Extra da Webnovel: Reencarnado com uma Habilidade de Cópia

Capítulo 55

Extra da Webnovel: Reencarnado com uma Habilidade de Cópia

Escalada nunca se apresentou como escalada.

Ela chegou disfarçada de preocupação.

Foi assim que o Triângulo a caracterizou quando o próximo aviso entrou em vigor—silenciosa, universal, sem comentários ou atribuições. Sem alarmes. Sem tom de emergência. Apenas uma atualização em todo o sistema que parecia inofensiva à primeira vista.

AVISO: REAJUSTE ESTRUTURAL — INTEGRIDADE ACADÊMICA

Ajustes temporários nos protocolos de avaliação serão implementados para garantir avaliação justa em todas as turmas.

A cooperação dos estudantes continua incentivada. Limites de variação individual podem se aplicar.

"Temporário."

"Integridade."

"Justo."

Palavras criadas para amenizar o impacto do que realmente significavam.

Dreyden leu o aviso duas vezes, depois o fechou.

Eles não estavam mais reagindo.

Estavam se preparando.


A primeira prova veio uma hora depois.

Espaços de treino não fechavam—mas o acesso mudava. Ao invés de negar entrada, o sistema começava a redistribuir os estudantes de forma dinâmica. Salas de prática eram redirecionadas no meio do caminho. Combates de treinos eram reordenados na última hora. Listas de parceiros alteradas segundos antes da confirmação.

Controle de fluxo.

Você não detém uma anomalia enfrentando-a.

Você altera o ambiente até que a decisão da anomalia volte a ser previsível.

Dreyden sentiu isso como uma pressão contra a parte de trás dos olhos—sutil, persistente, irritante. O Triângulo não tentava refreá-lo.

Ele tentava narrá-lo.

Ele se ajustou imediatamente.

Cancelou todas as atividades agendadas para os próximos três dias.

Sem treinos. Sem avaliações. Sem colaborações opcionais.

Em vez disso, fez algo muito mais perturbador.

Nada.

Do ponto de vista do Triângulo, a inatividade era inaceitável.

Do ponto de vista da Supervisão, era uma provocação.

Do sistema, era um paradoxo.

Porque a inatividade significava que não havia picos de dados para anotar. Nem curvas de desempenho para suavizar. Nem janelas de reação para analisar.

Uma anomalia que não se movera era pior do que uma que agia de forma imprevisível.

Ela criava antecipação.

Nessa noite, Dreyden percorreu novamente os caminhos do perímetro—desta vez mais longe, perto das áreas mais antigas do campus que o Triângulo raramente exibia. Arquitetura mais antiga significava telemetria mais frouxa. Menos polida. Mais pontos cegos.

Ele não evitava a observação.

Ele a amostrava.

Parou perto de uma varanda de manutenção com vista para a cidade inferior e encostou-se na grade, com os olhos semicerrados, ouvindo o zumbido da infraestrutura distante.

Três minutos depois, alguém se juntou a ele.

"Você não é discreto," disse Lucas.

"Eu não estou disfarçando," respondeu Dreyden.

Lucas apoiou os cotovelos ao lado dele, olhando fixamente para as luzes abaixo. "Eles reorganizaram toda a minha avaliação amanhã."

"Sem explicação?"

"Com muitas."

Dreyden acenou com a cabeça. "Isso quer dizer que estão usando você como contraste."

Lucas franziu a testa. "Contra você?"

"Por meio de você," corrigiu Dreyden. "Querem ver se a pressão sobre você altera a minha resposta."

Lucas deu uma risada seca. "Então eles são idiotas."

"Nem sempre," disse Dreyden. "Eles apenas assumem que um de nós vai vacilar."

Lucas olhou de lado. "E você vai?"

"Não."

Lucas expirou pelo nariz. "Bom. Porque eu também não pretendo."

Ficaram em silêncio por mais alguns momentos, enquanto o vento puxava seus uniformes.

Então Lucas falou em voz baixa: "Você não é o único que sente isso."

Dreyden se virou um pouco.

