
Capítulo 92
Extra da Webnovel: Reencarnado com uma Habilidade de Cópia
No dia seguinte, a Supervisão não anunciou uma escalada.
Não precisava.
A escalada estava nos pequenos atrasos—portas que demoravam um instante a mais para destravar, pedidos que ficavam em "processando" tempo suficiente para parecer uma punição, mesmo ainda com um nome neutro.
Um sistema não precisa te atingir.
Ele só precisa tornar sua vida um pouco mais pesada, até você começar a pedir permissão de novo.
Às 07h10, a cantina já tinha um ar diferente.
Não mais alto.
Mais incisivo.
As pessoas falavam em frases incompletas, depois paravam quando alguém se aproximava demais. Bandejas tilintavam de forma suave demais. Cadeiras rangiam com cuidado excessivo.
E em todo lugar—em todo lugar—estudantes verificavam suas interfaces como jogadores de azar atualizando as probabilidades.
AVISO DE TRANSAÇÃO DE MÉRITO — PENDENTE
COMPRA: EM ANÁLISE
STATUS: INTERVENÇÃO TEMPORÁRIA
Temporária.
Sempre essa palavra.
Dreyden sentou-se sozinho no final de uma mesa comprida, comendo sem olhar para cima. Não precisava do Olho da Verdade para sentir como olhares continuavam a se voltar para ele.
Alguns tinham curiosidade.
Outros estavam irritados.
Alguns estavam com fome.
Não por comida.
Por explicações.
Porque, no momento em que a Supervisão tocava no fluxo de recursos, deixava de ser um problema "dele" e passava a ser de todos.
Um estudante da Classe B aproximou-se, hesitou, depois sentou-se duas cadeiras ao lado—cuidadosamente espaçando, como se tivesse medido a distância antes.
Ele não falou imediatamente.
Simplesmente deslizou uma barra de proteína embalada ao longo da mesa.
Dreyden olhou uma vez para ela.
Depois para o estudante.
A garganta do garoto pulou. "Não são Méritos," disse em voz baixa. "Só comida."
Dreyden não sorriu, mas algo por trás de seus olhos relaxou.
"Nome?" perguntou Dreyden.
"Jiro," respondeu o garoto.
"Por quê?" perguntou ele.
As orelhas de Jiro ficaram vermelhas. Ele olhou para sua bandeja como se fosse o lugar mais seguro para olhar.
"Porque ontem… tentei comprar uma nova braçadeira de circulação," murmurou. "Susteve. Meu parceiro de treino também teve a compra retida. Mesma peça. Mesma loja. Rangos diferentes."
Dreyden deu um aceno de cabeça. "Padrão."
Jiro exalou como se estivesse esperando alguém dizer isso há tempos.
"Não sou corajoso," acrescentou rapidamente. "Não—isso não é—"
"Não pedi coragem," respondeu Dreyden.
Jiro piscou.
Dreyden empurrou a barra de proteína de volta na direção dele. "Come. Preserve seus recursos. Vamos precisar de gente que não passe fome."
Jiro parecia sem saber se devia se sentir insultado ou aliviado.
Optou pelo alívio.
Do outro lado da cantina, Lucas estava novamente com a Classe C, postura casual, olhos constantemente escaneando como um soldado fingindo ser estudante.
Seu interface tocou.
Ele não reagiu.
Depois, tocou de novo.
Ele abriu mesmo assim, porque ignorar alertas era só mais uma forma de acabar morto aqui.
AVISO DA CONTA DE MÉRITO — REVISÃO APERFEIÇOADA
CATEGORIA: RISCO DE ASSOCIAÇÃO IRREGULAR
AÇÃO: REGISTRO DE CONTATO REPORTÁVEL ATIVADO
Lucas olhou para as palavras.
Registro de contato reportável.
Isso não era sobre Méritos.
Era sobre pessoas.
A voz de Zagan entrou em sua mente como fumaça fria.
Estão marcando proximidade.
Lucas engoliu, mandíbula contraída.
Então começa, acrescentou Zagan. A correia suave.
