Me tornei a filha adotiva do protagonista masculino.

Capítulo 206

Me tornei a filha adotiva do protagonista masculino.


“Não tenho intenção de ser rude na presença de Sua Majestade o Imperador.”


Ferio cumpriu sua palavra.


Ao dizer isso, os lábios do Imperador Subiteo contornaram-se levemente para cima. Ele era um homem que apreciava muito a deferência dos nobres que lhe mostravam o respeito devido.


Sentindo-se aliviado, Remus perguntou cuidadosamente,


“Com licença, mas... onde o duque encontrou a jovem senhora?”


“...Eu a trouxe de um orfanato,”


Ferio respondeu, recordando daquele tempo—com um toque de invenção.


“Havia um amor que eu não pude realizar. Ela desapareceu sem me avisar que estava grávida.”


Mais tarde, soube que ela tinha morrido e deixou um filho.


“Então, fui visitar um orfanato imperial.”


Ferio acrescentou que ficava em alguma região do oeste, e delicadamente passou o dedo pela bochecha de Leonia.


Leonia, que estivera completamente rígida de surpresa, relaxou visivelmente. Pai e filha trocaram um sorriso silencioso enquanto seus olhares se encontravam.


“E por que vocês perguntam?”


Varia perguntou com sotaque firme, a voz carregada de alerta.


Remus, que estivera encarando vacilante a cena gentil entre Ferio e Leonia, finalmente abriu a boca.


“Peço sinceras desculpas a ambos, mas...”


Ele parecia prestes a confessar algo difícil, hesitando novamente. Mas, então, como se tomasse uma decisão firme, Remus apertou as mãos com força sobre os joelhos.


E falou.


“Acredito que ela seja minha filha.”


Por fim, Remus Olor revelou a cruel verdade a si mesmo.


***


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Naturalmente—


O clima na sala de recepção tornou-se indescritivelmente caótico.


‘Esse cara... é mesmo insano.’

Leonia ficou sem palavras.


Era verdade que tudo ocorria exatamente como ela planejara. Mas não esperava que Remus Olor fosse tão descontrolado.


Ele até olhava para Leonia com olhos marejados e sentimentalistas.


Então—


“Ah, por favor.”

Ferio, que permanecera em silêncio durante a confissão de Remus, soltou uma risada amarga. Ele se recostou confortavelmente no encosto do sofá.


Num instante, a sala de audiências do Imperador se transformou no domínio privado de Ferio. Sua presença fez até o Imperador e os Olors ficarem tensos.


“Isso é simplesmente absurdo.”


Ferio colocou a mão na testa e se balançou, contido de rir.

“Como vocês devem me ver...”

Um suspiro suave escapou, como se ele não pudesse acreditar no que ouvia.


“Para vermes como vocês rastejarem assim.”


Sua risada desapareceu. Ferio olhou com frieza para os Cisnes Vermelhos à sua frente.


“Vocês ousam tocar na minha filha?”


Ele parecia pronto para quebrar o pescoço dos Cisnes Vermelhos ali mesmo.


A mão que não estava na testa se fechou, tencionando-se, fazendo um barulho de arranhão—

como se estivesse realmente apertando a garganta de um pássaro.


Apesar dessa aura assassina, o pai e o filho Olor, por algum motivo absurdo, não conseguiam desviar o olhar de Leonia.


“...Vossa Majestade.”


Ferio, discretamente controlando sua fúria, dirigiu-se ao Imperador.


“O que está acontecendo aqui?”


Finalmente, o Imperador Subiteo, também nervoso, conseguiu falar.


“Segundo o filho do Visconde Olor... a jovem da Casa Voreoti foi vista usando o emblema do Cisne da Casa Olor.”


“Isso é sem dúvida meu.”

Remus declarou com firmeza.


“Eu lhe dei esse símbolo.”


“Para ela?”


Varia mal conseguiu manter sob controle sua voz trêmula.


“O duque não tem irmãs. Ela é filha única.”


