Extra da Webnovel: Reencarnado com uma Habilidade de Cópia

Capítulo 67

Extra da Webnovel: Reencarnado com uma Habilidade de Cópia

A Triangle não anunciou seus próximos movimentos.

Isso soou como a confirmação do que Dreyden já sabia.

As instituições só divulgam decisões quando estão confiantes de que serão aceitas. O silêncio significava incerteza — e que estavam testando, não declarando.

No dia seguinte à fuga de informação, a Vigilância se reuniu sem se reunir propriamente.

Sem convocação de emergência.

Sem reuniões de alto perfil.

Sem ajustes públicos.

Ao invés disso, os ritmos internos da academia mudaram.

Sutilmente.

Precisamente.

Em todos os lugares.

Começou pelos instrutores.

Não com demissões — isso seria muito barulhento.

Nem com substituições — muito rastreável.

Ao contrário, os instrutores começaram a virar o turno de forma rotativa, fora de sequência.

Um especialista em teoria de combate assumiu uma turma de avaliação prática.

Um analista de logística apareceu numa palestra sobre resistência mental.

Um moderador de ética — raro, quase cerimonial — foi designado para observar uma avaliação ao vivo sem falar.

Nenhum deles anunciou autoridade.

Não precisavam.

A presença já bastava.

Dreyden registrou cada desvio em menos de uma hora.

Isso não era uma resposta.

Era uma reformulação.

E reformulação significava que a Vigilância já não tentava mais assustar os estudantes para que obedecessem.

Eles estavam preparando uma justificativa.

Lucas sentiu de forma diferente.

A percepção de sorte não piscava mais cores.

Não tinha vermelho.

Nem branco.

Nem gradientes de aviso.

Apenas uma ampliação do vazio toda vez que alguém ligado à Vigilância entrava em um espaço.

Como se a própria probabilidade tivesse decidido recuar.

"Isso é pior," murmurou Lucas, ao caminhar ao lado de Dreyden pelo corredor leste.

"Sim," respondeu Dreyden, sem olhar para ele.

Lucas lançou um olhar de lado. "Você devia perguntar o porquê."

"Sei porquê."

Lucas exalou. "Porque eles ainda não decidiram quem."

"Porque eles já decidiram," corrigiu Dreyden. "Estão decidindo se o custo vale a pena."

Lucas parou de caminhar.

Dreyden deu mais três passos antes de perceber.

Ele voltou.

A mandíbula de Lucas estava tensa, o olhar afiado com algo que não era medo — mas reconhecimento.

"Eles não estão escolhendo alguém aleatoriamente," disse em voz baixa. "Estão escolhendo alguém que importa."

"Sim."

"E se essa pessoa falhar—"

"Eles recuperam o controle da narrativa," completou Dreyden.

Lucas engoliu em seco. "E se nem isso acontecer?"

"Então a Vigilância escalará além de exemplos."

Lucas não gostou dessa resposta.

E Zagan também não.

Esse é o ponto em que os sistemas trocam elegância por certeza, murmurou o demônio. Precisão por força.

Lucas retomou a caminhada.

"Quem você acha que vai ser?"

Dreyden não respondeu de imediato.

Ele parava de especular em voz alta agora.

Especular criava vetores.

Mas só havia três candidatos que atendiam aos critérios da Vigilância:

Visíveis.

Conectados.

Não essenciais — mas simbólicos.

Helin tinha sido descartável.

Maren tinha sido instructiva.

O terceiro seria caro.

À tarde, o próprio candidato se revelou — sem perceber.

Karel Voss hesitou.

Foi algo pequeno.

Quase invisível.

Muito pequeno para a maioria perceber.

Mas a Vigilância notava tudo que desviava o suficiente.

A hesitação aconteceu durante um exercício conjunto de logística — alocação de recursos sob pressão de tempo. Sem combate. Sem espetáculo. Apenas trajetórias de decisão.

Karel recebeu autoridade provisória de coordenação.

Temporária.

Condicional.

Revogável.

O exercício simulou um cenário de evacuação defensiva: núcleos de barreira limitados, terreno instável e uma contagem regressiva ligada ao colapso ambiental.

