Assassino Atemporal

Capítulo 50

Assassino Atemporal

Os olhos negros de Leo se fixaram nos dourados de Su Yang, e ali aconteceu uma batalha silenciosa de vontades entre eles.

A pressão de Su Yang na mão de Leo era firme, inabalável—mas, à medida que os segundos passavam, ele a apertava ainda mais, com uma pressão lenta e deliberada.

Não era apenas um aperto de mão. Era um teste.

Um teste de resistência. De composura.

Os estudantes ao redor assistiam em silêncio tenso, os mais experientes reconhecendo o que estava acontecendo.

Leo sentia o aperto agudo ao redor dos dedos, a forma sutil como Su Yang alterava a pressão para interromper o fluxo de sangue enquanto esmagava os menores capilares sob a pele. Era uma aplicação de força lenta, mas calculada—não suficiente para quebrar ossos, mas suficiente para transmitir uma mensagem.

No entanto, a expressão de Leo nunca vacilou.

Seu aperto permaneceu tão firme quanto tinha sido desde o início. Ele não recuou. Não reagiu.

E Su Yang percebeu.

Sua constrição se alargou, e ele finalmente soltou a mão, recuando um passo.

"Interessante..." refletiu, abanando a própria mão levemente como se quisesse aliviar a tensão. Sua voz tinha um tom de diversão genuína.

Um murmurio percorreu a multidão reunida. Só então, eles perceberam as consequências da troca—a palma de Leo, levemente avermelhada, com manchas escuras começando a surgir onde a pressão tinha sido maior.

Su Yang havia causado ferimentos internos o suficiente para provocar hematomas. E, ainda assim, Leo não demonstrava desconforto algum.

Ele não Winced. Não mexeu os dedos em busca de alívio assim que Su Yang liberou a pressão, nem se mexeu um milímetro, como se a dor não o afetasse de forma alguma.

E isso, mais do que tudo, impressionou Su Yang.

"Sou Su Yang," ele finalmente se apresentou, com um tom carregado de certeza. "Sou o estudante que vai dominar o topo de Rodova neste ano."

As palavras encheram o ar como uma verdade indiscutível.

E, no entanto—

Leo não reagiu.

Não houve sinal de irritação em seu rosto ao ouvir essa afirmação, nem um lampejo de ego.

Seu olhar frio permaneceu impassível, enquanto, silenciosamente, perguntava a Su Yang "E daí?", como se não se importasse com as ambições dele.

O sorriso de Su Yang trepou de leve.

"Não até uma pequena provocação, hein? Tsc. Que arrogância rara." pensou, os olhos dourados brilhando com interesse enquanto inclinava levemente a cabeça.

"Você não quer me desafiar? Não quer provar sua autoridade, Sr. O melhor da turma?" provocou, levantando um pouco o queixo.

Então, sorrindo de lado, bateu de leve no próprio queixo, de forma zombeteira.

"Vamos lá, tenta me acertar. Eu te desafio. Me coloque no seu lugar—se é que consegue."

Um suspiro de surpresa se espalhou pela multidão.

Ele realmente estava convidando Leo para atacá-lo?

Alguns estudantes se inclinaram um pouco, esperando uma explosão instantânea de violência.

Mas Leo não se moveu.

Ele apenas continuou observando.

Firme. Impassível. Intacto, enquanto o ar ao redor ficava carregado de uma tensão não dita.

Então—

Su Yang suspirou.

"Que rival tão sem graça," disse dramaticamente, balançando a cabeça em falsa decepção. "Nem ao menos cai na armadilha de uma confrontação decente..."

Ele bateu a língua antes de devolver seu sorriso descontraído.

"Deixa eu te contar uma coisa, Skyshard."

Sua voz assumiu uma entonação mais grandiosa, quase teatral, enquanto gesticulava em direção aos estudantes ao redor.

"Se quer alcançar o topo de uma instituição, precisa deixar esse aço pulsar bem forte nas veias."

Ela se virou um pouco, cerrando os punhos para fazer as veias pulsarem, enquanto se dirigia não só a Leo, mas a todos que estavam ali.

"Você precisa afirmar seu domínio de forma clara e audaciosa, para que quem está abaixo nunca se iluda achando que é seu igual."

Alguns estudantes engoliram em seco, já sentindo o peso invisível de suas palavras.

