O Extra é um Gênio!?

Capítulo 488

O Extra é um Gênio!?

O silêncio que se seguiu parecia mais pesado do que a própria batalha.

Poeira lentamente se levantava pelo ar, se depositando sobre pedras quebradas e metal retorcido enquanto os últimos ecos do combate desapareciam no nada. Noel finalmente baixou a Presa do Fantasma, deixando o zumbido da lâmina diminuir até virar apenas peso frio em suas mãos. Seu peito subia e descia com respirações controladas, a dor nos músculos finalmente permitindo que ela viesse à tona agora que o perigo tinha passado.

Ele foi primeiro a se virar, os olhos se movendo instintivamente em direção aos outros.

"Todo mundo bem?" perguntou Noel, com a voz firme, apesar do cansaço que carregava.

Elyra respondeu sem palavras. Ela encarou seu olhar e levantou o polegar, com postura ereta e expressão afiada como sempre.

Elena estava sentada a poucos passos, com um joelho dobrado, dedos descansando de forma relaxada sobre a pedra enquanto recuperava o fôlego. Seus cabelos grudavam um pouco na testa, misturando suor com poeira, mas seus olhos estavam claros.

"Estou bem," ela disse após um momento. "Alguns arranhões. Nada grave."

Laziel apoiou-se pesadamente em sua bengala, ombros caídos agora que não precisava mais se esforçar para manter-se de pé somente com a adrenalina. Parecia exausto, a respiração irregular, mas não havia sangue, nem ferimentos visíveis além do cansaço.

"Ainda vivo," ele murmurou. "E isso já é uma vitória."

Noel assentiu, a tensão nos ombros aliviando-se só um pouco. Nenhum deles estava em forma perfeita. Elena poderia tratar alguns dos danos superficiais, mas a cura verdadeira teria que esperar Charlotte voltar ao lado deles. Ainda assim, estavam de pé. Isso era o que importava.

"Certo," disse Noel. "Vamos descansar por uma hora. Recuperar o fôlego. Depois, seguimos em frente."

Ninguém contestou.

Eles se espalharam naturalmente, encontrando lugares entre os escombros para sentar ou se encostar, deixando o silêncio se estabelecer. A ilha parecia diferente agora. Mais leve, de alguma forma, como se algo tivesse sido solto em seu interior.

Noel permaneceu de pé um pouco mais, o olhar cruzando o campo de batalha. Cinco Ascendente de Elite. Pouco tempo atrás, mesmo enfrentar um só seria inimaginável. Agora, seu corpo ainda doía, o mana ainda ardia sob a pele, mas ele havia resistido. Ele se adaptara. Ele tinha vencido.

Enquanto os outros descansavam, Noel não se sentou.

Ele ficou de pé na beira da rua destruída, os olhos perdidos, observando a poeira assentando onde a violência tinha rasgado o chão há poucos minutos. Seu corpo estava cansado, sim, mas não era exaustão que o mantinha ali parado. Era o pensamento que se recusa a soltar seu aperto.

Ele estava perto agora.

O arquimago não era um pico único, mas uma escada com um último degrau ainda à sua frente. Uma última barreira antes que o sistema deixasse de chamar aquilo de crescimento e começasse a chamá-lo de outra coisa.

Manacode.

A mandíbula de Noel se apertou quase imperceptivelmente.

As palavras de Noctis surgiram sem convite, claras apesar do tempo que passou. Elarin tinha atingido esse nível. E, quando conseguiu, algo essencial se quebrou. A humanidade escorregou por seus dedos, substituída pela certeza. Pelo julgamento. Pela convicção de que o mundo precisava ser corrigido, purificado, quer gostasse ou não.

Marcus morreu por causa dessa certeza.

O mundo queimou por causa dela.

Noel baixou o olhar para as próprias mãos, flexionando lentamente os dedos. O poder respondia ainda agora, ágil e receptivo. Ele se perguntou, não pela primeira vez, onde realmente estava a linha. Em que momento a força deixava de ser uma ferramenta e começava a decidir as coisas por si mesma.

Seria Manacode o momento em que você parou de perguntar se deveria?

Noctis impediu Elarin. Com um custo tão severo que ainda reverberava pelo mundo. Seu corpo. Sua existência. Um ciclo infinito de reencarnações como a dele, todos nascidos de uma única escolha feita tarde demais e paga para sempre.

E Noel caminhava pelo mesmo caminho.

Mais próximo a cada batalha.


"Ei."

