Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!

Capítulo 378

Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!

O tempo era uma moeda. Mas uma que não tinha como ser reembolsada. A Roda girava continuamente e sem parar, sem esperar por ninguém ou por coisa alguma.

Então, simplesmente...

Anos se passaram. Mais precisamente, dois anos haviam decorrido desde que Kaden começou seu treinamento.

Foi bem mais cansativo do que ele inicialmente tinha imaginado. E parecia que ele tinha superestimado a si mesmo, achando que poderia treinar sozinho.

Prometeu revisou todas as suas habilidades novamente, dominando-as a um nível novo, assustador.

Ele usou sua irmã, seu irmão e até seus pais como parceiros de treino para compreender melhor o uso e o tempo de cada habilidade.

Ele aprendeu a usar melhor a Chuva de Estrelas. Essa habilidade logo se tornou sua favorita. Ainda assim, era uma habilidade de grande escala, o que a tornava inadequada para todos os ambientes ou batalhas.

Havia também a sua Morte do Sacrifício. Kaden ficou pasmo com essa. E permaneceu nesse estado por um bom tempo após descobrir o que exatamente essa habilidade fazia.

A Morte do Sacrifício era uma habilidade que ajudava Kaden a matar algo ou alguém, sacrificando algo em troca.

Ou seja, se ele quisesse, poderia eliminar criaturas inteiras se estivesse disposto a sacrificar algo de valor igual para que isso acontecesse. O mais assustador era que o que ele precisasse sacrificar não precisava ser algo que ele se importasse.

Porém, fazer isso aumentaria a quantidade necessária e, às vezes, seria impossível.

Porém, esses aspectos garantiam que tudo o que ele sacrificasse nunca retornaria. E que, mesmo voltando no tempo, isso não mudaria.

Após tudo, o que fosse sacrificado seria apagado da existência, engolido pelo vazio.

Essa constatação apertou seu coração, fazendo-o apertar os punhos.

Mas isso não o impediu de treinar, é claro.

Um dia, Kaden desejou a morte do Sol acima de Darklore. O preço era algo que ele nem queria mais pensar. Era tão ridículo que era mais difícil obter esse preço do que matar o próprio Sol.

Essa habilidade mostrou-lhe algo importante: se quisesse a morte de algo, precisava sacrificar algo que realmente lhe importasse.

Troca de igual valor.

Essa ideia não lhe agradava.

Prometeu enfrentava todo tipo de dificuldade para proteger quem amava, e não para sacrificá-los.

No fim, ele gostava da habilidade, mas o custo era algo que não estava disposto a pagar.

Depois veio o Sangue das Estrelas Carmesim. Essa habilidade não era muito diferente da anterior; agora, o sangue de Kaden era feito de estrelas vermelhas condensadas.

Um espetáculo hipnotizante.

Além disso, ele podia puxar o sangue das estrelas quando a noite estava repleta delas. Raramente tinha oportunidade de treinar esse aspecto, pois Darklore era um mundo sem estrelas.

Prometeu sempre se perguntava por quê. Mas não insistia muito sobre o assunto.

Logo após, veio o aprimoramento de seu traço, Vontade, e também de seu Dom.

Porém, o treinamento não era tudo o que Kaden havia feito.

Ele saía frequentemente com Meris para tomar um ar, aproveitando o tempo juntos.

Também tentou falar com Inara, para conversar sobre o último acontecimento. Mas ela nunca respondia.

De fato, as únicas vezes que a viu foram em reuniões, quando ela vinha acompanhada de sua mãe. E mesmo assim, a Mãe das Mães nunca olhava na direção dele, apenas lançava um cumprimento baixo, quase inaudível.

Isso partia o coração de Kaden. Sempre. E ele sempre forçava um sorriso, engolindo palavras dirigidas a Inara, enquanto sua família o observava.

Chegou ao ponto de todos perceberem que algo tinha acontecido entre eles.

Até Meris.

Mas a jovem não perguntou nada, relutante em se meter ou deixar-se envolver numa situação desconfortável. No entanto, ela intuía o que tinha ocorrido.

Isso a deixava feliz, e, de certo modo, triste por Inara. Mas, no geral, Meris ficava muito contente por Inara ter sido rejeitada.

Naquele momento, um breve pensamento de matar Rea sussurrou em sua mente. Ela sacudiu essa tentação pecaminosa da cabeça.

Ela não queria que Kaden a odiasse. Além disso, Rea não era mais uma ameaça, acreditava ela.

Aquela garota nunca mais voltou depois de ir para Fokay, parecendo esquecer completamente sua família e suas raízes.

Curiosamente, Lorde Dever — O Orador — frequentemente recebia baús cheios de moedas de ouro, cuidadosamente embrulhadas e assinadas:

Sua filha.

O Orador sempre exibia as moedas de ouro com orgulho, com os olhos vermelhos brilhando. Sua língua agora era prateada, então ele começava a falar longamente sobre como Rea não os tinha esquecido, e que ela devia estar ocupada com algo importante.

Esses baús dourados chegavam, invariavelmente, carregados por um grupo de mercadores que faziam comércio entre Fokay e Darklore.

Se alguém perguntasse de onde vinham os presentes, os mercadores ficavam hesitantes, cochichando uns com os outros, dando cotoveladas e dizendo para não fazer perguntas.

Jamais questionar. Nunca saber dos assuntos do Juiz do Abismo.

