Assassino Atemporal

Capítulo 39

Assassino Atemporal

(Academia Militar Rodova – Departamento de Monitoramento Físico, Entrada na Biocâmara)

Leo desceu da plataforma de escaneamento enquanto a assistente apontava para uma estrutura enorme, semelhante a uma cápsula, integrada na parede mais distante da instalação de testes.

Ela tinha quase três metros de altura, com superfície lisa e reforçada, coberta por inscrições rúnicas intrincadas que brilhavam suavemente em pulsações rítmicas.

Na parte dianteira, transparente, seu interior era pouco iluminado, com um assento central rodeado por inúmeras tubos finíssimos e pads de sensores embutidos.

Era uma Biocâmara.

"Certo, você está preparado", disse a assistente, folheando sua arma de dados. "Hora de entrar."

Leo lançou um olhar cauteloso para a câmara. Parecia mais uma unidade de contenção do que um dispositivo de teste.

"Me lembra de novo o que isso faz?" perguntou enquanto se aproximava.

A assistente sorriu de lado. "Quantifica todas as suas características físicas, até o nível celular."

Leo a olhou. "E eu só fico sentado?"

Ela riu suavemente, apontando para a porta aberta da câmara. "Ah, vai fazer muito mais do que isso, bonito. Mas você vai descobrir logo."

Não deu muita confiança.

Mesmo assim, sem muitas opções, Leo avançou, colocando um pé dentro do dispositivo, seguido pelo outro.

SOM.

Um selo pressurizado foi ativado, e a porta transparente deslizou para fechar atrás dele.

Quase imediatamente, a temperatura dentro da câmara despencou, enquanto o ar frio preenchia o espaço e inúmeros sensores invisíveis tomavam conta.

Uma voz mecânica ecoou de dentro.

"Início do escaneamento vital. Sujeito: Skyshard, Leo."

Leo assistia às telas holográficas que piscaram à sua frente, linhas de dados rolando rapidamente enquanto analisavam sua composição corporal.

A voz da assistente entrou pelo intercomunicador. "Primeira fase — escaneamento passivo. Fique tranquilo enquanto mapeamos suas estatísticas de base."

Leo respirou fundo e recostou-se na cadeira, enquanto restrições finas e flexíveis envolvendo seus pulsos e tornozelos ficaram frouxas, não restritivas, mas firmes o suficiente para evitar movimentos desnecessários.

Um instante depois, as paredes internas da câmara pulsaram com uma onda de mana, varrendo seu corpo em um movimento de varredura.

Leo não sentiu dor, mas percebeu algo absurdo.

Uma leve sensação de formigamento, como eletricidade estática dançando na pele, enquanto os fluxos de dados holográficos piscavam na sua frente.

[Altura: 1,85 m]

[Peso: 72 kg]

[Densidade Muscular: Alta]

[Flexibilidade: Avançada]

[Eficiência na Circulação de Mana: Inusitadamente Alta]

Quando aquela última estatística apareceu, a assistente emitiu um som de satisfação do lado de fora. "Nossa. Sua circulação de mana é extremamente eficiente. Deve ter habilidades excelentes agora, não acha?"

Leo permaneceu calado, processando as informações.

Ele tinha alguma habilidade?

Não tinha certeza, pois sem suas memórias, não podia afirmar nada com certeza.

Sabia, porém, que possuía uma habilidade estranha de lutar, com o mundo ao redor em câmera lenta, mas não sabia ativar essa habilidade sob comando.

"Certo, fase dois: avaliação de força", disse a assistente do lado de fora, interrompendo seus pensamentos, enquanto uma voz mecânica, dentro da pod, prosseguia:

"Fase dois iniciada…."

Quase que imediatamente, próbes finíssimas saíram das paredes da câmara, avançando com precisão sobrenatural, enquanto os músculos de Leo se tensionavam instintivamente.

Então—

Pinçamento.

Cem agulhas microscópicas pressionaram simultaneamente seus braços, ombros, pernas e ventre — embutindo-se logo abaixo da pele, agarrando suas fibras musculares como uma teia complexa.

A respiração de Leo ficou presa.

A sensação era… estranha. Não doía, mas era inquietante. Era como se milhares de fios invisíveis estivessem entrando em seu corpo, mapeando cada fibra muscular, enquanto lá fora, a assistente monitorava os dados.