A voz silenciosa quebrou seus pensamentos.

Noel piscou e se virou a tempo de ver Elyra olhando para ele, com expressão afiada, mas com uma suavidade que poucos conseguiam perceber. Ela bateu duas vezes na sua coxa, um convite sem necessidade de explicação.

Ele não hesitou.

Noel se aproximou e se abaixou, apoiando a cabeça nas pernas dela. A tensão nos ombros diminuiu quase de imediato, como se seu corpo reconhecesse uma sensação de segurança antes mesmo de sua mente perceber.

Elyra sorriu para si mesma, os dedos mexendo na sua cabeça com familiaridade. "Como nos velhos tempos," ela disse suavemente.

Uma respiração suave saiu de Noel, algo semelhante a um risada. "Pois é."

Ficaram assim por um instante, o mundo silencioso ao redor deles.

Depois, Elyra falou de novo, com uma leveza deliberada no tom. "Então," ela disse, olhando na direção da linha do horizonte, ao longe. "Como você planeja nos levar de ilha em ilha?"

Noel fechou os olhos brevemente.

Ele manteve os olhos fechados por mais alguns segundos, ouvindo as ondas distantes e o silêncio da respiração ao redor. Quando finalmente falou, sua voz estava calma, mas carregada de hesitação.

"Tenho uma ideia," disse ele. "Não tenho certeza se vai funcionar."

Elyra virou a cabeça um pouco, os dedos ainda brincando casualmente com seus cabelos. "Isso não soa como uma promessa de sucesso."

"Não é," admitiu Noel. "Mas é a única opção real que consigo enxergar."

Elena, que descansava por perto, endireitou-se de repente. Suas orelhas mexeram, a atenção totalmente focada nele antes mesmo que ele continuasse. Laziel pairava a uma curta distância, com os braços cruzados, observando a troca com curiosidade e um leve desconforto.

"Então?" incentivou Elyra. "Qual é essa sua ideia?"

Noel abriu os olhos e olhou para ela. "Uso 'Passo das Sombras'. Não só em mim, mas em todos nós."

Houve uma pausa.

Elyra piscou. Uma vez. "Você quer… o quê?"

"Nos mover através das sombras," disse Noel. "De ilha em ilha. Um pulo. Talvez alguns encadeados."

Laziel soltou um assobio baixo. "Fala como se fosse uma caminhada casual."

"Não é," respondeu Noel. "Mas nadar é suicídio, e não temos exatamente um navio esperando por nós. Essa é a única alternativa que não envolve confiar que o oceano decida ser misericordioso."

Elyra estudou-o atentamente, com ceticismo estampado na face. "Você está falando em carregar várias pessoas por um feitiço que nunca foi feito para isso. A quilômetros de espaço aberto."

"Sei," disse Noel. "E nem consideraria se não achasse que consigo segurar agora."

"E não vejo muitas alternativas," continuou. "A não ser que Elena consiga, de alguma forma, criar uma ponte com raízes sobre o mar aberto."

Houve uma breve pausa.

Ela balançou a cabeça lentamente, as orelhas inclinando para trás. "Não posso," disse ela baixinho. "Nada assim. Não sobre água, e muito menos a essa distância."

As palavras vieram pesadas, mais do que ela queria.

Noel imediatamente balançou a cabeça. "Ei. Não era minha expectativa. Só estava pensando alto." Ele estendeu a mão e apertou a dela brevemente. "Vamos chegar lá. De um jeito ou de outro."

Laziel tossiu alto. "Só pra avisar," murmurou, "que alguns de nós estamos aqui assistindo tudo de camarote. Um pouco de consideração pelos membros solteiros do grupo seria legal."

Noel deu uma risada curta. "Você vai sobreviver."

Ele se levantou e puxou o dispositivo do bolso. "Theo," ele disse, ativando. "Quem está na ilha do norte?"

Houve uma breve pausa antes da voz familiar responder. "Duas meninas," disse Theo. "Uma delas tem cabelo azul curto."

Os olhos de Noel se arregalaram. "Sim. Essa é a Selene."

Isso resolveu a questão.

Um pouco mais tarde, o grupo estava na orla, a ilha destruída se estendendo atrás deles e a água aberta à frente. O resto tinha chegado ao fim. O próximo passo aguardava.

Noel avançou para a frente, sombras alongando-se aos seus pés, estendendo-se adiante como se respondesse à sua intenção.

"Certo," ele falou em tom baixo. "Vamos tentar algo novo."

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