
Capítulo 295
O Extra é um Gênio!?
A esfera atravessou a coliseu como uma estrela cadente, sua superfície mais negra que a noite, puxando poeira, ruínas e até fragmentos de fachadas partidas em sua órbita. A voz de Noel quebrou o silêncio quando o feitiço atingiu seu auge.
"Sol Escuro!"
A implosão veio primeiro — um silêncio esmagador, como se o próprio mundo prendesse a respiração. Depois, a explosão se seguiu, um rugido de fogo tão comprimido que queimava sem cor. O chão do coliseu cedeu para dentro, placas inteiras de pedra desabaram sob a pressão absoluta. Sombras se curvaram, a luz se torceu, e as runas gravadas nas paredes brilhavam desesperadamente para tentar conter a explosão.
Noel cambaleou para frente, suor escorrendo pela testa, o peito subindo e descendo pesadamente. Seus olhos esmeralda nunca desviaram do turbilhão de fogo e poeira onde ficara o Primeiro Pilar. Aquilo tinha que funcionar. Nicolas ficou de pé, com os olhos semicerrados, raios ainda dançando pelo corpo, enquanto Selene observava ao lado, com a varinha firme, cada músculo tenso em expectativa.
A fumaça começou a se dissipar.
Passo a passo, uma silhueta surgiu. Capa rasgada, véu ainda cobrindo o rosto, a figura pálida saiu incólume da implosão. Nem uma única cicatriz manchava sua pele. Sua espada torta arrastava-se contra a pedra, faíscas gritando sob o peso da lâmina.
A voz do Primeiro Pilar ecoou oca pelo coliseu vazio.
"Bem... você está avançando pouco a pouco. Justamente como ele quer. Em breve, estará pronto."
Noel congelou. As palavras penetram mais fundo que qualquer lâmina. Seu feitiço — o mais poderoso que já conjurara — não tinha surtido efeito.
O chão do coliseu ainda fumegava do impacto, mas o inimigo caminhava livre, com uma presença mais pesada do que antes.
E a luta havia acabado de se virar.
O Primeiro Pilar endireitou-se lentamente, seus dedos pálidos apertando ainda mais o pomo da sua espada torta. O ar ao redor dele começou a mudar, o silêncio do coliseu rachando sob uma pressão que antes não existia.
Pedaços de pedra rangeram ao se espalharem por fissuras quase imperceptíveis, simplesmente pelo peso de sua aura. As runas ao redor das paredes da arena brilharam uma vez só, pulsando com uma luz fraca, como se realmente esforçassem para contê-lo.
Então, ele se moveu.
Em um batimento, estava na cratera, e no seguinte, já à margem de Nicolas, com a lâmina já descendo. Nicolas mal conseguiu se desviar a tempo.
"Mudança de espaço!"
A lâmina cortou a pedra em vez disso, partindo o chão da arena ao meio, estilhaços voando para o alto. No instante seguinte, o Pilar se turvou novamente, seu corpo uma mancha de sombra e luz.
Nicolas reapareceu do outro lado da arena, com eletricidade chisparejando ao redor dos braços. "Relâmpago Arcano!" As faíscas explodiram, cruzando o chão de forma caótica.
O Pilar se esquivou deles, a capa tremendo como um pano de fantasia. Sua espada cortou cada raio ao meio, o ar se enchendo de brilho branco a cada golpe. Ele não diminuiu o ritmo.
Noir rugiu, saltando das sombras, sua forma colossal colidindo com a figura pálida. Mandíbulas fechadas, dentes como lanças de escuridão apontando para o pescoço dele.
O Pilar a agarrou com uma mão. Uma. Seus dedos ossudos cerraram-se na mandíbula dela, fazendo-a recuar com uma facilidade assustadora.
Noel e Selene ficaram imóveis na borda da arena, o contraste de força sendo inegável. O Sol Negro nem sequer arranhara-o — agora, seus movimentos desafiavam a lógica, mais rápidos do que os olhos podiam seguir.
O rosnado de Noir reverberou pelo coliseu ao insistir, sombras se espalhando ao redor de seu corpo. Nicolas reapareceu de outra rachadura no ar, a eletricidade crescendo novamente, forçando o Pilar a soltá-la.
