O Extra é um Gênio!?

Capítulo 292

O Extra é um Gênio!?

A porta se abriu com força. Noel entrou correndo, o peito arfando, Selene a seu lado. Seus olhos esmeralda fixaram-se em Nicolas, marcado por cada linha de expressão como se carregassem urgência.

"Nicolas," ele falou abruptamente, quase um rosnado. "Você está em perigo."

Nicolas abaixou cuidadosamente o pergaminho, os olhos passando rápida pela mensagem, antes de olhá-lo de volta. Sua expressão permaneceu impassível; simplesmente deixou o papel sobre a mesa, dobrando-o com cuidado. "Perigo?" Sua voz era suave, sem pressa. "De quê?"

Noel deu um passo mais perto, a Fúria Espectral ainda presa à lateral, suor escorrendo de sua têmpora pelo esforço. O holograma azul queimava em sua visão—


—um cronômetro marcando: [Tempo limite: 9 minutos, 27 segundos.]—uma contagem regressiva que ninguém mais podia ver.

"Não tenho tempo pra explicar," insistiu Noel, com uma voz cortante. "Mas você precisa confiar em mim. Algo está vindo em sua direção neste exato momento."

Selene permaneceu logo atrás dele, silenciosa, mas fixa, os olhos cianos oscilando entre os dois homens.

Nicolas observou o rosto de Noel por um longo instante, pesando o tremor de urgência na voz dele, a postura rígida dos ombros. Então, com a mesma compostura que levava para todas as assembleias e batalhas, inclinou a cabeça suavemente.

"Entendi," respondeu simplesmente.

A tranquilidade na sua voz fazia o tic-tac na visão de Noel parecer ainda mais alto, pesado e impiedoso.

[Tempo limite: 9 minutos, 11 segundos.]

"Se você diz que é sério, então eu acredito," afirmou, a voz calma, quase num sussurro. "Mas preciso saber — com o que estamos lidando?"

Noel cerrava os punhos ao lado do corpo. O brilho do sistema queimava em seus olhos—[Tempo limite: 8 minutos, 52 segundos.]—cada segundo apertava mais seus nervos. Ele sacudiu a cabeça.

"Não sei." As palavras saíram mais duras do que pretendia. Ele se esforçou para se manter firme e, depois, repetiu, mais devagar. "Não faço ideia do que seja. Tudo o que sei é que algo — ou alguém — vai tentar te matar. Aqui mesmo. Agora."

Selene se mexeu um pouco atrás, a expressão difícil de ler, embora os olhos estreitassem diante da franqueza da resposta dele.

Nicolas não reagiu com raiva ou incredulidade. Simplesmente estudou Noel como se estivesse avaliando uma nova peça do quebra-cabeça. Então, quase casual, colocou a mão na xícara, levantando o porcelana e tomando um gole como se Noel tivesse dito que o tempo poderia virar do avesso.

"Interessante," murmurou Nicolas, colocando a xícara de volta com um leve tilintar. "Pensar que eu ouviria uma afirmação dessas no meio da minha noite."

Noel deu um passo mais perto, a urgência no corpo irradiando como calor. "Isso não é uma afirmação. É a verdade. Daqui a poucos minutos, alguém vai atacar. Você precisa estar preparado."

O cronômetro do sistema pulsesou novamente, penetrando na visão de Noel como uma lâmina.

[Tempo limite: 8 minutos, 39 segundos.]

Nicolas recostou-se, os olhos fixos e firmes. "Muito bem," disse. "Então vamos ver o que o destino reserva."

A voz de Noel ficou mais dura agora, cortando o silêncio do escritório. "Precisamos nos mexer. Ficar aqui só torna você um alvo."

Selene assentiu uma vez, com o tom sério e decidido. "Ele não está exagerando. Desde os Picos de Iskandar, ele não parecia assim. Algo está vindo."

Pela primeira vez, Nicolas levantou-se da cadeira. Seus movimentos foram deliberados, sem pressa, mas sem sinal de desprezo. Estendeu uma mão, os olhos se estreitando enquanto mana brilhava ao seu redor.

"Guardião do Égide."

Uma barreira translúcida começou a tomar forma, formando uma cúpula leve sobre seu corpo. O zumbido suave do mana condensado encheu o ambiente, protegendo o ar com sua força defensiva.

As costas de Noel relaxaram um pouco. A barreira não era só para efeito — significava que Nicolas tinha levado a sério o aviso dele. Ainda assim, isso não era suficiente para fazer o tique-taque da contagem regressiva parar em sua cabeça.

[Tempo limite: 8 minutos, 14 segundos.]

Nicolas olhou para o escudo brilhante por um momento antes de falar, a voz firme, mas carregada de intenção. "Se eu acredito, então preciso me preparar. Mas antes de agir às cegas, quero ver quem ousa vir me buscar. Conhecer o inimigo é mais importante do que fugir dele."

Os olhos de Selene se mexeram para Noel, a mão apertando a varinha com mais força. Ela estava pronta para o que quer que tentasse atravessar as paredes a qualquer instante.

Noel cerrava a mandíbula, o olhar fixo na barreira ao redor de Nicolas. O peso da inevitabilidade pressionava mais forte contra seu peito. O cronômetro do sistema pulsou novamente, impiedoso.

Sua voz baixou para um sussurro, pesada e segura.

"O Primeiro Pilar…"

O zumbido da barreira encheu o escritório, a tensão tão densa que parecia pressionar contra as próprias paredes. O murmúrio de Noel ainda ecoava no ar—O Primeiro Pilar…

O olhar de Nicolas se intensificou, os olhos rubros brilhando como se uma peça do quebra-cabeça tivesse finalmente se encaixado. "O Primeiro Pilar," repetiu suavemente. Um instante, seus lábios formando um sorriso quase irônico. "Acabamos de nos livrar do Quinto, não foi? E agora—"

O resto nunca veio.

A parede atrás de Nicolas explodiu com um estrondo ensurdecedor, fragmentos de pedra e poeira espalhando-se pela sala. Uma única figura rasgou o caos como um projétil vivo, a pele pálida reluzindo sob a luz do mana, seu corpo impulsionado com velocidade impossível.

O domo translúcido do Aegis acendeu-se ao ser atingido, runas gritando contra a força. Mas a barreira se quebrou em uma explosão de luz, pedaços de energia dispersos como estilhaços de vidro.

A figura pálida colidiu contra Nicolas, arrancando-o de onde estava. O corpo do diretor foi arrancado de vista, lançado para trás, através da parede em colapso.

"Não!" gritou Noel, avançando, a Fúria Espectral brilhando livre do cinturão. Selene ao seu lado, varinha levantada, o gelo já se espalhando pelo ar.

Mas era tarde demais. Nicolas e o intruso de pele pálida desapareceram numa tempestade de pedra e poeira, suas silhuetas caindo na arena aberta abaixo.

O escritório tremeu violentamente, pedaços de destroços caindo por toda parte. Pela parede quebrada, o grandioso coliseu se abriu novamente, suspiros do público ainda ali, olhando em choque.

O brilho do sistema queimou nos olhos de Noel.

[Tempo limite: 7 minutos, 03 segundos.]

A batalha tinha começado.

Comentários