Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!

Capítulo 167

Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!

Kaden ficou ali, sem saber o que fazer.

Na verdade, ele sabia — pois A Vontade tinha lhe dito exatamente o que precisava fazer. Ele simplesmente tinha que suportar o peso da morte.

Mas Kaden não podia simplesmente fazer o que A Vontade tinha dito, porque havia muitas coisas que ele precisava entender primeiro.

Sua cabeça girava com diferentes tipos de pensamentos enquanto tentava vincular todas as peças do quebra-cabeça.

Primeiro de tudo, ele estava em Darklore, então A Vontade não deveria estar aqui gerenciando uma masmorra.

A segunda coisa era a menção de um de seus traços.

"Sangue corruptor…?" Kaden murmurou baixinho. Era um traço que ele tinha adquirido após Nocthar lhe dar uma gota de sangue na masmorra.

"O que isso tem a ver com esta masmorra?" Kaden se perguntou. "Estão conectados? Sangue corruptor… morto-vivo corrompido… Nocthar controlava o poder da morte… e, portanto, esta masmorra…"

Os pensamentos de Kaden continuaram a fluir de maneira contínua, tentando encaixar todas as peças do quebra-cabeça, mas quanto mais ele pensava, mais tudo ficava confuso.

Especialmente ao acrescentar tudo isso ao que A Vontade tinha dito.

Metade de um fragmento do Aspecto da Guerra.

A Vontade tinha dito que possuía esse fragmento, que pertencia a um ser cujo nome Kaden mal conseguia ler, cujo nome é envolto em mistério divino.

Sua cabeça começou a doer com tanta informação diferente, enquanto uma sensação de pavor começava a crescer dentro dele. Ele olhou adiante e viu o corpo morto, com a foice meia-flutuando acima dele, e o pequeno rio — mais como uma poça — de sangue negro.

Já conseguia imaginar de quem era aquele corpo.

"Então, a pessoa que fez aquelas linhas estranhas morreu aqui, certamente tentando superar o peso da morte", pensou Kaden, formando sua própria hipótese. Mas além disso, não havia outra explicação lógica para tudo isso.

Ele respirou fundo, tentando se acalmar, controlando sua respiração e sua mente.

"Guerra… morte…"

Esses dois aspectos estão inegavelmente ligados. Porque não há guerra sem morte.

Ele suspirou de forma resignada, com uma expressão carregada de uma carranca sombria.

"As coisas estão ficando complicadas", pensou consigo mesmo, mas mesmo assim…

Kaden não tinha outra escolha a não ser seguir em frente por esse caminho.

A porta atrás dele estava fechada e, mesmo que não estivesse, ele não passaria por ela apenas por medo de perder poder adicional.

Sim, ele tinha medo, porque não sabia exatamente que tipo de poder estava envolvido nisso.

Ele não tinha certeza se tinha o que era necessário para enfrentar tudo isso.

Ele não tinha.

E, como você sabe, o medo do desconhecido é um dos mais aterrorizantes.

Mas,

"Não posso me encolher por causa do medo. Sou Kaden Warborn. Sou filho de sangue. Sou o Enviado da Morte."

E além do mais, não era isso que ele queria? O poder da morte? Então por que diabos ele estava aqui pensando demais?

Fortalecido, o rosto de Kaden ficou duro como uma lâmina ensanguentada sob o brilho dolorido do sol.

Ele olhou na direção da frente e, com uma respiração firme, deu um passo adiante.

Seu passo ecoou alto pelo espaço escuro enquanto se aproximava do corpo seco e da foice meia-flutuando.

Quanto mais se aproximava, mais forte ficava a aura de morte que a foice exalava, a ponto de Kaden começar a ter visões aterrorizantes.

E todas elas estavam relacionadas à ideia de morrer das formas mais brutais possíveis — repetidamente, sem parar. Seu rosto começou a sentir formigamento, suor começou a escorrer. Seu corpo estremecia suavemente sob o ataque constante da aura de morte, mas…

Kaden aguentou firme.