"Certo, Leo. Não se mexa. Essas agulhas estão medindo a densidade muscular exata e a composição das fibras."

Ele expirou lentamente, forçando-se a permanecer imóvel enquanto o processo continuava.

Logo, a exibição interna da câmara começou a processar rapidamente os dados.

[Potencial de Força: 3.210 kgf]

[Densidade Muscular: Alta]

[Proporção de Tipos de Fibras: 23% Fibras Lentamente Contraídas | 77% Fibras Rápidas]

A assistente sorriu satisfeita.

"Força bruta acima da média, mas..." ela parou, tocando sua arma de dados.

Então—

"Ah. Droga."

Leo franziu a testa. "O que foi?"

A assistente soprava baixinho, surpresa.

"Sua composição muscular é… estranha. A maioria das pessoas tem uma mistura equilibrada de fibras de contração lenta e rápida. Mas 77% de fibras rápidas? Isso é absurdo."

Leo assimilou a informação.

Fibras rápidas eram responsáveis por velocidade e explosão de força, não por resistência ou força sustentada.

Ou seja—

Ele não era feito para batalhas longas de força bruta.

Ele era feito para devastação instantânea.

As agulhas se retrataram de repente, sumindo nas paredes da câmara.

Depois—

"Avaliação de força concluída. Seguimos para o teste de potência explosiva."

Leo mal teve tempo de reagir antes de—

BZZZT.

Um pulso de eletricidade atravessou a câmara como uma descarga violenta, invadindo seu sistema nervoso.

Todo o corpo de Leo convulsionou por um instante — e, antes mesmo de registrar o choque, seus músculos se enovelaram e se soltaram com reflexo.

A coluna arqueou. Os braços se sacudiram. Cada fibra muscular de seu corpo disparou ao mesmo tempo.

O teste não era apenas para medir força.

Era para testar o tempo de reação muscular e quão rápido seu corpo poderia liberar o máximo de força assim que fosse ativado.

As telas da câmara piscavam novamente—

[Potência Explosiva: 9.870 kgf]

Silêncio.

Depois, lá fora, da câmara—

"Caramba. Que absurdo."

A assistente fixou os olhos nas leituras, apertando as mãos ao redor de sua arma de dados.

"Isso… isso é absurdo."

Leo expirou com força, sentindo a carga residual ainda piscar por seus nervos.

Seu corpo não era feito para força lenta e esmagadora.

Era feito para destruição instantânea.

Porém, a quantidade de força que poderia gerar era tão absurda que suas leituras pareciam as de um novato da primeira turma.

"O professor Marvin vai adorar te estudar… Já imagino a reação dele ao ver seu painel de dados estudantis", disse a assistente, clicando em alguns botões na arma de dados, enquanto um acessório parecido com uma máscara de oxigênio descia de cima da câmara.

"Coloque, ajuste sobre seu nariz e boca, e aperte a faixa—" ela instruiu, enquanto Leo fazia o que foi mandado.

"O próximo teste vai verificar sua função pulmonar e sanguínea. Sua capacidade de pulmão, velocidade de transporte de oxigênio para o corpo, além de como seus músculos suportam o acúmulo de ácido lático", disse a assistente, enquanto, sob seu comando, começava o terceiro teste.

"Terceiro teste, iniciado…." A voz mecânica dentro da câmara anunciou, e imediatamente uma rajada de oxigênio puro atingiu o nariz de Leo.

O ar entrando pela máscara era revigorante, quase artificial, enquanto seus pulmões se expandiam para respirar.

Era… limpo. Demasiado limpo. Como se cada respiração estivesse eliminando o cansaço, inundando seu sangue com energia pura e sem impurezas.

Por alguns segundos, nada mais aconteceu.

Depois—

HSSSSSS.

A oferta de oxigênio foi cortada, substituída por uma mudança súbita na composição do ar.

O peito de Leo ficou um pouco mais apertado ao perceber que o oxigênio respirável diminuía rapidamente, sendo substituído por ar mais rarefeito e menos concentrado.

