
Capítulo 191
Me tornei a filha adotiva do protagonista masculino.
—Você está dentro? Posso entrar?
“Você já está dentro, então que sentido tem perguntar?”
Antes que Ferio pudesse sequer dar permissão, Leonia já havia empurrado a porta e entrado no escritório sozinha. Em seus braços, havia um livro grosso.
—Terminei de ler isso.
Era o livro que Ferio lhe tinha dado há alguns dias, como parte da tarefa de treinamento para se tornar herdeira.
—Foi mais interessante do que eu imaginei.
Leonia até tomou a iniciativa de procurar o próximo volume.
—E foi mais divertido do que eu esperava.
O livro que Ferio lhe emprestara era uma autobiografia escrita por um dos anteriores duques de Voreoti.
—Isso foi engraçado?
Ferio franziu a testa ao ouvir sua impressão inesperada. Leonia assentiu e caminhou até ficar ao lado da mesa do pai.
—É possível ver bem a personalidade dele. Aquele ex-duque—assim como você—estava completamente consciente de quão incrível era. Acho que a arrogância é coisa de família mesmo.
Ela falou com entusiasmo, como se se divertisse com o fato de todos serem tão parecidos.
—Leo, você não é diferente.
Ferio achou que Leonia não tinha o direito de falar. Quando o assunto era confiança e descaro, ela talvez até o superasse.
—Ei, eu não sou assim.
—Você não tem vergonha, minha filha.
—O que é isso?
Leonia apontou para um envelope grosso que estava na mesa.
—O começo da caçada.
Ferio ergueu um sorriso de canto.
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—São os relatórios de corrupção dos nobres pró-imperiais que Varia coletou enquanto trabalhava no tesouro.
—Ahh, vocês vão finalmente divulgar esses documentos?
—Ela disse que terminou de organizar o último.
—Uhuul, minha mãe é demais!
Leonia gritou e colocou as mãos nas bochechas, toda empolgada.
—Então, quando vamos acabar com tudo isso?
Ela se aproximou, incomodando Ferio como se estivesse ansiosa para se livrar daqueles pesares.
Ferio, incomodado, simplesmente puxou a filha para seu colo.
Mas, ao fazer isso, percebeu que ela já havia crescido bastante para isso.
—Minha coxa está quase não aguentando.
—Pai, você já está velho? Eu sou super leve!
—Você pesa mil libras.
—Então a mãe deve pesar dez mil, né?
Claramente ela deve estar mais pesada que eu, certo?
Leonia perguntou, inclinando a cabeça.
—Sua mãe deve pesar dez mil.
—Huh? Por quê? Não se costuma dizer que as esposas são leves como uma pluma...?
—Assim ela não vai sair voando por aí.
—... Agora quase vomitei.
Leonia fez uma cara de nojo e se levantou de imediato. Mais uma vez, foi lembrada da assustadora realidade de um duque apaixonado.
—Espera—então, quando você diz que eu peso mil libras, isso significa...?
Ela perguntou com um brilho de esperança nos olhos. Será que ele a valorizava tanto assim?
—Não, você é realmente pesada.
—Se você não fosse meu pai...
Ela conseguiu segurar a vontade de dar nele, usando toda a sua devoção filial.
—Vai fazer seu trabalho!
Respirando fundo, Leonia virou as costas e saiu bruscamente, bufando.
—Ah, você vai jantar comigo, né?
—Sim.
—Hoje tem creme...?
—Frango com molho de creme, né?
—Hehe, até mais tarde!
O humor de Leonia se iluminou instantaneamente, e ela acenou com as mãos enquanto pulava alegremente para fora do escritório. Divertido com suas peraltices, Ferio voltou a fazer seus papeis com um sorriso satisfeito após a conversa.
Batidas na porta.
—Quem é?
Naquele momento, alguém mais bateu na porta do escritório.
—Sua Excelência.
Ao som da voz, o sorriso de Ferio desapareceu.
—Desculpe pelo aviso sem aviso prévio. Aqui é Pardus.
O herdeiro do marquês Pardus falou com um tom levemente desarrumado, dizendo que a questão era urgente.
