O Mais Fraco da Academia Virou um Matador de Demônios Limitado

Capítulo 255

O Mais Fraco da Academia Virou um Matador de Demônios Limitado

Capítulo 255: Pesquisa Secreta (1)

“Devagar.”

“Aff!”


“Devagar.”


“Ih!”


“Devagar.”


“Aff!”


Manhã. Em um canto do Jardim das Borboletas.


Isaac continuava seu treinamento para acompanhar os movimentos de Gerald.


Gerald se movimentava com precisão, atingindo Isaac com uma esgrima de madeira toda vez que ele não conseguia acompanhar.


Embora a espada de madeira não fosse brandida com força total, ao deliberadamente parar de usar a magia [Proteção Básica], Isaac sentia uma dor pura e insuportável. Era uma instrução de Gerald para o treinamento.

Era um método de ensino que buscava criar uma obsessão por dominar rapidamente a técnica, infligindo dor física.

Era um método violento, mas eficaz.

Isaac focava na fluidez do mana que atravessava seu corpo, começando a sentir mais naturalmente seu fluxo.


Enquanto isso, no terraço do prédio acadêmico que dava vista ao canto do jardim das borboletas.


Dorothy estava sentada na grade, com seu familiar, o gato branco Ella, observando Isaac e Gerald.


Ela tinha voado até ali para ver Isaac, mas parou ao ver Gerald.


“Aquele ali, não é o Santo da Espada? O que ele está fazendo com Isaac?”


[Parece que estão treinando para algo.]


“Ugh, isso deve doer...”


Dorothy ficou horrorizada ao ver Isaac sendo atingido com uma espada de madeira.


Depois, ela passou a coçar seu queixo liso, analisando Isaac como quem o examina minuciosamente.


“Mas, Isaac, os movimentos dele são bem incomuns. Uma hora ele se move como um bêbado, na outra é rápido e afiado.”


[Parece que ele está tentando aprender algo novo.]


A sensibilidade dela ao mana era extensa, mas ela não conseguia detectar mana vindo de Isaac ou Gerald.


Somente quando ele agita a mão, faz meio passo ou vira o corpo.


"Seria para treinar a infusão de mana apenas nas partes necessárias do corpo para o movimento? Isso aumentaria sua mobilidade, mas..."


Dorothy graspou a ideia de imediato.


Nunca tinha pensado em tentar algo assim nem sentia necessidade, mas achava que nem mesmo tentado conseguiria fazer.


Essa técnica não era algo que se alcançava apenas com alta maestria em mana.

"Ele está fazendo algo difícil."


[Nós só atrapalharíamos. O que acha, Dorothy?]


"Hmm."


Dorothy ponderou por um momento.

Isaac está treinando duro. Provavelmente logo vai ficar com fome.


Então ela decidiu.

"Vamos trazer um lanchinho para ele secretamente?"


O raciocínio de Dorothy era bem simples, mas Ella não percebeu a simplicidade e tentou adivinhar sua verdadeira intenção.


[Você está tentando avisar que ele é seu namorado?]


Dorothy olhou firme para Ella.

"Que absurdo... Você realmente acha que é isso? Essa gata sempre faz as pessoas se sentirem assustadas, não é?"


[Hmph, é mesmo?]


Ella riu de forma sapeca.


***Alguém deixou secretamente uma cesta com sanduíches. Junto, uma nota dizendo: “Isaac! Aproveite sua refeição!”


Pela escrita ruim, ficou claro que Dorothy tinha deixado aquilo.


Gerald me lançou um olhar suspeito. Me arrepiei todo.

“Quem enviou isso?”

“Isto é...”

“Vou perguntar de novo. Qual ‘mulher’ enviou isso?”

A entrevista começou de forma natural.

Eu não sabia como responder. Era como descobrir que existiam outras mulheres quando alguém tenta confiar sua filha ao genro.

Como não pretendia enganá-lo nem hesitava, Gerald suspirou.

“Chega.”

“Hã?”

“Considerando seu status, não é estranho ter várias mulheres. Nunca pensei que você só acolhesse a Kaya.”

