos da plateia, mas Khyaal não se importava com o que pensavam.

Seu primeiro golpe tinha errado.

E ele não tinha intenção de errar de novo.

Por isso, assim que a primeira pedra se partiu, ele pisou de novo com força, puxando outro pedaço gigante da terra antes de arremessá-lo com ainda mais força.

WHOOSH!

Leo se virou para trás na hora certa, escapando por um fio de cabelo.

Quando explodiu novamente—

BOOM!

Mais uma rocha atingiu o chão com força, enviando outra onda de estilhaços cortantes pelos seus ombros.

Ronco de dor, Leo mal conseguiu processar a agonia antes—

WHOOSH!

Outra pedra já vinha na direção dele.

Velocidade demais.

Perto demais.

E sem tempo para desviar.

"Que merda—" Leo amaldiçoou, enquanto sua mente mal processava o ataque próximo, seu corpo reagindo por puro instinto de sobrevivência, cruzando os braços para se proteger.

CRASH!

Com força brutal, ele foi lançado para trás, suas botas deixando sulcos na terra enquanto lutava para ficar de pé.

Seus braços ardiam de dor, músculos protestando, mas ele não tinha tempo para se recuperar.

Pois Khyaal já estava sobre ele.

"Sua traquinagem não vai te salvar agora, coelhinho." A voz dele era gutural, animal, crua de sede de sangue.

Ele lutava como um verdadeiro berserker—sem armas, sem técnicas, movendo-se com força descomunal.

Onde outros fraquejariam sem uma lâmina, Khyaal prosperava.

Sua força bruta era sua arma, e cada movimento carregava peso devastador; ele era um lutador perigoso mesmo sem sua arma, assim como com ela.

WHOOSH!

Um soco de direita violento veio direto na cabeça de Leo, que se virou para a esquerda na última hora, escapando por pouco do golpe esmagador, seus instintos acionando-se ao máximo para contra-atacar imediatamente, levantando sua adaga e mirando na garganta exposta de Khyaal—

Mas, apesar de um bom contra-ataque, o bruto reagiu mais rápido.

Com força pura, Khyaal segurou o braço de Leo no meio do golpe, freando o movimento da lâmina com uma pegada de ferro, enquanto os olhos de Leo se arregalaram de surpresa, incrédulo.

'Droga—ele é ainda mais rápido sem a espada.' Leo percebeu, ao notar que, sem precisar balançar sua arma pesada, Khyaal se movia com ainda mais liberdade e rapidez.

Khaial sorriu lentamente enquanto fortalecia sua pegada, os músculos tensionando.

"Você é rápido, coelhinho," ele disse, com tom divertido. "Mas eu sou mais forte."

Antes que pudesse fazer algo mais, de repente—

Khyaal puxou Leo para frente com força, acertando seu joelho contra o abdômen dele.

"Uh—Oh," Leo refletiu, sentindo o ar sendo tirado dos pulmões, antes de seu corpo ser levantado no ar com força bruta, com Khyaal levando-o ao céu, para depois jogá-lo com força de volta ao chão—

*THUD*

Leo sentiu o ar sendo arrancado de seus pulmões ao ser lançado ao chão de um impacto forte.

O crânio tremeu, os pulmões se esvaziaram, e, antes que pudesse perceber a dor, Khyaal pressionou suas mãos monstruosas contra seu pescoço, começando a sufocá-lo.

A pressão foi instantânea, avassaladora, enquanto Leo chutava e se debatia contra ela.

Sua adaga direita caiu de sua mão e fez um barulho surdo ao bater na pedra, enquanto a esquerda ameaçava escorregar de seus dedos, à beira de sair do alcance.

'Tenho que lutar de volta—' pensou Leo, lutando desesperadamente com os dedos na adaga na mão esquerda, trazendo-a de volta ao seu firme domínio, e chutando a braço direito de Khyaal com força suficiente para feri-lo —

"KYAAA—" Khyaal gritou de dor, enquanto sangue jorrava de sua ferida como uma fonte, porém, apesar do golpe, ele não soltou a pressão, sufocando Leo com toda sua força.

'Droga—' pensou Leo, com o corpo rasgando por ar.

Visões escureciam nas pontas dos olhos. O mundo embaçava. O coração batia forte, como tambores de guerra em seus ouvidos, enquanto o rugido da multidão, o campo de batalha, o rosnado de Khyaal—tudo se tornava difícil de distinguir, afogado sob o aperto sufocante que esmagava sua traqueia.

'Move-se. Faça alguma coisa. Não desmaie. Não desmaie—' pensou Leo, desesperado, sem alternativas, ativando [Strike Kill] na esperança de cortar um braço de Khyaal —

quando, de repente, explosão!

Sangue. Carne. Osso.

O braço esquerdo de Khyaal foi destruído numa explosão de força bruta, seu bíceps rasgado enquanto músculos e tendões eram despedaçados.

"AAAAA—-"

Um rugido profundo e gutural de dor saiu da sua garganta, porém, mesmo com seu membro destruído, e a dor dilacerando, ele não soltou sua única força remanescente.

Leo exalou ar, corpo todo convulsionando, enquanto Khyaal ainda o mantinha firme com o braço restante.

Seu aperto enfraqueceu um pouco, mas ainda estava lá. Ainda apertando. Ainda sufocando.

O covarde lutava por sua vida, e Leo percebeu neste momento— a vontade absoluta e aterradora nos olhos de Khyaal, que o encarava com convicção, mesmo com um braço arrancado.

'Vou perder—' Leo percebeu, ao notar sua visão piscando, seus membros parando de responder aos comandos do cérebro.

Devagar, o mundo ao redor dele virou nada mais do que barulho distante, enquanto seus pensamentos desaceleravam e sua consciência se apagava.

Então—

Tudo escureceu.

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