
Capítulo 34
Assassino Atemporal
(Academia Militar de Rodova – Hall de Avaliação Psicológica, Externamente à Sala de Testes)
Leo caminhava ao lado de seus colegas, seguindo a procissão silenciosa pelo longo corredor fortemente protegido que levava à sala de avaliação psicológica.
Ninguém falava.
Não porque tivessem sido instruídos a ficar quietos, mas porque ninguém queria ser o idiota que parecisse empolgado com um teste que poderia decidir seu futuro sozinho.
O corredor era equipado com várias portas de segurança, cujos quadros de aço reforçado brilhavam sob as luzes brancas e frias acima. Para uma avaliação psicológica simples, a quantidade de segurança aqui parecia excessiva. Mas a academia não arriscava.
Afinal — não era apenas uma prova.
Era uma triagem.
Logo, chegaram ao final do corredor, onde uma porta dupla preta, pesada, se destacava à frente. Uma fila de cadeiras de metal alinhava-se na parede ao lado dela, e, sem instruções, todos se sentaram.
Um por um, os recrutas eram chamados para entrar na câmara de testes — cada nome era anunciado em voz alta por um instrutor careca, sério, que ficava na porta de entrada, enquanto os demais permaneciam em silêncio, esperando sua vez.
*******
No começo, toda a sala estava estranhamente silenciosa.
Os únicos ruídos eram os ocasionais de estudantes mexendo-se nas cadeiras, batendo os pés no chão sem querer ou alguém estalando os dedos alto demais.
Até que alguém, com mais nervos do que juízo, finalmente falou.
"Fodeu, esse é o único teste que não dá pra fingir."
Um recrut magricelo, de corte de cabelo militar, passou a mão no rosto, exalando um suspiro forte.
Perto dele, um cara musculoso, com uma cicatriz grossa atravessando a bochecha, topou com a cabeça em concordância.
"Não é pra menos. Testes físicos? Dá pra treinar. Potencial genético? Você nasce com ele." Ele se recostou, com postura relaxada demais para alguém enfrentando um interrogatório psicológico. "Mas esse? É só uma FDP maneira de descobrir se você é um psicopata ou uma vadia com alma."
Uma garota de cabelo escuro bufou, cruzando os braços.
"Te conectam a uma máquina, te colocam numa cadeira e começam a fazer perguntas sobre as quais não dá pra mentir." Ela virou o pescoço, estalando as juntas. "Não importa o que você diga — se seu cérebro discordar, eles vão saber."
"Isso é uma besteira," resmungou o de cabelo curto. "Como assim, isso é justo?"
Um rapaz com tatuagem na antebraço riu, com uma voz estranha e rouca.
"A vida não é justa, seu idiota," ele debochou, pisando a língua em um forked tongue.[1] "Você não entendeu a brincadeira?"
Os olhos de Leo se fixaram no falante, imediatamente percebendo a modificação genética. O recruta era um dos aprimorados, uma espécie de híbrido de cobra.
Os murmúrios continuaram.
Então, é claro, os verdadeiros idiotas começaram a falar.
Um recruta de cabelo loiro, penteado pra trás, do tipo que parecia pensar que era melhor que os outros, soltou uma risada de desdém.
"O que importa mesmo é entrar na Classe de Elite." Ele se inclinou pra frente, sorrindo. "Ninguém da classe comum consegue fazer sucesso na vida. É uma sentença de morte."
Cicatriz na bochecha bufou. "Pois, também, se errar nesse teste, seu idiota, não é diferente. Se te pegarem com inclinações 'mentais' erradas, acabou."
O cara tatuado riu de novo, balançando a cabeça. "Imagina perder sua vaga por causa de uma idiotice como simpatia pelo Cult do Mal ou desejo de queimar a academia."
E então—
BANG.
As portas da sala de teste se abriram com violência tão grande que até os recrutas mais convencidos levantaram a cabeça abruptamente.
Dois instrutores saíram atropelando, puxando um recruta pelos braços.
O rapaz parecia destruído.
Havia sangue nos lábios, um dente da frente faltava, e seu nariz estava torto em um ângulo que, com certeza, não era natural.
O estudante se debatia fracamente, a respiração ofegante, os olhos arregalados de pânico.
"Foi um engano! Foi um engano!" ele gritou, a voz embraiada.
Os instrutores nem pestanejavam.
"Não sou simpatizante do Cult do Mal! Juro! Só tava curioso! Disse que os Candidatos ao Dragão parecem poderosos, mas isso não quer dizer que eu goste do Cult!"
As palavras dele se misturavam, desesperadas e cheias de histeria.
"Espera—espera! Eu não tenho ligação com o Cult do Mal! Tem que confiar em mim!" Ele implorou, mas ninguém acreditou.
Ninguém se importou.
Os dois instrutores arrastaram-no para fora, puxando seu corpo como se fosse um saco de lixo.
E, por um breve momento, ninguém se mexeu.
Então—
Risadas.
O tatuado sorriu, balançando a cabeça. "Caralho, ele acabou de admitir essa porra bem na nossa frente?"
O de cicatriz soltou uma risada rápida. "Um fanático do Cult tentando se infiltrar na Rodova? Que otário."
O de cabelo curto assobiou. "Imagina você apanhar a cara por causa de uma queda de admiração."
O loiro se inclinou pra frente, com um sorriso ainda maior.
"Sabe, por um momento, pensei que eles iam quebrar o pescoço dele na nossa frente."
A garota de cabelo escuro riu baixinho. "Deveriam ter feito isso."
Leo permaneceu quieto, observando.
Seus olhos continuavam impassíveis, mas sua mente acelerava. Essa situação não tinha graça. Pelo menos pra ele, não.
Um minuto depois, os dois instrutores retornaram, com sangue ainda manchando suas luvas.
"Não toleramos simpatizantes do Cult do Mal na Academia Militar de Rodova." disse o instrutor careca, deixando a gravidade de suas palavras cair sobre a sala.
Então ele se inclinou um pouco mais, seus olhos afiados fixando-se nos recrutas como um predador sentindo fraqueza.
"Se você tem sequer um pouquinho de favoritismo pelo Cult do Mal, seria melhor se cortar a própria garganta agora."
As palavras pesaram como um martelo.
Alguns recrutas se endireitaram, e o instrutor sorriu.
Era um sorriso feio, sabendo demais.
"Porque se te pegarmos—"
Deixou o silêncio se alongar.
Longo.
Desconfortável.
"—você vai desejar estar morto."
Então, de repente, ele se endireitou.
O sorriso desapareceu, enquanto se voltava para a lista na mão.
"Leo Skyshard, sua vez, garoto." Ele disse, procurando na multidão por Leo Skyshard, até que Leo lentamente se levantou.
"Vai logo!" ele incentivou, batendo as mãos e indicando para Leo entrar logo.