
Capítulo 15
Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!
Kaden ficou diante de um vórtice de mana azul girando rapidamente. Apenas estar perto dele já era suficiente para sentir a pressão intensa e o poder bruto que emitia.
Este era o portal.
O caminho que ele precisava atravessar para começar sua primeira prova.
"Finalmente cheguei", murmurou Kaden, com os olhos fixos na passagem que se movia. A jornada até aqui não tinha sido fácil — e a parte mais frustrante? Isso nem tinha sido oficialmente parte do teste. Ou talvez fosse… mas seus pais tinham esquecido de mencionar isso, convenientemente.
"Nem estou surpreso", ele resmungou silenciosamente. "Dá pra imaginar meu pai aprontando uma coisa dessas."
Quanto à sua mãe… Kaden sabia que ela tinha um lado molenga por ele. Era claro na maneira como ela o tratava em comparação aos irmãos. Mas mesmo assim, nenhum de seus irmãos ou irmãs nunca olhou pra ele com inveja. Apesar de ter nascido mais fraco do que a maioria dos Warborn, ele nunca foi zombado ou deixado de lado.
Aquela ideia encheu seu coração de uma gratidão silenciosa. E com ela veio a determinação.
Não era só por si mesmo. Era pela família que ajudou um menino partido a encontrar força para se consertar.
Hufff…
Kaden respirou fundo, centrando-se.
"Vamos nessa."
Ele avançou — e desapareceu no vórtice.
⸻
Thud!
Kaden tropeçou na masmorra, sua visão girando por causa da teleportação. Um efeito colateral comum para os novatos.
Ele rapidamente examinou ao redor — e o que viu era… estranho.
Estava no centro de uma arena ampla. Pedra rachada se estendia sob seus pés, o ar pesado com o cheiro metálico de sangue e o fétido aroma da morte. Ao redor, uma vasta extensão de oceano negro e profundo.
Mas, ao olhar mais de perto, um calafrio subiu pela espinha.
"Sangue…?" sussurrou Kaden. Ele não sabia por quê, mas era isso que seus instintos gritavam.
Cautelosamente, começou a se mover em direção à borda da arena, mas não deu nem o terceiro passo antes de um estrondo profundo ecoar por toda a masmorra.
Ele parou e se virou.
No centro da arena, uma porta sombria e enorme apareceu, pulsando com energia negra. Ela rangeu ao se abrir — e uma pequena criatura entrou.
Um goblin. Mas diferente dos verdes que tinha enfrentado antes, esse tinha a pele profunda, preta como a morte. Seus olhos eram oca, sem vida.
Kaden não teve tempo de processar.
O goblin notou a presença dele — e carregou contra.
BUM!
"Droga!" Kaden chamou Reditha e cortou para baixo.
MARC—!
O goblin bloqueou com seu porrete de aço, mas Kaden não parou. Ele torceu, girou e chutou a criatura como uma bola.
BUM—!
O goblin foi derrubado ao chão.
Bum—!
Kaden se aproximou, sem dar tempo para a criatura se levantar. Levantou Reditha e apontou diretamente ao peito do goblin.
TCHAKKK—!
"KKIEKIEK!!" gritou o goblin, com os olhos arregalados de dor. Ele tentou agarrar sua arma —
Mas Kaden foi mais rápido.
Duas adagas de sangue se formaram no ar e perfuraram seus olhos.
"KKIAKKKAKKAKAK!!!"
Seu grito virou um som primal. Ele se debateu loucamente, mas Kaden permaneceu impassível.
Outra adaga de sangue apareceu — e perfurou sua garganta.
Silêncio.
O goblin ficou imóvel.
Kaden respirou fundo, o coração batendo forte no peito. Era sua terceira luta, e ainda assim, a tensão nunca desaparecia.
"É isso—"
Ele interrompeu a frase trembling, virando abruptamente ao ouvir o portal sombrio pulsar novamente.
Um arrepio percorreu sua espinha.
"Não… não me diga—"
Outro ser saiu do portal.
Parecia um goblin, mas maior. Mais forte. Seus olhos estavam cheios de raiva, e ele carregava um porrete de aço enorme — quase tão alto quanto Kaden.
Um hobgoblin.
Olharam um para o outro — e por um instante, o mundo ficou em silêncio.
BOOOM—!
A fera carregou, com o punho levantado.
Kaden reagiu rápido, levantando Reditha para bloquear.
Mas—
"Droga—"
BUM!!!
O golpe o lançou para trás. Ele caiu com força no chão, escorregando pela arena como um boneco de pano.
…
Enquanto isso, na mansão dos Warborn…
Daela estava diante de seu pai, expressão fria.
"O quê?" ela repetiu, com desconfiança na voz. Deve ter interpretado errado.
"Que masmorra você mandou o Kaden fazer a prova?"
Ela nem sabia que ele tentaria a prova naquele dia. E, agora que pensou melhor… ela nunca tinha ouvido falar de uma masmorra na wilderness ao norte.
Então, onde estava o Kaden?
A resposta do pai só piorou as coisas.
"Mandamos ele para uma masmorra recém-descoberta, uma que ainda não foi explorada. Mas foi confirmada como nível despertado," disse Garros casualmente.
Daela rangeu os dentes. "Pai, você sabe que masmorras são imprevisíveis. Devia ter checado antes."
"Era essa a ideia", respondeu Garros calmamente enquanto se reclinava na cadeira. Seus olhos vermelhos brilhavam como poças de sangue.
Logo atrás dele, apareceu uma ilusão da sua lendária espada, Aeron. Não a espada real — apenas uma projeção — mas a pressão que ela emitia era sufocante.
Daela começou a suar, mas seus olhos permaneceram fixos nos dele, sem demonstrar medo.
Garros sorriu de lado. "Essa é minha filha", disse orgulhoso, antes de fazer a pressão diminuir lentamente.
"E, como eu disse, tudo tinha um propósito: para ele enfrentar o desconhecido. Algo para o qual não estava preparado."
"Você sabe quem somos, Daela. Somos Warborn. Criamos guerreiros. Criamos a elite."
"E se ele morrer?" ela perguntou em tom baixo.
Garros ficou imóvel.
Depois, sem hesitar—
"Ele não vai morrer. É meu filho. Não pode ser morto numa masmorra de nível despertado."
"E se ele morrer?"
Ela repetiu, com a voz fria e o rosto sem expressão.
Garros cruzou o olhar com ela, firme e inflexível.
"Ele. Não. Vai. Morrer."
Ela permaneceu encarando por mais um instante. Depois, sem dizer mais nada, virou-se e saiu.
"Você conhece as regras", chamou Garros atrás dela. "Não interferir na prova de outro Warborn."
Daela não respondeu.
Sua silhueta desapareceu no corredor.
Um momento depois, Sarena entrou.
"Você realmente não podia apenas dizer que já tomou precauções?"
Garros sorriu de canto. "E perder a chance dela entrar derrubando tudo como um furacão? Você viu o fogo nos olhos dela? Ela estava pronta para atacar. É mesmo minha filha. Hahahaha!"
Ele deu uma palmada na perna e riu alto.
Sarena suspirou, cruzando os braços. "Você é tão criança, Garros."
"HAHAHAHAHA!"