Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!

Capítulo 112

Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!

"Róuó… Róuó…"

Um tosse frágil ecoou pelo calabouço subterrâneo destruído e em ruínas.

Sob o peso de incontáveis pedras quebradas, Selene jazia ali, com o corpo completamente enterrado nos destroços, incapaz de se mover.

Seu rosto estava irreconhecível, sangrando e rasgado, com ferimentos tão graves e grotescos que eram dolorosos até de olhar, quanto mais descrever.

Ela só sobrevivera graças a um artefato defensivo de nível raro que ativou no último segundo, acionado apenas quando sua vida estava em perigo imediato—quando a morte era certa.

"-A-ajude…"

Selene gemia, com a voz frágil, os pulmões queimando enquanto sentia a névoa carmesma lentamente se aproximando dela.

Seu coração, já fraco, começava a bater mais rápido e alto, engulfado pelo medo, porque ela sabia que, se aquela névoa corrosiva tocasse nela… ela morreria.

"-A-HELP!".

Ela gritou, reunindo toda a força restante, e finalmente…

"Você ainda está vivo."

Uma voz profunda, carregada de fúria quase contida, ecoou entre os destroços.

A cabeça de Selene se virou na direção da origem, olhos cheios de esperança desesperada, e ela viu Laye.

"-Salve… mim,"

ela sussurrou, fraca, tentando levantar a mão ensanguentada para alcançá-lo, mas só conseguiu mover a cabeça, pois seu corpo não estava enterrado debaixo dos escombros.

Laye olhou para ela por um momento, claramente considerando deixá-la morrer ali mesmo.

Mas ele sabia que não podia.

Com o que acabara de acontecer, eles não podiam se dar ao luxo de acrescentar esses hipócritas à sua lista de inimigos—então, com um suspiro de raiva, ele deu um movimento com os dedos, e uma chama azul começou a arder de sua mão, consumindo as rochas e detritos que cobriam Selene.

Assim que ela foi libertada, ela imediatamente pegou uma poção de cura de alta qualidade de seu anel espacial e a engoliu de um gole só.

Perante seus olhos, suas feridas começaram a se regenerar rapidamente.

Então ela virou a cabeça de novo para Laye, com os olhos queimando de raiva e a expressão carregada de desprezo.

"-Onde você estava? Como é que vocês deixaram isso acontecer?"

Selene gritou, a voz tremendo de raiva.

Não era só a dor. Não era só a experiência de quase morrer.

Era porque Daela haviam escapado.

"-Daela Warborn não está mais aqui!"

"Ela escapou! Como vocês explicam isso, com todas as bestas de aço protegendo a cidade e até a porta rúnica? Me diga como!"

Sua voz ecoou de fúria enquanto ela continuava gritando, exigindo uma resposta.

Mas Laye não estaba ouvindo.

Sua atenção estava fixa em um ponto específico… em uma mensagem queimada na parede, letras brilhando suavemente como brasas ainda ardendo.

"-O Enviado da Morte esteve aqui."

Ele leu as palavras em voz alta. Sua voz tão carregada de raiva que o espaço ao seu redor começou a cintilar, enquanto chamas azuis surgiam ao seu redor de forma errática.

Selene congelou, seus olhos seguindo os dele e caindo na mesma mensagem, aquela que ela tinha lido antes.

A voz de Laye ficou baixa, mortal. O ambiente ficou tenso.

"-Me diga, cabeça de bagre… quem você acha que foi ousado a fazer isso com a nossa cidade?"

Seu tom era calmo, mas os olhos o traíam: piscavam com uma fria chama azul que ameaçava devorar tudo à vista, quase reprimida.

"-Não sei…"

"-Eu até imaginaria os Warborns, mas esses idiotas não agiriam assim. Você os conhece, eles usam força bruta. Ainda mais com os rumores de que estão mobilizando suas forças para vir pra cá."

"-Então não foram eles."

Ela tinha certeza. Isso não era estilo dos Warborns.

E Laye concordou… mas isso só aumentou o mistério.

"-Então, quem fez isso? Quem teria motivo para salvar a garota Warborn?"

ele perguntou, a voz pesada, enquanto criava uma barreira para afastar a névoa carmesma.