"Seu corpo agora está sendo exposto a condições de baixo oxigênio, simulando ambientes de alta altitude. Isso vai medir sua capacidade pulmonar, taxa de absorção de oxigênio e resistência geral sob estresse", explicou a assistente, enquanto Leo inspirava lentamente, ajustando-se à mudança súbita.

Ele respirou mais fundo, controlando cada inspiração ao máximo, minimizando esforço desnecessário, enquanto uma nova série de dados pulsava na exibição holográfica da câmara.

[Saturação de Oxigênio em Repouso: 99%]

[Frequência Cardíaca: 52 bpm]

[Capacidade Pulmonar: 8,1 litros]

[Eficiência de Absorção de Oxigênio: 34% acima do padrão]

Um assobio baixo veio de fora.

"Caramba. Sua capacidade pulmonar já supera a de quase todos os cadetes do primeiro ano. E sua eficiência de absorção de oxigênio… também é notável."

Leo permaneceu calado, focado na respiração.

Apesar do ar ficar cada vez mais rarefeito, não se sentia tonto, nem sinais de estresse em seu corpo.

Então, sem aviso, novamente—

BZZZT.

Um choque de baixa voltagem percorreu seu sistema, sem causar dor, mas suficiente para fazer os músculos reagirem.

Simultaneamente, o ar na câmara ficou ainda mais rarefeito.

Seu pulso acelerou, o peito se apertou enquanto sua demanda por oxigênio aumentava.

"Agora vamos verificar como seu sangue transporta oxigênio sob estresse", disse a voz da assistente com um toque de curiosidade. "Seus músculos estão forçados a trabalhar mais, enquanto seu fornecimento de oxigênio diminui. Vamos ver quanto tempo consegue aguentar antes que seu sangue comece a pedir ar desesperadamente."

Leo exalou devagar, mantendo a respiração controlada.

Os dados continuaram a aparecer—

[Saturação de Oxigênio no Sangue: 94%]

[Frequência Cardíaca: 91 bpm]

[Produção de Energia em Déficit de Oxigênio: 42% acima do padrão]

A assistente riu, divertida.

"Olha só. Sua retenção de oxigênio no sangue é absurda."

Leo não precisava que ela dissesse. Ele sentia.

A maioria das pessoas começaria a ficar tonta ou lenta nessas condições. Seus músculos gritariam, a visão escureceria, o instinto entraria em pânico.

Mas Leo se sentia… bem.

Seu corpo não reagia com desespero — estava se adaptando.

Ajustando-se.

Prosperando.

Ele podia suportar.

Porém, outra mudança ocorreu. Os níveis de oxigênio despencaram ainda mais.

Leo exalou pelo nariz, mantendo-se firme, forçando-se a não reagir enquanto o teste atingia sua fase final.

Por quase três minutos completos, permaneceu ali, imóvel e calmo, ajustando os pulmões, circulando o sangue, com as fibras musculares preparadas, até começar a perceber a queda na visão, seu corpo desistindo ao final do teste.

Depois—

HSSSSSS.

O oxigênio voltou com força total.

Leo inspirou fundo, sentindo o ar inundar seu corpo instantaneamente, enquanto a voz mecânica da câmara confirmava:

"Teste Cardiovascular e Pulmonar: Concluído."

Por um instante, Leo permaneceu imóvel, respirando pesado até se recuperar, enquanto a assistente via seus dados com surpresa.

Avaliação cardiovascular e pulmónica:

➤ Capacidade Pulmonar: Superior. Cadete demonstra uma absorção de oxigênio excepcionalmente alta e utilização eficiente. Capaz de esforço prolongado com fadiga mínima.

➤ Eficiência de Oxigenação do Sangue: Excepcional. Distribuição rápida de oxigênio por músculos e órgãos, permitindo recuperação acelerada e desempenho máximo sustentado.

➤ Tolerância ao Ácido Lático: Alta. A resistência muscular do cadete permanece estável sob acumulo de ácido lático, atrasando significativamente a fadiga em comparação aos recrutados comuns.

A avaliação geral do sistema cardiovascular foi excelente. O cadete apresentou potencial de resistência superior, com marcadores fisiológicos indicando stamina de elite em condições de alta intensidade.

A máquina ofereceu uma avaliação excelente a Leo, colocando-o na faixa mais alta entre seus colegas nos poucos testes físicos realizados.

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