
Capítulo 1
Extra da Webnovel: Reencarnado com uma Habilidade de Cópia
A webnovel se chamava A Dança do Poder.
Não era um sucesso estrondoso que dominava as paradas. Não tinha guerras de fãs ou memes inundando os comentários. Mas tinha algo pior.
Ele permanecia.
O mundo não era perfeito. O ritmo vacilava. Às vezes, as cenas de luta se arrastavam. Mas o autor entendia da atmosfera. Os personagens cometiam erros. As consequências persistiam. Quando alguém morria, ficava morto de verdade.
E o truque?
Os leitores podiam criar personagens.
Não eram “menções de fãs”. Nem participações especiais no fundo da história.
Inserção completa.
Dois personagens criados pelos leitores por arco.
Estatísticas. Retratos de habilidades. Histórias de fundo. Ilustrações. Se escolhidos, eles entravam na história real.
Claro que eu tentei.
Não fui bobo. Nada de nonsense absurdamente overpower. Construí algo equilibrado. Algo que fizesse sentido dentro das regras do sistema. Forças com limites. Uma habilidade com restrições. Uma história de fundo que não gritasse “personagem principal”.
Dediquei horas nisso. Reescrevi a ficha três vezes. Ajustei a distribuição de atributos até parecer crível.
E então, chegou o e-mail.
[De: [email protegido]]
Olá, Vipez!
Obrigado por apoiar minha humilde história e sempre comentar.
Infelizmente, as duas vagas já estão preenchidas.
Seu personagem é interessante, mas não se encaixa na direção do próximo arco.
Desculpe — simplesmente não é suficiente.
Foi isso.
Sem explicações. Sem feedback. Sem um “talvez na próxima”.
Simplesmente, não é suficiente.
Olhei para a tela por um tempo. Não esperando que surgisse outro parágrafo — apenas encarando, porque meu cérebro não tinha pra onde ir.
Não era raiva.
Não era desespero.
Era menor que isso.
Como alguém fechando a porta enquanto você ainda está no meio da frase.
Não respondi.
Fechei a aba.
Disse a mim mesmo que não fazia diferença. Histórias vêm e vão. Autores não devem explicações aos leitores. Não era algo pessoal.
Encontrei outro romance. Cliquei nele. Rolei a página.
Não li nenhuma palavra.
Porque algo no meu peito se sentia… exposto.
Não exatamente rejeitado.
Desconsiderado.
Como se eu tivesse oferecido algo e nem tivesse sido digno de consideração real.
E essa parte não deveria doer.
Era ficção.
Só ficção.
Não é?
Fechei o laptop.
"Se nem a ficção precisa de mim…" murmurei, e então balancei a cabeça.
Foi dramático. Eu não tinha doze anos.
Já tinha sido ignorado antes. Várias vezes.
Era bom em fingir que não me importava.
Sempre funcionou.
Até que não funcionou mais.
A chance de me tornar milionário é de uma em 50.063.860.
Lembro dessa estatística de algum artigo aleatório que dei uma olhada uma vez.
O que estava acontecendo comigo agora parecia mais raro ainda.
Estava de pé numa sala que não era minha.
Os móveis sozinhos custavam mais do que toda a minha casa de verdade. Pisos de mármore branco. Janelas do chão ao teto. Silêncio limpo.
Esse silêncio foi o primeiro a me atingir.
Sem música vazando pelas paredes.
Sem televisão.
Sem irmã gritando no telefone.
Apenas ar parado.
O reflexo no vidro da janela também não era o meu.
Mais alto.
Mais afiado.
Postura melhor. Ombros mais largos.
E, na minha mão, tinha uma carta lacrada com um broche dourado.
Meus dedos já tremiam.
Abri.
A caligrafia era precisa.
Elegante.
E a primeira linha gelou meu coração.
"Caro Dreyden. Você foi aceito na Triângulo."
Dreyden.
Dreyden Stella.
Meu personagem.