Lucas fechou a janela sem responder. Seus dedos apertaram a colher até o metal ceder um pouco.
Um estudante da Classe C percebeu e fingiu que não viu.
Era assim que solidariedade parecia agora—as pessoas vendo sua tensão e se recusando a fazer você demonstrá-la.
—
Às 09h02, o primeiro boato circulou.
Não em quadros oficiais.
Nem em comunicados.
Em sussurros.
Aquele tipo de rumor que não precisava de prova porque vinha como um aviso.
"Auditorias de Mérito são porque alguém está fazendo confusão."
"Ouvi dizer que alguém está pagando pra outros brigarem."
"Estão congelando os ranks mais altos porque estão trapaceando."
"Dreyden está formando uma facção particular."
Propagou pelo Triângulo como fumaça—invisível até o cômodo ficar cheio.
A Supervisão não precisava criá-los.
Bastava permitir que circulassem.
Porque, uma vez que as pessoas acreditassem que os exames eram sobre "trapacear," elas começariam a fiscalizar umas às outras de novo.
Hierarquia vertical, reconstruída por dentro.
Dreyden ouviu o boato de passagem e não parou de caminhar.
Uma semana atrás, ele poderia ter corrigido isso.
Agora?
Correção era encenação.
A encenação era um truque.
Continuou caminhando, rosto calmo, ombros soltos, passos desacelerados.
Não parecia um homem sob pressão.
E isso assustava mais as pessoas do que se ele estivesse furioso.
Lucas o alcançou perto da entrada da sala de treinamento, com voz baixa.
"Estão dizendo que você está comprando brigas."
Os olhos de Dreyden não mudaram. "Boa."
Lucas arregalou os olhos. "Boa?"
"Sim," respondeu Dreyden. "Se estão falando bobagem, é porque não têm fatos."
A boca de Lucas se estreitou. "Ou então, é porque estão tornando os fatos irrelevantes."
Dreyden finalmente olhou para ele.
"Esse é o ponto," disse Dreyden. "Eles querem que a verdade seja opcional. Se a verdade for opcional, o sistema passa a ser a única coisa que parece sólida."
A percepção dele de sorte com riscos voltou a ficar visível na periferia de sua atenção, em branco.
Não era perigo.
Direção.
Ele odiava não saber mais a diferença.
"Qual é a jogada?" perguntou Lucas.
A voz de Dreyden manteve-se firme. "Fazer o boato ficar caro."
Lucas franziu a testa. "Como?"
Dreyden olhou para além dele, na direção do corredor onde os estudantes entravam para a aula de combate.
"Você não combate boatos com discursos," disse Dreyden. "Você combate boatos com atrito."
Ele avançou.
Lucas seguiu.
A aula de combate daquela manhã deveria ser rotina.
Treinos de técnica.
Rotações de luta.
Instrutores fingindo serem neutros.
Mas o Triângulo também mudou a rotação de staff.
O professor Leon não estava na sala.
Em seu lugar, um instrutor administrativo de expressão nova, tom polido, olhos que não olhavam como estudantes.
Ele os encará via variáveis, como se fossem elementos de uma equação.
"Hoje," anunciou o instrutor, "faremos uma avaliação básica de conformidade. As duplas serão atribuídas."
Atribuídas.
Não escolhidas.
A palavra caiu como uma rede.
Os estudantes se olharam.
Não de forma pavorosa.
Calculando.
Dreyden ocupou seu lugar na fila e esperou.
O tablet do instrutor apitou com as combinações.
"Dreyden Stella," disse. "Você vai lutar com—"
Ele fez uma pausa.
Só o tempo suficiente para fazer a sala sentir o momento.
"—Julien Arquette."
Uma pequena reverberação percorreu a turma.
Julien.
O mesmo bocudo que Dreyden tinha destruído na arena.
Um reencontro de humilhação controlada, enquadrado como "avaliação."
Mandou a mandíbula de Lucas ficar dura.
Os olhos de Raisel se afiaram, e ela nem tentou esconder.
Julien avançou com um sorriso que parecia feito a partir do incentivo de alguém mais.
Parou na frente de Dreyden e se inclinalou.
