
Capítulo 209
Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!
“Ah… Sinto falta do Asael.” Kaden não conseguiu se conter, murmurando enquanto encarava a escuridão profunda ao seu redor, espessa como fumaça.
Sora estava ao seu lado, seus olhos ferozes analisando a sombra com raiva e irritação profunda. Seus lábios se formaram numa linha tensa, enquanto chamas douradas envolviam seus punhos, fazendo-os parecer lava derretida escorrendo.
Reditha reluziu na mão de Kaden, sua lâmina carmesim brilhando intensamente naquele lugar envolto em trevas.
Logo começaram a ouvir rosnados de criaturas ao redor. Não conseguiam ver se estavam se aproximando, mas sabiam, por instinto, que estavam.
As sombras eram tão densas que até mesmo Kaden mal conseguia percebê-las direito.
Kaden apertou a empunhadura de Reditha, seus olhos fixos e frios.
“Tem certeza de que é só uma dificuldade de nível superior a Mestre?” ele questionou.
“Para uma pessoa com aspecto lunar, sim. Para as demais…” Sora não continuou, era óbvio que elas não iam gostar do que iam ouvir.
Kaden ficou em silêncio, então entreabriu os lábios.
“Voz dourada,” ele disse, escaneando o ambiente com os olhos, “sei que você não gosta de mim — e, aliás, sem motivo — mas, que tal fazermos uma trégua para resolver isso primeiro, ok?” propôs, achando mais seguro.
Mas, mesmo ela não querendo se fragilizar matando-o — sem discutir se ela seria capaz ou não — e tendo se encontrado sozinha naquele lugar terrível, ela certamente não desejava lutar ao seu lado.
Então, ao invés disso,
“Eu não vou atacar você pelas costas. E você não vai atacar eu pelas costas.” ela afirmou, sem esperar sua resposta, e desviou em direção à escuridão como um sol brilhando intensamente num mundo sombreado.
Seus olhos reluziam com uma faísca de fogo, permitindo que ela percebesse o calor dos animais ao redor, como uma cobra.
Embora mal ajudasse. Ainda assim…
Ela virou a cabeça de um lado, a tempo de um lobo profundo e tenebroso — com uma tatuagem de lua crescente na testa — emergir das sombras como tinta sendo puxada, saltando em sua direção, com a boca aberta e dentes afiados reluzindo sob a luz da lua, pronto para mastigar sua cabeça.
Ela virou-se para encará-lo, sua mão esquerda brilhando com fogo profundo e escaldante, fechou com força em um punho, e então alinhou-o direto na bochecha direita da criatura.
O ar silvou enquanto seu punho atingia o lobo com precisão.
Porém, ele torceu o corpo no ar, desviando do golpe, e levantou a pata com garras, rasgando Sora.
Um som de vento rasgando ao seu redor reverberou na cabeça dela, e, instintivamente, ela se abaixou, suas pontas douradas de cabelo sendo cortadas pelas garras.
O lobo rosnou, uivou, seus olhos vermelhos ardendo de ferocidade enquanto avançava contra Sora, que ainda estava no chão.
Ela encarou a besta com desprezo, e quando ela estava a um palmo dela.
“Incendeie.” ela rosnou, como uma fera faminta.
Instantaneamente, uma coluna de fogo escaldante surgiu de seu corpo, envolvendo a criatura. As chamas douradas penetraram fundo na carne do lobo, derretendo músculos, tendões e pele.
Um uivo profundo e angustiante cortou a escuridão sem limites enquanto a fera se contorcia de dor no interior do fogo.
Quando as chamas se acenderam e se apagaram, o que restou foi um líquido grotesco de carne, levemente se contorcendo no chão.
Sora inspirou profundamente, com a respiração entrecortada, enquanto olhava ao redor. Vários outros lobos e morcegos emergiam das sombras, formando um círculo ao seu redor. Todos eles com uma tatuagem de lua crescente na testa, brilhando com luz negra.
Ela lentamente levantou-se do chão, seu corpo exalando vapores brancos enquanto encarava as criaturas com olhar de desafio.
“Vou queimar todos vocês.” ela murmurou de forma sombria, enquanto chamas douradas começavam a cintilar ao seu redor.
Os morcegos abriram as bocas e liberaram um som ensurdecedor que elevou as sombras retorcidas do céu como ondas se aproximando, antes de mergulharem no chão, fazendo Sora recuar abruptamente, enquanto os lobos avançavam com olhos ardentes.
Acima, uma chuva de bolas de fogo começou a despencar como cachoeiras, queimando as sombras e transformando-as em carne assada.
Kaden observou brevemente a luta de Sora antes de focar em sua própria batalha. Ele olhou ao redor, e viu nada — mas podia sentir que estava sendo observado.
Eles usavam a escuridão para se esconder e atacar.
Mesmo com sua percepção, Kaden ainda não conseguia detectá-los claramente, mas isso não era necessário.
Se Sora tinha seu fogo incandescente que facilitava queimar esses monstros com uma facilidade assustadora, então ele tinha sua própria chama também.
Mas uma que consumia a própria vida de seus inimigos.
Chamas negras começaram a surgir ao redor de Kaden, envolvendo-o completamente como fogo sob óleo.
Ele então a controlou, espalhando em um movimento circular com ele no centro, criando uma zona de chamas negras.
