
Capítulo 411
O Extra é um Gênio!?
O ar ficava impregnado de cinzas e ferro. O chão sob a mansão tremia a cada impacto, um ritmo constante de caos que não parava.
Elyra pressionou a mão na têmpora, com os olhos alternando entre as fileiras de soldados quase desorganizados. A onda não desacelerava — pelo contrário, os monstros estavam avançando com mais força ainda. Seu maxilar travou. "Não podemos manter esse ritmo," ela murmurou. Depois, mais alto: "Elena, Charlotte — venham aqui. Agora."
Elena terminou de tampar uma ferida de um soldado com uma explosão de luz verde antes de correr na direção dela. "Qual é o plano?"
"Nos reagrupar," disse Elyra firmemente, escaneando novamente o campo de batalha. "Se continuarmos espalhando nossa mana assim, vamos desfalecer antes do amanhecer."
Charlotte cambaleou um pouco ao se juntar a elas, o rosto pálido, mas ainda com uma leve luminância sob os restos dourados de sua oração. Sua respiração era irregular, mas ela forçou um sorriso. "Desculpem… não queria preocupar vocês duas."
"Quase se queimou até a queima-roupa," disse Elena suavemente, preocupação transparecendo na voz.
Elyra não perdeu tempo discutindo. "Precisamos mudar de formação. Damon, Kael e Sylvette podem manter a frente se lhes dermos o suporte adequado. Nós atuaremos como âncora atrás deles — coordenem o fluxo, curem, controlem o terreno."
Charlotte assentiu lentamente, enxugando o suor da testa. "Entendido. Ainda consigo lançar algumas bênçãos… só não me peçam para correr de novo."
Elena conseguiu um pequeno sorriso. "Sem correr. Apenas continue respirando."
Elyra olhou para elas duas — duas meninas exaustas ainda de pé no meio do campo de batalha — e depois para a frente, onde Sylvette lutava ao lado de Kael e Damon.
"Ela ainda está avançando," ela murmurou, quase para si mesma. "Ótimo. Se ficarmos com ela, conseguimos virar o jogo."
Ela se endireitou, os olhos cinza frios e focados. "Vamos agir antes que a próxima onda chegue. Fiquem próximas — e ninguém aja sozinho."
Charlotte levantou a mão com fraqueza, luz piscando entre os dedos. "Para mim, tudo bem," ela disse, a voz cansada, mas firme. "Vamos acabar com isso antes que eu desista."
O pátio tremeu novamente com o caos. Os monstros se reagruparam — peles mais espessas, movimentos mais rápidos, olhos brilhando sob a névoa escura. Sylvette já estava na linha de frente, sua lâmina envolta em chamas, cortando a horda com precisão absoluta.
"Cubram ela!" gritou Elyra ao fundo, a voz firme e segura. Sua mão traçou runas brilhantes no ar. "Grade de Mana."
Linhas douradas se espalharam pelo chão como uma grade, conectando cada aliado ao alcance. O ar ficou mais estável; os feitiços ficaram mais limpos, mais precisos.
Elena foi a primeira a agir. Ela golpeou sua palma na terra. "Raízes Abruptas!"
O chão se abriu sob os monstros, raízes torcendo-se violentamente antes de explodir para cima, levantando vários do chão de uma só vez. Um clarão de luz verde seguiu — "Dente da Videira!" — uma raiz em forma de lança disparou à frente, cravando-se no peito de um deles.
Charlotte passou por ela em um pulo, facas gêmeas brilhando sob a luz do fogo. Movendo-se como se dançasse, precisa e destemida, cortando tendões e gargantas antes de recuar de novo. "Vocês não vão passar por nós!" ela gritou, com um tom desafiador, não divino.
"Ataque pela esquerda!" chamou Elena. "Eles estão circulando!"
"Já estou cuidando disso," respondeu Elyra, elevando seu bastão. Dezena de placas luminosas surgiram ao seu redor. "Placa de Aegis!"
Os escudos giraram para fora em formação, interceptando uma salva de projéteis ácidos. Cada impacto ecoou como vidro estilhaçado, mas a linha se manteve firme.
A voz de Sylvette cortou o cheiro de fumaça — "Avancem agora!"
Sua espada traçou uma linha de fogo pelo chão, forçando as criaturas a recuar. Damon e Kael reforçaram o centro imediatamente, suas lâminas encaixando-se em um ritmo uniforme com a dela.
Elena seguiu, seus cabelos queimando ao vento quente. "Dançarina das Folhas!"
Ela avançou numa velocidade azulada de verde e vento, cortando os retalhos remanescentes. Cada passo deixava um rastro de folhas que brilhavam levemente na noite.
Logo atrás dela, as facas de Charlotte brilharam em dourado por um instante — uma pulsação de energia se espalhou do peito dela, consertando as feridas superficiais dos soldados próximos. Uma bênção silenciosa, mais instintiva que ritual.
"Hora certa," murmurou Elena, exalando.