Surpreendentemente fácil, hein?

Ao contrário da impressão rígida, parecia aceitar a situação.

“É mesmo…?”

“Isso é uma reação estranha.”

“Fiquei preocupado que você ficaria chateada.”

“Só posso falar de Kaya com você. Não vou me meter além, mas me prometa uma coisa.”

Gerald me encarou com uma expressão fria.

“Não importa quantas esposas tenha, valorize Kaya para sempre.”

“…Claro.”

“Então, está combinado.”

Contrariando minhas expectativas, Gerald deixou passar sem problemas.

Comemos os sanduíches e conversamos um pouco sobre Kaya antes de retomar o treinamento.

Estava um pouco nervoso, pensando se Gerald iria brandir a espada de madeira mais forte, ficando emocional demais.

Mas isso não aconteceu.


***Ah, dói demais...


O céu se tingia de um suave brilho do pôr-do-sol.


Os hematomas por todo corpo, resultado de tantas pancadas com a espada de madeira.

Para dominar os movimentos de Gerald, tinha que aprender a canalizar e manter a mana adequadamente pelos músculos e articulações.

Gerald disse que só voltaria quando eu conseguisse dominar a técnica. Ou seja, aquele dia seria o último em que ele se preocuparia comigo.

Meu objetivo na época era dominar a técnica e aprender seus passos antes que Gerald fosse embora.

Terminei de ensinar White e estava correndo pelo campus. Apesar dos hematomas que dificultavam a corrida, não eram suficientes para atrapalhar meus movimentos.

Ariá só chegaria mais tarde à noite, então ainda teria o resto do dia para treinar.


Whoosh!


De repente, senti mana de vento vindo do céu. Parei.


Uma brisa leve, de cor verde claro, passou ao meu redor e acariciou minha pele.


Uma estudante feminina pousou suavemente e me abraçou por trás.


“Kaya?”


“…”


Era Kaya.


Antes de ela me abraçar, olhei nos olhos dela. Pupilas vermelhas sangrentas. Era sua persona de Devora, a Ravenous.


Aquela que sempre tentava me seduzir quando nos encontrávamos tinha ressuscitado depois de muito tempo, mas não falou nada. Com certeza, por causa da questão do Gerald.

Um calor de mana de vida envolvia todo meu corpo. Ele vinha de uma pequena árvore que brotava do círculo mágico acima da mão de Kaya, espalhando sua mana.


Ah.


A sensação de rigidez dos hematomas desapareceu. Minha pele voltou ao normal, e a magia da planta murchou após cumprir sua função.


“Obrigada.”

“...”

“…Diga algo.”

“Estou envergonhado demais para te encarar…”

Deixei escapar um suspiro.

Fomos até a praça da fonte e nos sentamos em um banco. A luz do pôr-do-sol tingia a água da fonte com seu brilho dourado.

Somente o som da água correndo e uma brisa suave podiam ser ouvidos. Decidi ficar em silêncio até Kaya falar.

Por fim, Kaya falou.

“Hum, Isaac.”

“Sim.”

“Desculpe pelo transtorno. Tentei de alguma forma fazer meu pai entender…”

“Não é nada demais. Está tudo bem.”

“Não, não está. É besteira! As marcas no seu corpo antes eram por causa do meu pai, não eram?”

“Isso é verdade, mas eu fui fazer isso de livre vontade.”

“O quê?”

“Ele se ofereceu para me ensinar a mover rápido sem forçar meu corpo. Levar pancadas fazia parte do treinamento.”

“Ah, aquele método…”

Kaya deve conhecer o passo de Gerald. Afinal, era dele. Mas provavelmente ela mesma não tinha aprendido.

Ao entender a situação, Kaya sorriu envergonhada, parecendo aliviada.

“Ainda não está perfeito, mas acho que vai dar jeito de alguma forma.”

“Fiquei preocupado que você ficou machucada por minha causa... Meu pai tende a exagerar, independentemente com quem está lidando.”

Ela está criticando o sogro?

Ele realmente tinha essa tendência.

Mas não ia falar isso em voz alta.