"Não imaginava que me veria de novo tão cedo, hein?" sussurrou Julien.
A expressão de Dreyden não mudou.
Ao invés disso, olhou para o instrutor.
"Regras?" perguntou.
O instrutor sorriu como quem gosta de ouvir sua própria autoridade.
"Sem habilidades especiais," disse. "Sem armas espirituais. Técnica pura."
Sem habilidades.
Conveniente.
Queriam tirar a aparência de Dreyden—transformá-lo em lutador comum.
Depois rotular qualquer domínio como "agressão."
Dreyden acenou uma vez.
"Sure."
O sorriso de Julien se alargou. "Espero que possa sustentar sua boca sem precisar do fogo."
Dreyden não respondeu.
Subiu na área de luta.
O instrutor levantou a mão.
"Comece."
Julien foi correndo imediatamente—de um jeito rápido demais, ansioso, como se tivesse prometido a alguém que faria Dreyden sangrar de verdade.
Dreyden não recuou.
Ele deu meia volta de lado, deixando o soco de Julien passar ao largo de sua bochecha.
Depois, tocou o cotovelo de Julien.
Não com força.
Só o suficiente para redirecionar.
Julien cambaleou, surpreso.
Dreyden se moveu atrás dele e colocou delicadamente um pé atrás do tornozelo de Julien.
Julien caiu.
Não violentamente.
De forma humilhante.
Um tropeço limpo.
O rosto de Julien ficou vermelho de raiva.
Ele se levantou imediatamente, balançando com força—de modo selvagem, emocional.
Dreyden bloqueou, desviou e usou o impulso de Julien para fazer o novo tropeço acontecer outra vez.
Duas vezes.
Três vezes.
Cada uma mais controlada que a anterior.
A turma assistia, silenciosa.
Não porque fosse espetáculo.
Porque era cirúrgico.
Não era dominação por força.
Era dominação por contenção.
Por fim, a frustração de Julien virou desespero.
Ele avançou com uma investida imprudente, tentando derrubar Dreyden junto.
Dreyden permitiu—apenas um pouco—depois torceu, escorregou a pegada e prendeu o pulso de Julien contra o próprio peito com uma mão, enquanto com a outra pressionava suavemente a garganta dele.
Sem sufocar.
Sem causar dano.
Apenas travar.
Julien parou congelado.
Sentia o quão fácil seria para Dreyden acabar com tudo.
O sorriso do instrutor desaparecera.
Porque aquilo não era a avaliação que eles queriam.
Isso não parecia uma "anomalia agressiva."
Parecia disciplina.
Dreyden manteve a posição por dois segundos.
Depois soltou.
Julien recuou cambaleando, respirando forte, com os olhos arregalados—não de dor, mas de percepção de que foi manipulado.
"Resultado?" perguntou Dreyden calmamente.
O tablet do instrutor apitou.
Ele olhou para ele como se tivesse sido traído.
"Vencedor," disse o instrutor com firmeza, "Dreyden Stella."
Dreyden acenou com a cabeça, saiu da área de luta sem comemorar.
Sem pose de vitória.
Apenas uma prova silenciosa de que boatos não podiam ficar pegados nele se ele se recusasse a dar a eles a forma que queriam.
Lucas respirou fundo uma vez, lentamente.
Olhar de Raisel (de passagem) foi para o instrutor—frio, medidor.
O instrutor aclarou a garganta, recuperando o fôlego.
"Próximo par—"
Seu tablet apitou novamente.
E de novo.
Ele estreitou os olhos.
Seu dedo tocou, piscou contrariado, tocou de novo.
Um pequeno erro de sistema.
Não na tecnologia.
Na confiança do sistema.
Às 11h30, enquanto os estudantes saíam, o primeiro congelamento de Mérito foi público.
O negócio de uma estudante da Classe B foi negado.
Não retido.
Negado.
Uma formulação diferente.
Uma nova escalada.
COMPRA REJEITADA — PONTUAÇÃO DE CONFIANÇA INSUFICIENTE
Pontuação de confiança.
Isso não era uma métrica de recursos.
Era de comportamento.
