
Capítulo 31
Extra da Webnovel: Reencarnado com uma Habilidade de Cópia
A noite após a queda de Elias Morven foi silenciosa.
Verdadeiramente silenciosa.
Dreyden percebeu isso imediatamente.
O Triângulo costumava respirar à noite—passos nos corredores distantes, assinaturas de mana brilhando brevemente nas salas de treinamento, sussurros carregados por portas entreabertas. Até o silêncio aqui raramente era completo.
Nesta noite, tudo parecia… contido.
Ele permanecia acordado na cama, os olhos fixos no teto, ouvindo.
Nada.
Sem alertas ou notificações.
Sem chamadas súbitas.
Sem batidas ansiosas na porta.
A supervisão havia aceitado o desfecho.
Essa era a parte que o deixava inquieto.
O Triângulo não se importava com justiça. Importava-se com estabilidade. Elias havia se tornado instável—dados inconsistentes, alianças fraturadas, resultados ineficientes. Tirá-lo de cena não era crueldade.
Era manutenção.
Dreyden virou-se levemente na cama, respirando lentamente.
Ele tentou sentir alguma coisa.
Satisfação.
Alívio.
Até mesmo desconforto.
Mas não havia nada.
Apenas uma calma limpa, vazia.
Isto o assustava mais do que qualquer culpa poderia.
A manhã chegou sem incidentes.
Dreyden levantou-se no horário de costume, tomou banho, arrumou-se e saiu do quarto. Seu reflexo no espelho não lhe trouxe respostas—cabelos ainda úmidos, expressão neutra, olhos em linha.
Dreyden Stella parecia igual.
Jack, não.
O nome surgiu sem convite enquanto ele caminhava pelo corredor.
Jack.
O rapaz que teria hesitado.
Aquele que acreditava que advertências importavam.
Que achava que honestidade podia redirecionar um desfecho ruim.
Aquele que teria dito a Elias para parar, tomar cuidado, fazer escolhas melhores.
Esse rapaz não sobreviveria ao Triângulo.
A compreensão parecida com velhice agora se instalava.
Envolta pelo uso repetido, lisa e familiar.
A aula passou sem novidades.
Ninguém mencionou Elias em voz alta, mas a ausência dele fazia mais barulho que rumor algum. Sua cadeira permanecia vazia. Sua facção não se reunia mais abertamente. As conversas mudavam ao entrar de Dreyden, não por medo—mas por cálculo.
As pessoas não o evitavam.
Estavam levando em consideração sua presença.
Isto era pior.
Lucas chegou atrasado, olhando o cômodo antes de se sentar ao lado de Dreyden. Parecia cansado—olheiras sob os olhos, saída de mana um pouco irregular.
Dreyden percebeu.
Lucas também percebeu que Dreyden percebeu.
Nem um deles comentou nada.
A palestra continuou, algo sobre harmônicos avançados de mana e deriva de compatibilidade. Dreyden anotava sem precisar realmente—suas ideias estavam em outro lugar.
Deslocamento de identidade.
O termo ressurgiu de uma aula antiga—como indivíduos despertos às vezes divergiam de sua base psicológica pré-despertar à medida que as habilidades mudavam prioridades, percepção e respostas ao estresse.
A maioria dos instrutores tratava isso como nota de rodapé.
Dreyden sabia que era diferente.
O poder não criava monstros.
Ele removia obstáculos.
Aquela tarde, a sala de treinamento estava mais cheia que o habitual.
Não por entusiasmo.
Porque as pessoas queriam estar ali, não evitando-o.
Dreyden escolheu um círculo de prática livre e começou a aquecer—golpes leves, passos básicos, reforço de mana mínimo. Ao seu redor, alunos treinavam mais forte que o necessário, vozes mais altas que o usual.
Postura.
Ele ignorou.
Na metade de uma sequência, percebeu alguém se aproximando.
Raisel.
O arqueiro parou logo fora do círculo, arco sem corda, expressão difícil de decifrar. Inicialmente, não falou—apenas observou.
"Você está mudando seu ritmo," disse Raisel finalmente.
Dreyden não parou de se mover. "É mais eficiente."
"Para quê?" perguntou Raisel.
"Depende," respondeu Dreyden. "O que você está mensurando?"
Os olhos de Raisel se estreitaram levemente, depois relaxaram. "Intenção."
Dreyden pausou.
Só por um instante—uma fração de segundo.
"Então sua medição está incorreta," disse. "Eu não ajo mais com base na intenção."
Raisel o estudou com atenção, depois assentiu uma vez. "Explica porque a Supervisão não interveio."
E, com isso, foi embora.
Sem ameaça.
Sem aviso.
Somente confirmação.
Mais tarde, sozinho em uma sala auxiliar menor, Dreyden finalmente abriu a Biblioteca Celestial.
A pressão familiar se manifestou por trás dos olhos—não dolorida, mas intensa. O conhecimento tocou seus pensamentos, as categorias se organizando automaticamente.