Elyra deu um passo adiante ao lado delas, calma mesmo no meio do barulho da batalha. "Mantenham a respiração estável," ela disse, com o olhar fixo à frente. "Sylvette segura bem — só precisamos garantir que ela não tenha que fazer isso sozinha."
Uma onda de choque percorreu o solo enquanto Sylvette lutava contra uma besta gigante, duas vezes maior que ela. Labaredas explodiam, a terra rachava, e por um segundo o céu parecia vivo, tingido de vermelho e dourado.
Elyra levantou a mão novamente, a voz firme e baixa. "Reforce a frente. Vamos acabar com essa investida juntos."
A noite brilhou em vermelho.
Aquecimento vindo das chamas de Sylvette misturado ao cheiro de carne queimada pintou o campo de uma névoa nojenta. Ela se movia como uma tempestade — cada golpe de sua espada traçava linhas de lava pelo chão, obrigando os monstros a recuar com urros cortantes no ar.
"Segurem essa linha!" sua voz soou firme, sem pânico. Ela virou-se, por tempo suficiente para olhar nos olhos de Damon. "Você cobre a Ala Direita. Kael — esquerda!"
Eles assentiram e entraram em movimento, confiando nela completamente.
Elyra observou de perto, calculando. Seus dedos tremeram, formando em silêncio sigilos brilhantes no ar. "Solo Reforçado."
As rachaduras sob os pés de Sylvette se fecharam instantaneamente, estabilizando o terreno antes que seu calor absoluto o destruísse.
"Não deixe ela se esticar demais," Elyra alertou rapidamente. "Se a frente desmoronar, todos vão junto."
Elena avançou, agachando-se. "Vou mantê-los longe dela." Ela pressionou a palma na terra. "Chicote de Espinhos!"
Um chicote de espinhos vivos se rasgou do chão, varrendo o campo e destruindo uma dúzia de criaturas de uma só vez. Sangue espirrou, fritando ao tocar as chamas.
Charlotte correu logo atrás, movendo-se pelo desejo de proteger. Suas facas brilhavam em dourado por um instante, cortando a garganta de uma criatura. Ela movia-se rápido — rápido demais para alguém tão cansada.
"Você nunca fica com medo?" chamou Elena, enquanto cobria seu lado.
Charlotte sorriu, sem fôlego. "Só quando paro de me mover."
Um tremor sacudiu o campo.
Da borda da floresta, uma besta gigantesca surgiu entre as árvores em chamas — corpo blindado em pedra negra, veias incandescentes brilhando no peito. Os olhos de Sylvette se estreitaram. "Aquela é minha."
Ela avançou antes que alguém pudesse impedir.
Sua espada acendeu no ar, uma onda de mana vermelha explodiu para fora. A lâmina encontrou a garra do monstro com um som ensurdecedor, faíscas saltando ao redor.
— Droga," Elyra sussurrou por baixo, "ela está sugando mana demais do núcleo de novo."
"Vou apoiá-la," disse Elena, pisando forte. "Rajada Verde!"
Energias verdes se espalharam pelos braços dela, formando lâminas de vento e folha. Ela pulou, cortando diagonalmente na perna da criatura. Ela rugiu, cambaleando sob o impacto duplo.
Charlotte já estava ali. Saltou de uma parede destruída e caiu ao lado de Sylvette, facas prontas. "Você não achou que eu ia deixar você brilhar sozinha, né?"
Sylvette exalou uma risada curta, mantendo o foco. "Então siga o ritmo."
A besta atacou descontrolada. Os dois desviaram juntos — um deixando rastros de fogo, o outro de luz.
Por um instante, seus movimentos se pareciam perfeitamente sincronizados — duas metades da mesma determinação.
Por trás deles, Elyra ancorou o chão novamente e gritou acima da confusão: "Não parem! Está enfraquecendo — mantenham a formação fechada!"
E assim fizeram.
Sylvette liderou o ataque, Elena abriu as brechas, Charlotte acompanhou com precisão cirúrgica, e Elyra fez com que o campo de batalha não desabasse sob eles.
Pela primeira vez naquela noite, a linha de Thorn reagiu de volta.
O pátio virou um mar de fogo, pedra destruída e chão queimado.
A espada de Sylvette cortou o ar mais uma vez, as chamas grudadas nela burntaram mais forte. Ela não hesitou; não podia. Cada movimento era uma fúria controlada, seus golpes pesados o bastante para partir o chão.
"Recuem!" gritou enquanto rochas incandescentes jorravam de outro impacto. Damon e Kael caíram ao lado dela, as lâminas travando ritmo, eliminando tudo o que se aproximava.
A voz de Elena cortou o rugido. "Flores de armadilha!"
Raízes explodiram perto da linha de frente, entrelaçando as pernas das criaturas que avançavam pelo lado. Ela seguiu imediatamente com "Dançarina das Folhas!", sua figura se transformando num redemoinho de verde e vento, cortando com precisão os monstros presos.
