Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!

Capítulo 349

Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!

Toda a região foi arrasada em quinze quilômetros inteiros, e essa descrição foi bastante literal.

Seja árvores, feras errantes, pessoas azaradas tentando sobreviver naquela sombra em movimento, e até as próprias sombras... todas foram consumidas pelo fogo da Ira da Imperatriz Sol.

Ela usou toda a sua força naquele ataque, empregando seu conceito, sua intenção solar e seus inúmeros traços para obliterar completamente a arma de vida daquele homem, por quem passou a sentir uma intensa raiva e vontade de eliminar.

Não sobrava mais misericórdia nela, e Shamsi estava pronta para ceifar a vida das duas criaturas que ameaçavam seu império.

Mas o ataque a deixou sem energia. O estado atual de seu corpo era mais do que suficiente para provar isso.

Shamsi permanecia de pé, embora tremendo e vacilando como uma folha ao sabor do vento durante uma tempestade. Esforçava-se ao máximo para não cair, seu orgulho proibia que seus joelhos tocassem o chão por causa das crianças.

Toda sua pele tinha sido arrancada pelo calor, deixando visíveis apenas os músculos e tendões.

Seus olhos dourados giratórios estavam sangrando ouro, e seu ombro esquerdo havia sido completamente destruído. Além disso, seu estômago jazia aberto, à mostra para o mundo. Uma cena horrenda atacava os olhos de qualquer um.

Era possível ver seus órgãos derretidos e intestinos, além de um cheiro insuportável de corrosão em todas as suas células.

Seu próprio sangue estava sendo corroído.

Por fim, Apolonia não conseguiu manter-se de pé e caiu de joelhos, sentindo como se algo estivesse rachando sua cabeça por dentro.

Ela amaldiçoou com raiva.

Sua mana estava quase completamente consumida, restando apenas uma pequena porção. Além disso, sua linhagem havia sido tocada.

Aquele pensamento a deixou atônita, questionando como uma linhagem divina poderia ser queimada. Mas aquela espada rubra, mesmo que o efeito não fosse tão contundente, tinha causado esse impacto.

Quanto mais pensava, mais sua raiva e fúria cresciam, especialmente ao imaginar como alguém ousava tocar sua própria linhagem.

Fogo branco começou a lamber seu corpo esporadicamente, tentando curá-la, mas sem sucesso. Até mesmo o fogo da fênix tinha seus limites.

'Você precisa parar e ir embora, Shamsi. Seus ferimentos são graves.' — aconselhou a Fênix Branca, Blanche, à sua hospedeira. O estado de Shamsi era demasiado apocalíptico, e ela precisava de descanso para se recuperar.

A batalha da Lua já havia lhe consumido bastante. Ela tinha usado fogo branco demais para cicatrizar, e agora, ao encarar dois jovens anormais, a Imperatriz estava no seu limite.

Se não se curasse imediatamente, não que fosse morrer de fato, mas ficaria marcada permanentemente.

Por outro lado, Blanche sabia bem que a imperatriz não escutaria. As emoções queimavam em seus olhos — pura raiva, ódio e… vingança.

E a ira de um Sol, especialmente de um Asterion, jamais se apaziguaria até que o próprio mundo virasse cinzas.

"Me cure, Blanche." — ordenou a imperatriz, fixando o olhar na espada queimada diante dela.

A espada rubra estava meio derretida, e Shamsi não conseguia acreditar no que via. Ela tinha recebido toda a força de seu ataque, sendo o principal alvo, mas só uma parte dela havia derretido.

Além disso, a espada emitia um brilho tênue e vibrava. Ela levantou a mão para segurá-la, mas a espada desapareceu.

Apollonia ergueu a cabeça e olhou ao longe, encarando seus dois adversários.

O simples olhar neles encheu sua alma de uma chama de vingança ardente.

Ela rangeu os dentes, olhos jorrando fogo derretido,

"CURE-ME!!!" — vociferou para Blanche, enquanto tentava se levantar.

Ela ia matá-los.

Iria queimá-los em um fogo mais quente que qualquer coisa que este mundo possa oferecer.

Blanche suspirou e obedeceu, tentando ao menos curar suas feridas para que pudesse terminar o que começara.

De alguma forma, por algum motivo, ela sentia pena do jovem. Algo dentro dele, além de seu fogo estar nele, chamava-a.

