
Capítulo 72
Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!
"UOOOOOOOAHHHHHHHHHH!!!!"
Todo o espaço tremeu enquanto os espectadores gritavam com todas as suas forças. Alguns estavam de pé, com as mãos erguidas ao céu, gritando como se suas vidas dependessem disso; outros eram mais discretos, apenas dando um incentivo leve, e havia aqueles que não resistiam à vontade de provocar confusão entre si.
Era uma cena bem animada — e tudo isso só porque dois jovens mestres de famílias ilustres, um de Fokay e outro de Darklore, estavam prestes a se enfrentar?
Para alguns, talvez fosse só isso. Mas para a maioria deles…
"Cara, juro que o jovem mestre Kenan vai ganhar. Apostei tudo que acabei de receber da minha mãe pra pagar a aula de combate."
"Tamo junto, parceiro. Eu sei que roubei uma mulher pra conseguir isso. O Kenan tem que vencer."
"Não, você não conhece os Warborns? São demônios na batalha, meu. Apostei todas as minhas economias no pequeno Warborn," disse um deles.
E o bate-boca, as provocações, os palavrões empolgados continuaram. Todos inflamados — porque, se o rapaz deles ganhasse, eles iam ficar ricos.
"Você realmente precisava fazer toda essa muvuca?" perguntou Kaden enquanto olhava ao redor da pequena arena onde estavam.
Era uma arena particular localizada dentro do prédio dos Mercadores do Magnata. Um lugar que os comerciantes às vezes usavam para organizar lutas entre desafientes, com artefatos como prêmios — só pra se divertir e relaxar um pouco.
Era uma arena pequena, com uma cor dourada, com uma atmosfera bem luxuosa. O ringue ficava bem no centro, rodeado por assentos estilo estádio para os espectadores assistirem. Também tinha salas VIP para nobres e outros indivíduos de alta posição para observarem sem serem incomodados. E, neste momento, Meris estava numa dessas salas VIP — mas não só ela. O Velho Smith também tinha vindo, curioso pra ver o poder de luta do seu discípulo recém-adquirido.
Kaden realmente não via sentido em tanta encenação.
"Por quê? Tá com medo de perder na frente de todo mundo?" Kenan zombou com um tom provocador.
Mas Kaden apenas balançou a cabeça. "Só estou um pouco triste. Porque percebi… devia ter pedido muito mais de mil moedas de ouro," falou, com uma voz tão sinceramente triste que a arena ficou em silêncio por um momento.
A sobrancelha de Kenan se franziu. "Vejo que está confiante. Ótimo," disse antes de levantar a cabeça para o céu — onde uma criatura estranha pairava.
Bem, chamá-la de criatura não era exatamente correto, já que ela não era viva. Era um golem. Um pequeno golem metálico.
O juiz imparcial desse duelo.
"Quero começar o combate," disse Kenan.
O golem assentiu e virou a cabeça em direção a Kaden.
Kaden também acenou com a cabeça, aceitando o início sem hesitar.
E imediatamente —
"COMEÇEM!" uma voz profunda, alta e robótica ecoou, marcando o começo do combate.
"Uhuuu!! Kenan! Kenan! Kenan!"
"Warborn! Warborn! Warborn!"
As pessoas gritavam os nomes dos lutadores que apoiavam, a tensão estava alta, e cada espectador permanecia atento, fixo, observando.
No instante em que a luta começou, bolas de fogo laranja apareceram ao redor de Kenan, orbitando-o numa espiral ameaçadora.
Kaden assistia a tudo e se lembrava do conteúdo de sua missão.
Ele deveria vencer de forma avassaladora — de modo que não sobrasse dúvida sobre sua força, sem espaço para descrença, sem murmúrios de hesitação. De uma maneira que deixasse claro para todos de Fokay…
Que um Warborn tinha voltado.
Além disso, era o momento perfeito para se apresentar nesta nova cidade.
Era hora de eles o conhecessem não apenas pelo nome, mas pelo título.
Como Filho do Sangue.
Ao pensar nisso, Kaden sorriu.
Era um sorriso sangrento. Um sorriso sedento por sangue.
Um que prometia uma carnificina sem fim.
