O Mais Fraco da Academia Virou um Matador de Demônios Limitado

Capítulo 196

O Mais Fraco da Academia Virou um Matador de Demônios Limitado

Capítulo 196: O Grande Festival — Interlúdio (3)

“Bem, eu já tinha a intenção de te perguntar desde o começo.”

O Professor Fernando voltou o olhar para os documentos sobre a mesa e falou com indiferença.

“Deixe-me esclarecer que ajudar estudantes apaixonados não é apenas uma obrigação de professor, mas uma responsabilidade. Pelo menos, é assim que eu penso. Felizmente, a situação foi resolvida rapidamente.”

Eu bem conhecia os valores do Professor Fernando. Sua demissão anterior foi uma espécie de teste, mas agora, suas palavras eram sinceras.

“Como qualquer professor, ela também prefere discípulos com talento excepcional em magia. Pode ser que eu tenha faltado talento e só tenha virado discípulo porque ela me favoreceu, mas tenho certeza que ela vai gostar muito de você.”

Considerando o que aconteceu há pouco, era duvidoso que o Professor Fernando realmente tivesse se tornado discípulo dela por ela simplesmente ter o favorecido.

Mas isso não vinha ao caso.

“De qualquer forma, você sabe qual será o conteúdo da prova?”

“Ela provavelmente tentará avaliar seu nível. Ouvi dizer que sempre foi assim em todas as provas que ela aplicou; foi o mesmo comigo. Esteja preparado para ser levado ao limite.”

“Você não pode me dar uma dica?”

“Meu conselho provavelmente não ajudará muito. Cabe a ela. Precisei memorizar dezenas de livros em três dias. Ouvi dizer que outro discípulo teve que decifrar um círculo mágico com mais de cem traços em três dias.”

“Houveram muitos que falharam na prova?”

“A maioria. Todos eram medianos. Eu posso até ser considerado mediano também, mas tive sorte.”

No ❰Mago Cavaleiro de Märchen❱, não existia caminho para o jogador se tornar discípulo de Aria Lilias.

Luce, que não tinha limitações pelo conhecimento do jogo, me deu a solução de “tornar-se discípulo de Aria”. Eu não teria pensado nisso sozinho.

Não fazia ideia que tipo de prova enfrentaria, mas, pelos exemplos dados pelo Professor Fernando, estava claro que seria bastante difícil.

Três dias…

Talvez o único ponto em comum fosse o fato de que tinham uma duração de três dias.

“…Obrigado por me dar essa oportunidade, Professor. Estamos indo.”

Agradeci educadamente e então saí do escritório do Professor com Luce.

“Isaac.”

“Sim?”

“Gostaria de aproveitar para dizer que seu talento floresceu esplendidamente. Você é um discípulo do qual posso me orgulhar.”

“…”

Primeira vez que recebo palavras tão calorosas dele.

Sentindo-me satisfeito, sorri radiante para o Professor Fernando.

“Com suas habilidades, você poderia contribuir para o avanço da tecnologia mágica. Se tiver esse objetivo, espero que na próxima vez possa dedicar um tempo para mim —”

“Eu te vejo em uma semana.”

Peguei o pulso de Luce e rapidamente saímos.

Vocês realmente achavam que eu não perceberia a tentativa descarada de me recrutar como assistente de ensino?

A ideia de me tornar estudante de pós-graduação nem passou pela minha cabeça, nem um pouco.

“Isaac.”

Enquanto caminhava pelos corredores do Orphin Hall, parei e me virei para Luce quando ela falou.

Com seu rosto imperturbável, Luce apenas estendeu os dedos formando o sinal de V e colocou ao lado do rosto.

“Tcharam.”

Ela queria crédito pelo sucesso dos nossos planos.

“Obrigado. Você é a melhor.”

Dei um grande sinal de positivo para ela, e Luce sorriu de orelha a orelha.

Atendi aos requisitos para aprender os feitiços de gelo de 7 estrelas [Icebolt] e [Perennial Snow].

A condição de estar “nível 120 ou superior” foi atingida após eu derrotar Elmetona, o Etéreo.

No entanto, isso não significava que eu pudesse usar esses feitiços imediatamente. Essas condições eram apenas os pré-requisitos.

Feitiços como [Ice Wall] e [Frost Explosion], que requerem apenas domínio avançado de mana e cálculos simples, podiam ser usados logo após o cumprimento dos requisitos de aprendizado.

A dificuldade subia significativamente a partir das magias de 6 estrelas.

Parecia que estivesse pulando direto de um mestrado para um doutorado, que exige cálculos altamente complexos.

A única razão de eu ter conseguido aprender magia de 6 estrelas por conta própria e com ajuda ocasional de outros foi por ter maximizando meu potencial. Contudo, a dificuldade da magia de 7 estrelas era outro nível.

