Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!

Capítulo 351

Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!

Melantha e Lady Sora estavam de pé, altivas, na frente do jovem Apollo, protegendo-o totalmente do ataque de Kaden.

Elas mal conseguiram. Cada uma delas sangrava freneticamente, e Melantha chegou a perder o braço esquerdo nesse processo.

Sua respiração era ofegante, e seus olhos roxos começavam a ficar embaçados. Ela não sabia quem tinha atacado, mas o peso por trás do golpe era suficiente para esmagar sua própria Vontade e sua alma.

Ela soltou uma maldição e cuspiu.

Naquele momento de fraqueza, os sussurros da deusa estavam mais fortes do que qualquer coisa que ela já tinha sentido. Ela podia sentir…

…ela estaria condenada. Seu destino estava selado.

Novamente, ela cuspiu.

Lady Sora também não saiu ilesa, seus olhos sangravam dourado após proteger a si mesma e ao sobrinho do ataque. Mas as lágrimas de sangue não eram apenas por causa do ataque.

Era porque aquele dia era um dia de luto.

A irmã gêmea dela tinha morrido. Uma tristeza, mas seu coração já tinha ficado frio e dormente em relação a ela há tempos.

Porém…

Lady Sora lentamente levantou a cabeça para o céu, observando a face hipnotizante de Aurora feita de estrelas rubras, olhando para eles de cima, com seu sorriso habitual.

Lady Sora sabia que Aurora iria morrer. Sabia mesmo quando Kaden começou a tramar contra os Asterion para mudar seu destino.

Ela sabia que era impossível, pois às vezes há coisas que não podem ser mudadas, por mais que se tente.

Isso era Destino.

E o Destino não se curva facilmente à vontade dos mortais.

Mas, apesar de saber disso, apesar de esperar sua morte e até de se preparar para o inevitável… a dor ainda a atingia como um caminhão em alta velocidade.

Ela cambaleou meio passo para trás. Um dente caiu.

'Sinto muito.' Lady Sora sussurrou interiormente enquanto olhava para o céu acima, suas lágrimas douradas caindo mais rápido, molhando seu rosto.

Ela estava arrependida. Arrependida por não ter sido sincera com ela. Arrependida por não ter aberto seu coração como Aurora fez com ela.

Arrependida por ter deixado que ela fosse manipulada e usada por alguém que não se importava nem um pouco com ela.

Ela era… arrependida.

Mas sentir-se arrependida após a sua morte era algo que fazia Lady Sora soltar uma risada de autodesprezo, fazendo-a perceber que, de verdade… ela havia mudado.

Ela tinha consciência disso, mas agora mais do que nunca ela compreendia a verdade.

Desde quando ela estava pronta para abrir mão de seus princípios para perseguir seu objetivo?

Ela soube disso desde quando. Desde que sua própria irmã gêmea a amaldiçoou por poder e a tornou quem ela era hoje.

Aquele dia em que, sem saber, ela deixou de ser a garota doce, verdadeira, sorridente e de coração aberto que sempre foi.

Aquela que criava músicas e canções porque a alegria de viver pulsava em suas veias e ela as compartilhava com as pessoas para celebrar juntas.

Aquela garota não existia mais.

Ela nunca mais voltaria.

E restou apenas uma velhota cínica e hipócrita, que queria alcançar uma última coisa antes de seguir os outros.

Então, que chore.

Pois isso é tudo o que ela podia fazer por um ser que lhe mostrou amor e respeito quando o mundo lhe virou as costas.

'Mesmo que eu tenha me voltado contra você.' Ela acrescentou internamente. Então, levantou novamente o rosto ao céu e, com um sorriso melancólico e pesaroso,

"Sua morte é deslumbrante, Aurora. Assim como você queria."

Depois, abaixou a cabeça e fez uma reverência.

Agora, descanse em paz.

Pois o mundo inteiro está de luto por você.

Aurora, A Última Estrela.

Um dente caiu.

Lady Sora não foi a única.

Vert Prometheus e Estelle Prometheus estavam juntos observando o céu. Cada um deles tinha enfrentado tantas dificuldades que não sentiram a dor de perder alguém que mal conheciam, o que machucaria o coração nem uma lágrima realizar.

Mas, de alguma forma, choraram ao ver o céu estrelado de estrelas rubras.

"Lady das Estrelas…" sussurrou Vert, com seu brilho rosa, "…já se foi."

Estelle não disse nada, mas sentiu a dor. Sentiu não só a dor da morte de Aurora, mas a dor daquela que a salvou do desastre.

Prometheus.

O nome que agora carregava em homenagem àquela que a salvou.

Para a Heroína. Para sua Heroína.

Ela sorriu tristemente, fechou os olhos negros flamejantes e abaixou a cabeça. Dentro de sua mente, uma voz ressoou — profunda e retumbante.

'Muito bem, Estelle.' A Fênix Negra — Noir — sussurrou em sua mente, 'A Última Estrela é digna de sua reverência.'

Estelle não respondeu, apenas fez uma reverência em respeito àquela que seu salvador estimava.

Vert fez o mesmo, abaixando a cabeça para o céu, lembrando da última vez em que viu Aurora.

Aquela ocasião em que correu para estar ao lado de Prometheus. Ela suspirou saudosa.

'Viva este mundo como se fosse uma viajante. Não carregue nada no coração, pois isso te pesará e envenenará sua alma.'