“Até ontem, meu pai me proibiu de te encontrar. Então, eu não sabia de nada…”

“Você acha que eu aceitaria levar uma surra de boa vontade...? Aliás, vai continuar segurando minha mão?”

Kaya vinha segurando minha mão, mexendo nos meus dedos, e os acariciando.

Como se estivesse brincando com um brinquedo.

“Não posso evitar, é porque estou carente.”

Não é meio descarado admitir isso?

...Não fazia diferença. Era óbvio que ela estava mentindo de qualquer jeito.

“Tudo bem, continue tocando.”

“Sério?”


“Não… Quer dizer, moderadamente.”


“Ah, não.”

Kaya parecia desapontada. Se ela perdesse o limite, quem sabe o que poderia tentar.

Kaya ainda tinha o cabelo solto, com metade preso para trás, e os brincos dourados brilhando entre os fios.

“Você mudou bastante o visual.”

“Ah, é? Que tal?”

Kaya sorriu satisfeita por eu ter notado a mudança.

De perto, ela parecia diferente. Sempre usava o cabelo em coques, então dava para perceber ainda mais. Eu diria que parecia mais inocente do que o habitual.

Claro, eu não era o único mudando.

Todo mundo estava crescendo aos poucos, e esses traços se refletiam naturalmente na aparência.

“Você está mais madura…? Não parece mais tão jovem.”

“Quer dizer que pareço mais velha…?”

“Digo de uma forma boa. Agora parece uma estudante do segundo ano sênior. Combina com você.”

Ao ver a expressão surpresa de Kaya, corri para tentar aliviar a situação.

Talvez fosse melhor mudar de assunto.

“E não se preocupe tanto. Não que eu não entenda os sentimentos do seu pai. Graças a ele, recebi muitas ajuda. É até uma sorte podermos nos encontrar assim.”

“…Você é mesmo gentil, Isaac.”

Kaya se apoiou naturalmente no meu ombro, abraçando meu braço com força.

“…O que você está fazendo?”

“Mostrando afeto.”

Foi tão de repente.

Tão sem contexto e direto, que eu nem soube como responder.

Kaya apoiou o queixo no meu ombro, olhando para mim com um sorriso maroto.

“Aliás, Isaac, ouvi dizer que você chamou meu pai de ‘Sogro’.”

Kaya virou a cabeça de brincadeira.

Ela me testava.

“Você gosta tanto de mim assim?”

“Acabou que foi assim. Você está brincando comigo?”

Kaya olhou nos meus olhos com carinho.

Após uma breve pausa, Kaya falou com sinceridade.

“Gosto de você. Senti sua falta.”

“…Entendi.”

Como sempre, Kaya expressava seus sentimentos sem hesitação.


***Tarde da noite.

Um coche, acompanhado pelos Cavaleiros de Gelo, passou pelo posto de guarda e chegou à Torre de Magia de Hegel.

Protegida pelos Cavaleiros de Gelo, uma mulher pequena saiu do carruagem. Ela usava telecinesia para levantar facilmente uma mala do tamanho dela mesma.

Seu cabelo castanho-avermelhado estava preso de lado. Era Aria Lillias, mestre da Torre de Magia de Hegel.

As forças Düpfendorf que escoltavam o carruagem cumprimentaram com respeito ao menino de cabelos azul prateado, junto à árvore.

A própria Aria também olhou para ele com olhar calmo.

“Seja bem-vindo, Professora.”

“Não pensei que vindo pessoalmente me receberia. Para que veio me procurar?”

O menino, Isaac, com cabelos azul prateado, se aproximou de Aria.

O grande contraste de altura fez Aria precisar inclinar a cabeça para trás até doer o pescoço para olhar para Isaac.

“…Ah.”

Ao perceber seu erro, Isaac ajoelhou-se para ficar ao nível de Aria.

Aria franziu a testa.

“Não há necessidade de ajustar a altura do olhar.”

“Perdão?”

Aria se estressou. Sua baixa estatura era um complexo para ela.

O cuidado de Isaac, sem querer, fez Aria se sentir humilhada.

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