O caos reinava na arena. Raios rasgando o ar, sombras se movendo como líquido pelo chão, e a espada torta do Pilarespartindo pedra a cada golpe. Nicolas aparecia e desaparecia em rápidos disparos, sua voz cortando o barulho da tempestade.
"Noel, Selene — vão!"
Noel virou a cabeça na direção dele, respirando com dificuldade. "O quê?!"
A espada do Primeiro Pilar desceu como uma guilhotina, cortando o chão onde Nicolas estivera. Ele piscou, aparecendo atrás do ataque, faíscas dançando pelo corpo ao reaparecer ao lado do Pilar.
"Você não pode morrer aqui!" Nicolas gritou, com os olhos em chamas, bloqueando outro golpe com uma rede de espaço distorcido. "Você é o futuro de Valor! Deixe essa luta comigo!"
As palavras pesaram mais que o trovão que sacudira o coliseu. Por um instante, o silêncio encheu o peito de Noel — um instinto de obedecer, de correr. Selene também congelou, a varinha tremendo levemente enquanto assistia à velocidade absurda do ataque do Pilar.
Mas nenhum deles se mexeu.
A voz de Selene foi gelada. "Se deixarmos você sozinho, vai ser morto."
Noel levantou a mão, uma chama explodindo na palma ao seu comando. "Vamos apoiar de longe. É só isso que podemos fazer."
Nicolas cerrava os dentes, teleportando-se outra vez, sua voz atravessando as rachaduras do trovão. "Então mantenham distância! Não deixem que ele toque vocês!"
O Pilar moveu-se com um golpe, a luz formando uma crescente. Noir interceptou, seu corpo gigante colidindo contra ele, sombras se agitando como um escudo vivo. Ela rosnou, recusando-se a recuar um só centímetro.
Da borda da arena, Noel e Selene começaram sua ofensiva.
" Bola de Fogo!" Uma esfera de fogo avançou, explodindo contra a guarda do Pilar.
"Lança de Gelo!" Uma lança de gelo passou silbando, se estilhaçando contra a espada dele.
Eram fracos — apenas distrações. Mas foram suficientes.
A arena tremeu enquanto Nicolas e o Pilar se chocavam novamente, relâmpagos contra aço radiante, sombras rosnando enquanto Noir avançava por um lado. Noel lançou mais uma "Agulha de Tensão", mas o cauda se apagou inutilmente contra a aura do inimigo.
As palavras do Primeiro Pilar ecoaram em sua cabeça: "Bem... vocês estão avançando pouco a pouco. Assim como ele quer. Em breve, estarão prontos."
Noel apertou as mãos com força. O que ele quis dizer? Seus olhos esmeralda piscaram na neta do véu do pálido, observando o quão facilmente ele desviava da fúria de Nicolas. Ele... precisa de mim para algo? O que está atrás do cristal... se for isso, então ele não pode me matar.'
O pensamento queimou em suas veias como fogo.
É uma oportunidade.
Sua mão correu até a cintura. Presa Ressurgente deslizou para fora, a lâmina amaldiçoada brilhando à luz da tempestade. Noel respirou fundo uma vez, acalmando o caos no peito, e partiu em disparada.
Pedras se estilhaçaram sob seus calçados ao fechar a distância. Os olhos de Nicolas se arregalaram na metade da teleporte, faíscas envolvendo seu corpo ao ver Noel avançar. "O que você está fazendo—?!"
Mas Noel já estava lá, Presa Ressurgente chocando-se contra a espada torta do Pilar. Faíscas saltaram, um grito cortante de aço contra aço. A onda de choque espalhou poeira pelo crater.
O Pilar inclinou a cabeça para ele, rindo baixinho debaixo do véu. Noir avançou ao mesmo tempo, suas presas sombrias rasgando a terra ao lado deles, enquanto Nicolas reaparecia no ar acima, relâmpagos surgindo de suas mãos.
Noel prendeu os dentes, encaixando as lâminas, cada músculo tenso sob o peso impossível do golpe.
Primeira vez, ele não estava fugindo — estava de pé no centro.
A colisão de luz, sombra e relâmpagos apoderou-se do coliseu.