O Mais Fraco da Academia Virou um Matador de Demônios Limitado

Capítulo 20

O Mais Fraco da Academia Virou um Matador de Demônios Limitado


Acampamento (2)


Eu consegui entendê-la.


Desde criança, Kaya cresceu como uma soldado sob a proteção do Santo Espadachim Gerald, vivendo uma vida em que construiu uma muralha ao seu redor e dos homens.


Para ela, estar numa situação onde precisasse dormir no mesmo lugar que um homem devia ter sido um duro golpe psicológico.

Além disso, eu não era feio. Quando via meu rosto no espelho, Isaac parecia bastante atraente. Ela até me admirava.


As condições estavam perfeitas para algo estranho acontecer.


Eu olhei novamente para Kaya. Ela ainda estava nervosa.


Ela devia estar com medo de que eu a tocasse. De um jeito bom, um jeito ruim, ou ambos.


Isso não significava que eu pudesse dormir do lado de fora; só tinha uma tenda.


Mesmo que eu fizesse um iglu com magia de gelo, não adiantaria, pois não conseguiria controlar minha mana enquanto dormisse e o feitiço se desfaria.


“………….”


“………….”


Na noite silenciosa, podia-se ouvir o crepitar da fogueira e o fluxo suave de um riacho.


Se eu permanecesse em silêncio ouvindo esse ASMR natural, a atmosfera estranha só iria ficar pior.


Justamente então, minha sonolência começou a dar sinais e eu já começava a ficar com sono.


Talvez, nessa situação, fosse uma boa forma de tranquilizá-la se eu fosse até o canto da tenda e caísse no sono primeiro.


“Estou com sono. Vamos dormir.”


“Ah, sim, sim!”


Kaya Astrean, a soldado.


Ela me lembrou quando entrei na marinha pela primeira vez e fui designado para minha própria unidade. Eu era um soldado raso.


Levantei-me da cadeira de camping, com uma manta jogada sobre os ombros. Depois, fui para dentro da tenda primeiro, ignorando Kaya, que me encarava fixamente.


Havia espaço suficiente para nós dois. Fui até o canto mais distante e me deitei ali, para que Kaya pudesse dormir confortavelmente.


‘Ah.’


Essa sensação de aconchego, o que é? É bom.


Não parece que estou apenas vindo acampar… É uma verdadeira experiência de camping.


“Com licença...”


Depois de algum tempo, Kaya entrou com cuidado.


Cada movimento dela carregava tensão. Seu cobertor estava jogado sobre os ombros e ela o apertava firme ao redor do corpo.


Eu não respondi intencionalmente. Apenas entrei um pouco de relance, fechei os olhos e fingi estar dormindo.


Kaya foi até o canto oposto ao meu e se deitou. Ouvi o som do edredom e do cobertor esfregando um no outro.


De repente, ficou quieto.


Será que ela vai conseguir dormir bem?


Eu lentamente abri os olhos e olhei na direção dela.


‘Oh, meu.’


Tremor


Não sei por quê, mas o corpo de Kaya estava tremendo violentamente, como um sino. Ela encarava o teto vazio da tenda, com o cobertor puxado até os lábios.


Ela estava grudada com força no canto oposto, fazendo o centro da tenda parecer muito vazio.

[Kaya Astrean] Psicologia: [Nervosa ao pensar em dormir ao seu lado, como se seu coração fosse explodir.]


Eu não vou tocar nela, então não se preocupe…


‘Bem, ela vai dormir eventualmente.’


Pensando nisso, fechei os olhos novamente.


Todo o meu corpo estava exausto. Parecia que a fadiga tinha se acumulado.


Depois de um dia inteiro de aulas, peguei uma carruagem até a Caverna Tantak e matei Garzia, o Ermitão…


“Senhor Isaac.”


De repente, Kaya me chamou.


“Você disse que detectou a Mana do demônio na caverna subterrânea lá na academia. Por acaso, sabia que eu estava te seguindo… ou, mesmo quando eu estava por perto…?”


Claro que não sabia.


Ao refletir sobre o que ela tinha acabado de dizer, parecia que essa não era a primeira vez que Kaya tinha me seguido.


De qualquer modo, Kaya me seguir por qualquer motivo não era uma situação que eu quisesse lidar.

Pois havia um grande risco de meu segredo ser descoberto se ela descobrisse minha rotina diária, onde treinava constantemente.


