
Capítulo 29
Assassino Atemporal
Depois de terminar sua refeição, em vez de voltar para seu dormitório, Leo começou a procurar a biblioteca da academia.
Sua lógica era simples — toda academia tinha uma biblioteca, e era a forma mais segura de obter informações sobre o mundo em que se encontrava.
Embora o jeito mais rápido e fácil de aprender fosse simplesmente perguntar a um colega, essa abordagem trazia riscos demasiados altos.
Revelar que ele tinha perda de memória, especialmente em um lugar como aquele, poderia fazer com que fosse considerado um alvo.
E, após testemunhar como o pobre rapaz na cantina foi humilhado e espancado por supostamente fingir sua origem, Leo sabia que não podia permitir que ninguém suspeitasse de sua própria ignorância.
Assim, a biblioteca era a solução mais segura.
Levaria algum tempo até encontrá-la, pois a academia era grandiosa, com seções que se espalhavam em diferentes direções.
Mas depois de algumas curvas erradas e uma boa dose de caminho sem rumo, ele finalmente a avistou — uma estrutura imponente, com arcos, próxima à divisão de Magia e Artes Mágicas da academia.
A Biblioteca da Academia.
Entrando, Leo se encontrou em um salão amplo, repleto de estantes gigantescas que se estendiam além do que podia perceber imediatamente.
Lanternas encantadas, com luz suave e constante, flutuavam entre as prateleiras, enquanto o ar carregava o aroma característico de pergaminhos envelhecidos e madeira polida.
Na parte frontal, atrás de uma mesa robusta, estava um bibliotecário idoso, com roupas modestas porém arrumadas, óculos com armação de prata repousando na ponta do nariz enquanto folheava um tomo gigante.
Seu barba branca e rara, e seus olhos atentos davam a impressão de alguém que viu tudo e esqueceu de nada.
Leo hesitou, mas antes que pudesse falar, a voz do velho cortou o silêncio.
"Garoto."
O bibliotecário fez um gesto para que ele se aproximasse.
Leo obedeceu, mantendo a expressão neutra.
O velho o observou brevemente, ajustando os óculos com um suspiro cansado.
"Embora seja bom ver um calouro aqui no primeiro dia, é contra as regras da biblioteca permitir que estudantes entrem sem o uniforme da academia."
Leo piscou, olhando para si mesmo.
Ele ainda vestia roupas casuais, as mesmas de quando chegou à academia.
"Imagino que você seja novo e ainda não conhece as regras," continuou o bibliotecário. "Então vou passar a mão. Mas, a partir de amanhã — vista seu uniforme antes de entrar na minha biblioteca. Combinado?"
Leo assentiu discretamente. "Combinado."
O velho fez um ruído de aprovação antes de cruzar os braços. “Então, que tipo de livros você procura?"
Leo tossiu um pouco, sentindo-se um pouco exposto com a pergunta direta, sem querer que sua perda de memória fosse óbvia, por isso tentou manter seu pedido vago.
"Estou só olhando. Vou ler qualquer coisa que me despertar interesse—" disse, enquanto o bibliotecário balançava o dedo em sinal de reprovação.
"Nesta biblioteca há mais de 47 mil livros, 12 mil pergaminhos de habilidades e uma quantidade incalculável de manuais de meditação. Se acha que vou deixar você perambular sem rumo, está enganado."
"Ou você vem com uma solicitação específica, ou eu o mando embora." O bibliotecário falou com firmeza, enquanto Leo reagia com um leve encolhimento.
Se possível, ele não queria revelar que buscava conhecimentos gerais — especialmente o que qualquer pessoa normal neste mundo já deveria saber.
Mas parecia que não tinha escolha.
"Senhor, se possível, poderia me indicar livros sobre conhecimentos gerais do mundo? Algo que abranja a hierarquia social? Os Seis Grandes Clãs? Quão importantes eles são? Coisas básicas que todo mundo deveria saber?"
O bibliotecário ergueu uma sobrancelha ao ouvir seu pedido.
Um momento depois, colocou o livro na mesa, massageando as têmporas antes de murmurar: "Então é um dos candidatos a perda de memória, hein?"
Leo ficou um pouco tenso.
O bibliotecário tinha descoberto sua situação imediatamente.
Essa era a terceira vez no mesmo dia que alguém suspeitava de um estudante com perda de memória.
Começava a se questionar sobre a frequência de pessoas como ele neste mundo.
"Senhor," perguntou Leo com cautela, "extamente, estudantes como eu… são comuns nesta academia?"
O bibliotecário assentiu sem hesitar.
"Pegamos umas quatro ou cinco por ano. Não é algo incomum. Desde que o Clã Mu começou a enviar seus herdeiros com perda de memória, os clã menores começaram a copiar essa prática."
Leo franziu a testa levemente. "Por que eles fazem isso?"
O velho suspirou.
"A lógica é simples. Quando enviam jovens herdeiros para o mundo, é melhor apagar suas opiniões prévias, para que possam abordar novos conhecimentos com a mente aberta.
O Clã Mu foi quem começou com isso, porque não queriam que seus jovens agissem de forma desordeira fora do clã, manchando sua reputação."
O bibliotecário balançou a cabeça, desaprovando com leveza.
"Mas, na verdade, os idiotas do Clã Mu sempre foram bem comportados desde o começo. Os que causam mais problemas são os outros Cinco Grandes Clãs.
Ironia do destino, é justamente o clã mais decente que mais se preocupa com sua imagem."
Ele deu uma risada leve antes de fazer um gesto de descaso. "Não importa. Isso não é da sua conta."
Finalmente, apontou para uma prateleira específica.
"Prateleira 1221. Última fileira. Há um livro chamado Guia Rápido para a Escala Universal de Poder."
Isso deve responder pelo menos metade das suas perguntas."
Leo olhou na direção indicada antes de assentir.
"Obrigado."
Sem mais palavras, virou-se e seguiu em direção às estantes.
Porque, se aquele livro pudesse responder metade das suas questões—
ele finalmente começaria a juntar as peças da verdade por trás do mundo onde estava preso.