Percebeu que… não queria que ele morresse.

Porém, ela sabia que isso era impossível. Não podia contrariar a ordem de sua contratante, e ela queria o garoto morto.

A Fênix suspirou mais uma vez, questionando se realmente aquele jovem vinha de uma linha do tempo diferente.

Se sim…

'Então por quê? Como? Aquele cara que se transforma em qualquer coisa gostava de alterar linhas do tempo como se fosse seu parque de diversões. E o único que realmente podia fazer isso era Ele. Não importa o método que alguém usasse. Apenas Ele podia viajar ao passado e impactá-lo.'

Então, como alguém mais poderia tocar no conceito de História, algo exclusivo Dele?

Blanche não sabia. E, para ser honesta…

'Prefiro não saber.'

O conhecimento era um peso, e ela preferiria morrer uma boba do que carregar uma dor de cabeça avassaladora, mesmo para uma imortal como ela.

Enquanto a Imperatriz Sol lentamente se levantava, Blanche a curava aos poucos, caminhando em direção a Kaden e Aurora, que estavam em um estado preocupante.

Aurora fazia o possível para não perder a consciência, a dor de seu braço esquerdo derretido dilacerando sua mente e destroçando sua determinação.

Ela queria chorar, lamentar, uivar de dor.

Só de sentir que seu braço foi perdido — e para sempre — consumido por um conceito que nem mesmo conseguia compreender, um conceito divino.

'Ah… dói…' — pensou, desconsolada.

Mas forçou-se a levantar, olhando para Kaden ao seu lado, cujo olhar vazio fixava-se na sua espada.

Uma espada de Origem. Uma arma de vida.

Sem dúvida, uma Origem poderosa, mas nenhuma Origem era sem fraquezas. Era a mesma coisa para a Origem de Arma Vivo do Guerreiro Mortal.

Eles eram especiais, e a conexão com seus usuários era mais profunda que tudo. E exatamente por isso, quando algo acontecia com sua arma, eles sentiam ainda mais intensamente.

Reditha foi completamente queimada por um fogo conceitual, acrescido de pelo menos intenção de nível Exaltado. Ela ainda não havia morrido, mas Kaden podia sentir que logo ela partiria.

E a morte de Reditha significaria a quebra de sua Origem, e ele se tornaria um Desperdiçado.

Um pensamento que enchia de medo.

Mas, naquele momento, Kaden não pensava nisso. Seus pensamentos, emoções e sentimentos se resumiam a uma única realização…

"R-Reditha… vai morrer?"

Suas palavras saíram trêmulas, parecendo um sussurro. Sua mente foi invadida por uma dor mais profunda que a física, mais profunda que a alma.

Sua dor tocou sua própria Origem. E era insuportável.

Com seus ferimentos abertos e sangrando sem parar, Kaden cambaleou à frente, levantou as mãos trêmulas e segurou Reditha em seu abraço ensanguentado.

Reditha tremeu, depois começou a brilhar com fraqueza.

'Me desculpe…' — chiou a espada.

O corpo de Kaden estremeceu enquanto a voz fraca de Reditha reverberava dentro de sua cabeça. Não era mais sedutora, nem carregada de loucura, nem faminta de sangue.

Era a voz de quem está à beira da morte.

E, como na maioria das mortes, carregada de arrependimentos.

No entanto, Kaden não podia fazer nada além de assistir, sua mente incapaz de pensar em algo para dizer, sua boca abrindo e fechando sem som.

Suas lágrimas começaram a cair. Uma, duas… e então virou uma chuva pesada que molhou o chão abaixo.

De repente, ele recuou, sentindo alguém o abraçando por trás.

Vira a cabeça mecanicamente e viu o rosto choroso de Aurora, seus olhos carregados de uma culpa tóxica.

"É por minha causa." — ela soluçou.

Era por causa de seu desejo de vingança que tudo isso estava acontecendo. Era por querer justiça por si mesma que estavam prestes a morrer pelas mãos de um Sol.

Ah…

Quem eles estavam enganando?

São apenas dois seres fracos, sem nada além de um domínio, querendo desafiar um Elderling.

Sabiam do risco. Disseram que estavam prontos para a possibilidade de morte. Mas estavam mentindo.

Não estavam.

