O Extra é um Gênio!?

Capítulo 177

O Extra é um Gênio!?

A dormitório da Classe S estava incomumente silencioso para uma volta ao meio-dia. Noel abriu a porta da sala comum, esperando encontrar o costumeiro vazio — e parou.

Sentado em um dos sofás, com os braços apoiados atrás da cabeça e as pernas em cima da mesa como se fosse dono do lugar, estava Roberto.

“…Você?”

Roberto sorriu. “Oi.”

Noel piscou. “Pra quê diabos você está aqui? Você não é da Classe S.”

“Correção”, afirmou Roberto com orgulho, levantando-se e abrindo os braços. “Eu não era. Mas, aparentemente, minhas notas escritas foram boas o suficiente. Tinha algumas vagas depois do último semestre, então cá estou eu.”

Noel cruzou os braços, ainda tentando processar. “…Tem certeza de que alguém não confundiu a lista?”

“Muito engraçado”, Roberto revirou os olhos. “Estou aqui de forma legítima. Acho que tive um dia de sorte nas provas.”

Noel olhou fixamente por um momento, então soltou uma risadinha curta.

‘Bem, tê-lo por perto no acampamento de treinamento da Classe S pode até ser bom. Quanto mais gente em quem confio aqui, melhor.’

Os dois saíram do dormitório rumo à cafeteria. Os corredores estavam mais animados que de costume — os calouros se mudando, veteranos exibindo suas conquistas, professores gritando ordens de lá de fora.

Tudo parecia vivo novamente.

Ao chegar na cafeteria, pegaram suas bandejas e escolheram um lugar perto das janelas. Roberto logo se jogou na comida como alguém que não comia há dias.

“E aí?” perguntou, com metade da boca cheia. “Como foi suas férias? Ou, espera… foi mais uma missão secreta de nobre?”

Noel recostou-se na cadeira, cruzando os braços. “Mais pra uma armadilha mortal.”

Roberto piscou. “Como assim?”

Noel resumiu brevemente. Sobre a Capital Sagrada, o orfanato, como ajudou a impedir que algo bem pior acontecesse.

Não entrou em detalhes profundos. Sem sangue, sem nomes.

Mas foi suficiente.

Roberto ouviu com atenção, colocando lentamente o garfo de lado.

“Caramba”, ele falou depois de uma longa pausa. “Você realmente passou pelo inferno.”

Noel assentiu uma vez. “Sim.”

Roberto soltou uma respiração profunda, depois sorriu um pouco. “Ainda bem que você voltou, cara. Sinceramente, foi estranho não ter você por aqui. Pensei que tivesse sido expulso ou algo assim.”

Noel sorriu de lado. “Não. Ainda estou aqui. Ainda faço a galera pirar.”

'Ele foi meu primeiro amigo de verdade neste mundo,’ pensou Noel. 'E o único que não tirou nenhuma onda comigo quando cheguei.'

Roberto furou um pedaço de carne com força desnecessária. “Então, sério mesmo.”

Noel levantou uma sobrancelha. “Lá vem.”

“Você ainda está solteiro, ou alguém finalmente te domou?”

Noel deu de ombros com um sorriso meio desafiante. “Não exatamente.”

Roberto olhou pra cima. “Esperaaa… o quê?”

“Estou com Elyra. E estou pensando em pedir a Elena em namoro logo.”

O garfo escapou da mão de Roberto e bateu na bandeja com estrondo.

“O QUE!?”

As cabeças se voltaram.

Noel se inclinou, com a voz baixa e cortante. “Diminua essa voz, pelo amor de Deus.”

Roberto piscou e sussurrou bem alto, “O que você quer dizer com ‘diminuir a voz’? Você percebeu o que acabou de dizer?!”

Noel o encarou com expressão neutra. “Sim, Roberto. Eu percebi.”

“Elyra?! Você quer dizer Elyra von Estermont?! A— as famílias Estermont? A segunda mais poderosa de Valor, depois a imperial?! E a Elena?! Uma das nobres élficas mais altas na continente de Elarith?!”

