
Capítulo 347
Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!
"Você não tem alma."
As palavras ecoaram com firmeza dentro da cabeça de Meris, mas seu rosto não demonstrou nenhuma emoção ou surpresa. Estava completamente neutro.
Não era porque ela não ouvia ou entendia perfeitamente as palavras de Solace... mas simplesmente porque há um nível de surpresa em que o cérebro esquece como reagir diante de certas situações.
Meris estava exatamente nesse estado.
Ao vê-la, Solace compreendeu completamente sua postura, mas ela continuou falando. Não sabia por que fazia aquilo, ou por que estava se envolvendo em algo tão delicado.
Também não sabia quem na família Elamin tinha se relacionado para que uma criança como aquela nascesse, pois o que ela via nos olhos de Meris não parecia nada relacionado à linhagem da Elamin.
Era algo muito mais profundo. E muito mais frio do que tudo.
"Pixiezinha," ela chamou. Meris a olhou ainda com expressão vazia. "Tudo dentro de você é gelo."
Finalmente, Meris conseguiu reagir, abrindo os lábios para falar: "O que... o que você quer dizer?" Sua voz tinha perdido toda a tonalidade brincalhona e maliciosa que costumava ter.
A voz que ecoou pelo recinto era apática e monótona. Não havia emoções por trás dela.
E Solace começou a perceber que sua suspeita sobre Meris começava a se confirmar lentamente.
Sempre tivera a sensação de que Meris era uma atriz. Que tudo o que ela fazia — seus modos excêntricos, seu rosto sorridente, sua postura despreocupada…
"…tudo isso era fachada?" ela perguntou sem perceber, fazendo Meris lançar-lhe um olhar com seus olhos prateados, como espelho.
"Diga-me, pixiezinha," a voz de Solace carregava uma emoção desconhecida, "tudo em você é disfarce? Você sorri porque realmente está feliz ou apenas acha que deve sorrir?"
Meris tremulou involuntariamente.
"Sua atitude, sua natureza brincalhona, tudo isso é uma máscara para esconder a frieza que está se infiltrando dentro de você? Diga, pixiezinha, quem é você de verdade? E o que realmente sente quando nenhuma alma habita em você?"
Solace inclinou seu rosto como uma gata, seus olhos roxos fixos nos prateados de Meris. A tensão era palpável, mas os olhos de Meris não vacilaram nem um pouco.
E isso deixou o coração de Solace mais frio do que ela tinha coragem de admitir.
"Meris Elamin." ela chamou, com sua voz carregada de um tom de frio.
"Sim." Meris respondeu de forma seca.
"Você consegue sentir emoções tendo apenas gelo dentro de si?"
Meris não respondeu. Ela não tinha uma resposta para dar, pois naquele momento sua mente era uma tempestade de confusão e medos crescentes.
Sempre sentira um vazio interior desde que nasceu, uma espécie de frieza que a tornava indiferente a tudo neste mundo. Era um vazio que ela tentava preencher de todas as formas, mergulhando de cabeça em qualquer coisa que pudesse chamar sua atenção.
Ela entregava tudo de si, acreditando que assim poderia deixar de ver as pessoas ao seu redor como meros sacos de carne e ossos.
Por isso, dedicava todo seu ser a Kaden, pois havia algo nele que poderia captar sua atenção para sempre. Um mistério sobre ele. Algo maravilhoso.
Mas agora... agora ela duvidava.
'Será que eu o amo? Ou estou enganando a mim mesma para esquecer o frio que sinto por dentro?'
Ela não sabia. E sua mente começava a se desintegrar.
Mas, naquele exato momento, como se soubesse o momento perfeito para sempre se mostrar...
O Poder ressoou.
E desta vez, mais uma vez, as palavras do Poder foram ouvidas por ambas as partes.
{Parabéns, Meris Elamin, você conseguiu completar sua missão lendária de nível mestre.}
O Poder fez uma pausa, e Meris e Solace levantaram suas cabeças ao som. Então, lentamente…
{Prepare-se, Filha do Gelo, você está ascendendo a Mestre!}
Uma dor profunda cortou o corpo de Meris com força, fazendo-a cambalear para frente, contorcendo-se de dor no chão como um verme.