***
O Norte estava tranquilo.
O breve verão mais fresco já havia passado, e o outono—com suas folhas coloridas—chegara.
As pessoas estavam ocupadas se preparando para o longo inverno, e a praça da cidade estava mais animada do que nunca.
—Honestamente...
Em meio à multidão agitada—
“Não é tão diferente da capital.”
“As pessoas são iguais onde quer que vivam.”
Dois jovens de capuz vagavam pela praça.
Embora chamados de “homens,” seus rostos jovens traíam suas idades—ainda eram garotos.
Porém, o ar que carregavam era bem longe de infantilidade.
—As pessoas são tão tolas.
Você só entende as coisas ao ver com seus próprios olhos, disse o garoto loiro, amarrando o cabelo médio com um sorriso amigável.
—Ainda assim, está bem frio.
Sua respiração saía em uma nuvem pálida enquanto falava em admiração.
—Ainda é outono, né?
—O inverno chega cedo no Norte.
—É o mesmo império, mas é tão diferente.
Quando deixaram a capital, fazia um calor sufocante.
—Não anime demais.
O garoto de cabelo prateado avisou baixinho.
—Minha irmã mais nova se preocupa comigo demais.
O loiro sorriu e bateu nas costas do companheiro.
Embora parecesse ruidoso, o golpe não doeu. O garoto com cabelo prateado olhou ao redor e o repreendeu calmamente.
—Estamos no Norte. Respeite seus títulos...
—...Vai falar do que? Sei de tudo.
O garoto loiro desviou da bronca com facilidade.
—Então, o que vamos fazer no almoço?
—Vamos pedir algo leve.
—Eu quero fruta. Nunca provei fruta do Norte antes.
Com isso, o garoto loiro saiu correndo até uma banca de frutas.
—Com licença! Qual é sua fruta mais gostosa?
—Oh, que garotos lindos!
A vendedora, enquanto arrumava suas frutas, riu e os recebeu com alegria.
—Claro, beleza reconhece beleza.
O papo do garoto a fez rir ainda mais.
—Elogios não levam a lugar nenhum!
—Só estou chamando de bonita porque é bonita. O que mais você quer?
—Ah, cale a boca e limpe a boca ao falar!
Apesar do comentário, ela parecia deliciada e apressou-se em mostrar algumas frutas.
—Essa aqui é especialmente boa. Fruta do Norte normalmente não é doce, mas esta é.
Ela acrescentou que até a jovem da Casa Voreoti gostava dela.
Ao ouvir isso, os dois meninos trocaram olhares silenciosos.
—...Vamos levar essa.
A vendedora empacotou a fruta em um saco de papel marrom grosseiro.
Ela até deu um desconto, como recompensa pelos elogios.
—Almoço barato, hein?
Os meninos sentaram-se em uma área de descanso na praça e dividiram a fruta.
Era de uma cor violeta pálida e enrugada, quase como se estivesse estragada.
Mas um brave primeiro bocado revelou um sabor crocante e doce.
—Por que nunca tivemos isso no castelo?
—Irmão.
—Sim, sim. Entendo. Chato, chato.
A fruta não durou muito com dois apetite fortes.
—Quer descansar um pouco?
O garoto de cabelo prateado assentiu para a pergunta do irmão mais velho. Os dois ficaram em silêncio, observando a praça cheia de gente.
—...Skan.
O loiro finalmente quebrou o silêncio.
—Que tipo de pessoa é a filha do duque?
—Ela é igual à Duquesa Voreoti.
O mais novo, ‘Skan,’ respondeu, pensando nas duas vezes que a havia encontrado.
—...E uma pervertida.
—O quê?
O rosto do irmão mais velho se contorceu de confusão. Ele não esperava aquela resposta.
—De que jeito?
Ela gosta de bater nas pessoas ou de atormentá-las?
—Ela não bate, mas...faz comentários sugestivos.
—Comentários sugestivos?
—Ela parece gostar de músculos.
—Com certeza é uma pervertida.
—E por isso eu disse—
De repente, uma carruagem preta passou na frente deles.
—É a carruagem da Voreoti!
Um menino próximo gritou.