"A família do Raisel acabou de solicitar uma revisão da projeção interna," continuou Lucas. "Isso não acontece se algo estiver errado."

"Ou se eles acharem que algo vai acontecer," respondeu Dreyden.

Lucas hesitou. "Você acha que isso se espalha para além de nós?"

"Já se espalhou," respondeu Dreyden. "Você só está começando a sentir."


A manhã seguinte trouxe a pressão onde antes não havia.

Turma E.

Maya acompanhou a mudança através de métricas indiretas—não câmeras, não transmissões, mas fatores de estresse baseados em probabilidade. Pequenos eventos concentrados demais. Resultados cada vez mais próximos, sem ramificações.

Isso indicava restrições externas.

O Triângulo havia reduzido seus limites de tolerância em tudo.

O que significava que a turma E—já escassa de margem—estava prestes a romper.

Ela respirou fundo e levantou a mão, ajustando três pequenos fios ao mesmo tempo. Não o suficiente para interferir.

Justo o bastante para empurrar o colapso para trás.

Wendy despertou na sua mente.

Você está amortecendo o impacto de novo.

"Sim."

Vai perder influência fazendo isso.

Os dedos de Maya tremeram—mas ela não parou.

"Então vou ganhar mais."

Em todo o campus, o efeito se espalhou.

Uma confusão da turma E terminou antes de escalar—não porque a autoridade interveio, mas porque o agressor hesitou.

Uma punição agendada foi reduzida a um aviso após uma checagem do sistema atrasar meia segundo.

Uma alocação de suprimentos foi redirecionada incorretamente e chegou onde não devia—ganhando horas que não estavam planejadas.

Pequenas misericórdias.

Invisíveis para a maior parte.

Mas para Dreyden, observando o comportamento do sistema em tempo real, inconfundíveis.

Ele fechou os olhos brevemente.

"Ela ainda está equilibrando o piso," murmurou.

Isso o preocupava.

Porque se Maya estivesse gastando energia para evitar um colapso não intencional, isso significava que alguma coisa intencional estava por vir.

E ela veio ao meio-dia.

Não como um anúncio.

Como um convite.

ORIENTAÇÃO: AVALIAÇÃO PELO OBSERVADOR

Estudantes selecionados são convidados a participar de uma janela de avaliação fechada.

Presença fortemente recomendada.

Sem aula.

Sem contexto.

Sem parâmetros.

Dreyden leu a lista de nomes uma única vez.

Lucas Væresberg

Raisel Silvius

Karel Voss

—e mais seis, selecionados de diferentes camadas, diferentes facções, diferentes arcos de relevância.

Uma amostra representativa.

Um grupo focal.

Ele aceitou.

Claro que aceitou.

A câmara de avaliação não era uma câmara.

Era um espaço emprestado da infraestrutura mais profunda do Triângulo—uma sobra arquitetônica reformulada para funcionalidade. Paredes cinza lisas. Iluminação suave, calibrada para evitar sombras. Nenhum canto que pudesse prender atenção.

Uma sala feita para fazer tudo parecer neutro.

Observadores ficavam ao redor do perímetro—não instrutores, não funcionários. Analistas. Especialistas comportamentais. Pessoas que não davam ordens.

Esperaram.

Quando a porta se fechou, um deles deu um passo adiante.

"Isso não será um teste de força," disse calmamente o observador. "Será um teste de resposta."

Ninguém falou.

"Cada um de vocês receberá um cenário. Podem escolher agir—ou não. Não há penalidades por inação."

Uma mentira.

Dreyden sentiu a tensão de Lucas subir ao seu lado.

Raisel permaneceu imóvel, olhos gelados e atentos.

O primeiro cenário surgiu sem aviso.

Uma projeção invadiu a sala—hiper-realista, imersiva.

Um estudante da turma D cercado por dois agentes da turma C. Sem ameaça de morte imediata. Apenas humilhação. Coerção. Pressão.

Os observadores assistiram.

Karel se mexeu inquieto.

Um dos seis desconhecidos deu um passo à frente instintivamente.

"Ajude-o," implorou a projeção.

O desconhecido hesitou.

