
Capítulo 164
Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!
Chegou a manhã.
A cena do campo de batalha parecia um pesadelo. Milhares de cadáveres sobre o chão enlameado, escurecido pelo sangue e pela sujeira, todos em estados mais ou menos terríveis. O ar pesado de sangue, morte e putrefação tornava impossível permanecer ali por muito tempo.
Mas Asael e Kaden ainda estavam naquele mesmo campo de batalha, deitados no chão enlameado, cobertos de sangue negro e com corpos ao redor, sem se importar.
Eram pesadamente exaustos, sem forças para se mover ou fazer qualquer coisa. Só queriam curar, descansar por um momento.
Kaden retirou algumas poções de cura de seu enorme anel de espaço para que ambos pudessem beber e se recuperar mais rapidamente. Também tirou poções de mana para restaurar sua energia com mais agilidade.
Agora, estavam deitados lado a lado, alheios ao fedor nauseante e à cena horrorosa ao redor. Em vez disso—
"Kaden, meu amigo, agora você está me enganando. Como foi que você matou mais da metade dos corrompidos? Isso não faz sentido," reclamou Asael, irritado com a suposta vitória de Kaden.
"Na verdade, faz sim. Tenho habilidades que abrangem áreas grandes. Então, quando atacão, mato muitos de uma só vez, enquanto você ia um por um. Heh!" zombou Kaden, claramente debochando dele.
Os lábios de Asael tremeram de raiva. Queria refutar, mas sabia que a razão era dele.
Kaden podia controlar o sangue e fazê-lo explodir. Além disso, seu próprio sangue era explosivo. Com a Marca da Alma e a Chama do Sangue, sim… ele matava muito mais que Asael.
'Preciso de mais habilidades assim.'
Ele rangerou a língua e ficou em silêncio.
Kaden riu. "Tá se enchendo de mim? Que menino que não aceita a derrota?" zombou, mas Asael se recusou a responder, sem dar a ele essa satisfação.
Kaden continuou por um momento, até que finalmente disse:
"Como vencedor, tenho o direito de exigir algo de você, não é?" perguntou, com os olhos fixos no céu sombrio acima.
Asael assentiu. "Sim."
Kaden ficou em silêncio por um instante, e depois—
"Você parece alguém que tem algo muito precioso para proteger," comentou, lançando um olhar para o colar branco no pescoço de Asael.
"Algo que te permitiu sobreviver aqui por tanto tempo. Estou curioso… o que era?" perguntou, antes de acrescentar rapidamente:
"Se for desconfortável falar sobre isso, tudo bem."
Asael apenas balançou a cabeça com um sorriso. "Sem problema. Você é um amigo, afinal," disse, antes de pegar lentamente seu colar branco.
"Me diga, Kaden… o que faz as pessoas terem tanta determinação para continuar vivendo?" perguntou, seu sorriso fraco.
"Amor. Vingança. Um objetivo a alcançar…" respondeu Kaden imediatamente. Essa era a única coisa que vinha à cabeça.
"De fato. Essa é a base das emoções que fazem as pessoas quererem se superar em qualquer situação. Por isso, é importante ter um objetivo. Do contrário, você acaba perdendo o rumo, sem saber o que fazer depois."
"E, às vezes, esse objetivo pode envolver tanto o amor quanto a vingança… ou um deles," acrescentou Asael, com a voz melancólica, como se estivesse pensando em algo do passado.
Kaden não falou nada. Apoiou-se a essa oportunidade para deixar ele desabafar. Apenas escutou.
Asael sorriu com sua atenção e, então, continuou.
"Para mim, não é nada tão grandioso. Não sei como você me enxerga, mas a única razão pela qual lutei tanto para sobreviver aqui, na esperança de sair deste calabouço…"
"…é simplesmente para voltar para casa e ver minha filha encantadora," disse Asael com um sorriso fraco.
De repente, os olhos de Kaden se arregalaram. Ele se levantou abruptamente do chão e olhou para Asael.
Mas o próprio Asael continuou: "Este colar é a única lembrança que tenho dela. Trouxe dois, dei um para minha filha e guardei um para mim."
Ele olhou para Kaden. "Por isso quero sobreviver. Não sei quanto tempo passou lá fora, mas rezo a todos os deuses para que o tempo aqui dentro seja mais rápido… senão…" — parou, relutante em pensar além.
