Assassino Atemporal

Capítulo 58

Assassino Atemporal

Após receberem seus hologramas de habilidades, o Professor Powell orientou os estudantes a revisarem seus pergaminhos, garantindo que compreendessem os conceitos básicos antes de fornecê-los uma explicação mais detalhada.

Seguindo suas instruções, todos ativaram seus hologramas designados, enquanto diagramas e explicações piscavam diante deles.

Cada holograma continha um mapa de circulação de mana, ilustrando como ativar a técnica Visão 360° atribuída a cada um. Embora o conceito fundamental fosse o mesmo, a funcionalidade específica do movimento variava de acordo com o grau da habilidade.

Para a maioria da turma—aqueles designados para a técnica "Visão Periférica"—a habilidade funcionava como um sonar passivo.

Ela alertava-os sobre movimentos em seus pontos cegos o tempo todo, mas sem fornecer uma imagem clara. Era como ter um radar interno constantemente detectando irregularidades atrás deles, porém sem detalhes precisos.

Os limites de seus sentidos apenas os avisavam sobre projéteis vindo na direção deles e o tamanho aproximado, mas não revelavam a forma exata.

Era impossível para um usuário de "Visão Periférica" distinguir entre uma pedra e uma adaga vindo na direção dele; contudo, ter a habilidade de detectar projéteis vindo de seu ponto cego já era uma grande vantagem.

Por outro lado, os estudantes que tinham a habilidade "Visão Completa" tinham acesso a um método de percepção mais avançado.

Em vez de uma consciência geral, sua percepção tornava-se tridimensional.

Eles podiam perceber profundidade, forma e distância, criando uma imagem mental dos objetos em seus pontos cegos.

Podiam focar ativamente em uma área específica sem precisar virar a cabeça para procurar inimigos atrás de uma árvore ou garantir que aliados estivessem junto, tornando esse sistema muito mais refinado do que uma simples advertência.

No entanto, ainda havia limitações nesse método.

Mesmo usando essa técnica, eles não podiam perceber cores nem outras informações sensoriais de seus pontos cegos, o que tornava menos eficiente para detectar ilusões. Mas, de qualquer forma, era uma técnica excelente para se dominar.

Por fim, no nível mais avançado, "Visão Absoluta" não tinha essas restrições.

Em vez de usar um senso semelhante ao sonar ou mapeamento tridimensional, essa versão da habilidade eliminava completamente os pontos cegos.

Por meio de uma manipulação avançada de mana, o usuário podia perceber o ambiente diretamente, como se tivesse olhos na nuca, gerando uma imagem mental semelhante a olhos reais.

Com essa técnica, o cérebro processava as informações exatamente como na visão normal, criando um campo de visão de 360° sem costura, incluindo tudo desde as cores até a percepção de profundidade precisa.

Uma vez dominada, a pessoa poderia perceber o mundo com os olhos fechados e nunca sentir a diferença.

Com essa habilidade totalmente dominada, emboscadas contra o usuário se tornariam quase impossíveis, pois ataques furtivos perderiam todo sentido.

Era a eliminação total das limitações naturais da visão humana, o limite do que uma habilidade de percepção poderia alcançar.


Enquanto os estudantes estudavam seus pergaminhos, ficava claro o quão diferente era a dificuldade de entender os diagramas de cada mesa.

Aqueles com Visão Periférica tinham um padrão de circulação simples—bastava expandir a consciência.

Já a Visão Completa exigia um fluxo de mana mais elaborado, permitindo o mapeamento espacial tridimensional.

Porém, a Visão Absoluta tinha a estrutura mais complexa.

O mana do usuário precisaria ser controlado com precisão, e o cérebro precisaria ser alimentado continuamente com informações visuais sem sobrecarregar os sentidos.

Não era só uma técnica—era uma reconfiguração completa de como a percepção do cérebro funcionava.

Por isso, enquanto a maioria dos estudantes tentava entender o básico, Leo e Su Yang se esforçavam para decifrar o diagrama absurdamente complexo à sua frente.

Particularmente Leo, que achava tudo aquilo extremamente difícil de compreender.


Leo leu as instruções do seu pergaminho: "Circulte a mana conforme mostrado no diagrama à sua frente—" e percebeu que não se lembrava de como movimentar a mana dentro do corpo de jeito nenhum.

Era a mesma limitação que enfrentou no dia anterior, quando passou horas tentando praticar seu recém-adquirido Manual de Meditação, sem sucesso algum.

Por mais que se concentrasse, por mais que tentasse forçar o corpo a seguir, não havia reação. Ele não conseguia perceber, muito menos manipular, a mana que fluía dentro dele.

Na época, aceitou que precisaria aprender o básico de percepção e circulação de mana antes de fazer qualquer avanço significativo.

Mas o que não esperava é que logo no dia seguinte sua incapacidade de realizar uma função tão básica se tornasse um problema real.

E lá estava ele, enfrentando exatamente isso.

O olhar de Leo fixou na figura projetada à sua frente.

O gráfico detalhado de circulação de mana mapeava precisamente os trajetos necessários para ativar a técnica Visão Absoluta.

O conceito era simples, em teoria—seguir os trajetos, direcionar o fluxo e interagir com a mana ao redor para criar um campo de percepção contínuo.

Mas, para Leo, tudo isso não significava nada se ele nem ao menos soubesse dar o primeiro passo.

"Droga." Ele expirou com força, soltando um leve palavrão, responsabilizando-se pela perda de memória por colocá-lo nessa situação desnecessária.

Porém, antes que pudesse se afundar em autopiedade, foi o Professor Powell quem chamou atenção, iniciando uma explicação sobre como dominar a técnica.

"Tudo bem, pessoal, escutem um instante—" ele começou, chamando a atenção de todos para si mesmo.

"Vou compartilhar minha experiência de como dominar esse método. Embora os detalhes variem de pessoa para pessoa, vocês enfrentarão basicamente três fases de dificuldades para aprender essa técnica.

Na primeira fase: Vocês vão aprender a ativar essa técnica sem precisar olharem para o diagrama.

Este é o passo mais fácil. Tudo que precisam fazer é memorizar a técnica perfeitamente e aprender a ativá-la sempre que quiser.

Usar uma vez dará a vocês de 3 a 5 segundos de visão de 360°, o que já é suficiente por enquanto.

Na segunda fase: aprendem a fazer isso durar para sempre.

Basicamente, vocês vão treinar o cérebro para ativar a técnica dentro do tempo de uma respiração, tornando-se algo automático, como se fosse uma segunda natureza.

Esse é o estágio mais difícil, e muitos de vocês terão dificuldades aqui.

Na última fase, aprenderão a fazer isso de forma subconsciente. Transformar a técnica em um buff passivo, ativo o tempo todo, até mesmo enquanto dormem.

Vão performar isso sem esforço, sem precisar pensar em como fazer, e aí alcançarão (Básico) domínio.

Minha expectativa é que todos vocês alcancem (Básico) domínio dessa habilidade nas primeiras quatro semanas de aula, sendo que cada sessão até o dia da avaliação será mais voltada a tirar dúvidas, ajudando quem tiver estagnado em algum ponto específico.

Podem escolher participar ou não. Mas na avaliação, espero que todos tenham alcançado (Básico) para passar e (Intermediário) para tirar nota máxima." Powell concluiu sua fala, encerrando a lição do dia nesse tom.

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