Karel fez tudo certo.

Esse era o problema.

Quando enfrentou duas rotas de evacuação — uma garantidamente segura, mas lenta, e outra mais rápida, porém probabilística — ele parou.

Não por muito tempo.

0,87 segundos.

Mas, ao invés de seguir o protocolo padrão, perguntou:

"Dreyden," disse Karel com a voz tensa mas controlada, "recomendação?"

Esse pedido quebrou três hipóteses que a Vigilância tinha colocado na cena.

Primeiro: que Karel usaria sua autoridade para provar independência.

Segundo: que Dreyden recusaria envolvimento para evitar visibilidade.

Terceiro: que hesitação sob observação indicaria fragilidade.

Em vez disso, Dreyden respondeu sem hesitar:

"Rota dois," disse com calma. "Mas liberação escalonada. Você compense a variação controlando o fluxo."

Karel assentiu uma vez e executou.

O exercício foi bem-sucedido.

Evacuação concluída.

Perdas minimizadas.

Métricas dentro do intervalo aceitável.

No papel, foi um sucesso.

Na camada interna da Vigilância, apareceu uma bandeira.

RELAÇÃO NÃO AUTORIZADA DETECTADA

Essa frase disparou uma cascata.

Não era punição.

Nem aviso.

Era uma seleção.

À noite, Karel foi previsto para uma avaliação privada não agendada.

Ele não sabia o que aquilo significava.

Sabia apenas que não era opcional.

Lucas soube primeiro — não por aviso, mas por ausência.

Karel não apareceu para o treinamento.

Não respondeu às mensagens.

Não apareceu na residência.

A percepção de sorte de Lucas piscou — não com cores, apenas uma falha estática.

Foi direto até Dreyden.

"Eles levaram ele."

Dreyden não perguntou quem.

"Quando?"

"Acabou de acontecer. Talvez uma hora atrás."

Isso aconteceu após o horário de trabalho.

Após visibilidade pública.

Após uma negação plausível.

A Vigilância não estava mais experimentando.

Eles estavam isolando variáveis.

Dreyden se moveu sem anunciar.

Não para as instalações da Vigilância.

Nem para os instrutores.

Nem para o comando.

Foi para o setor de avaliação auxiliar — aquele que ninguém falava, porque nada registrado ali entrava nos logs dos estudantes.

Lucas seguiu.

Raisel interceptou-os na metade do caminho, expressão dura.

"Você está entrando numa área fechada," ela afirmou lisa.

"Sim."

"Lá podem te quebrar."

"Sim."

"E acha que vão hesitar se você interferir?"

Dreyden olhou para ela. "Acho que vão registrar."

Os lábios de Raisel tensaram.

"Isso não é segurança."

"Não," concordou Dreyden. "É vantagem."

Ela virou as costas.

Não impediu.

O que também significava que tinha feito sua escolha.

O setor auxiliar era silencioso, como as salas de operação.

Estéril.

Intencional.

Hostil à hesitação.

Karel era visível no vidro — sentado, contido, interface projetada na sua frente.

Ele não sentia dor.

Não ainda.

Estava confuso.

Isso era pior.

Três moderadores da Vigilância estavam com ele.

Não instrutores.

Nem médicos.

Avaliadores.

Dreyden parou na divisória.

Não entrou.

Não exigiu.

Observou.

Um avaliador falou:

"Você delegou autoridade sob pressão."

Karel engoliu. "Pedi confirmação, não transferência."

"Sim," respondeu o avaliador com calma. "Por quê?"

"Porque minha margem de erro aumentou além do limite seguro."

"De quem você confiou a decisão?"

Karel hesitou.

Essa hesitação importava.

"De Dreyden Stella," disse finalmente.

Estava claro.

A questão nunca foi sobre competência.

Era sobre alinhamento.

O avaliador tocou na interface.

Uma sobreposição secundária apareceu — árvores de decisão se ramificando, colapsando, destacando os caminhos de influência.

"Você entende o que a dependência faz a um sistema," disse o avaliador. "Cria centros de gravidade."