Habilidades.
Observações.
Encontrros registrados.
A Biblioteca refletia quem ele estava se tornando.
Eficiente.
Curado.
Controlado.
Ele escolheu uma memória—não desta realidade.
De antes.
Jack, sentado sozinho numa mesa após a meia-noite, estudando pessoas em vez de livros. Aprendendo como as pausas funcionavam. Como o tom mudava o significado. Como a influência fluía ao redor da resistência, não por ela.
Jack não queria poder.
Ele queria apenas não desaparecer.
Dreyden fechou a Biblioteca.
Os nomes agora se sobrepunham desconfortavelmente.
Não Jack fingindo ser Dreyden.
Nem Dreyden assombrado por Jack.
Algo mais.
Uma convergência.
Nessa noite, surgiu uma notificação inesperada.
Não uma convocação.
Uma solicitação.
PARTIDA PRIVADA — NÃO CLASSIFICADA
REQUERENTE: DISCLODO
Dreyden considerou recusar.
Pedidos assim eram sondas—testes de reação, temperamento, limites.
Depois notou o roteamento.
Não vinha de um terminal de estudante.
Vinha de dentro da rede interna do Triângulo.
Ele aceitou.
Quando chegou à arena, ela estava vazia.
Sem espectadores.
Sem instrutor.
Apenas um espectador sentado bem acima da barreira—rosto velado, silhueta imóvel.
Os parâmetros do combate carregados.
Adversário apareceu do outro lado da arena.
Classificação oculta.
Habilidade mascarada.
Interessante.
"Comece", anunciou uma voz sintética.
O adversário se moveu primeiro—rápido, agressivo, testando alcance. Dreyden respondeu minimamente, defendendo sem escalar. A luta se desenrolou como uma conversa que nenhum dos lados queria que fosse registrada.
Fintas.
Correções.
Pontos de pressão testados, depois retirados.
Após três minutos, o adversário se disengou.
A barreira caiu.
"Você não pressionou," disse o observador lá de cima.
Dreyden olhou para cima. "Não havia necessidade."
Uma pausa.
"Isso você considera misericórdia?" perguntou a voz.
"Não," respondeu Dreyden. "Considero gestão de dados."
Outra pausa—mais longa desta vez.
"…Essa não é uma resposta que a maioria dos estudantes daria."
"Eu não sou a maioria."
O silêncio instalou-se, denso, mas não hostil.
"Seu perfil mudou," falou finalmente o observador. "Menos variação emocional. Menos indecisões. Mais comportamento preditivo."
Dreyden esperou.
"Diga-me," continuou a voz. "Você ainda sabe por que começou a subir?"
Imagens passaram por sua mente.
Irmã colocando música alta demais.
Casa silenciosa que nunca o notou.
Mundo onde passar despercebido era fatal.
"Sim," ele disse.
"Então, quem você é agora?" perguntou a observadora.
Dreyden demorou a responder.
Quando falou, sua voz estava firme.
"Sou o resultado de quando a sobrevivência deixa de ser reativa."
A observadora não disse mais nada.
As luzes da arena se apagaram.
A sessão terminou.
De volta ao seu quarto, Dreyden permaneceu na mesa, muito além da meia-noite.
Não abriu interfaces.
Não treinou.
Não planejou.
Pela primeira vez em dias, permitiu-se pensar.
Jack diria que o que fez com Elias foi errado.
Dreyden chamou de necessário.
Nenhum dos dois estava completamente errado.
Esse era o problema.
Pressionou dois dedos contra a têmpora, se centrando.
"Não sei mais qual de nós hesitaria," murmurou.
O pensamento permaneceu, desconcertante.
Desconfortável.
Perpétuo.
Em algum lugar profundo, algo mudou—não de forma drástica, não violentamente.
Apenas… alinhado.
Jack não foi embora.
Dreyden não fingia.
Eram sobrepostos.
E sobreposição significava perda.
Mas também clareza.
Na cidade, longe das paredes do Triângulo, Maya olhava uma sequência de relatórios atualizados.
O perfil de Dreyden Stella brilhava de forma constante na tela.
Mais limpo.
Mais afiado.
Mais frio.
Ela respirou fundo.
"Ele passou do limite," disse em voz baixa.
Sem acusar, sem se aliviar, apenas reconhecendo.
Algumas linhas, uma vez cruzadas, não podiam ser recuadas—apenas avançar, carregando as consequências.
Ela fechou o arquivo.
De algum lugar, os caminhos estavam se dobrando.
E nenhum deles podia fingir que não sabia.
No Triângulo, Dreyden finalmente se deitou.
O sono veio rapidamente.
Sonhos, não.
Quando acordou, uma verdade se firmou sem resistência:
Ele não estava mais à deriva.
Ele estava escolhendo.
E o que quer que se tornasse, a seguir—
Não seria por acaso.