—Será que o duque está nela?
—O duque é um homem ocupado.
—E a moça então?
—Ei! Você devia falar ‘a jovem da casa’!
Os garotos, ouvindo às escondidas, seguiram silenciosamente a carruagem.
Ela parou em frente a uma loja. Um escudeiro montado na carroça abriu a porta e estendeu a mão.
Primeiro saiu uma mulher linda, com cabelo solto de um tom rosa poeira.
Depois veio uma garota com cabelo preto preso de lado.
—Não achei que a íamos encontrar tão rápido.
O irmão mais velho sorriu.
—......
O mais novo não disse nada, apenas observava a garota de cabelo preto.
***
Recentemente, a propriedade Voreoti estava repleta de notícias felizes. Verdadeiramente, as bênçãos se multiplicavam.
Primeiro, o casamento do duque.
O duque, que esteve tão ocupado cuidando dos filhos que nem pensava em casamento, finalmente tinha uma esposa.
Apesar do casamento ainda não ter sido oficialmente realizado, seu nome já tinha sido registrado na família.
O segundo evento feliz era da futura duquesa—Lady Leonia Voreoti.
—Nossa jovem dama, h-hic... finalmente...
Paavo soluçou, parando entre os escudeiros da carroça.
—...Você está chorando?
Do outro lado da carruagem, Meleis ficava boquiaberto.
—Mas a jovem dama...
Paavo não conseguiu conter sua emoção.
Meleis olhava com choque.
—Ela não fez uma única conversa inapropriada com a gente por mais de uma semana...!
O segundo evento feliz era o rápido crescimento de Leonia.
Mais precisamente—Leonia tinha parado de irritar as pessoas por causa de músculos.
Seu gosto era bem conhecido.
Uma pervertida atrevida, obcecada por músculos de um jeito suspeito.
E as principais vítimas eram os cavaleiros musculosos da Ordem de Gladiago.
Naturalmente, seu pai Ferio também estava na lista. Na verdade, ele era a maior vítima de todas.
—Não houve uma única reclamação sobre o comportamento da jovem na caixa de sugestões desta semana.
—Disseram que houve um tumulto achando que alguém manipulou a caixa.
Até Mono afirmou que ela devia estar gravemente doente.
Mas Leonia estava perfeitamente saudável, e por trás desse milagre estava o esforço de Varia.
—O senhor pode até ter desistido cedo, mas a madame nunca desistiu.
—Ei, o senhor não desistiu.
Meleis rapidamente interveio.
—Ele a acolheu com amor.
—O que é um deixar de lado.
Paavo respondeu friamente.
Em todo caso, a contenção de Leonia tocou muitos corações.
Por isso hoje, ela foi levada à livraria como recompensa.
—Minha senhora, madame.
Logo, a carruagem parou, e Meleis anunciou a chegada.
Varia foi a primeira a descer. Leonia saltou logo atrás, toda animada.
—Mãe, quantos posso pegar?
—Por que não compra o máximo que der para ler?
—Então, vamos ver...
Leonia começou a contar os livros que queria, murmurando empolgada.
A maioria eram referências ilustradas e romances. Algumas volumes especializados em administração de propriedades também estavam na lista.
—Você vai pegar alguma coisa também, mãe?
—Hmm, vou dar uma olhada.
—Leia “Vida é Tudo Sem Sentido”! É o meu favorito!
Leonia recomendou com entusiasmo seu título preferido.
Varia sorriu e disse que pensaria a respeito. Só o título já combinava com seu gosto.
Entre mãe e filha, combinarem-se na escolha foi o plano delas para esse momento.
—Hihihi.
Leonia resmungou enquanto folheava as prateleiras.
‘Devo ter nascido para agir.’
Ela estava bastante satisfeita com sua atuação recente como uma “boa menina”.
A garota astuta fingiu-se de contida, simulando reprimir sua obsessão por músculos. Ela colocou toda a alma na atuação—e funcionou brilhantemente.
Varia a adorava ainda mais. Os adultos ao redor teciam elogios.
A atuação de Leonia foi perfeita.
‘Bem... exceto com o papai.’