Se isso acontecesse, não sabia as consequências que se seguiriam. Variáveis imprevistas eram um fator assustador em uma posição em que precisava ser o mais cauteloso possível.


“…Não faça isso de novo. É chato,” eu disse calmamente, segurando minha mente sonolenta.


“Ah, entendo…!”

A resposta de Kaya tremeu como um terremoto.


Já bastava assim.


Soltando a tensão da minha mente, mergulhei em um sonho.


———————❖———————


Havia se passado cerca de três horas. Acordei de um sonho no qual adormeci durante um treinamento militar em clima frio. Eu também estava cochilando lá.


Levantei a parte superior do corpo. Estava frio demais de manhã para dormir apenas com uma manta.


Embora eu não sentisse muito frio por causa da minha magia, não era diferente de uma pessoa normal em relação ao frio causado pelo ambiente externo.


“Ugh, que frio,” resmunguei, girando para olhar para Kaya.


Ela jazia de costas para mim, coberta por uma manta.


Depois de colocar a manta sobre ela, peguei uma troca de roupas na minha bolsa de magia. Ia dormir com essas roupas.


Não tinha jeito. Era melhor eu suportar o frio do que ela, que tinha me seguido com uma mente infantil.


“Ah.”


A Sheath of Disaster, que estava nas minhas roupas extras, tocou minha mão. Tirei também esse item.


Cada vez que a via, me enchia de orgulho.

Quando era jovem, lembrava de ter ganhado uma das cartas do Deus Egípcio, Obelisco, o Constritor, em um pacote de Yu-Gi-Oh! e ficar olhando para ela o dia todo, feliz. Sentia emoções semelhantes às de então.


Ao tocar delicadamente na Sheath of Disaster, um sorriso surgiu naturalmente nos meus lábios.

“Linda.”


Hehe. Espero usá-la bem no futuro.


Recoloquei a Sheath of Disaster na bolsa de magia.


‘Preciso dormir de novo.’


Cobri meu corpo com as roupas extras que peguei e me deitei. Como esperado, fazia frio.


Encolhi-me, dobrei os braços e tentei reter o máximo de calor corporal possível.


Por sorte, consegui dormir facilmente.


———————❖———————


A primeira chamada matinal.


Beep beep beep beep beep beep!


Na minha fantasia, acordei com um som de alarme que nunca queria ouvir de novo. Foi breve, mas que inferno.


Surpreendentemente, senti-me revigorado e bem-descansado. Talvez por ter dormido tanto.


Eu tinha estado tão ocupado com aulas, treinamentos e estudos que precisei sacrificar sono, e a fadiga virou uma habilidade passiva pra mim.


Essa sensação de frescor parecia meio estranha.


Ao bocejar e levantar a parte superior do corpo, o cobertor que cobria meu corpo escorregou para baixo.


“…?”


Não havia sinal de ninguém ao meu lado. Quando torci a cabeça, não consegui ver Kaya ali. Ela pareceu ter me coberto com uma manta e depois saído.


Abri a porta da tenda. Uma brisa fresca matinal dissipou qualquer sonolência restante, e logo veio o som do crepitar de uma fogueira.


Olhei pela porta da tenda. A manhã iluminava a garganta. Podia ver as costas de Kaya, sentada numa cadeira dobrável em frente à fogueira.


Ela usava o casaco que lhe dei ontem, com uma manta pendurada sobre os ombros.


Madeira queimada à sua frente, provavelmente recém cortada naquela manhã.


Coloquei meus sapatos e saí da tenda. Então.


“Huh!”


Kaya, que por algum motivo ficou surpresa, virou rapidamente o rosto na minha direção.


Por que ela ficou tão surpresa?


“Ah, Sir Isaac. Você está acordado…?”


Kaya sorriu de forma constrangedora, com círculos escuros sob os olhos. Sua pele era branca e clara, o que tornava isso ainda mais evidente.


Parece que ela não dormiu direito.


[Kaya Astrean] Psicologia: [Ela fica aliviada por você não a tocar, mas duvida do seu próprio charme como mulher.]


O que devo fazer?


———————❖———————


Depois de cerca de 30 minutos de caminhada, apareceu uma parada de carruagem.


Kaya e eu embarcamos na carruagem e partimos. Talvez por um aluno e uma aluna terem surgido do nada, o cocheiro nos olhou com suspeita.


A carruagem seguiu em direção à academia.


Logo depois, Kaya começou a cochilar, apoiando a cabeça na janela da carruagem, caindo no sono.