Noel pegou um pedaço de pão e deu uma mordida.

“…Obrigado pelo lembrete.”

Antes que Roberto pudesse se perder em qualquer outra paranoia, uma voz conhecida veio de trás deles.

“Olha só quem finalmente está comendo algo que não foi queimada no forno estudantil.”

Ambos se viraram para ver Marcus chegando à mesa, com um sorriso descontraído no rosto.

“Marcus!” Roberto levantou-se e lhe deu um aperto de mão rápido. “Caramba, faz quanto tempo — dois meses, mais ou menos?”

“Mais ou menos”, Marcus respondeu, puxando uma cadeira sem perguntar.

“Bom te ver, cara”, Roberto sorriu, então deu um cutucão com o polegar em direção a Noel. “Você acredita nisso? O cara simplesmente dropa que está namorando a Elyra e prestes a pedir a Elena!”

Marcus se acomodou com expressão zero de surpresa. “Pois é. Já sabia.”

Roberto piscou. “Espera… você sabia?”

“Sabia.”

“…E está tudo bem com isso?!”

Marcus deu de ombros. “É Noel. Sinceramente, faz sentido.”

Roberto gemeu, esfregando a testa. “Achava que todo mundo aqui fosse solteiro como eu…”

Marcus levantou uma sobrancelha. “Ah. Não por muito mais tempo.”

Roberto encarou. “…O quê?”

Marcus se recostou na cadeira, com tom calmo.

“Decidi. Quero chamar a Clara pra sair. Logo.”

Roberto abriu os olhos rapidamente. “Espera, o quê?”

Marcus assentiu. “Depois de tudo que aconteceu recentemente… os ataques, as mortes quase ocorridas, o caos. Percebi que não quero mais ficar esperando.”

Noel sorriu de lado. “Então, finalmente, você vai dar a cartada.”

“Vou”, disse simplesmente. “Quero que fiquem claros meus sentimentos por ela.”

Roberto olhou entre eles como se tivessem acabado de ganhar asas. “Vocês devem estar brincando comigo. Vocês também?!”

Marcus riu. “Acho que isso significa que agora você está sozinho.”

Noel levantou um pouco seu copo. “Bem-vindo à festa, Marcus. E desculpa, Roberto… parece que você é o último de pé.”

Roberto se inclinou dramaticamente pra frente. “Isso é uma traição. Uma traição total.”

O sol já começava a se pôr pelos grandes janelões da cafeteria, lançando longos feixes dourados na mesa deles.

Roberto recostou na cadeira, cruzou os braços e fez uma cara de cachorro machucado. “Sabe… Eu achava que éramos uma equipe. Irmãos de armas. Reis solteiros, crescendo juntos na hierarquia.”

Noel sorriu de lado. “Esse navio naufragou há um tempo.”

Marcus concordou. “Ainda estamos aqui pra te apoiar, cara. Só talvez não pra conselhos românticos.”

Roberto apontou um dedo para ambos. “Vocês são o pior. Eu devia ser o charmoso aqui.”

“E você é,” disse Noel com secura. “Charmoso e sozinho.”

Roberto gemeu. “Vocês são impossíveis.”

Marcus deu uma palmadinha amistosa no ombro dele. “Veja pelo lado bom. Vai ter mais tempo pra treinar durante o acampamento. Sem distrações.”

Noel ergueu uma sobrancelha. “Ou talvez você se apaixone por alguém da Classe S. Quem sabe? O semestre acabou de começar.”

Roberto estreitou os olhos. “Vocês dois melhor torcer pra que eu não consiga. Se eu arranjar uma namorada antes de vocês conseguirem convencer as suas, nunca mais vão escutar o fim disso.”

Marcus deu uma risadinha. “Isso aí é justo.”

Noel recostou-se, com os braços atrás da cabeça. “Vamos ver quem consegue terminar primeiro.”

Roberto balançou a cabeça, olhando para o teto como se pedisse paciência aos céus.

“…Isso é uma droga.”

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