Solace assistia, vendo-a gritar e chorar de agonizante dor, mas em vez de sentir pena, ela sentiu alívio…
'Ela ainda consegue sentir dor…'
Se ela consegue sentir dor, então — com esperança —
'… então você não está completamente sem emoções, Meris. E essa sua condição de ser sem alma, feita inteiramente de gelo apesar de sua aparência macia…'
Seus olhos se endureceram,
'… isso não faz de você a monstro que eu pensava que fosse.'
E isso… foi um alívio.
Pois ela era implacável diante de um monstro.
…
A Filha do Gelo começava lentamente a despertar. E esse evento não passou despercebido por um ser, um homem.
Nada podia ser visto dele além de seus olhos prateados que refletiam o mundo ao seu redor como um espelho perfeito. O reino em que ele se encontrava era de puro gelo, vasto e amplo, com torres afiadas de geada surgindo para o céu formando um tapeçário hipnotizante.
O solo era coberto por neve, e podia-se ver a água fluindo no ar como se seguisse algum caminho invisível.
Mas a geada, a neve e a água não tinham as cores brancas ou prateadas habituais. Era um negro primordial profundo, que fazia a maioria dos deuses temerem o frio.
O homem sentava-se em um trono feito da mesma geada, seu corpo envolto por tempestades de gelo, neve e água.
Seus olhos fixavam-se no céu vazio acima, franzindo levemente a testa.
"Já?" A voz foi plana, e o som simples fez com que a temperatura ao redor caísse ainda mais, e tempestades de gelo se formaram.
"Tarde demais." Ele murmurou, "Demasiado, demasiado cedo."
"Muito fraco para suportar o peso da minha herança. Devo…?"
A sua voz era pensativa, mas logo ele balançou a cabeça lentamente,
"Ela vai conseguir." Aqui, sua voz carregava uma melancolia sutil.
"Sim…"
Ele fez uma pausa, seus olhos prateados refletindo de repente uma mulher de cabelos roxos e olhos roxos combinando.
"…ela sempre consegue."
…
"Conseguirei eu?" Sirius perguntou enquanto caminhava pelo caminho deserto em direção a Asterion.
Ao redor, não havia nada além de uma vasta extensão de areia amarela com algumas plantas crescendo aqui e ali. O sol era escaldante, mas ele não sentia calor algum.
Ele caminhava ao invés de usar sua carruagem, descalço. Cada passo no chão duro deixava sua mente mais calma, aprimorando sua capacidade de pensar claramente.
Era algo que seu pai gostava de fazer quando os assuntos do império ficavam pesados demais até para ele. Na época, achava aquilo mesquinho, mas agora…
Sirius tinha que admitir que havia algo nessa prática que tocava profundamente sua essência. Como humano, como mortal.
Mesmo parecendo nada se assemelhar a um mortal, com sua beleza.
E, inconscientemente, isso fazia admirá-lo ainda mais, seu pai.
'Você é realmente grande, pai. Seu sol é demasiado intenso para Sora. Ela não vai suportar, pai. Só eu posso competir com seu brilho e superá-lo.'
Ele sorriu lentamente, "Sou o único digno."
E ainda…
"Você está em apuros, meu príncipe." Luna disse, também descalça. Não era o estilo dela, como uma mulher que adorava cuidar de si mesma, mas ela faria qualquer coisa que seu príncipe mandasse.
Qualquer coisa.
Ao ouvir suas palavras, os lábios de Sirius tremularam fortemente. "Somente temporariamente, querido. Só temporariamente." Ele corrigiu, "Tenho a Estrela Matutina enquanto minha irmã tem o Verde. O Prata ficou de fora por causa de alguns homens de capa carmesim."
No final, sua voz saiu fria como a morte,
"Alguma coisa, querido, ainda não consigo entender. Diga-me, quem ousa se opor a mim?"
No seu lado direito, Luna suspirou suavemente, "Eles se chamam Os Mensageiros da Morte, pelo que Silver nos contou. São poderosos, meu príncipe. Um deles era um Vidente, enquanto o outro conseguia comer espadas e obter o poder da espada engolida."