Aquele que "não era bom o suficiente".
O que eu criei.
Aquele que foi rejeitado.
Minha visão ficou turva por um momento.
"Não," sussurei.
Mas as memórias não eram minhas.
Eram dele.
Onze anos — de pé na propriedade Stella enquanto parentes observavam com desprezo silencioso.
Livro de habilidades Corpo de Cobre — nível 7.
Habilidade de linhagem ligada à vitalidade.
Ele não tinha energia suficiente.
Nem potencial suficiente.
Por isso, o apagaram.
Declararam que ele estava morto nos registros internos.
Removeram-no do cadastro.
Mandaram-no para um distrito de humanos fracos fora das cidades principais.
Um exílio cortês.
Ele deveria sobreviver sozinho.
Até…
Parei.
Até que um “amigo do pai dele” lhe deu um livro de habilidades.
Exceto que eu nunca nomeei esse amigo.
Nunca o descrevi.
Só escrevi um marcador de posição.
Mas, na minha mente, surgiu um nome:
Idan Vaughan.
Eu não escrevi isso.
Não imaginei isso.
O mundo tinha.
O vazio tinha sido preenchido.
O que significava uma coisa.
Não era eu preso dentro de um roteiro.
Era um mundo funcionando com base nele.
Uma versão que não precisava dos meus detalhes para continuar.
Uma versão que corrigia dados incompletos.
Estava vivo.
E eu estava dentro dele.
O Triângulo.
Academia militar.
Brutalidade hierárquica disfarçada de estrutura.
Usuários de nível 9 e 10 tratados como armas vivas.
Bestas além das muralhas.
Alienígenas testando fronteiras.
Superioridade humana balansada na beirada de uma lâmina.
E amanhã — às 10 horas — exame de entrada.
Fiquei duas horas na cama desconhecida, olhando para um teto que não era meu.
Não estava empolgado.
Não estava animado.
Isso não era realização de sonho.
Era pânico.
Porque Dreyden só teria chance se tivesse a habilidade que criei para ele.
Biblioteca Celestial.
Nível 0.
Não registrado.
Impossível de rastrear.
Restritivo.
Frágil.
Mas escalável.
Se ele ainda não conhecesse Idan…
Se a habilidade não estivesse lá…
Então eu estaria entrando numa arena de predadores desacompanhado.
O Triângulo não tolera fraqueza.
Este mundo não tolera fraqueza.
Pessoas sem poder são infraestrutura.
Pessoas com pouco poder são ferramentas.
Pessoas como Dreyden são estatísticas de desperdício.
"Isso não pode estar acontecendo," murmurava dentro do quarto vazio. "Eu nem queria isso…"
Minha voz quebrou.
Não estava implorando.
Estava negociando com algo que não podia ver.
No final, liguei a TV.
A notícia confirmou que os exames do Triângulo estavam em andamento.
Amanhã era a entrada final.
Precisão no enredo.
Exatamente trinta dias após o lançamento do arco inicial.
Igual às submissões dos leitores.
O que provavelmente alinhava o resto da linha do tempo também.
Desastres.
Mortes.
Baixas.
Desliguei.
A escuridão encheu o quarto.
Chega de negação.
Se estou aqui, preciso de força.
Imediatamente.
Mas verificar "Status" confirmaria tudo.
E se a Biblioteca Celestial não estivesse lá…
Então a esperança morreria naquele instante.
Sentei-me lentamente.
Minhas mãos pareciam estranhas.
Meu coração batia forte demais.
Fechei os olhos.
"Por favor," sussurrei. "Só quero que esteja lá."
Depois forcei a palavra para fora:
"Status."
Algo respondeu.
Não audivelmente.
Fisicamente.
Um calor percorreu meu corpo — não dor, não calor — algo… vivo.
Magia.
Ela fluiu por minhas veias que eu não entendia.
Reunida na minha frente.
Uma luz se formou.
Um quadrado.
Brilhante.
Segurei a respiração.
E abri os olhos.