Selene ficou silenciosa, sem saber o que responder.

Ela também não tinha ideia.

Quem diabos é esse Enviado da Morte? De onde ele veio?

E, especialmente,

Por que ele arriscaria tanto para salvar Daela Warborn?

Ou talvez ela estivesse interpretando tudo errado.

Talvez…

'Será que é um de nossos inimigos, tentando sabotar nossos planos ao salvar ela?' pensou.

Seu raciocínio clareou, como se tivesse encontrado a resposta.

"-Vou relatar isso ao meu senhor." ela começou, então se virou para Laye.

"-E onde está seu senhor? Onde está Goremaw, o Ironbound? Se ele estivesse aqui, nenhum assassino idiota ousaria pisar nesta cidade!"

"-E por que ele te deixou aqui sozinha, uma Grande Mestre, levando todos os seus outros comandantes para onde quer que seja?"

"-E por que ele saiu deixando você sozinha, exatamente uma Grande Mestre, enquanto leva seus outros comandantes para quem sabe onde?"

Selene acusou, a voz amarga e cheia de desconfiança.

Por que isso aconteceu agora, justamente na hora certa?

Seus olhos se arregalaram.

'Foi como se eles soubessem que os mais fortes tinham ido embora.'

'Um grupo de assassinos com inteligência profunda… Quem seriam eles?' As perguntas começaram a se acumular em sua cabeça, junto com uma crescente ansiedade.

'Preciso relatar isso o mais rápido possível.'

Enquanto isso, Laye suspirou diante do desabafo dela.

"Estão limpando uma masmorra," ele disse simplesmente. "Uma que descobrimos na beira do Deserto dos Perdidos."

Selene piscou, confusa.

"Que tipo de masmorra exige que Goremaw mesmo se mova?"

Laye permaneceu em silêncio por um instante, sem saber se deveria contar a ela.

Mas, depois de tudo, ele soube que não tinha escolha.

'Por que concordamos em trabalhar com esses caras? Devíamos ficar com o que conhecemos—guerra, cara a cara.'

Laye suspirou internamente, frustrado com as decisões de seu senhor, mesmo obedecendo sempre.

"…É uma masmorra de nível lendário," ele finalmente disse.

"E você sabe o que isso significa."

Os olhos de Selene se arregalaram de choque absoluto.

"-O-que…?"

Bem longe dali, dentro de uma caverna bem escondida, Kaden encostava suas costas na parede áspera, com os olhos fechados.

Em seu colo, Daela dormia tranquilamente.

Mas a mente de Kaden fervia com pensamentos.

'Deixei palavras que podem ser interpretadas de várias formas.'

'Eles não vão relacionar isso a nós. Nem vão pensar nisso.'

'Vão achar que é algum outro grupo. Talvez alguém nos protegendo, ou apenas um inimigo deles tentando atacar às escondidas.'

'Isso nos dará o tempo necessário para nos preparar para o confronto inevitável, enquanto eles se arriscam, sem saber quem atacar primeiro.'

Um sorriso sutil surgiu em seus lábios.

Ele não apenas resgatou Daela.

Ele plantou uma sementinha de dúvida na cabeça dos inimigos.

E essa sementinha…

Ele iria cultivá-la.

'Vamos tornar esse inimigo desconhecido real…'

'Que nome darei a esse grupo, hein?'

Ele planejava criar uma organização falsa. Uma que atacaria das sombras e iria enrolar a família Cerveau de todas as formas possíveis, ganhando tempo para fortalecer-se.

Mas ela precisava de um poder diferente—sem sangue.

'Eles me reconheceriam eventualmente se usasse sangue. Muito óbvio.'

Então… ele precisava de algo mais.

Alma?

Ele poderia usar Soulbrand, mas seus ataques de alma ainda eram fracos demais.

O que mais…?

Ele continuava pensando, até usando sua habilidade de Percepção para guiar seus pensamentos.

E foi então que sentiu algo.

Algo profundo dentro dele despertou. Algo que sussurrava.

Um poder que ele conhecia muito bem.

Mais familiar do que qualquer coisa, até mais que sangue.

Um conceito que o acompanhou desde o começo.

O poder de…

"…a morte?"

—Fim do Capítulo 112—

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