“Mas havia uma prima, não havia?”

Remus falou como quem revelava um segredo que só ele sabia.


‘O que faço...?’

Leonia, que vinha assistindo silenciosamente a cena se desdobrar, tremeu levemente.


‘...E se meu pai não conseguir se controlar e matá-lo?’

Neste momento, a pessoa mais aterrorizante na sala para Leonia era o próprio Ferio.


Ele permanecia em silêncio, observando o comportamento dos Olors, mas a intenção de matar que emanava dele era avassaladora.


Leonia apertou sua mão com força. Também segurou a mão de Varia.

Parecia uma criança assustada e ansiosa, lutando para compreender a situação.


“Regina e eu nos amávamos.”

“Visconde Olor.”

Ferio falou finalmente. Sua voz baixa, quase reprimida, raspava pelo chão como uma lâmina.


“Acho melhor você parar de falar.”

“Mas é a verdade!”

“E qual é essa verdade, exatamente?”


A paciência de Ferio estava chegando ao limite. Ele não podia permitir nem mais um segundo daquela besteira absurda.


“De qualquer forma, como você soube de Regina—insulta os mortos com tamanha heresia?”

Ferio rosnou.

“Minha prima faleceu de doença cedo.”

“Filho do Visconde Olor,”

O Imperador Subiteo perguntou com surpresa.

Ele não tinha ouvido de Remus que Regina tinha morrido antes.


“O que isso quer dizer?”

“Também me pergunto isso.”

Remus olhou para Leonia com ternura nostálgica. Leonia franziu o cenho profundamente.

Mas Remus até sorriu, como se achasse aquilo encantador.

Leonia se sentiu realmente mal. Ela teve que conter à força o surgimento dos Presas do Bicho.

“Por que o duque mente?”

“Que mentira?”

“Regina não morreu de doença. E a história de que seu ‘primeiro amor’ era um plebeu também é falsa, não é?”

Remus ousou encarar Ferio com um olhar severo e decidido.

“Tenho vergonha de dizer isso como homem casado... mas eu fugil com Regina.”

Remus revelou seu passado sujo na tentativa de provar que Leonia era sua filha.

“Mas não deu certo. Regina disse que tínhamos que nos separar, e eu parti—com o coração partido.”

“E—eu tenho provas.”

O visconde Olor, que continuava em silêncio, puxou um colar delicado de dentro do robe.

“Você reconhece isso?”

Um pingente em forma de cisne pendia da corrente.

“Isso é algo que todos da nossa família possuem como símbolo de linhagem.”

“Relatos afirmam que a filha do duque usou exatamente essa mesma joia em uma festa de chá.”

Leonia olhou para o colar que haviam apresentado.

“...É verdade. Eu o usei.”

Ela baixou um pouco a cabeça ao falar.

Remus sorriu.

“Mas aquilo era uma lembrança deixada pela minha tia falecida!”

“Ela não era sua tia—ela te deu à luz.”

Remus abaixou-se levemente para encarar Leonia. Agora, falava de modo informal, como se ela já fosse sua filha.

Ferio e Varia o olhararam, boquiabertos.

Olharam para Leonia como se estivessem resignados com o que não podia ser mudado, e Remus se virou para o Imperador.

“Vossa Majestade, tenho um pedido.”

“Qual?”

O Imperador Subiteo, que vinha observando com interesse, perguntou.

“Em nome do Império Bellius, arrisco minha honra.”

Remus falou solenemente.

“Gostaria que a filha do duque fosse confirmada como minha filha biológica.”


***


“Filho do Visconde Olor!”


Pouco após sair da sala de audiências, alguém parou Remus em seu caminho.


“Lady Varia.”


Era Varia.

Remus olhou para trás.


Mais ao longe, Ferio segurava Leonia e sussurrava alguma coisa para ela.

Remus presumiu que fosse uma tentativa de confortar uma criança abalada pelo que acabara de acontecer.

E realmente parecia uma cena familiar carinhosa.

“Você consegue entender o que acabou de fazer?”

