Assassino Atemporal

Capítulo 91

Assassino Atemporal

WOOSH—

Mais um golpe devastador de Khyaal cortou o ar, passando a centímetros de Leo.

*BAM*

A força do golpe errante gerou uma onda de choque, fazendo os ossos de Leo estremecerem e obrigando-o a reagir imediatamente. No instante seguinte, Leo ativou [Troca de Lâmina], desaparecendo do lugar e reaparecendo a vinte metros de distância.

Separação.

Era isso que ele precisava naquele momento, uma pausa rápida na luta para recomeçar do zero, ganhando tempo para pensar com calma.

'Pensar, pensar, pensar—' —suplicava seu cérebro, enquanto ele tinha menos de dois segundos antes que Khyaal voltasse a atacar e precisava de um plano já formulado na cabeça!

'Bem, Vazar já não serve mais…' —pensou Leo—, ao perceber que, se Khyaal tinha acesso ao [Visão Completa], provavelmente sua invisibilidade não funcionaria contra ele, assim como seu [Mundo Espelho] também não.

Fazendo com que fosse inútil desperdiçar mana preciosa com isso.

'Mundo Espelho também não adianta.' —refletiu Leo—, pois Khyaal já tinha percebido isso imediatamente.

'E aí, o Golpe Mortal está proibido—' —pensou Leo, frustrado, pois as regras da batalha proibiam o uso de golpes fatais.

O que significava que, mesmo se conseguisse acertar um ataque limpo, seria desqualificado.

'Ou seja, as únicas habilidades que ainda tenho à disposição agora são [Contra-ataque Total], [Amarra Sombria]...

E [Processamento Paralelo]…' —refletiu Leo, logo descartando também o processamento paralelo daquela lista, pois usá-lo por mais de 20 segundos o deixaria completamente paralisado.

'Droga— tô ferrado—' —percebeu Leo, enquanto sua mandíbula se cerrava. A realidade da luta começava a se consolidar rapidamente.

Khyaal o tinha encurralado, deixando a maior parte de suas habilidades principais completamente inúteis.

E em um combate onde seu oponente tinha o triplo de força, quase o triplo de velocidade e resistência superior—

A única chance de Leo vencer…

Era lutar com inteligência.

Ser agressivo—

E fazer seu adversário cometer um erro que pudesse explorar.

Por isso, decidiu ser criativo.

"Para de correr atrás de mim, coelhinho—" —disse Khyaal, enquanto avançava novamente em direção a Leo. Porém, dessa vez, Leo fez algo fora do comum.

Em vez de usar [Amarra Sombria] para prender o oponente, usou-a para criar armadilhas invertidas em forma de ‘U’ por todo o campo de batalha, na esperança de tropeçar Khyaal caso ele pisasse nelas.

E ele pisou!

Na sua correria descontrolada rumo a Leo, acidentalmente colocou a perna em uma das armadilhas, tropeçando de cara — e assim deu a Leo a oportunidade que precisava.

*SHUA*

*SHUA*

*SHUA*

Leo lançou três adagas rapidamente em direção a Khyaal, todas justamente cravadas em suas costas, marcando o primeiro sangue.

*ALVORADA*

Uma explosão de alegria tomou a plateia quando o azarão finalmente acertou um golpe, surpreendendo quase todos com essa reviravolta.

Se fosse uma briga de rua, onde Leo poderia ter suas adagas embebidas em veneno, esse teria sido o fim de Khyaal, que poderia perder a vida por causa dos neurotoxicantes.

Porém, como não era uma luta de rua, o gigante simplesmente se levantou, vestiu uma expressão de desafio e pôs-se a flexionar os músculos das costas, expulsando as adagas como se fossem nada.

*Clang*

*Clang—*

*Clang*

As adagas caíram no chão uma a uma, enquanto Leo levantava uma sobrancelha, incrédulo.

Olhar rapidamente as adagas mostrou que elas penetraram apenas uma polegada na pele de Khyaal, causando uma simples ferida superficial.

'De que é feita a pele daquele rinossauro? Como diabos minhas adagas nem chegaram a penetrar metade dela?' —pensou Leo, surpreso, olhando para as palmas das mãos.

Ele tinha certeza de que não era falta de força—

Era, com certeza, o bruto, cuja defesa era monstruosamente alta, que de alguma maneira havia tornado sua pele tão dura quanto ferro.

