
Capítulo 52
Assassino Atemporal
(Ponto de vista de Leo – Academia Militar Rodova, Salão de Treinamento C-2, Manhã cedo)
Leo mal teve tempo de se ajustar à sua nova rotina antes que o primeiro dia de treinamento o atingisse como um trem de cargas.
A academia funcionava com uma rotina brutal, e os alarmes do alojamento soaram exatamente às 4h30, marcando o início do dia sem misericórdia.
Leo mal conseguiu se arrastar para fora da cama, vestir seu uniforme de treino e sair de casa antes de ser conduzido até o Salão de Treinamento C-2, onde acontecia a primeira aula de todas as manhãs — Condicionamento Físico & Treinamento.
Agora, de pé no salão enorme, observava a disposição implacavelmente eficiente.
O espaço era vasto, com fileiras de equipamentos de treino pesado, cordas de escalada, manequins de peso e obstáculos que pareciam mais pertencer a um campo de batalha do que a uma academia.
As paredes estavam revestidas com racks de coletes com peso, pilhas de placas de ferro e faixas de resistência que pareciam feitas para dragões, não para humanos.
Alguns estudantes cochichavam enquanto observavam a configuração.
"Estamos treinando ou indo para a guerra?"
"Ouvi dizer que o instrutor é brutal."
"É, o Professor Marvin, né? O cara é ex-militar. Treinava soldados de verdade antes de vir pra cá."
Leo ignorou a conversa, seus olhos vasculhando os estudantes ao redor.
Alguns pareciam sonolentos. Outros, estavam energizados. E então, havia os poucos — como Su Yang — que permaneciam ali totalmente impassíveis, como se aquilo fosse só mais uma rotina matinal.
'Então essa é a Turma de Elite', pensou Leo, enquanto olhava ao redor, vendo como todos ao seu redor pareciam excepcionais de uma forma ou de outra.
Todos carregavam uma postura de dignidade.
Ninguém fazia gestos ou confusões desnecessárias, e a maioria era cortês e reservada.
Cerca de 90% do grupo tinha origem nobre, enquanto os poucos restantes eram tímidos demais para fazer contato visual com os outros.
'Que aula chata—' pensou Leo, mexendo os ombros, sentindo uma leve dor nas articulações por causa do encontro de ontem com Su Yang.
Então—
BA-BOOM!
As portas de aço pesadas na frente do salão se abriram de repente, e um homem que parecia ter sido esculpido na pedra entrou.
'Será que aquele é o Professor Marvin?' Leo se perguntou, enquanto o homem se aproximava.
O homem era uma muralha de músculos, seu uniforme de treino sem mangas revelando braços grossos, marcados por cicatrizes de batalhas.
Sua expressão transmitia uma autoridade pura e inquestionável, e a própria presença dele fazia o ambiente parecer menor.
Os estudantes imediatamente endireitaram-se ao sentir o olhar do homem varrer o grupo, como se ninguém quisesse enfrentá-lo.
Depois, com uma voz profunda e direta, ele falou—
"Sejam bem-vindos ao Condicionamento Físico & Treinamento. Sou Marvin Gallows, mas podem me chamar de Professor Marvin."
Seu tom não tinha calor algum. Nenhum acolhimento. Apenas uma disciplina militar pura e dura.
"Não dou a mínima para quem vocês são. Não me importo de qual clã vocês vêm. Não me interessa se têm talento de nível Monarca ou se são apenas ratos da rua que mal rastejaram até aqui."
Ele cruzou os braços, seu olhar afiado como uma lâmina.
"Nesta sala, todos são iguais."
Disse, enquanto estreitava o olhar para Su Yang.
"Não me interessa o quão forte você acha que é. Se você não consegue superar, sobreviver e dominar o inimigo, você já está morto."
Alguns estudantes se incomodaram, trocando olhares desconfortáveis.
Sorrisinho nos lábios de Marvin, como se conseguisse sentir a dúvida deles.
"A maioria de vocês nunca sentiu o que é realmente estar exausto. Ter cada gota de força do corpo drenada, e ainda assim esperar que continuem lutando. Por isso, a maioria de vocês não entende a importância do treino físico e da preparação—"
Ele falou, sua voz suavizando um pouco.