Dreyden não se moveu.

Nem Lucas.

Passaram-se segundos.

O desconhecido agiu—interveio, desarmou a situação, elevou a voz.

A projeção se dissolveu.

Foram feitas anotações.

Segundo cenário.

Um carregamento de suprimentos redirecionado incorretamente. Corrigível—com esforço. Ignorável—com consequência adiante.

Desta vez, Lucas deu um passo à frente—correção rápida, eficaz, limpa.

Mais anotações.

Terceiro cenário.

Uma hipótese: um membro da sala enfrentaria rebaixamento devido a um viés oculto do sistema. Evidências existiam, mas submeter isso atrairia atenção para quem enviou.

Raisel falou uma vez. "Submeta."

Sem explicação. Sem justificativa.

Os olhos dos observadores permaneceram.

E então o cenário final apareceu.

Não projetado.

Real.

Uma mensagem do sistema pisca na tela de todos os participantes ao mesmo tempo.

AVISO: INTERFERÊNCIA ANÔMALA DETECTADA

Fonte: Desconhecida

Impacto: Em escalada

A sala ficou em silêncio.

Isso não fazia parte do roteiro.

Os observadores se crisparam—apenas levemente.

Dreyden sorriu levemente.

Alguém tinha entrado na avaliação.

Não de forma barulhenta.

Nem destrutiva.

Somente o suficiente para introduzir incerteza.

Por um breve momento, o Triângulo não controlava completamente sua própria sala.

Os observadores trocaram olhares.

"Parem," disse um deles com firmeza.

O sistema travou.

E nesse travar—

Dreyden agiu.

Avançou—não em direção a um cenário, não em direção a uma autoridade—mas em direção aos próprios observadores.

"Queriam resposta," disse calmamente.

Eles se viraram para ele.

"Você a tem."

Silêncio.

"Você não está medindo moralidade," continuou Dreyden. "Está medindo a tolerância à desvio."

Um observador franziu a testa. "Isso está errado."

"Então explique por que a inação foi registrada como dado em vez de neutralidade," retrucou Dreyden. "Explique por que a velocidade de resposta importou mais do que a conformidade com o resultado."

O observador não respondeu.

O olhar de Dreyden percorreu lentamente cada um deles.

"Vocês estão testando se a pressão gera conformidade ou fratura," disse. "E se a visibilidade pode ser usada como arma de forma descendente."

Lucas engoliu.

Os olhos de Raisel se aguçaram.

O espaço parecia menor.

"Isso não é da sua conta," disse um dos observadores.

"Não," concordou Dreyden. "É sua. Porque esse método não escala."

Uma pausa.

"E quando ele fracassar," finalizou Dreyden, "vocês não saberão qual falha foi causadora."

O sistema se recuperou.

O alerta de anomalia desapareceu.

A avaliação terminou abruptamente.

Sem conclusão. Sem despedida.

Apenas portas se abrindo e participantes sendo liberados sem comentários.

Enquanto saíam, Lucas soltou um suspiro que nem percebera segurar.

"Você acabou de dizer na cara deles," murmurou.

"Sim."

"Eles não vão gostar disso."

Dreyden olhou para ele. "Boa."

Nessa noite, o arquivo Mandarin foi atualizado novamente.

Desta vez, duas linhas.

Você cruzou para um comportamento de conselho.

Seguido de:

Isto pode levar à remoção.

Dreyden digitou sua resposta sem hesitar.

Só se puder pagar por isso.

O cursor piscou.

E então apareceu mais uma linha final.

Vamos ver.

O arquivo foi fechado.

Lá longe, Maya sentiu a mudança como um estalo na tensão.

Não colapso.

Não explosão.

Apenas uma decisão sendo enfileirada.

Ela fechou os olhos e não ajustou nada.

Por uma vez, não amortecou o chão.

Esperou.

Porque agora o Triângulo não observava mais apenas anomalias.

Estava escolhendo quais enfrentar.

E isso significava que o próximo capítulo não seria sutil.

Seria decisivo.

E alguém—finalmente—daria o primeiro passo aberto.

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