"Deve esmagar a competição mais fraca de forma absoluta e definitiva, para que elas jamais oussem levantar a cabeça contra você, exceto com medo ou respeito."

O olhar de Su Yang voltou a ser afiado, como uma lâmina, para Leo.

"Você é frio demais, Skyshard. Não é necessariamente uma coisa ruim, mas com essa atitude, nunca será um líder."

Seu sorriso se aprofundou.

"Você vai acabar sendo um eterno solitário."

As palavras tinham peso, mas Leo permaneceu imóvel.

Su Yang deu uma risada.

"Deixe o ferro na sua veia fazer barulho. Mostre a esses talentos menores que você e eles não são a mesma coisa."

Ele deu um passo à frente, baixando um pouco a voz para que só Leo ouvisse suas próximas palavras.

"Ou então... eles vão te arrastar para a mediocridade junto com eles."

Depois—

Ele deu as costas, com um toque casual no ombro de Leo, e se virou.

"Até mais, Skyshard. Acho que vamos ser bons amigos," disse Su Yang, com um tom carregado de satisfação evidente.

Hoje, ele não conseguiu a reação que desejava de Leo.

Mas, no fundo, sabia que chegaria lá.

E isso era uma certeza.


(Ponto de vista de Su Yang)

No caminho de volta ao seu alojamento, o sorriso satisfeito lentamente desapareceu dos lábios de Su Yang.

Pela primeira vez desde que chegou a Rodova, ele percebeu que algo incomum surgira nele.

Não era irritação. Não era raiva.

Era curiosidade.

'Ele é perigoso,' concluiu Su Yang, estreitando ligeiramente os olhos dourados.

Havia algo em Leo Skyshard que o deixava desconfortável—não de uma forma que o fizesse se sentir ameaçado, mas de uma maneira que ativava seus instintos.

A tolerância de Leo à dor, seu olhar firme, sua completa ausência de reação—não era apenas disciplina.

Era algo muito mais sofisticado. Algo cultivado ao longo de anos de treino, não para se exibir, mas para sobreviver.

'O autocontrole dele é absurdo.'

Maior parte dos guerreiros, especialmente os jovens, carregam uma chama interna—uma resposta emocional ao desafio. Mesmo os mais disciplinados mostrariam ao menos uma sobrancelha arqueada ou uma faísca de orgulho.

Mas Leo?

Nada.

Nem um tremor de irritação. Nem uma faísca de competitividade.

Nem mesmo diversão.

Não é arrogância. Não é confiança.

É indiferença.

E isso, mais do que tudo, é o que mais incomoda Su Yang.

Pessoas sem ambição não o preocupam.

Pessoas com ambição demais são fáceis de manipular.

Porém, alguém como Leo? Alguém cujo impulso é impossível de prever?

Esse é um problema.

'Ele é perfeito,' pensou Su Yang, mexendo os ombros levemente. 'Não posso mexer com ele com provocações, e ele também não parece do tipo de quem apoia os outros ou forma laços profundos de amizade. É o guerreiro mais direto que já conheci.'

Para alguém como Su Yang, cuja reputação foi construída com carisma, dominância e guerra psicológica—Leo Skyshard era uma anomalia.

Um completo fora da curva.

E ele odiava outliers.

Porque outliers não podem ser previstos.

Se Leo fosse seu rival, ele queria saber como provocá-lo na batalha, como acionar seus botões para tirar vantagem na hora do enfrentamento. Mas, até hoje, não encontrou nada que despertasse o garoto.

"Tsc. Que se dane. Quando chegar na luta de verdade, vou ver que tipo de fera ele realmente é—" murmurou Su Yang baixinho, com um sorriso de canto nos lábios ao abrir a porta de seu quarto.

'Planejava aproveitar cada momento da minha escalada ao topo este ano. Mas talvez… ter alguém tentando acompanhar meu ritmo torne tudo mais emocionante.'

Com esse pensamento, entrou, fechando a porta atrás de si.

Leo Skyshard talvez não tenha se deixado levar pelas provocações hoje.

Mas Su Yang sabia exatamente o contrário—

O orgulho de um guerreiro sempre aparece na batalha.

E ele mal podia esperar para ver esse momento.

Já que seu rival era tão interessante, mal podia esperar para desafiá-lo a cada oportunidade.

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