"Vou dizer uma coisa só uma vez, então ouçam com atenção—"
"Se você é um assassino, enfrentará situações onde precisará percorrer uma grande distância em questão de segundos. Seja para chegar perto de um alvo antes que escape ou para superar uma patrulha inteira de perseguidoras, sua capacidade de se mover determinará se você vive ou morre."
O olhar gélido dele varreu os estudantes nervosos.
"No dia em que suas pernas fraquejarem antes da sua vontade de sobreviver, você morre."
Um silêncio tenso tomou conta do salão de treinamento.
O tom de Marvin diminuiu um pouco, mas o peso de suas palavras só se tornou mais pesado.
"Se você é um espadachim, imagine o seguinte—sua unidade está sitiada em uma fortaleza no topo de uma colina. A única abertura é uma brecha de cinco minutos ao amanhecer, quando as patrulhas noturnas se deslocam e a neblina da manhã está no ponto máximo."
Ele fez uma pausa, deixando a imagem entrar na cabeça de todos.
"Nesse curto espaço de tempo, você precisa escalar a rocha, invadir as muralhas e eliminar os sentinelas do portão—tudo antes que a mudança de turno perceba que algo está errado."
Seu olhar penetrante endureceu.
"Mas e se você for lento demais? E se não for forte o suficiente para carregar seu equipamento até o topo? E se sua resistência acabar antes de chegar ao topo?"
Um silêncio sufocante.
"Então você morre. E, junto com você, toda a sua unidade também morre."
Marvin deixou as palavras pairarem, permitindo que elas penetrem na alma de cada estudante presente.
Depois, seu olhar se deslocou.
"E arqueiros…"
Alguns estudantes se endireitaram por impulso.
Marvin sorriu levemente.
"Acha que a distância te protege? Que estar em um ponto elevado te torna intocável?"
Ele deu uma risada seca.
"Deixa eu te explicar como um arqueiro morre."
Ele levantou a mão, imitando o puxar de uma corda de arco.
"Você subiu a um local elevado — uma crista, uma torre, uma árvore. Assume a posição, com as flechas carregadas e sua mira fixa no campo de batalha abaixo."
Marvin estalou os dedos.
"Os primeiros disparos voam certos. Seus inimigos caem. Você se acha um caçador acima do caos."
Então— seu rosto escureceu.
"Mas aí——"
"Eles te encontram."
Ele deu um passo lento adiante.
"Escalam a crista. Invadem a torre. Incendeiam a floresta sob sua posição."
O tom de Marvin ficou frio, como um sussurro.
"Você tenta puxar outra flecha——mas seus dedos tremem. Sua respiração fica ofegante. Seus braços estão fracos demais para puxar a corda do arco de novo, porque, após horas de batalha, você está exausto."
Outra pausa.
"E no exato momento que hesitar——você morre."
Suas palavras ressoaram como golpes de martelo.
"A diferença entre um franco-atirador e um cadáver? Resistência. Força. Capacidade de continuar atirando quando o corpo grita para parar."
Seus olhos varreram a sala, pairando sobre cada estudante, marcando sua lição neles.
"Não importa qual seja sua profissão—se seu corpo te abandonar antes do fim da batalha, então você nunca foi realmente apto para lutar."
Um silêncio pesado seguiu.
Marvin respirou fundo, mexendo os ombros.
"É por isso que treinamos."
Depois, sua voz voltou ao modo de comando completo.
"Agora—se preparem para o treino, e lembrem-se: se não treinarem até acharem que vão morrer, um dia vocês morrerão de verdade."
"Hoje, começamos com algo leve. Faremos uma corrida com colete de peso de 25Kg, seguida de exercícios simples."
Peguem um colete e formem fila—" instruiu Marvin, sem que ninguém hesitasse sequer por um segundo.
Todo mundo foi pegar um colete, porém, quando chegou a vez de Leo pegar o dele, Marvin de repente interrompeu.
"Não você, Skyshard. Você, Su Yang, Mu Shen, os três estão no topo do ranking, então vão começar com um colete de 40kg."
"Como vocês querem se exibir como os melhores, também devem se comportar como os melhores", disse Professor Marvin, enquanto Leo olhava para ele confuso.
Por que ele já sabia o nome dele?
E desde quando ele se achava o melhor para se exibir?
Que coisa absurda era essa?