Sirius parou, pensando na informação,
"Um Vidente?" ele repetiu, com irritação na voz. "Minha primeira vez ouvindo falar de um Vidente foi quando um deles se virou contra mim?"
"E desde quando alguém come espadas? Era um humano ou uma nova raça que ainda não conhecemos?"
Sirius pensou que tinha cometido um pecado grave contra os deuses em alguma de suas vidas passadas por tanta má sorte, se não fosse por ele saber que era extremamente inteligente e não se deixava levar por baboseiras assim.
Ele inclinou a cabeça, "Talvez porque sou muito bonito?" sussurrou.
"Por favor, príncipe, concentre-se." Luna chamou sua atenção. "Se continuar assim, vai perder a batalha pelo trono."
"Não vou, querido. Eu sou Sirius. Este é meu destino e vou conquistá-lo. Minha irmã adorável talvez esteja ficando melhor por algum motivo desconhecido, e muitos eventos estranhos têm acontecido ultimamente, mas ela ainda não é minha rival."
"De novo…"
"Você é Sirius, sim, meu príncipe." Luna concluiu a frase, sorrindo para ele, enquanto o olhava com seu rosto lindo agora fixo no chão.
Seu coração pulou uma batida ao ver aquela cena, "Tão lindo. Ele é demais."
Era realmente angustiante ver tanta beleza.
Viriam a pensar que ela se acostumaria, mas ela não achava que alguém algum dia conseguiria se acostumar com a beleza de Sirius.
Ele tinha razão. Sua beleza era suficiente para enfurecer os deuses.
Porém, Sirius não se moveu por um tempo, olhando para baixo com uma sobrancelha dourada arqueada.
Luna seguiu seus olhos e viu uma pequena criatura azul escorregando ao redor de Sirius, lentamente subindo por seus pés.
Sirius, estranhamente, não reagiu a isso; seus olhos demonstravam cada vez mais uma chama de confusão.
Algo estava errado, ele percebeu. Algo o chamava. Algo gritava dentro de sua mente, mas tudo parecia abafado.
Ele não conseguia ouvir as palavras direito. Então, focou profundamente, sentindo que precisava ouvi-las.
De repente, tudo ao seu redor desapareceu em uma silenciosa névoa de silêncio.
Enquanto isso, Luna ficava cada vez mais intrigada ao ver os belos pés de seu príncipe sendo contaminados por aquilo.
Ela não aguentava mais.
"Meu príncipe, posso eliminar esse parasita?" ela perguntou inocentemente, mas os olhos azuis de Sirius se arregalaram exageradamente, seu corpo tremendo de repente.
"Parasita?" ele repetiu distraidamente, e nesse exato momento, uma voz monstruosa e profunda vibrou dentro de sua cabeça.
'FINALMENTE, MESTRE! VOCÊ DESPERTOU!'
'RAB ESPEROU COMO VOCÊ DISSE!'
'ENGOLLE-ME, MESTRE!'
'SEU DESTINO CHEGOU!'
Num instante que superou qualquer tempo de pensamento, Sirius perdeu a consciência e caiu com um forte baque ao chão, enquanto o parasita azul adentrava profundamente em seu corpo.
O rosto de Luna perdeu toda a cor, e ela gritou estonteada,
"PRÍNCIPE!!"
…
E tudo isso enquanto, em outro lugar, a Criança dos Céus caçava um dragão, ao lado de sua caçadora de pele negra.
Era uma dupla que ninguém esperaria.
Mas logo essa dupla faria o mundo subterrâneo tremer, pois o que eles caçavam não era um dragão comum.
Era o Dragão Príncipe Vermelho, filho do Dragão Amethysto Gordo.
No entanto, era estranho, pois eles não pareciam humanos, mas serpentes, com a caçadora murmurando constantemente: "Isso é loucura, Céu."
Porém... a verdadeira loucura era o que acontecia dentro de uma missão Mítica, onde uma dupla saída do fundo do Inferno enfrentava um Sol.
E, oh…
"Céus Sangrentos!!!" Kaden amaldiçoou, enquanto o sol escaldante começava a descer sobre eles.
…o sol estava muito mais quente do que ele imaginava.