Consegue imaginar ficar preso aqui enquanto sua filha cresce sem você? Sem o pai dela? Como ela deve estar se sentindo? Sabe que ele está preso em algum lugar? Está procurando por ele ou já deixou de se importar?
Essas perguntas o atormentavam todos os dias. Mas ele fazia o possível para não ser dominado por elas.
Era difícil sozinho.
Mas agora, com Kaden aqui…
Ele sorriu de leve.
…tudo ficou mais fácil.
Enquanto isso, Kaden ainda estava surpreso. Como ele não poderia estar?
Ainda era uma criança, então a ideia de ter filhos era muito assustadora, especialmente ao olhar para Asael, que parecia ter a mesma idade de Daela.
Ele inclinou a cabeça. "Quantos anos você tinha quando teve sua filha?" perguntou desconfiado.
Asael imediatamente se virou para o lado, tossindo timidamente, e evitou responder.
Mas Kaden não ia parar.
"Me diga, Asael… quantos anos?" insistiu.
Finalmente, Asael cedeu. "Talvez… uns 17?" murmurou baixinho.
Kaden o observou. Não falou nada, mas seus olhos fizeram toda a avaliação.
Estava julgando. Pesadamente.
Asael se remexeu, envergonhado.
"Ei… naquela época eu era mais cabeça aberta, tá? Estava na fase da puberdade, me entende," tentou se justificar.
Mas Kaden apenas o olhou fixamente.
"Quantos anos você tinha quando entrou neste calabouço?" perguntou novamente.
"Tinha 18. Aqui dentro, os anos passaram, mas minha aparência mal mudou. Acho que tenho a aparência de uns 20."
Ele fez uma pausa.
"Então, espero que o tempo lá fora seja mais lento," disse com um sorriso suave.
Kaden ficou sem saber o que dizer. Não tinha filhos, não podia se colocar no lugar dele.
Mas…
"Tenho pessoas queridas também lá fora," começou a falar, chamando atenção de Asael.
"Tenho pais complicados, mas amorosos, esperando por mim. Uma irmã mais velha, que demonstra pouca emoção, mas sei que se importa. E um irmão mais novo, que nunca veio, mas do pouco que lembro dele, dá vontade de rever."
Pareceu hesitar por um momento, olhando para Asael, que o observava com uma expressão séria, mas carregada de emoção.
Kaden sorriu de leve.
"Também tenho uma namorada encantadora e uma noiva com quem mal interagi."
Ao ouvir isso, Asael parecia querer comentar, mas permaneceu calado. Mas também não precisava dizer nada — seus olhos faziam a avaliação.
Kaden ignorou esse olhar e continuou.
"Veja, Asael. Ainda tenho muitas coisas por fazer. Ainda não sou o mais forte, ainda não melhorei minha família, e ainda não cumpri meu papel de noivo com a Rea. Tenho muitas coisas a conquistar. E você também."
Fixou seus olhos vermelho-sangue nos olhos dele, que eram como sombras.
"Sabe o que isso significa?" perguntou.
Asael permaneceu em silêncio por um momento, até que lentamente abriu a boca:
"Precisa me perguntar isso, meu amigo?" disse com uma risada suave, levantando-se do chão.
"Temos que sobreviver e sair deste maldito calabouço," acrescentou.
Kaden assentiu com um sorriso e virou-se para os corpos dispersos no chão.
"Sim, temos que. E estou ansioso para conhecer sua filha. Sei que serei um tio incrível," brincou, com um sorriso sardônico.
Asael sorriu, apertando seu colar branco com força.
"Só não deixe minha filha te corromper com suas tendências suicidas, tá?" zombou, com um sorriso provocador.
Os lábios de Kaden mexeram levemente.
"Assael, estou mais preocupado que ela seja corrompida por você mesmo," respondeu, levantando as mãos.
"Na verdade, sou um pai bom," defendeu-se.
Mas Kaden apenas deu de ombros.
"É o que dizem os ruins," respondeu, e imediatamente depois:
"Síntese."
Kaden começou a fundir todos os corpos do campo de batalha. Uma luz branca intensa explodiu, envolvendo os cadáveres enquanto o processo começava.
Asael observou a cena por um momento, depois—
"Kaden, meu amigo…" falou, com a voz baixa.
"Sim?"
"Não morra aqui."
Kaden virou o rosto por um instante para olhá-lo, depois se virou de volta, mas sua voz ecoou atrás dele.
Calma. Resoluta.
"Eu não morrerei."
…Nós não iremos."