Essa era sua filosofia. Mas aqui estava ela, afeiçoando-se a alguém, ajoelhando-se e chorando por essa pessoa.

Ela suspirou novamente e se curvou ainda mais.

Não eram só elas. Por todo o império — do pouco que restava dele — as pessoas se curvaram para Aurora, todas chorando.

Algumas reconheciam o rosto de Aurora, chamando-a de Lady do Sorriso. Enquanto os mendigos em becos sujos e esquecidos — que sobreviveram miraculosamente — olhavam para o céu enquanto a chamavam de Lady Chocolate.

Alguns comerciantes começaram a chamá-la de Lady Generosa, enquanto outros que não conheciam Aurora antes, mas ficaram tocados ao ver a estrela no céu, começaram a sussurrar…

A Lady das Estrelas.

Todos choraram por Aurora.

Todos, exceto uma única pessoa, ou talvez três, afinal.

Neila Cerveau observava o céu com um rancor ardente em seus olhos azuis. Ao ver o céu, ela soube instintivamente que Aurora estava morta, e essa notícia fez seu coração dançar de alegria torcida.

Mas, ao mesmo tempo, ela estava furiosa, pois desejava que sua morte tivesse sido por sua mão. E desejava que sua morte não fosse tão…

"Deslumbrante, não é?" uma voz atrás dela falou com um tom divertido.

Ela virou a cabeça e olhou para um homem alto de pele negra, cabelo cinza e uma túnica preta surrada, que balançava ao vento. Seus olhos eram profundos como a escuridão do vazio.

Ao seu lado, um garoto cujo corpo todo era envolto em bandagens — parecendo uma múmia — deixando apenas seus olhos cinzentos e sem vida visíveis.

Esses eram os dois seres que a encontraram e a salvaram de seus ferimentos, estabilizando a origem que ela herdara dentro de si.

Ela olhou para eles de forma neutra.

O homem de pele negra sorriu para ela, "Não é legal olhar assim pra gente, menina. Nós te salvamos, afinal," disse com humor, com as mãos nas costas.

"Quem são vocês?" Neila finalmente perguntou, querendo saber.

Ao seu questionamento, o homem sorriu, mas desta vez seu sorriso tinha uma ponta de loucura perigosa que fez a pele de Neila arrepiar de medo.

Ela deu um passo inconsciente para trás.

"Quem sou eu, hein?" o homem concluiu, "Sou muitas coisas, menina. Sou o maior alquimista de Milieu, o centro de Fokay. Sou aquele que eles chamam de Proibido. Sou o Alquimista Proibido."

Neila recuou mais um passo diante da autoridade que emanava daquele homem. Ela sentiu seu peso, como se tirasse dela a força para se ajoelhar.

Ela rangeu os dentes e se recusou a se ajoelhar. Ela era a última esperança de sua paixão, Solaris. Não iria envergonhar seu legado.

"Mas pode me chamar de Alquimista." A voz do Alquimista a puxou de volta à situação atual. Agora, ele exibia um sorriso descontraído.

Apontou para o jovem ao seu lado, "E você pode chamar esse cara de Sem Alma. Não se preocupe com o silêncio e o olhar duro dele, é tímido. Muito tímido. Mas vocês vão se entender."

Neila olhou para Sem Alma, depois virou o rosto para o lado.

Sem Alma dava medo.

"O que você quer de mim?" Neila perguntou novamente.

"Ah? Você não quer vingar-se?" sussurrou o Alquimista no ouvido dela, "Posso te ajudar com isso, menina."

"Como?" indagou Neila, sem conseguir esconder sua curiosidade.

"Vou te levar ao Darklore. Lá, você terá a chance de ficar mais forte e criar sua própria facção, bem longe dos monstros aqui. Sua própria facção que morrerá por você e cantará seu nome. Porque, deixa eu te contar uma coisa, menina."

Sua voz ficou baixa e pesada.

"A pessoa que você está enfrentando não é só o Asterion. Seu principal inimigo é Prometheus, ou melhor…"

O Alquimista sorriu,

"Kaden Warborn, descendente do Soberano. Já ouviu falar dele? Aquele bastardo colecionador de armas? Pois é, filha, o descendente daquele sujeito é tão anormal quanto ele."

O Alquimista abafou uma risada.

"Então, não esqueça disso, menina. Porque o rapazinho é um monstro. E depois de hoje, ainda maior."

Neila ficou totalmente perdida, sem entender: "Warborn? E eu sou de Fokay. Não posso entrar em Darklore. É um mundo totalmente diferente."

"Outro mundo completamente diferente?" O Alquimista inclinou a cabeça, confuso por um instante antes de entender. Então, riu, "Ah… aquele macaco realmente fez isso." Ele riu alto, "Não se preocupe. Encontrei a masmorra do legado da Feiticeira."

"Podemos usá-la como uma brecha para chegar lá."

Neila abriu a boca para falar novamente, mas o Alquimista a fechou com um feitiço rúnico.

"Chega de perguntas. Vamos nos mover, menina. Este lugar cheira demais a deuses. E eles não estão querendo minha presença aqui." Ele riu maldosamente, "Vamos."

Ele balançou o braço de forma preguiçosa de cima para baixo, símbolos rúnicos surgiram no ar, brilhando levemente com uma tonalidade negra, antes de envolverem os três.

Eles desapareceram imediatamente, como se nunca tivessem estado ali.

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