Varia trouxe sua atenção de volta.

“Claro. Acabei de encontrar a filha que nunca soube que tinha.”

Remus sorriu tristemente.

“Mas não tenho a pretensão de levá-la embora.”

Sua voz suave continuou, admitindo que sabia que não seria capaz de criá-la adequadamente.

“Só quero o reconhecimento. Que eu também sou pai dela.”

“Reconhecimento?”

“Gostaria de me encontrar com ela de tempos em tempos... para nos aproximarmos.”

Varia ficou com uma expressão sutilmente dura.

“...Ela é mesmo sua ➤ NоvеⅠight ➤ (Leia mais na nossa fonte) filha?”

Varia perguntou.

“Então isso quer dizer que Ferio...”

Ela cobriu a boca no meio da frase, murmurando meio para si mesma.

Porém, aquele breve lampejo de dúvida deu confiança a Remus.

‘Ela realmente é filha da Regina.’

Quando ele declarou inicialmente querer um teste de paternidade, ele tinha algumas dúvidas e medo. Mas a reação de Varia confirmou tudo.

O sofrimento e a preocupação dela na sala de recepção só fortaleceram sua certeza.

“......Então.”

Varia cobriu o rosto com as mãos e soltou uma respiração profunda, o peito arfando.

“E a Lota?”

Ela perguntou sobre sua irmã mais nova.

“Ela conhece isso?”

“Recentei uma conversa com ela.”

“Ela ficou chocada?”

“Fiz algo imperdoável.”

Ele admitiu que tinha acontecido antes do noivado, e disse que ela aceitou com coração amplo assim que ele se comprometeu a assumir a responsabilidade.

“Lota disse que trataria a jovem senhora como se fosse sua própria filha.”

“Como se fosse algo que ela pudesse fazer tão facilmente?”

Varia não acreditava em uma palavra.

Ela conhecia Lota melhor que ninguém. Aquela mulher egoísta e rancorosa não trataria Leonia como filha—nem perto disso.

Mesmo que você a diluísse mil vezes, ela simplesmente não existiria.

“Este é um momento importante e de alegria para nossos dois lares.”

Remus soltou um suspiro e falou com um tom condescendente, como se Varia fosse simplesmente ingênua demais para entender.

“Uma união entre a facção do Imperador e a facção nobre.”

“U-união?!”

“As casas representativas de ambos os lados estão se tornando uma só.”

“Só pode estar de brincadeira! Leozinho vai ser duque Voreoti!”

Varia gritou.

“Mas ela ainda carrega o sangue do Olor.”

Remus sorriu suavemente.

“Mesmo que ela se torne duquesa... os filhos dela serão Olors.”

“E quanto à Lota? E a criança que ela terá com você?”

“Existem sacrifícios que precisam ser feitos pelo bem maior.”

“......”

“Você talvez não entenda algo tão grandioso...”

Mas Remus não conseguiu terminar essa frase.

Varia não suportou ouvir mais uma palavra daquela boca nojenta—e lhe deu uma forte pontapé no canela.

“Ugh!”

Remus gritou de dor, incapaz de suportar o golpe.

Mas a coisa não acabou aí.

Ao tropeçar para frente, Varia o segurou pela gola e o puxou para trás. Graças ao seu treinamento recente, ela o levantou facilmente.


Então ela acertou um soco bem no rosto dele.

“M-Mãe!”

Leonia gritou de trás.

“Guh...!”

Remus caiu pateticamente no chão após o golpe.

Mas nem isso diminuiu a fúria de Varia. Ela bufou e tentou atacá-lo novamente.

“Mãe, sossega! Ele é um lixo imundo!”

“Varia, respira fundo.”

Leonia e Ferio rapidamente a seguraram.

Na verdade, eles tinham assistido secretamente escondidos. Só depois de ver Varia acertar aquela pancada satisfatória é que foram intervir.

“Seu nojento pedófilo!”

Varia gritou para Remus, que jazia no chão.

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