O Extra é um Gênio!?

Capítulo 330

O Extra é um Gênio!?

O som das ondas permanecia suavemente audível através da janela entreaberta, uma lembrança silenciosa do mar logo ali além das muralhas da cidade. Noel foi o primeiro a se mexer, seus olhos se abrindo ao claro pálido do amanhecer que escorregava para o interior do quarto.

As velas tinham se consumido durante a noite, deixando apenas o brilho suave da manhã para afastar as sombras.

Elena ainda dormia ao seu lado, com a cabeça repousada delicadamente sobre seu peito. Seus cabelos platinados se espalhavam pelo seu corpo em fios emaranhados, e o pingente âmbar que ele um dia lhe dera quase invisível sob os lençóis de linho. O ritmo constante da sua respiração subia e descia, aquecendo-o.

Noel permaneceu imóvel, observando-a.

"Nunca imaginei que acabaria aqui... não assim. Primeiro Elyra, agora Elena. Minha vida foi tão longe do que costumava ser. Naquela época, tudo o que eu pensava era em sobreviver mais um dia."

Sua mão se moveu sozinho, afastando alguns fios de cabelo do rosto dela. Ela murmurou alguma coisa em seu sono, encolhendo-se um pouco mais perto dele.

A visão tocou uma parte profunda dentro dele, uma mistura de serenidade e incredulidade.

Ele olhou novamente para Elena, seus traços delicados relaxados em sono, seus lábios levemente entreabertos. Ela não se parecia nada com a elfa orgulhosa que enfrentava batalhas sem hesitação. Agora, ela era apenas... ela mesma.

Um pequeno sorriso raro surgiu em seus lábios. Deixou a mão repousar suavemente sobre suas costas, cuidado para não acordá-la, e concedeu-se o privilégio de permanecer quieto.

O sol subia mais alto, preenchendo o quarto com calor. E por um breve momento, o mundo lá fora—missões, casas, caçadas e inimigos—não existia. Havia apenas ela, dormindo em seus braços, e a certeza silenciosa de que queria manter essa paz pelo maior tempo que pudesse.

Um suave murmúrio escapou dos lábios de Elena antes de seu corpo se mover contra ele. Seus cílios tremularam uma, duas vezes, e seus olhos dourados se abriram, turvos de sono.

Por um momento, ela parecia confusa, seu olhar desviando para a luz morna da manhã entrando pela janela. Então, seus olhos se fixaram em Noel—e a compreensão a invadiu.

Suas bochechas coraram instantaneamente, e suas orelhas se tremeram avermelhadas contra seus cabelos. Ainda assim, ela não moveu a cabeça do seu peito. Em vez disso, pressionou levemente o rosto contra ele, como se tentasse se esconder.

"Bom dia," disse Noel suavemente, passando a mão uma vez por seus cabelos emaranhados.

Elena hesitou, depois sussurrou de volta, "Bom dia." Sua voz era suave, quase frágil, mas carregava um traço de felicidade por baixo.

"Você está bem?" perguntou Noel.

Ela assentiu lentamente, seus dedos desenhando círculos distraídos contra a sua pele. "Melhor do que eu imaginei."

Noel inclinou a cabeça, estudando-a. "Imaginei?"

Um sorriso tímido se formou em seus lábios. "Eu estava com medo," admitiu, suas palavras quase inaudíveis. "Medo de estragar tudo. Ou de não ser suficiente para você."

As sobrancelhas de Noel franziram, e ele colocou delicadamente uma mão sob seu queixo, encorajando-a a encontrar seus olhos. "Nunca pense isso. Você não precisa provar nada."

A blush de Elena ficou mais intenso, mas seu olhar permaneceu fixo com o dele. "Eu sei. Mas ouvir você dizer... ajuda."

Por um momento, o silêncio se estendeu entre eles, apenas preenchido pelo som das ondas lá fora e pelo ritmo constante de sua respiração.

Então, Noel sorriu de leve, tentando aliviar o peso de suas palavras. "Aliás... você foi mais do que suficiente para me manter acordado a noite toda."

Elena soltou um suspiro suave, baterando no braço dele envergonhada. "Noel!"

Seu riso escapou logo depois, quebrando a tensão. Ela enterrava o rosto contra seu peito novamente, tentando esconder suas orelhas que insistiam em queimar.

Noel riu, envolvendo o braço ao redor dela, segurando-a próxima.

As folhas dos lençóis farfalharam quando Noel finalmente se levantou, esticando os braços com um suspiro silencioso. Elena seguiu, relutante, puxando o maior lençol ao redor de si como se pudesse se proteger da luz do dia que invadia o quarto. Suas bochechas ainda estavam rosadas, mas seu sorriso agora era mais firme.