Essa era uma regra. Uma regra que todos na Cidade da Tristeza já conheciam bem.

Rea não queria revelar sua história para a família. Nem mesmo o fato de estar na Igreja da Tristeza, esforçando-se para se tornar uma Santa, enquanto já tinha um discípulo sob seus cuidados.

São conquistas que nem Meris ainda possuía. Mas a Tocados pelo Deus — que até então tinha medo do que os outros pensariam dela.

O pior é que tudo que imaginavam a seu respeito… estaria sempre errado.

Rea tinha mudado.

Ela não era mais aquela menina pequena e assustada de antes. Não. Agora, ela transmitia medo aos outros.

E a Tocado pelo Deus era implacável.

Kaden ficava cada vez mais curioso. O desejo de saber mais sobre sua noiva pulsava em sua mente.

Agora, aqui está ele, no momento presente, dentro de seu quarto. Sentado no carpete, com as costas encostadas na madeira de aço de sua cama, relaxado.

Uma perna levantada, a outra esticada.

Seus olhos, pupilas em forma de espadas feitas de estrelas vermelhas, repousam sobre a pequena Rory, que agitava suas asas de um lado para o outro pelo cômodo.

Ela estava gritando. Ou melhor, cantando.

"Mestre! Mestre!" piou Rory, "Você precisa aceitar meu pedido!"

Kaden arqueou uma sobrancelha esquerda. "Por quê?" perguntou.

Ele já tinha dezesseis anos, e em dois dias completaria dezoito. Suas feições haviam amadurecido, sua voz ficado mais rouca, mais alto e mais musculoso.

Prometeu havia cortado seu cabelo curto.

E agora, com o domínio de suas duas Intenções em um nível perigoso, Kaden podia mantê-las ativadas sem sentir nada.

Sua Intenção da Espada Carmesim estava sempre ativa agora, permitindo-lhe matar a vontade, sem demora. Sua Intenção da Morte também, embora ele escondesse sua manifestação.

"Eu quero ir!" Rory disse, agora bem na frente de Kaden, com olhos vermelhos sérios. Suas asas não paravam.

Ela se sentiu deixada de lado por Kaden. Por causa disso, ficou com a sensação triste de que seu mestre realmente não a precisava.

Por um momento, ficou abatida, até deprimida, mas logo encontrou um novo propósito.

Eimi.

Rory gostava muito de Eimi. Era ela quem a acompanhava quando Kaden desaparecia sozinho.

Por isso, ela queria estar com ela, ajudar em suas tarefas. Ainda mais agora que Eimi tinha despertado.

Kaden olhou para sua besta em silêncio, entendendo seus sentimentos.

Ela ia atrás de Eimi porque sabia que ali ela seria necessária, poderia usar seu poder com eficácia e, quem sabe, evoluir.

Ser algo mais. Algo glorioso.

Era algo quase impossível para Kaden. Ele tinha tanta versatilidade que Rory não brilharia ao seu lado.

Ele suspirou interiormente, sentiu o coração pesar com culpa, estendeu a mão, acariciando a cabeça de Rory. A criatura ronronou como um gato, fechou os olhos e se enroscou mais profundamente nele, agora apoiada contra seu peito.

Prometeus sorriu.

"Desculpe por te decepcionar," sussurrou.

"Não..." Rory balançou a cabeça, inclinou o bico para cima, encarando seus olhos, "Fui eu que não servi. Sou fraca demais."

"Você não é." Kaden balançou a cabeça, sua mão reluzindo suavemente em vermelho enquanto acariciava Rory. "Sua ilusões e suas habilidades de transformação são incríveis. Você vai brilhar mais com a Eimi. Então, vá ajudar a jovem garota. Minha irmã gosta muito dela. Mantenha ela segura para nós, tá bom?"

Ele sorriu depois.

Rory assentiu energicamente. "Vou!" Ela piou, então bateu as asas e foi embora animada.

Kaden se viu sozinho de novo. Soltou o ar e olhou para o teto.

"É hora, não é?" sussurrou.

'Você vai voltar agora?' perguntou Reditha.

"Não. Meu aniversário é em dois dias, e nesse dia é o Festival do Sangue de Lírio do Lodo, como você sabe. Prometi que estaria presente para Meris e…"

Ele fez uma pausa, sorrindo tristemente,

"…quero ver Inara mais uma vez, antes de voltar."

Reditha e Blanche ficaram em silêncio. Mais do que ninguém, sabiam o quanto a situação com Inara machucava Kaden.

Já se passaram dois anos. Dois anos sem nada além de um simples e seco olá.

Kaden queria conversar com ela. E esse festival de amor e bondade, através do sangue, era sua última oportunidade.

Quem sabe...

"Ela vai aceitar meu convite, né?"

Reditha estava prestes a responder algo mais duro, porém verdadeiro. Mas antes que pudesse, Blanche falou primeiro.

'Com certeza!' Uma faísca de Ouro Carmesim surgiu e se colocou sobre seu ombro. 'Com certeza, querida!'

A Fênix beijou sua bochecha com ternura, enquanto Reditha balançava os olhos para Blanche.

'Simpático de mais.'

'Fica quieto, espada.'

'Melhor que frango.'

O bate-boca recomeçou pela trigésima sexta vez.

Kaden apenas sorriu e ordenou que a Morte lhe mostrasse suas estatísticas.

—Fim do Capítulo 378—

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