Seu casaco deslizou, expondo seus ombros pequenos. Levantei seu casaco e o envolvi ao redor dos ombros dela.


Ela balançou a cabeça com o movimento da carruagem, fazendo sua cabeça repousar sobre meu ombro. Ela estava completamente relaxada.


Pensando bem, não sabia o que teria acontecido se Kaya não tivesse estado ali. Originalmente, em ❰Cavaleiro Mágico de Märchen❱, não se permitia ir até lá e derrotar Garzia antes dele acumular todo o seu poder. Além disso, não se podia entrar na Caverna de Tantak até o final do Ato 2, Capítulo 4.


Eu havia saído completamente da fórmula e explorado partes do jogo que antes eram desconhecidas. Como resultado, não pude me preparar perfeitamente.


Porém, graças a Kaya, consegui perfurar com sucesso o [Corpo de Ferro Indestrutível] de Garzia.


Além disso, não tive problemas em coletar Zephrim. A lenha também era facilmente encontrada, evitando esforço físico exaustivo.


‘Obrigado.’


Você ajudou bastante. Um dia eu retribuirei.


Apoiei minha cabeça na janela oposta e observei o cenário lá fora. O sol da manhã iluminava as árvores verdes e crescidas.


A névoa matinal que cobria a floresta também estava dissipando.


E o céu estava tingido no mais puro azul.


———————❖———————


Cerca de quatro horas depois, a carruagem chegou à academia.


Uma visão de edifícios familiares surgiu diante de mim. Cheguei a ter a ilusão de que tinha voltado para casa.


Kaya ainda dormia profundamente. Parecia exausta.


“Kaya, chegamos.”


Mexi no ombro de Kaya, tentando acordá-la. Assim que disse aquilo, ela abriu os olhos e se sentou ereta.


“Acorda!…… Ah.”


Foi uma reação instintiva, claramente. Ela viveu sua vida fingindo ser gentil e humilde, mas seu corpo inteiro era impregnado de disciplina militar.


“A-chegamos?”


Sim, chegamos.


Kaya saiu da carruagem primeiro, virou a cabeça de mim, e colocou a mão na boca. Parecia estar secretamente bocejando.


Eu a segui, entreguei o pagamento ao cocheiro. Ele fez uma leve reverência e foi embora.


‘Ela parece muito cansada.’


Seria melhor enviá-la para casa o quanto antes.


Mas havia algo importante que precisava dizer. Não tinha certeza se era necessário, mas não queria deixar passar.

“Kaya.”


“Sim, Sir Isaac!”


Kaya parou de se mover de forma tensa, virou a cabeça na minha direção.


Era uma situação de tensão.


De qualquer modo, seria melhor manter segredo sobre a derrota de Garzia.


Se Alice Carroll, a presidente do conselho estudantil, descobrisse, minha vida acabaria.


Por sorte, ela não sabia da existência de Garzia, muito menos de algo como a Sheath of Disaster.


Alice era apenas uma figura sombria tentando ajudar o Deus Mal Nephid a se manifestar.


O Deus Mal Nephid não estava do lado dela.


“Mantenha o incidente de ontem em segredo. Seria problemático se outros soubessem, então não conte a ninguém.”


“Ah, sim…”


A voz de Kaya entrou como o zunido de uma formiga. Não era um pouco fofo?


Seu rosto ficou vermelho de novo.

[Kaya Astrean] Psicologia: [Embriagada e lisonjeada por ter um segredo entre vocês.]


O que ela está enganada de novo…


“Refiro-me ao demônio.”


“Ah, o demônio, claro, eu estava pensando no demônio… Prometerei manter segredo. Tenho certeza que Sir Isaac tem um motivo profundo. Além disso…”


Kaya levantou a cabeça, encarando-me com uma expressão séria.


“A razão pela qual os demônios aparecem na academia, a razão pela qual Sir Isaac os busca e derrota… Existe algo nesta academia que eu não sei?”


“…”


“…Você não precisa responder. Sir Isaac é uma pessoa incrível, então deve haver um bom motivo para não me contar.”


A atmosfera ficou pesada. Talvez fosse uma boa ideia usar o restante da conversa para conquistar Kaya para o meu lado.


O Deus Mal Nephid, o chefe final, era a raiz de todo mal. Se eu conseguisse encontrar um aliado para compartilhar informações sobre esse cara, certamente seria uma boa ajuda psicológica, especialmente se esse aliado fosse Kaya.