Era obediência quantificada.
O estudante ficou um tempo encarando a mensagem com cara de vácuo.
Então fez algo bem simples.
Virou-se para a pessoa atrás dele e disse, calmamente: "Você consegue comprar? Eu troco seu tempo."
A pessoa piscou. "Tempo?"
"Vou fazer seus treinos de circulação junto com você," disse o estudante. "Duas horas."
A pessoa hesitou.
Depois, assentiu.
Fizeram a troca.
Sem dinheiro.
Sem Méritos.
Sem confusão de recursos.
Uma economia diferente.
O Triângulo ainda não sabia como congelar isso.
Dreyden assistiu à troca pelo corredor e não interferiu.
Ele não precisava.
A semente que escreveu na lousa já tinha brotado.
Compartilhar tempo.
Tempo se move lateralmente mais fácil que dinheiro.
Porque tempo é mais difícil de rastrear sem admitir que se rastreiam pessoas como propriedade.
—
Nessa noite, Dreyden voltou ao dormitório e encontrou uma mensagem nova na caixa.
Não era de Lucas.
Nem de um administrador.
De um número que ele não reconhecia.
Só uma linha.
Você está ensinando eles a trocar de forma que não podemos rastrear.
Sem assinatura.
Mas ele não precisava de uma.
O arquivo Mandarim tinha mudado.
Ou algo próximo a isso.
Dreyden olhou para a mensagem sem responder.
Depois digitou uma palavra:
Legal.
Uma pausa.
Depois apareceu outra mensagem.
A Supervisão vai passar a seguir por um de seus vínculos.
Os olhos de Dreyden se estreitaram.
Ele não digitou.
Não perguntou quem.
Porque perguntar seria uma confissão de medo, e ele se recusava a entregar isso ao observador.
Em vez disso, levantou-se, foi até a parede, e colocou a palma contra a placa reforçada onde sua ferida metafísica anterior tinha deixado uma cicatriz.
Sentiu a linha.
Sintiu a profundidade.
Um lembrete de progresso.
Um lembrete de custo.
Depois, virou-se e abriu sua interface para uma pessoa:
Maya.
Não escreveu um parágrafo.
Não dramatizou.
Enviou uma mensagem simples:
Estão mudando de força para atrito. Fique invisível. Não caia em iscas.
Três pontinhos apareceram quase instantaneamente.
E então:
Já vi. Marcaram proximidade. Tentaram te puxar para uma "conformidade útil."
Ela encarou a resposta.
Depois digitou:
Qual sua leitura sobre o próximo movimento?
Um instante.
Depois:
Escolherão alguém menor. Congelarão forte. Farão você escolher entre salvar uma pessoa ou proteger a rede.
O rosto de Dreyden permaneceu calmo.
Mas algo dentro dele se apertou.
Porque não era um palpite.
Era exatamente o que os sistemas fazem.
Escolhem uma vítima visível.
Forçam os líderes a se tornarem salvadores visíveis.
Depois punem a visibilidade.
Ele digitou uma última linha.
Depois fazemos a vítima intocável sem nos expor.
Maya respondeu:
Como?
Dreyden fixou a pergunta por um longo momento.
Depois escreveu:
Não protegemos uma pessoa. Protegemos o ato de proteger.
Não explicou mais por mensagem.
Porque explicações se tornam evidência.
Ele fechou a interface.
Sentou-se à escrivaninha.
E, pela primeira vez em dias, não abriu o arquivo Mandarim.
Não precisava do comentário de um observador para saber o que viria a seguir.
A Supervisão tinha suas demonstrações ao amanhecer.
Agora, ia testar algo mais feio:
Se a solidariedade pudesse sobreviver à fome.
Dreyden Stella recostou-se na cadeira, com o olhar semifocado, e sussurrou para a sala vazia—
não um voto, não um discurso—
apenas uma decisão.
"Tudo bem."
Depois, levantou-se.
E saiu para encontrar a primeira pessoa que teve a compra negada.
Não para resgatá-la.
Para garantir que não estivesse sozinha quando o sistema tentasse fazer dela um exemplo.