A voz de Karel foi baixa. "Eu não…"

"Não estamos acusando," interrompeu o avaliador. "Estamos avaliando."

De novo essa palavra.

Avaliar.

Avaliação era só punição disfarçada de análise.

Dreyden avançou.

A porta não se abriu.

Mas a sala notou sua presença de qualquer jeito.

Os avaliadores se viraram — nem todos, mas o suficiente.

Um ergueu uma sobrancelha.

"Isto é uma sala fechada—"

"Sei," disse Dreyden com calma. "Vocês o escolheram para observar efeitos de deslocamento."

Silêncio.

Essa admissão não deveria ter saído em voz alta.

"Vocês estão além do limite de conselho," disse um avaliador.

"Não," respondeu Dreyden. "Estou confirmando."

Ele tocou no vidro uma vez — não com força.

Um som cortês.

"Vocês não estão testando o Karel. Estão testando se a proximidade comigo é um risco."

Os avaliadores não negaram.

Essa foi uma confirmação.

Lucas sentiu Zagan ficar tenso.

Querem te tornar reativo, sussurrou o demônio. Não lhes dê urgência.

Dreyden não.

Ele não ameaçou.

Ele não se postou.

Ele não escalou.

Ele reformulou.

"Se você continuar," disse Dreyden com tom firme, "você não ensina obediência. Ensina que hesitação é punição."

"Isso é estabilidade," respondeu um avaliador.

"Não," corrigiu Dreyden. "Isso é fragilidade. Sistemas estáveis não têm medo de perguntas."

O olhar do avaliador se estreitou um pouco.

"Você se atreve a dar aulas sobre o design institucional?"

"Não," respondeu Dreyden. "Estou explicando o desvio de resultados."

Ele gesticulou — sutilmente — para as telas de observação que alinham a parede.

"Seu segundo exemplo já falhou. Produziu coesão."

Olhou nos olhos do avaliador através do vidro.

"Um terceiro produzirá alinhamento."

A palavra caiu com peso.

Alinhamento.

Não rebelião.

Nem caos.

Alinhamento significava uma estrutura que não era deles.

Pela primeira vez, um avaliador hesitou.

Só meia segunda.

O suficiente.

Maya percebeu de longe — uma microcolapso na confiança da Vigilância.

Ela não fez nada.

Deixou escorrer.

Finalmente, uma decisão foi tomada.

Não anunciada.

Mas implementada.

A interface de Karel escureceu.

As restrições se desconectaram.

Os avaliadores recuaram.

"Avaliação incompleta," disse um. "Sujeito liberado sob recálculo."

Karel olhou para cima, atônito.

Dreyden não se moveu até que Karel se levantou.

Então ele virou as costas e foi embora.

Lucas seguiu.

Raisel respirou lentamente atrás deles.

Sem alarmes.

Sem punições.

O que significava que a Vigilância piscou.

Não recuou.

Mas pausou.

Nessa noite, o arquivo do Mandarin foi atualizado novamente.

Uma frase única.

Você interferiu.

Dreyden respondeu na hora, sem hesitar:

Não. Eu medi a sua tolerância.

A resposta demorou um pouco mais desta vez.

Quando chegou, foi diferente.

Não foi aguda.

Nem controladora.

Curiosa.

O que você fará quando a tolerância acabar?

Dreyden ficou um momento olhando para a tela.

Depois digitou:

Depende se você quer um sistema que sobreviva às mudanças — ou um que sobreviva a mim.

Ele fechou o arquivo.

Do lado de fora, os canais dos estudantes vibravam — não de pânico, mas de histórias.

Karel tinha voltado.

A Vigilância tinha pausado.

As métricas tinham desaparecido.

A Triângulo tentou criar um exemplo.

Em vez disso, revelou um limite.

E limites, uma vez encontrados, convidam à pressão.

Dreyden deitou na cama, olhando para o teto.

O próximo escalonamento não será sutil.

E não atingirá espectadores de relance.

Virão pelo ponto de referência em si.

Ele sorriu levemente.

"Bom," sussurrou.

Porque agora, quando eles —

Todos estarão de olho.

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