Se ao menos fosse como um jogo onde eu pudesse apenas digitar comandos para executar uma habilidade… mas isso eu já tinha desistido de reclamar no ano passado. Agora, era estudar bastante.

Se ao menos o Mestre da Torre de Hegel pudesse me ajudar a aprender magia de 7 estrelas, tudo estaria perfeito.

Primeiro o teste? Eu conseguiria passar de algum jeito. Enxugar os dentes e alcançar meus objetivos sempre foi minha especialidade, afinal.

Portanto, só podia esperar que as habilidades de ensino do Mestre da Torre fossem comparáveis às de um instrutor de primeira classe.

Espero dominá-la antes de ter que enfrentar a Alice.

O evento final do Semestre 2 do Ano 2, 「Subjugação da Alice」. A maioria dos inimigos eram humanos. Era impossível Dorothy lidar com tantos ao mesmo tempo, então era inevitável dividir as funções.

Não se podia prever quais variáveis poderiam surgir.

Pelo menos, eu precisava estar preparado para uma chance de lutar contra os Paladinos. Para isso, magias de alto nível, como magia de 7 estrelas, seriam necessárias.

Além disso…

Também preciso me preparar para o Abismo.

O chefe do meu terceiro ano. O demônio que transcende até a providência, o Abismo. Seus laços já estavam se soltando.

Como mencionado antes, a aparição do Abismo acionaria o fim ruim de 「Eternidade」.

Aqueles devorados pelo Abismo ganhavam a vida eterna dentro de seu corpo e deveriam viver na solidão de uma prisão infinita.

Eventualmente, aqueles que perdiam a autoconsciência tinham suas almas arrancadas, e o Abismo jogaria para sempre com elas como brinquedos.

A alma sentiria dores agudas durante toda a eternidade, com uma consciência vívida. Isso se tornaria irreversível. Nesse ponto.

Por isso, 「Eternidade」. Um destino pior que a morte.

Para derrotar o Abismo, precisamos liberar um poder que transcenda a providência.

Algo como Ian Fairytale adquirindo a arma definitiva do elemento luz, a Espada Luminosa, no Semestre 2 do Ano 2.

Mas, e se o Abismo surgisse antes de Ian obter a Espada Luminosa?

…Tenho que fazer algo.

Quem estava soltando as rédeas do Abismo era o chefe final do Semestre 1 do Ano 3, Mephisto, o Contratante. Ou, mais precisamente, seu poder.

Se Mephisto estivesse ciente da existência do Herói Sem Nome e começasse a liberar o Abismo cedo…

Eu precisava estar equipado com a força suficiente para derrotar o Abismo o mais rápido possível.

“No que você está pensando, Isaac?”

“Só… no tipo de teste que pode ser.”

Me recompus rapidamente e sorri em resposta à voz preocupada de Luce. Preciso realmente prestar mais atenção às minhas expressões. Embora talvez já seja tarde demais.

Com seus olhos afiados, Luce já havia percebido meu estado emocional. O fato de ela se aproximar silenciosamente de mim dizia tudo.

“Fico feliz por poder participar.”

Vou proteger Isaac.

Luce sussurrou como para me tranquilizar.


* * *

“Você está bem, Priestess?”

“Acho que já te falei para não entrar sem permissão.”

“Mas você não come há três dias.”

“Eu sei disso. Não me importo, então simplesmente vá embora.”

“…Entendido.”

No quarto particular do Hospital da Academia, Mei rangeu os dentes enquanto se sentava na cama e olhava para a janela. A maga acompanhante saiu do quarto com aparência preocupada.

O silêncio solitário voltou a reinar. Mei olhou para seu corpo.

Estava envolta em bandagens apertadas. Ainda sentia dores intensas.

Mei cerrava os dentes e apertava o cobertor com força. Não conseguia entender por que tudo tinha acontecido assim.

A Raposa de Nove Caudas tinha partido. No momento em que a besta mágica revelasse a verdade ou encontrasse Miyo, tudo estaria acabado.

Se as forças que a acompanhavam fossem para o País Oriental, também logo descobririam a verdade.

A situação era crítica. As coisas poderiam melhorar se Miyo perdoasse ela, mas isso era duvidoso.

Era praticamente certo que o País Oriental se voltaria contra ela. Sua única opção seria fugir.

Sim, para evitar o pior futuro possível, ela teria que escapar para um país estrangeiro e viver escondida. Quanto antes, melhor.

“Droga…”

Uma pequena chama surgiu e pisqueou na palma de sua mão.

Quando lutou contra Isaac, seus poderes foram drenados por um demônio. Levaria mais de uma semana para sua condição melhorar.

