O Extra é um Gênio!?

Capítulo 98

O Extra é um Gênio!?

Noel se viu encostado contra uma parede de pedra fria, mal conseguindo processar como as coisas tinham escalado tão rápido.

A garota na sua frente era pequena — mais baixa que a maioria dos estudantes que ele conhecia — mas algo em sua presença parecia… avassalador. Seus cabelos rosa suaves emolduravam traços delicados, e seus olhos brilhantes o estudavam com uma intensidade estranha.

"Não sinto nenhuma malícia vindo de você," ela disse suavemente. "Você parece uma pessoa boa."

'Que tipo de cantada é essa?' Noel piscou, sem saber muito bem como reagir.

"Ah… entendi. Você poderia dar um passo para trás, por favor?"

"Claro," ela respondeu, recuando um pouco, mas mantendo o olhar fixo nele. "Como você sabe que eu sou a Santa?"

Noel congelou. "Você é a Santa?"

Ela inclinou a cabeça. "Sim… espera — você acabou de dizer isso há um segundo. Me chamou de Santa. Mas isso ainda não foi anunciado oficialmente. A Igreja só decidiu isso ontem à noite. Não há como você saber disso."

"…Eu disse que você parecia uma Santa," Noel corrigiu suavemente. "Não que você seja uma. Quero dizer, olha só pra você. Você não é exatamente… normal. Parece um anjo ou algo assim."

Seus olhos se arregalaram. "Nossa… acho que fiz besteira, né?" Ela apertou as mãos ansiosamente. "Eu não devia ter contado pra ninguém ainda. Por favor, você precisa prometer que não vai contar pra ninguém."

Noel levantou a mão. "Prometo. Vou levar isso comigo à morte."

Charlotte relaxou visivelmente, respirando fundo. "Obrigada."

"Bem," disse Noel, dando um passo para o lado, "como o mal-entendido foi esclarecido, acho que vou embora—"

Antes que pudesse terminar, ela novamente agarrou seu braço.

"Não."

Ele olhou pra ela. "Não?"

"Não me deixe sozinha," ela disse, com a voz tremendo levemente, os olhos começando a encher de lágrimas.

'Não é demais pra ela isso tudo?' Noel pensou consigo mesmo, suspirando. "E por que exatamente eu não deveria te deixar sozinha?"

"Porque eu sai da Igreja."

"…Entendi."

Noel soltou um suspiro longo, já se arrependo de todas as escolhas que o levaram até aquele momento exatamente.

"Você saiu da Igreja," ele repetiu. "E o que exatamente estou eu supondo fazer a respeito disso?"

Charlotte olhou para cima, com olhos grandes e suplicantes. "Ajude-me."

"Não," respondeu Noel de forma seca.

Seu lábio inferior começou a tremer. "Por favor?"

"Nem pensar."

No instante seguinte, ela caiu de joelhos e abraçou a própria perna, agarrando-se como se sua vida dependesse daquilo. Pedestres nas proximidades começaram a lançar olhares curiosos na direção deles.

Noel a encarou, completamente indiferente. 'A paciência que isso exige definitivamente não está guardada no meu estoque hoje.'

"Tudo bem," ele murmurou. "Vou ajudar. Só… solta minha perna antes que alguém comece a pensar que eu te rapei."

Ela imediatamente se iluminou. "Obrigada! Obrigada! Sabia que você era uma pessoa boa!"

"Eu não disse que era bom," resmungou. "O que você precisa?"

"Preciso que me esconda," Charlotte respondeu sem hesitar. "Eles vão fazer o anúncio em breve. Não quero ser exposta na frente de toda a cidade. Odeio multidões."

Noel fez uma pausa, passando a mão na testa. "Talvez eu conheça um lugar. Mas você vai precisar me seguir."

Charlotte acenou com entusiasmo. "Tudo bem! Vamos lá!"

Ele virou-se e começou a caminhar, esperando que qualquer lógica tortuosa que o tivesse levado a concordar com aquilo não voltasse para lhe fazer uma surpresa desagradável depois. Ela veio logo atrás, praticamente pulando de alegria.

Enquanto percorriam as ruas sinuosas de Valon, Charlotte não parava de conversar.

"Você tem certeza que esse é o caminho certo para o esconderijo?" ela perguntou inocentemente.

"Com certeza."

"Ah! Nunca te perguntei seu nome. Que grosseria minha." Ela colocou a mão no coração. "Qual é o seu nome?"

"Noel."

Sorriso dela se alargou. "Noel. Que nome bonito. Eu sou Charlotte. Prazer em te conhecer."

"Sim. Igualmente," ele murmurou.

Eles fizeram a última curva.

"Chegamos," disse Noel tranquilamente.

Os passos de Charlotte desaceleraram enquanto ela olhava para cima… e parou de repente.

Não era uma viela ou um prédio abandonado. Era uma igreja enorme — a maior da cidade facilmente. Padres e Guardas estavam de plantão em todas as entradas, olhos vasculhando as ruas com ansiedade.

"Isso… isso não é um esconderijo," ela sussurrou, horrorizada.

"Não. Não é," respondeu Noel, recuando um passo, levantando a mão até a boca e gritando:

"A SAINT ESTÁ AQUI!!"

Decerto dezenas de cabeças se viraram instantaneamente.

Olhos de Charlotte se arregalaram ao ver os guardas e padres correndo na direção dela. "Você me traiu…"

Mas Noel não ouviu as palavras. Ele já tinha desaparecido na multidão, voltando pelo caminho até a academia.

'Ufa. Mais um problema resolvido. Tomara que isso não volte pra me assombrar lá na frente.'

Mais tarde, aquela noite, Noel se deitou na cama, o quarto com uma luz tênue de uma pequena esfera flutuante. A janela ainda estava fechada para evitar o frio precoce da primavera, e as cortinas estavam fechadas para manter o máximo de calor possível.

Escondido sob uma camada pesada de cobertores e tecido, o ovo permanecia quente contra sua pele descoberta, enquanto ele mesmo permanecia na mesma posição desconfortável há dias. Revenant Fang descansava silenciosamente contra a parede próxima, como um sentinela silencioso.

Ele olhou para a janela do sistema flutuante que pairava em frente aos seus olhos:

[Progresso da Incubação: 2,6%]

'Quase lá,' pensou, sentindo a dor surda na região lombar. 'Só mais um pouco.'

Ele se mexeu levemente, cuidadoso para não diminuir a temperatura novamente. O sistema era sensível — muito movimento e ele seria punido com uma queda de 0,2% por horas.

'Juro que, se isso puser um sapo, eu e o destino vamos ter uma conversa muito violenta.'

A calor que emanava do ovo aumentava, quase como um ritmo de batimento cardíaco lento. Noel fechou os olhos, deixando o som da própria respiração acalmar a mente.

'Conheci uma santa, a trai, e agora estou deitado, sem camisa, em cima de um ovo mágico. Que vida é essa.'

Seus dedos tocaram levemente a casca.

"Vamos lá… só mais um pouquinho."

O brilho debaixo dos cobertores pulsava suavemente em resposta. Ele não sabia o que havia dentro, mas algo estava vindo.

E viria logo.

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