Mas eu não queria colocar tais correntes sobre Kaya.


A ameaça de uma entidade poderosa que poderia destruir o mundo facilmente. O que seria isso, senão uma sentença de morte? Provavelmente pesaria bastante na mente de Kaya.


De qualquer forma, continuaria derrotando demônios até chegar no Deus Mal Nephid. Já tinha um plano e, se tudo corresse bem, Kaya provavelmente seguiria minhas ordens. Não fazia muita diferença.


Portanto, o melhor seria não responder a isso.


“…Obrigado, Sir Isaac. Vou entrar agora.”


Kaya interpretou meu silêncio como resposta e se curvou levemente numa despedida.


Ela tirou o cardigã do uniforme escolar, devolveu-me, virou-se e se afastou caminhando.


Enquanto a via partir, mergulhei em pensamentos profundos.


———————❖———————


A Academia Märchen se espalhava por toda uma ilha. Assim, sob a liderança da academia, uma pequena economia se desenvolveu nela, e o dinheiro circulava.


Era como esperar encontrar em uma cidade: vários tipos de lojas, mercados, comércio e tudo mais.


No entanto, de acordo com as regras da academia, os estudantes não podiam vender itens trazidos de fora. Só podiam vender itens obtidos legalmente no próprio campus.


Ao ingressar na academia, todos os estudantes concordavam com o ‘Pacto Marx’. Era um voto absoluto, governado por uma província criada pelo ‘Arquividente Marx’, válido apenas dentro de Märchen. Não cumprir resultava em ‘expulsão forçada’, sendo uma das condições de suspensão a venda de bens trazidos de fora.


Também era proibido criar valor agregado por consignação ou subcontratação. A sensação de determinação da Märchen era clara: “Este é nosso território, vamos monopolizar”.


Zephrim era uma pedra de mana obtida dentro da academia, sem dono conhecido. Eu me senti aliviado por não estar violando nenhuma regra.


Além disso, o Pacto Marx abrangia mais que comércio. Por exemplo, era estritamente proibido trazer itens consumíveis com magia de fontes externas, incluindo pergaminhos mágicos e poções.


Depois de me despedir de Kaya, fui ao centro de avaliação. Atrás de uma estante de vidro com itens variados, um senhor idoso me recebeu.


“Uau, que jovem impressionante você é…?”


Em ❰Cavaleiro Mágico de Märchen❱, havia várias lojas de avaliação e, entre elas, a de Harrison era a mais generosa. O único problema é que ela não era acessível no início do jogo.


No entanto, como eu já tinha conhecimento da Loja Secreta, que só ficava disponível depois, tinha certeza que também poderia entrar ali. Afinal, não estou preso ao roteiro do jogo.


Mal podia esperar para ver quanto receberia por vender Zephrim aqui. Estava ansioso por isso.


Aliás, havia uma regra não escrita na loja de avaliação: eles não indagavam sobre nada, a menos que fosse ilegal, independentemente de quem trouxesse.


Harrison, por sua parte, era um veterano de mente aberta, então não se incomodaria se eu trouxesse uma quantidade grande de Zephrim, provavelmente me considerando um jovem sortudo.


Fiz uma reverência educada e retirei duas bolsas de magia.


Embora a bolsa de magia pudesse reduzir peso, não zerava seu peso. Portanto, a bolsa contendo Zephrim ainda era pesada.


Porém, meu corpo agora era treinado em um PT infernal. Carregar uma bolsa dessas não era fácil… mas não me mataria.


Abri a bolsa de magia, retirei a pedra mágica amarelo claro, Zephrim, e a coloquei sobre a bancada de vidro.


O olhar de Harrison mudou de mim para os Zephrims.


“Estou aqui para uma avaliação.”


“Ah, isso é…”


Harrison pegou um dos Zephrims e começou a examiná-lo com uma lente de aumento.


“Vamos ver, isso é…”


Harrison começou a mover o Zephrim de um lado para o outro.

Recordei de Ian Fairytale ficando frustrado com seus movimentos lentos em ❰Cavaleiro Mágico de Märchen❱, mas, considerando a idade dele, decidi ser paciente.


“Hmm, ho-oh-oh…”


Seus movimentos eram muito lentos, mas valia a pena esperar.

“Mmmm… É isso… não, mmmm…”

De algum modo, seus movimentos eram realmente lentos, como de um preguiça, mas ainda assim toleráveis.