De repente, a arena mergulhou em silêncio. Cada alma presente, todo espectador assistindo à luta, ao ver aquele sorriso…
Não puderam deixar de tremer.
Havia algo por trás dele — algo sem nome, algo monstruoso — que fazia seu sangue gelar.
E esse sentimento só se intensificou quando uma katana de sangue vermelho apareceu na mão de Kaden.
Por um momento, todos sentiram como se seu próprio sangue não estivesse mais sob seu controle.
Até Kenan sentiu isso. Ainda mais forte, por estar enfrentando Kaden de frente. Ele inconscientemente deu um passo para trás.
"Você queria uma multidão pra assistir," disse Kaden, com voz baixa, calma e cortante. "Enquanto eu queria só nós dois."
"Espero que não se arrependa."
E enquanto falava, um sangue vibrou ao seu redor, enrolando-se como serpentes — não, como braços — braços de mãe, envolvendo uma criança em um abraço.
Um abraço amoroso e protetor.
O sangue se torcia, girava, fundia-se até formar uma única e perfeita lótus.
Uma lótus tão vermelha que o mundo ao redor parecia sangrar junto. O cheiro de sangue era tão forte que se tornava físico.
Era avassalador.
Porém, Kenan não era de congelar. Afinal, era herdeiro de uma linhagem de Chama. Uma família feita de fogo e moldada na guerra. Assim como os Warborns, eles conheciam batalhas como poucos.
Então, foi ele quem atacou primeiro.
As bolas de fogo dispararam em direção a Kaden a alta velocidade, cortando o ar com calor escaldante. E, exatamente quando estavam a um centímetro de Kaden, elas se fundiram em uma grande avalanche de chamas.
E Kenan não parou por aí.
Debaixo dos pés de Kaden, o chão começou a chiar — fogo surgia em rajadas, tentando aprisioná-lo por baixo.
Um ataque por cima e por baixo.
Mas Kaden sequer piscou.
A dor já era algo que ele tinha aprendido a suportar. Seu atributo de Vontade era alto o suficiente para atravessar fogo e muito mais.
E, além disso…
'Meio fraco…' pensou Kaden internalmente, assistindo às ações dos ataques.
Ele vinha lutando contra seres muito acima de sua classificação há tanto tempo que… isso, realmente, era decepcionante.
Decidindo acabar logo com isso, ele pisou forte no chão — sangue jorrou debaixo dos seus pés e engoliu as chamas instantaneamente.
Ele ergueu a cabeça e viu a bola de fogo a poucos centímetros de seu rosto.
Sem hesitar, sem até reagir, virou o olhar para outro lado.
Reditha se moveu.
Ela apareceu na frente dele como uma sombra, e quando a ponta de sua lâmina de sangue tocou a chama, ela a engoliu por completo — envolvendo-a numa barreira de sangue que girava em redemoinhos.
BOOM!
A explosão aconteceu dentro da barreira.
Porém, o sangue nem sequer apresentou ondulações.
Era assim que seu controle havia avançado.
Era assim que sua manipulação de sangue ficara forte após a fúria na floresta.
Os olhos de Kenan se arregalaram — mas, antes que pudesse reagir novamente, Kaden já estava na sua frente, como uma miragem, um espectro.
Na mão, ele segurava a lótus de sangue.
Parecia delicada. Frágil, quase.
Mas o poder que irradiava fazia Kenan tremer.
Kaden sorriu.
“Por favor… não morra pra mim.”
A lótus desapareceu de sua palma — e reapareceu na testa de Kenan.
Os olhos de Kenan se arregalaram de terror.
Kaden sorriu maliciosamente.
“Essa é uma nova brincadeira minha. Espero que aproveite.”
Na hora em que essas palavras saíram de seus lábios, Kenan entrou em colapso. Seu corpo começou a tremer. Sua pele perdeu toda a cor, toda a vida. Sua figura começou a murchar.
Ele se transformava — bem na frente de todos eles.
Em uma múmia.
Um ser sem uma gota de sangue dentro.
Sim —
A lótus vermelha estava drenando cada último vestígio de sangue do corpo de Kenan Fireborn.
— Fim do Capítulo 72 —