O Extra é um Gênio!?

Capítulo 281

O Extra é um Gênio!?

O torneio passou por um silêncio forçado por vários dias após a morte de Torwan e a súbita coroação de Balthor. O luto e o choque permaneciam entre os anões, mas a vida em Tharvaldur não tinha trégua—mais cedo ou mais tarde, a arena precisava rugir novamente. Muitos estudantes locais, no entanto, optaram por se retirar. O trauma de lutar sob a manipulação de Torwan, e a perda de amigos, era demais para suportar. Eles tentariam novamente no ano que vem.

Com tantas desistências, os cruzamentos tiveram que ser refeitos. Os novos confrontos foram anunciados com uma empolgação retumbante, e um nome imediatamente capturou a atenção do público: Noel Thorne contra Dior de Valor.

Quando finalmente chegou o dia, a arena-caverna voltou a vibrar com vozes ensurdecedoras e bandeiras agitadas. Diferente dos dias tensos anteriores, o ambiente estava mais leve. Os cidadãos tinham um novo rei que parecia valer a pena acreditar, e o torneio—embora marcado—era uma nova chance de celebrar.

Pela primeira vez, Noel esteve na parte de trás do balcão real, ao lado de Balthor e Noriel. De lá, podia ver o mar de anões preenchendo as cadeiras, mas a distância o protegia dos olhares deles.

"Ei, rapaz," murmurou Balthor, aproximando-se com um sorriso, "não se esqueça—ainda aposto em você. Melhor ganhar."

Noel levantou uma sobrancelha. "Ainda está apostando mesmo depois de ter sido feito rei?"

Balthor sorriu ainda mais. "Problema com isso? Na verdade, tenho mais ouro agora. Hahaha!"

Noriel cutucou o nariz, murmurando, incredulo: "Inacreditável. Um rei apostando em lutas… devia ter desconfiado."

Noel deu uma risadinha. "Bem, se eu vencer hoje, lembre-se—você me deve minha parte. Caso contrário, vou contar ao seus súditos que tipo de governante você realmente é."

"Você, petit...", exclamou Balthor, brincalhão. "Somos amigos, né, rapaz?"

"Claro, claro," respondeu Noel com um sorriso gentil, virando-se. Sua luta seria a próxima, e o peso da expectativa da multidão pressionava de cima.

Ele atravessou os corredores de pedra sob a arena.

No final do corredor, empurrou a pesada porta para a sala de preparação—e lá estava Dior, já esperando.

O jovem príncipe de Valor sentava-se em um banco. Seus cabelos brancos estavam penteados para trás, seus olhos verdes afiados, porém calmos. Ele não parecia nada com o menino arrogante que Noel lembrava da academia.

Dior foi o primeiro a quebrar o silêncio. "Noel Thorne." Seu tom era sério, firme.

Noel inclinou a cabeça, surpreso. "Algo errado?" Esperava hostilidade, não uma conversa.

Dior o estudou por um momento, depois assentiu levemente. "Obrigadão."

'…Obrigadão? Dior? O mesmo Dior que uma vez tentou se impor a cada oportunidade?' Noel quase riu de descrença.

"Por que está me agradecendo?" perguntou Noel com cautela.

"Por ter me impedido naquele dia," respondeu Dior, com a voz baixa. "Me forçou a pensar. Meu pai—Rei Alveron—também falou comigo depois. Percebi o quanto estava sendo manipulado por Lereus... e como poderia ter perdido a cabeça facilmente. Não sei o que teria acontecido se as coisas continuassem assim."

Noel franziu a testa. "Não fui eu. A Selene foi quem o revelou com a pergunta."

Dior balançou a cabeça. "Você não precisa diminuir o que aconteceu. Minha irmã me contou o resto."

Noel piscou. "Seraphina te contou?"

"Sim. Nós não nos odiamos, Noel. Antes, eu tinha ciúmes dela. Ela sempre foi mais brilhante, mais forte, o centro das atenções. Só disputei a coroa porque não queria viver à sombra dela." Os lábios de Dior se apertaram, mas logo relaxaram em um sorriso pequeno e confiante. "Mas isso acabou. A coroa é dela agora. Vou seguir meu próprio caminho."

O clima entre eles mudou—menos rivalidade, mais respeito.

"Ainda assim," acrescentou Dior, levantando-se e apertando mais a empunhadura da varinha, "não vou me segurar."

Noel deu um pequeno aceno de cabeça. "Muito bem."

As portas pesadas rangeu ao abrir, as correntes rangendo enquanto as barras de ferro levantavam. A luz da arena entrou na sala de preparação, dourada e cegante, em contraste com os corredores escuros de baixo.

O rugido da multidão era ensurdecedor. Milhares de vozes se fundiam em uma só, sacudindo a pedra sob os pés de Noel. Revenant Fang pendurado ao seu lado esquerdo, sua mão passando pelo punho uma última vez antes de repousar.

Do outro lado da arena, pela porta oposta, Dior apareceu. Seus cabelos brancos reluziam sob as encantamentos do sol, seus olhos esmeralda fixos à frente. Com porte de rei. A multidão explodiu em vozes de “Valor!” ecoando por todo o estádio cavernoso.

De seu assento escondido lá em cima, Balthor roncava com uma risada, mesmo sabendo que o rei não devia interferir. "Vamos lá, rapaz! Não me faça perder meu dinheiro!"

Noel, no entanto, não olhou para cima, mas um sorriso discreto surgiu nos seus lábios. 'Ainda o mesmo idiota.'

O anunciador ergueu a voz, amplificada pela magia:

"Senhoras e senhores! Hoje, a última luta da fase dos dezesseis! Dois estudantes da Academia Imperial de Valor!"

A multidão silenciou por um instante, a tensão pesada no ar.

"De um lado, Noel Thorne! A estrela em ascensão, o desafiante que quebrou todos os obstáculos!"

Todos aplaudiram.

"E do outro… Dior de Valor! Príncipe do Império, herdeiro da força, portador do sangue real!"

Dior levantou levemente a varinha, não para se exibir, mas como uma simples sinal de respeito. A multidão explodiu novamente.

O combate estava prestes a começar.

O anunciador levantou a mão, sua voz ecoando por toda a arena.

"Comecem!"

Dior ergueu a varinha, sua voz firme. "Manifesto de Aço!"

Uma lâmina de metal reluzente se formou na mão esquerda dele, sólida e pesada, enquanto ele segurava a varinha na direita. A demonstração surpreendeu a multidão—manejar duas armas com tanta precisão assim não era tarefa fácil.

Os olhos de Noel se estreitaram. 'Magia de Aço? E dual wielding? Isso não aparece no livro.'

Dior não perdeu tempo. Avançou, a espada cortando com velocidade. Noel deu um passo à frente, Revenant Fang encontrando o aço em um embate retumbante, faíscas voando entre eles.

Separaram-se por um instante antes de Dior pressionar novamente, a lâmina inclinada em direção às costelas de Noel. Noel se defendeu, torcendo o pulso para afastá-lo.

O aço colidiu contra o preto amaldiçoado inúmeras vezes, formando um ritmo apurado e preciso.

A arena rugia a cada impacto, a multidão vibrava. Noel observava os olhos de Dior—calmos, resolutos. Este já não era mais um príncipe mimado.

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