No final, ela tinha que se virar com seu corpo enfraquecido por enquanto.

Durante o semestre, a academia permaneceu isolada do mundo exterior. Restavam apenas duas rotas para sair da ilha: a ponte terrestre e o porto.

Para passar pela ponte, ela precisaria romper a segurança rigorosa. A menos que abandonasse a graduação ou recebesse uma ordem real, seria difícil atravessar.

E, como precisasse cumprir castigo após o tratamento, sua solicitação de saída da academia seria retida até que recebesse sua punição justa, de acordo com os regulamentos da instituição.

Sua única saída seria o porto. O porto era aberto apenas durante as férias. Entrar clandestinamente em um cargueiro e se esconder lá seria sua única alternativa, mas teria que driblar a rede de detecção espalhada pela embarcação.

Ou seja, todas as rotas de fuga estavam bloqueadas.

Assim, ela só podia esperar, fazendo tempo… até que o País Oriental descobrisse a verdade e solicitasse ao Reino de Zelver sua entrega.

“Cansei disso…”

Enquanto Mei pensava em maneiras de fugir, sua mão tremia de frustração.

Uma sensação profunda de desespero a invadia.

“Estou cansada demais…”

Fora da porta do quarto do hospital, a maga acompanhante baixou a cabeça e ouviu silenciosamente enquanto Mei soluçava.


***

No meio da noite.

Um homem de meia-idade cambaleava ao chegar em casa, embriagado. Era uma pequena vila às periferias do Reino de Zelver.

Havia moradias de baixa altura ao seu redor.

Era noite muito escura naquela cidade pequena. Como a maioria das casas não tinha luz, o homem só podia contar com a luz da lua enquanto caminhava. No entanto, por estar bêbado, a escuridão não lhe incomodava tanto.

Ele tossiu continuamente, assobiando uma melodia sozinho. Enquanto caminhava, percebeu uma mulher com capuz preto cambaleando na direção oposta. Pensou se ela também estava bêbada.

Mesmo na escuridão, o capuz tremulante e a silhueta dela curvilínea chamaram a atenção dele.

O estado de embriaguez dificultava o autocontrole. Submetendo-se ao desejo crescente, ele falou com ela.

“Ei, moça… Seu corpo é realmente bonito, hic.”

A mulher de capuz preto parou de andar. Seu rosto estava escondido sob o capuz.

“Será que na nossa vila tinha uma mulher tão bonita…?”

Ela virou para olhar para o homem.

“Uh, uh…?”

Assim que o homem viu o rosto da mulher sob o capuz, seus olhos se arregalaram de choque e ele ficou paralisado.

“Aaaah!!”

Os efeitos do álcool dissiparam-se. Ele gritou e cambaleou para trás antes de fugir apavorado.

Ela não se preocupou em persegui-lo.

A luz da lua iluminou o rosto da mulher. Carne roída, pálpebras rasgadas, olhos brancos e pele pálida. Ela parecia um cadáver.

Ela voltou a cambalear pela vila, seu capuz preto tremulando com magia negra.

Deixou a vila, subiu a montanha e entrou numa igreja abandonada. Estava em ruínas e sem teto.

Dentro dela, cadáveres vestidos como ela estavam alinhados ordenadamente diante do altar, como se fossem fiéis devotos.

No antigo altar, um caixão exalava mana negra.

[Gwaaaah…!]

[Gueeeek!!]

Uma aura gelada emanava dos cadáveres dentro da igreja, convergindo em direção ao caixão.

Estalejo.

O caixão, concentrado de energia, abriu, liberando mana pesada.

Algo surgiu. Um esqueleto de aproximadamente dois metros de altura, vestido com uma capa negra elegante. Flutuou de forma anormal para fora do caixão, then suavemente voou ao chão, dispersando mana negra.

De suas órbitas vazias, uma mana assustadora brilhava como olhos. Na mão direita, mana negra se condensava formando um cajado.

Um grande bastão mágico embutido com uma pedra de mana roxa. Era sua arma mágica.

[Levante-se.]

Uma voz estranha e profunda.

Kooooo

O chão roncou. Uma entidade que não deveria ter acordado ganhou vida, espalhando mana vil por toda parte.

Incontáveis clamores humanos ecoaram enquanto algo enterrado sob a terra rachava o solo, lançando-se em direção ao céu noturno.

Era um dragão negro feito de cadáveres humanos escurecidos.

Era o Dragão do Mal Orchis, que havia sido derrotado pela Grande Bruxa da Ira do Céu e pela Thunderbird Galia.

[Louvem-no.]

Os cadáveres inclinaram suas cabeças em uníssono para saudar seu mestre.

O Senhor da Morte. O demônio, Calgart, o Necromante.

Ele… abandonou / a gênese.

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