“Gee… heheheh…”


…10 minutos passaram assim.


Mas justo antes da minha paciência explodir.

“Quando vai me dizer…”


“”


“3000 gotas.”

“O quê?”


“2000 gotas por cada um desses é suficiente… Pode levar.”


Minha frustração desapareceu como a neve derretendo.


Levei um total de 56 Zephrims. Fiz umas contas rápidas.


Ou seja…


‘168.000 gotas…!!’


Naquele momento, minha mente parou.


Só havia um pensamento claro e brilhante em minha cabeça.

O jantar de hoje seria carne bovina.


———————❖———————


“Senhorita, onde diabos você esteve a noite toda…?”


No Charles Hall, o dormitório mais alto da Academia Märchen.


Quando Kaya viu Mary, a criada que a esperava a noite toda preocupada, ela respondeu com uma expressão séria.


“Estive protegendo a paz da academia.”


“……?”

Mary ficou perplexa, sem entender o significado das palavras de Kaya.


Depois de tranquilizar Mary com uma conversa e dizer que queria descansar sozinha, ela entrou no seu quarto — um cômodo luxuoso e espaçoso, impossível de comparar com a pequena tenda em que dormira na noite anterior.


Mas sua consciência ainda estava presa àquela pequena tenda.

“Demônios…….”


Ela refletiu sobre os acontecimentos do dia anterior.


Claramente, Isaac tinha consciência de que demônios apareciam na Märchen e que ele se matriculou lá para enfrentá-los.


Para manter a paz na academia, ele devia estar matando demônios. E ela tinha que manter sua identidade em segredo para não interferir em suas ações.


Embora Kaya não conhecesse o significado mais profundo das ações de Isaac, tinha certeza de que segui-lo era a melhor forma de proteger as pessoas na academia.


“…Sir Isaac.”


As lembranças do dia anterior com Isaac ainda estavam vívidas na sua mente.


Seu poder impressionante ao congelar toda a caverna, sua aparência gentil ao cobri-la com seu casaco, e sua expressão fria ao usar magia contra o demônio ao seu lado.


Todas essas memórias inundaram Kaya. Como se sua mente fosse um oceano, essas lembranças eram a água do mar que o preenchia.


“Ele foi tão incrível…”


Ele era alguém que ela admirava.


Mas, além dessa memória, ele parecia um pouco diferente do habitual.


Foi na madrugada, quando ele a cobriu secretamente com um lençol.

Kaya, que fingia estar dormindo com a cabeça zzz ainda na névoa de distração, sentiu uma mistura de vergonha e uma sensação quentinha no peito ao mesmo tempo.


Mas, acima de tudo….

─ ‘Linda.’


Quente. Só de pensar na palavra, ela começou a transpirar.


Ela nunca imaginou que Isaac pudesse chamá-la de linda.


Desde ontem, seu coração acelerava. Era como se um som forte e intenso estivesse pulsando em seus ouvidos.


Começou com nervosismo, mas depois que Isaac envolveu seu corpo com um cobertor e disse, ‘linda’, ela começou a sentir uma sensação inexplicável de êxtase.

Kaya olhou para seu reflexo no espelho da penteadeira.

Suas bochechas coradas… Não eram o problema.

Seu cabelo estava todo bagunçado, saindo das tranças, por dormir na tenda e na carruagem, e a maquiagem que Mary tinha feito de manhã quase tinha desaparecido.

Ela não tinha se importado muito com seu visual habitual, mas sua aparência desleixada hoje a incomodava de alguma forma. Tentou arrumar o cabelo, mas parecia um ato inútil.

“O que você está fazendo, eu…?”

Kaya suspirou, uma expressão de descrença tomando conta.

Ela não conseguiu entender bem o que sentia ou o que estava fazendo.

Não era meio superficial pensar que tudo girava só pela aparência? Afinal, foi Isaac quem disse isso.

‘Será que ele só foi gentil?’

Talvez ele tenha dito aquilo porque se orgulhava do desejo dela de manter a paz na academia.

Não era comum as pessoas mais velhas dizerem ‘Linda’ no sentido de “obra bonita” ao ver uma criança nova e louvável? Deve ser assim mesmo.

Talvez fosse isso.

“…”

Acho que sim…


Por algum motivo, Kaya não conseguiu tirar as mãos do cabelo por um bom tempo.

Ela não conseguiu desviar os olhos do espelho.

Comentários