Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!

Capítulo 101

Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!

Kaden ficou atônito.

Ele apenas se sentou no chão, as palavras do pai ecoando forte dentro de sua cabeça.

"Daela… sequestrada?"

Aquele pensamento era inacreditável.

Como sua irmã podia ter sido raptada?

Seu peito começou a doer loucamente, não porque seu corpo estivesse machucado, mas por causa do desaparecimento de Daela.

Foi aí que Kaden finalmente entendeu a apreensão que o consumia há dias.

Mas…

"Q-que… o que aconteceu?" perguntou, com a voz áspera e embargada, tentando falar claramente, mas o sangue não parava de jorrar de sua boca.

O intento de homicídio dos seus pais tinha sido realmente anormal e intenso.

Serena tirou uma poção curativa de seu anel espacial, abriu cuidadosamente a boca de Kaden e despejou a poção por dentro.

Logo, seu corpo começou a se curar naturalmente. Então sua constituição entrou em ação e, num instante, ele estava completamente restabelecido.

Ele respirou fundo, exalou uma vez e concentrou toda sua atenção nos pais, esperando que explicassem tudo.

Serena suspirou ao ver aquilo.

"Meu bebê…" ela começou, com a voz baixa, tremendo pela carga de emoção.

Ver sua mãe assim só deixava Kaden mais mal. Seu coração apertou ainda mais.

"Besta do lado de fora a sequestrou", disse Garros de repente, sentado em uma cadeira próxima.

"Você já sabe que Daela é uma ser de nível Mestre. Mas aqueles filhos da puta enviaram uma fera de nível Grande-Mestre para capturá-la. Ela não conseguiu resistir," acrescentou, coberto pelo rosto com a mão, tentando manter a compostura.

A expressão de Kaden se contorceu ainda mais, confusa.

"Que bestas? Desde quando estamos lutando contra bestas? E como vocês permitiram que a Daela estivesse em um lugar onde uma besta de nível Grande-Mestre pudesse simplesmente aparecer?" perguntou suavemente.

Ele não os culpava.

Ele só queria entender. Só queria saber o que diabos estava acontecendo.

E foi aí que eles lhe falaram sobre os Steelbeasts, sobre Goremaw, sobre tudo que aconteceu enquanto ele estava em Fokay.

E então, por fim, no final…

"Quando aconteceu o sequestro, estávamos em uma reunião organizada pelo Cerveau. Só descobrimos depois," disse Serena, com a voz baixa, terminando com uma risada amarga.

"E nem acabou. Mesmo agora… não podemos atuar," ela acrescentou sombria.

Mas Garros, que estava atrás dela, franziu mais a testa.

"Eu te avisei, Serena. Não estamos nem aí, hoje vamos matar todas essas feras, salvar a Daela e acabar com isso," disse Garros, com a intenção de matar transbordando, fazendo a própria sala de reunião tremer.

"Por que vocês não podem agir…?" perguntou Kaden, com o rosto sombrio.

"Porque," respondeu Serena friamente, "de acordo com o Cerveau, a fortaleza de Kaleith está se preparando para nos atingir. Então, nós, os patriarcas, precisamos conservar nossas forças e deixar a luta contra as feras para nossos subordinados."

Kaden hesitou por um momento.

Ele já sabia que Waverith não era a única fortaleza na região, mas um movimento repentino de Kaleith, justo no momento em que sua irmã foi sequestrada?

Tudo isso, com o Cerveau bem no centro de tudo?

Não era preciso ser um gênio para perceber que algo estava errado. E Kaden sabia, sem a menor dúvida, que era o Cerveau.

Ele olhou para os pais, com o olhar ainda calmo e silencioso—mas a intensidade nos olhos, a raiva, era forte o suficiente para fazer os dois paralisarem por um instante.

Nunca tinham visto Kaden assim.

Mas eles não sabiam.

Não sabiam que Kaden já não era mais quem era antes de Fokay.

"Quem vocês suspeitam?" perguntou, aos poucos se levantando.

Era uma pergunta simples.

Mas,

"Não nos importamos com isso, Kaden. Tudo o que precisamos é matar essas feras," respondeu Garros, com a voz tremendo o ambiente ao redor.

Serena assentiu silenciosamente ao lado dele, com as mãos cerradas. O desejo de matá-los era tão forte quanto.

Kaden não ficou surpreso.

Mesmo quando os alertou sobre o Cerveau antes de partir… eles não ouviram.

E agora, mesmo tendo todas as pistas na frente, ainda só pensavam em atacar.

Kaden não conseguiu deixar de perguntar:

Como essa família ainda consegue se manter assim, com essa mentalidade?

Para ele, era loucura.

Porque força sem sabedoria… era inútil.

Agora mesmo, estavam sendo manipulados pelo Cerveau. E nem ao menos percebiam. Não viam. Tudo que conseguiam pensar era em um ataque direto.

E quanto mais Kaden pensava nisso…

Mais ele percebia… precisava mudar tudo.

Mas não disse nada em voz alta.

Em vez disso,

"Deixe comigo," disse simplesmente Kaden.

Ele ficou ereto, com as costas retas, olhos carmesins fixos nos pais.

"Deixem comigo essa bagunça. Deixem que eu traga a Daela de volta. Quanto a vocês… apenas aguardem meu sinal. Enquanto isso, aprimorem suas lâminas e preparem nossos exércitos."

Pausou.

"E quando chegar a hora… farão o que vocês, o que nós, fomos feitos para fazer."

Outro instante de pausa.

Dessa vez, seus olhos começaram a brilhar misteriosamente, com um tom carmesim tão intenso que parecia manchar o mundo ao redor.

De repente, Reditha apareceu atrás dele, sua lâmina vibrando com um vermelho estável.

A intenção de Kaden havia se estabilizado—totalmente acordada, afiada como uma navalha.

E ainda assim, ele continuou falando, carregando poder contido, como se mal percebesse a mudança.

"Vamos à guerra, Pai e Mãe. E dessa vez… não serão bestas."

Sua voz era firme. Inabalável.

E foi aí que eles finalmente olharam para o filho.

De verdade.

Viram um rapaz que retornou de Fokay, mas que não era mais um menino.

Viram como seu olhar ficou mais firme, mais sábio. Como uma luz estranha pisca fundo em seus olhos.

Como seu rosto e físico se tornaram mais definidos. Magro, compacto, ascético. Um lutador esculpido pela batalha.

Como sua presença agora carregava o aroma de sangue… mas, especialmente…

Morte.

E eles sentiram a aura de Intento emanando dele.

E com tudo isso, perceberam algo:

Estavam tão focados em Daela… que nem receberam bem-vindo adequado de volta.

Pior ainda—eles magoaram ele.

Mas Kaden não reclamou. Não resmungou.

Apenas disse que iria salvar a irmã. Pediu que eles acreditassem nele.

E eles acreditaram.

Um sorriso orgulhoso se abriu em seus rostos, mas também carregado de culpa.

"Deixaremos você cuidar disso," disseram em perfeita sintonia.

Kaden assentiu e virou-se, indo embora calmamente.

Mas na sua mente… só ecoava uma palavra.

'MORRER.'

Uma palavra simples, mas que refletia perfeitamente seu estado.

Porque, neste momento…

Ele iria banhar de sangue todo o domínio das feras.

E assim…

Começou.

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