Noel olhou para ela, um sorriso no canto da boca. "Sabe... ainda dá tempo de mais uma rodada."

Os olhos dourados de Elena se arregalaram antes de se estreitar em uma expressão de falsa indignação. Ela pegou o travesseiro mais próximo e lançou fracaço atirando nele. "Insuportável."

Noel prontamente o pegou com facilidade, sorrindo entre dentes. "Nego isso, claro."

Suas orelhas ficaram vermelhas enquanto ela desviava o olhar, procurando seu vestido na beirada da cama. "Você vai ter que esperar. Preciso ir ver minha família hoje de manhã. Meu pai... quer falar comigo."

A maneira como ela disse—calma, mas com um fio de nervosismo—chamou a atenção de Noel. Ele recostou-se nas mãos, observando-a cuidadosamente colocar seu vestido. "Lord Thalanor, é? Faz sentido. Ele provavelmente quer saber como a filha dele está antes da Caçada."

Elena assentiu, fechando o fecho do pingente. "Sim, ele às vezes se preocupa demais, mas eu entendo."

Noel fez um som de concordância, depois passou a mão pelos cabelos bagunçados. "Agora que você falou nisso, imagino que meu pai também vai querer me ver."

O olhar dela suavizou ao virar-se para ele. "Albrecht?"

"Pois é," disse Noel com tom decidido, levantando-se para pegar sua camisa. "Vai ser... divertido." A ironia era evidente na voz dele.

Elena deu um passo mais perto, colocando a mão suavemente sobre seu braço. "Tente aguentar. Depois da Caçada, você consegue fugir deles de novo."

Ele olhou para ela, o sorriso desaparecendo numa expressão mais discreta. "Eu sei."

Mas seus pensamentos o traíram. 'Gostaria de poder fugir, mas agora vou ficar preso com eles por dois meses...'

Por um momento, ficaram assim, ela com a mão no braço dele, ele fixando o olhar nela. O mundo lá fora—suas famílias, a Caçada, a missão da sistema—parecia distante.

Então, Noel quebrou o silêncio com um sorriso leve. "Ainda assim, posso te dar um tempo para pensar. Não pense que vai escapar pra sempre."

Elena suspirou, cobrindo o rosto com a mão. "Sem esperança…"

Mas seu riso o traiu.

As tábuas de madeira rangiam suavemente enquanto Noel e Elena desciam do andar superior, num ritmo calmo e sem pressa. O sol da manhã entrava pelas altas janelas da estalagem, pintando o saguão em tons dourados. Noel ajustou o colarinho, enquanto Elena permanecia ao seu lado, o pingente âmbar na garganta refletindo a luz.

No balcão de recepção, duas figuras conhecidas estavam juntas—Marcus e Clara.

Ambos pararam de repente ao se encontrarem. A expressão de Clara suavizou rapidamente, mas Marcus ficou tenso, claramente desejando estar em outro lugar.

O sorriso de Noel surgiu instantaneamente. "Ora, ora. Lady Nivaria e seu namorado, num hotel no próprio território, quando uma mansão os espera? Interessante escolha."

Marcus ficou desconfortável, então soltou: "Viemos pelo mesmo motivo que vocês."

Noel levantou uma sobrancelha, ampliando o sorriso. "Ah? E o que exatamente vocês acham que fizemos?"

As orelhas de Elena ficaram vermelhas intensamente enquanto cobria parte do rosto com a mão. Clara soltou uma risadinha, incapaz de se segurar, enquanto Marcus ficou ruborizado.

"Eu—não é isso—" Marcus gaguejou, mas suas palavras se embaralharam antes que pudesse se recuperar.

A recepcionista, fazendo o possível para parecer profissional, abaixou a cabeça, embora o tremor nos cantos dos lábios a traísse de diversão.

Noel descontraidamente encostou-se no balcão, com tom leve. "Relaxa. Só estou perguntando. Mas se você está tão nervoso assim..." Ele deixou a frase no ar, propositalmente, deixando claro o desafio.

Clara balançou a cabeça, ainda sorrindo, enquanto Marcus suspirou baixinho, murmurando algo que Noel não conseguiu ouvir direito.

Batendo no ombro de Marcus ao passar por ele, Noel disse: "Fica tranquilo. Seu segredo está comigo."

Marcus colocou a mão na face, enquanto Clara puxava suavemente ele em direção à saída.

Do lado de fora, Elena deu um beliscão no braço de Noel. "Você não precisava zombar dele assim," ela repreendeu, embora os cantos dos lábios estivessem curvados apesar das palavras.

Noel só riu, esticando os braços enquanto o ar salgadinho da manhã o envolvia. "Não consegui resistir."

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