Porque já estava acostumado a morrer, e sua vontade era forte o bastante para que essas alucinações não o incapacitassem.

Com os dentes cerrados e os olhos sangrando, Kaden continuou avançando até estar a um centímetro da foice meia-flutuante.

Naquele momento, o que ele sentia era algo que nunca achou possível. O poder da morte era tão puro que Kaden ficou quase… impressionado com isso.

Sempre chamou a Morte de doce, mas o que a aura que ele sentia levava essa descrição a um nível quase sério demais.

Então, ao invés de apressar o processo, Kaden sentou-se no chão, bem na frente da foice, e começou a meditar.

Ele tinha acabado de alcançar a Intenção Verdadeira, então sua intenção ainda estava em estágio iniciante, muito desorganizada e patética em termos de domínio. E Kaden podia sentir que precisaria desse propósito se quisesse suportar o peso da morte.

Por isso, fechou os olhos e meditou sob o ataque constante da energia pura da morte.

O espaço ficou mortalmente silencioso, apenas quebrado pela respiração ritmada de Kaden.

Não era uma tarefa fácil, pois seu corpo estava encharcado de suor. As sobrancelhas estavam franzidas em uma carranca apertada enquanto tentava ao máximo não se deixar levar por suas inúmeras mortes.

Em certo momento, a dificuldade aumentou. Não era mais apenas ele morrendo… eram seus entes queridos morrendo.

Daela, Garros, Serena, Rory, Meris, até seu irmão Dain.

As mortes deles atingiram a maior parte da mente de Kaden mais do que ele jamais imaginou. Seu corpo começou a tremer de medo e insegurança. Sua respiração ficou ofegante, mas ele apenas cerrava os dentes ainda mais forte, até que um som de crepitação ecoou pelo espaço escuro.

"Calma… calma… isso é mentira."

Ele repetia essas palavras constantemente, tentando manter a sanidade e não perder a cabeça com as mortes incessantes de seus entes queridos.

Então, ativou sua Intenção de Morte e, tremendo, manuseou-a de forma desajeitada e patética para tentar envolver sua cabeça e protegê-lo dessas alucinações. E funcionou, ainda que por pouco.

Mas agora Kaden tinha uma ideia de como seguir em frente.

Nos horas seguintes, ele consolidou sua intenção e refinou ainda mais a manipulação dela.

Sua Intenção de Morte era especial. Porque, com seu entendimento, ela se baseava em morte sendo sua companheira e ele sendo seu mensageiro, seu Arauto…

Seu propósito tinha atributos tanto defensivos quanto ofensivos.

Era algo raro, já que normalmente era um ou outro — ou o terceiro tipo, o atributo de suporte.

Assim, com sua intenção, conseguiu se proteger com mais facilidade, quanto mais aprofundava seu entendimento e consolidava sua maestria.

Depois de algumas horas, Kaden mal sentia qualquer efeito da foice. Sua tentativa de bloquear quase totalmente o efeito da foice com sua intenção funcionou, e o que passou foi dissipado por seu atributo de Vontade.

Seu progresso foi notável.

Decidindo que estava preparado, Kaden se levantou.

Ele olhou com cautela para a meia-foice, sem saber exatamente o que fazer.

Mas ele conseguia imaginar que…

{Toque nela e suporte o peso da morte. Suporte e torne-se mais… completo.}

A Vontade voltou a soar, dando a direção a seguir.

Mas Kaden não seguiu as palavras dela. Olhou por um longo tempo para a meia-foice, até que lentamente, um sorriso louco e aberto apareceu em seu rosto.

"Por quê…?"

"Se tenho que suportar algo, que seja para que a coisa se torne minha e só minha depois disso", declarou Kaden, levantando a cabeça para o céu negro infinito acima, e abriu a boca novamente,

"Não vou tocá-la. Em vez disso…"

Seu sorriso se alargou.

"Sintetizar."

Kaden ativou seu traço e imediatamente depois,

"Faça essa coisa ser minha e destrua tudo que for nocivo ou suspeito para mim."

Ele fez uma pausa e, depois,

"Faça de mim um com a Morte."

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