"GYAAGHHH—!"

Khyaal rugiu como uma fera de guerra e avançou novamente, sua monstruosa figura avançando como uma avalanche de músculos e fúria imparáveis.

E, naquele exato momento—

Leo sentiu sua bexiga reagir.

Pela primeira vez na vida, entendeu verdadeiramente a expressão 'medo do c*ralho'— só que, no caso dele, foi mais um susto do que uma tragédia real.

Felizmente, ele estava com o tanque vazio.

Mas, se até uma gota estivesse na reserva?

Sim. Sua roupa teria sido destruída.

E, sinceramente?

Nem colocaria a mão no fogo por si mesmo.

Porque ver um monstro de mais de dois metros e meio, cheio de veias saltadas, correndo direto em sua direção aos berros como um berserker do inferno—

Era o pesadelo de maior calibre.

'Não—' —pensou Leo, enquanto usava [Troca de Lâmina] para fugir de novo, teleportando vinte metros para o lado oposto, deixando Khyaal irritado.

"PARA COM ISSO—" —gritou Khyaal, ao se virar, golpeando com toda força a sua espada ao lançar o movimento de área [ Corte Tsunami].

De repente, uma monstruosa onda crescente de força bruta e mana avançou, cortando o chão como um tsunami implacável de destruição.

'O que—'

Os olhos de Leo se arregalaram em horror absoluto ao perceber que o ataque se expandia—crescia, se estendia, engolindo tudo ao seu redor.

Não havia como evitá-lo.

Não havia escapatória.

Era rápido demais. Espandia-se demais. Implacável demais.

Num piscar de olhos, ele já estava bem ali.

'Droga—'

Por um instante, seu cérebro gritou para que usasse [Contra-ataque Total]—para devolver toda aquela força devastadora ao Khyaal.

Mas—

'Se usar Contra-ataque agora, nunca vou ganhar essa luta…'

A ideia cortou sua ansiedade com uma navalha.

'Tenho que enfrentar esse ataque de frente…'

E, naquele momento, um arrependimento profundo nasceu no seu peito.

Pois, pela primeira vez, ele sentiu de verdade as consequências de seu estilo de combate unilateral.

'Poxa… queria ter uma habilidade mais equilibrada…'

Se tivesse—

Não estaria nessa situação.

Não estaria completamente à defensiva.

Nem precisaria se preparar para a sobrecarga de dor que quase rasgaria seu corpo.

Mas—

Já era tarde pra arrepender-se.

BOOM!

A lâmina o atingiu como mil lâminas cortando o ar ao mesmo tempo.

Leo mal conseguiu proteger os órgãos vitais, cruzando os braços sobre o peito e torcendo o corpo na última hora para minimizar os danos.

Mas não foi suficiente.

Seu mundo explodiu em uma dor aguda e ardente.

Shing! Shing! Shing!

Mil lâminas invisíveis rasgaram sua pele.

Sua veste foi rasgada.

Sua carne queima.

Sangue jorrou em finos arcos carmesim enquanto lacerações rasgavam braços, pernas e torso.

A força do ataque o jogou para trás, acertando o chão e deslizando pelo campo de batalha, deixando rastros de sangue.

THUD!

Quando finalmente parou, sua visão tremia, manchas negras dançavam nas bordas da consciência.

Sua respiração estava ofegante.

O corpo todo parecia estar aberto em chagas.

Dor.

Dor.

Tanta dor pra variar.

Seus dedos cravaram no chão enquanto rangia os dentes, forçando-se a não gritar.

Mas, Deus—

Queria muito gritar.

Seu corpo tremia, seus músculos gritavam de dor, mas—

Ele ainda estava vivo.

E isso, basicamente, era tudo.

Lentamente—agonizando—ele conseguiu levantar-se, sangue escorrendo de braços e manchando o chão sob seus pés, enquanto sentia cada ferida, cada corte, cada rasgo na pele.

"Caramba… isso foi pesado," —pensou, enquanto sentia o ferro na boca, um sorriso amargo surgindo nos lábios, ao ver Khyaal sobre ele mais uma vez.

"Acabou, coelhinho—" —disse Khyaal, enquanto desferia um golpe potente, esperando que Leo estivesse completamente indefeso diante dele.

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