Aurora não queria morrer. Ela não queria perder a liberdade que finalmente conquistou graças a Kaden.

Queria viver por ele, com ele, para todo o sempre e além.

Kaden também não desejava a morte. Tinha tantas pessoas esperando por ele em Darklore e Fokay, tantos objetivos… tantas palavras a cumprir.

Ele não podia morrer.

Mas iria morrer.

Ela também iria morrer.

Sim… eles morreriam.

Shamsi aproximava-se lentamente, cada passo fazendo o chão ferver com o calor. Ela estava no seu último suspiro, mas era mais do que suficiente para acabar com dois seres feridos, cujas almas já tinham sido batidas pela crueldade da realidade.

Aurora sentiu a aproximação dela e ficou ainda mais certa do caminho que precisava seguir.

Ela sorriu tristemente, levantando seu braço restante, colocando-o no rosto de Kaden e forçando-o a virar a cabeça para ela.

Os olhos de Kaden estavam vermelhos. Vermelhos de lágrimas pesadas.

Aurora percebeu o quanto ele estava machucado e perdido. Mais uma vez, ela foi lembrada de que Kaden era apenas uma criança.

Uma criança lutando contra deuses.

"Você fez bem, meu querido." — sussurrou Aurora, colocando a testa na dele, "deixe-me fazer minha parte, por favor."

Naquele momento, mesmo com a mente de Kaden pesada com a situação de sua Origem e de Reditha, ele imediatamente entendeu o que Aurora queria fazer.

Ele balançou a cabeça veementemente, tossindo sangue. "Não, você não pode—!"

"Eu vou." — cortou ela, sem misericórdia, e sorriu mais uma vez.

"Você me deu esperança. E, no pouco tempo que passei com você, realmente vivi, e amei cada segundo disso."

Kaden tremeu.

"Você é incrível, Kaden. Você tem apenas quinze anos, mas é a pessoa mais forte e honrada que já conheci. Você está lutando contra deuses por mim, e isso já é mais do que suficiente para mim."

Ela acariciou suas bochechas.

"Você precisa viver. Mesmo que isso signifique que eu tenha que sacrificar minha vida restante para que isso aconteça."

"Aurora…" — Kaden chorava mais do que acreditava ser capaz.

Aquelas lágrimas deixaram Aurora triste, mas ao mesmo tempo, feliz.

Ele a amava. Amava o suficiente para chorar tão intensamente por ela.

Isso já era mais do que suficiente.

Isso já era mais do que suficiente.

"Kaden…" — ela começou com urgência, enquanto Shamsi não estava longe.

O corpo de Aurora começou a brilhar com um brilho ofuscante de estrelas, seu corpo inteiro transformado em estrelas tangíveis.

Ao ver essa cena, Shamsi soube de imediato o que Aurora estava fazendo. Ela estava encontrando o caminho para sua própria morte.

Ao perceber isso, a Imperatriz acelerou seus passos, um deles reduzindo a distância em quilômetros.

Aurora abraçou Kaden ainda mais forte.

"Meu querido," — ela sussurrou, com a voz ficando cada vez mais fraca.

Shamsi estava enganada.

Ao invés de encontrar seu caminho como acreditava, Aurora estava entregando seu poder, seu ser, toda a sua existência para Kaden.

E, ao entrar em seu corpo, a Origem de Kaden começou a se recompor de uma forma nunca antes vista.

Sensibilizado pelo efeito, os olhos de Kaden se arregalaram e seus lábios se separaram. Mas, antes mesmo de falar, as últimas palavras de Aurora reverberaram fundo na sua mente — altas e poderosas,

"Sou sua estrela brilhante, meu querido. Sou seu caminho. Sou sua companheira eterna. E, não importa o tipo de vida que vivermos em qualquer linha do tempo…"

Aurora sorriu,

"Você será meu querido, minha âncora…"

Sua voz virou um gemido,

'Ah… quero beijá-lo antes de partir…'

"…e eu sempre serei seus olhos."

Seu corpo imediatamente ficou mole. Sua última faísca de vida foi entregue àquele que deu sentido à sua existência.

O corpo de Kaden foi envolto por estrelas cintilantes, mais brilhantes que o sol, enquanto a Marca do Peso brilhava intensamente.

E o mundo chorou enquanto os gritos de Kaden ecoavam.

Comentários