Logo, começou a ouvir os gritos das criaturas ao perceberem suas vidas sendo consumidas. Usando-os como guia, Reditha brilhava com uma intenção terrível a cada segundo, exterminando-os com crueldade eficaz.
Kaden continuou a usar essas táticas, e logo o chão ficou coberto por cabeças decapitadas ao lado de corpos sem cabeça.
O sangue negro manchava o tapete de cadáveres enquanto Kaden os usava para detonar o entorno, com a intenção de matar o máximo possível.
O contraste era impressionante.
Uma mulher de cabelos dourados, envolta em chamas que pareciam sol ardente, queimando tudo ao seu redor com ferocidade e raiva. Enquanto um homem de cabelos negros, cortando as cabeças das criaturas com sua espada carmesim, como um açougueiro lidando com galinhas comuns.
Logo, o chão estava repleto de cadáveres fumegantes e corpos separados espalhados como um tapete de gore.
Mas, apesar de toda a carnificina, elas não pararam — ou, melhor dizendo… não podiam.
Os monstros eram desproporcionalmente numerosos.
Não eram particularmente fortes, apenas de nível intermediário e de Mestre.
Kaden já tinha enfrentado coisas piores e Sora era uma Asterion.
Elas podiam acabar com eles facilmente, mas os monstros sombrios pareciam infindáveis. Matavam de novo e de novo, mas sempre havia mais.
Sora começou a desacelerar, sua chama perdendo o brilho, tendo consumido muita de sua mana.
Já passaram ao menos duas horas, numa luta sem parar.
Ela rangeu os dentes, querendo usar uma poção de mana na aliança de espaço, mas os monstros eram implacáveis, não lhe dando tempo.
Suas vestes luxuosas estavam rasgadas em múltiplos pontos, sua pele marcada e sangrando pelas garras dos lobos, seus ouvidos escorrendo sangue pelos sons ensurdecedores dos morcegos.
A exaustão começava a dominá-la, seus movimentos se tornando lentos, sua respiração ofegante. Suor escorria de seu rosto, mesmo com o frio, até infiltrar-se em seus olhos, dificultando a visão.
Um lobo surgiu das sombras, suas garras rasgaram o ar antes de atacarem seu tornozelo, provocando uma rajada de sangue dourado.
Um gemido profundo escapou de seus lábios enquanto ela cambaleava, incapaz de manter a postura, e caiu sobre as sombras retorcidas ao seu redor.
O lobo saiu completamente do chão, pulando nela, com a boca aberta e dentes brilhando como um tubarão, mirando diretamente na garganta dela.
Uma barreira de fogo intercalou entre eles, quebrando-se instantaneamente quando a mandíbula do lobo impactou, e ele continuou sua trajetória rumo ao pescoço de Sora.
Seus olhos estavam arregalados, medo evidente… mas, além do medo, uma raiva profunda e fervorosa ameaçava consumir tudo ao seu redor.
Ela reuniu as últimas chamas dentro de sua boca, abriu-a completamente, e soprou tudo de uma vez na direção da boca aberta do monstro.
Ele se fechou de forma instintiva, com os olhos vermelhos arregalados de horror, seu corpo começou a convulsionar enquanto vapor emergia de toda parte, suas vistas se fundiam antes de cair sobre Sora, com todo o interior queimado.
“Ah… ah… ah…” Sora respirou pesadamente. Sua garganta seca, como terra de deserto; seus pulmões queimando como se estivessem em chamas, tentando respirar. Seus olhos turvos de cansaço e mana esgotada, mas ela sentia os lobos se aproximando, prontos para devorá-la como carne deliciosa.
Ela tentou afastar o corpo do lobo de cima de si e levantar-se, mas seu corpo parecia tão fraco que parecia ter a força de um recém-nascido.
Era enlouquecedor.
Um rosnado de raiva, misturado com terror, escapou de sua boca ao ver as mandíbulas e garras apontadas para ela.
Ela reuniu o fogo dentro de si, mas apenas piscaram, antes de desaparecerem como brasas morrentes.
Ela estava completamente drenada.
Um passo.
Um instante de vermelho.
E todos os lobos ao seu redor caíram no chão, sem vida.
Kaden apareceu ao seu lado, respirando com dificuldade também, embora estivesse em melhor condição que Sora.
Ele lhe lançou um olhar relutante antes de se virar para longe, desconsiderando.
Sora rangeu os dentes com aquilo.
Assumiu sua postura, Reditha erguida, pronta para exterminar qualquer criatura que se aproximasse.
Mas, naquele exato momento, ambos perceberam algo diferente. Levantaram as cabeças ao céu, a lua meia-lua ainda estava lá, mas agora iluminada do lado direito por uma luz azul glaciar.
A escuridão começou a derreter como aço sob fogo, as sombras abaixo dele desapareceram, engolidas pela neve anterior.
Ao invés disso, algo muito mais terrível — pelo menos para Kaden e Sora — teve início.
A temperatura caiu repentinamente a níveis apocalípticos. Tempestades geladas começaram a surgir ao redor da vastidão azul, parecendo a ira de um deus atingindo aquela terra. Fragmentos de gelo voavam por toda parte, cortando sua pele com uma facilidade aterradora.
Seu sangue escorria, congelando instantaneamente.
Kaden deu um passo inseguro para trás,
“Porra…”, ele disse, sua própria respiração congelando no ar.
—Fim do capítulo 209—