Elyra ficou alguns metros atrás, com expressão focada e calma apesar do caos. Seus olhos seguiam cada movimento. "Vinculação Tethered!"
Um fio azul tênue brilhou no ar, conectando-a com Sylvette por alguns segundos. "Pegue — mana extra," ela sussurrou. A espada de Sylvette brilhou mais intenso enquanto a transferência ocorria.
Charlotte girava entre os corpos, abatendo os retalhos, antes de correr de volta para cobrir Elena. "Você está acabando a energia!" ela gritou.
"Sei disso!" respondeu Elena, ofegando, mas ainda sorrindo. "Tente não roubar toda a diversão."
"Então corra mais rápido."
Um rugido profundo surgiu por perto. Outra tropa de monstros — menores, mais rápidos — saiu pela direita, pulando sobre os escombros. Elyra foi a primeira a reagir. "Círculo de contenção!"
Círculos dourados se formaram sob os pés das criaturas, fechando com um estalo de mana. Os monstros presos uivaram, batendo contra as paredes de luz.
Sylvette aproveitou a brecha instantaneamente. "Agora!"
A lâmina dela traçou um arco de fogo derretido pelo ar — uma crescente que atingiu o centro da horda presa. A explosão seguiu, balançando o pátio, luz e cinzas se elevando como uma tempestade.
Por um momento, parecia que todo o céu estaria em chamas.
Quando a fumaça diminuiu, dezenas de corpos espalhados ao redor dela. Sylvette exalou, baixando a espada levemente. A armadura estava queimada, o cabelo grudado no rosto, mas seus olhos mantinham a mesma determinação firme.
A mão de Elyra tremeu levemente ao liberar o feitiço. Ela se recompôs e falou baixinho, mais para si mesma do que para Sylvette: "Ela... essa é a próxima chefe de Thorn."
Charlotte guardou uma das facas, apoiando a outra no ombro, e deu um sorriso de orgulho. "Sem discussão."
Sylvette finalmente se virou para elas, recuperando o fôlego. "Ainda não acabou," disse simplesmente, a voz rouca, mas firme. "Preparem-se. A próxima onda vai vir mais forte."
Elena encostou na peça de uma parede quebrada, respirando superficialmente. Os braços doíam de tanto usar, veias de mana verdes pulsando sob a pele. "Deveria ter sido a última," ela murmurou.
Charlotte se agachou próximo, colocando a mão nas costelas, as facas ainda brilhando à meia-luz. "Você já disse isso três vezes," ela falou, forçando uma risada leve. "Toda hora essa dizendo que acabou."
Elyra ficou ali, silenciosa, com os olhos fixos no horizonte onde a floresta queimava. As chamas brilhavam estranhamente — não recuando, não se espalhando. Etas esperando.
"Eles não param," ela sussurrou. "Alguma coisa está os mantendo aqui."
Sylvette deu um passo à frente, com as botas pisando contra cacos de vidro e ossos.Ela limpou a fuligem do rosto e apertou a mão no cabo da espada. A luz do fogo refletia nos olhos dela — não selvagem, não desesperada, apenas… firme. "Então, também não vamos parar."
Elyra virou-se para ela. "Sua mana está quase no fim. A de todo mundo também. Se ficarmos aqui muito tempo—"
Sylvette a interrompeu com um olhar firme. "Se recuarmos, a mansão cai. Não é uma opção."
Numa postura não de comando, mas de certeza absoluta.
Charlotte se ergueu lentamente, com uma leve dor no rosto, mas assentiu. "Então, vamos segurar. Como antes."
Elena sorriu com cansaço, escovando a sujeira do cabelo. "Você parece com ele," falou baixinho, quase com afeto.
Sylvette não respondeu. Seus olhos permaneceram nas chamas distantes — onde Noel ainda lutava em algum lugar além do alcance deles.
Depois, levantou a espada novamente. "Formem linha. Se vier outra onda, enfrentamos de frente."
Elyra apagou a cinza do rosto, estreitando os olhos na direção das chamas. "Você realmente não sabe parar, né?"
Sylvette deu um sorriso meio de canto. "Não seria uma Thorn se fosse diferente."
Charlotte soltou uma risada curta, girando uma de suas facas entre os dedos. "Boa observação. Acho que o resto de nós também virou Thorn, né?"
Elena balançou a cabeça com um sorriso leve. "Seja de quem for, ainda estamos nessa juntos."
Por um instante, o caos parecia diminuir. A fumaça, o fogo, o cansaço — tudo silenciou sob aquele brevíssimo momento de união.
Sylvette olhou para elas — três garotas firmes, ao seu lado, teimosas até o fim — e o pensamento veio espontâneo.
'Noel me deu ótimas cunhadas… Acho que chegou a minha vez de cuidar delas, hein?'
Seu sorriso permaneceu, sutil, mas sincero, enquanto um rugido distante rompia a noite.
"Vamos acabar com isso," ela murmurou.