
Capítulo 170
Me tornei a filha adotiva do protagonista masculino.
Depois que a festa do chá acabou—
Como prometido, Ferio mais uma vez foi de carruagem buscar Leonia e Varia pessoalmente.
Dessa vez também, os três fizeram a show habitual de harmonia afetiva, cada um escondendo seus próprios sentimentos complicados por trás dela.
A carruagem que levava os três partiu do Palácio Imperial ao mesmo tempo.
E, como antes, os três se aglomeraram bem próximos dentro da carruagem espaçosa.
‘Está sufocando...!’
Leonia, espremida entre eles, reclamou silenciosamente, frustrada.
“A Sua Majestade, a Imperatriz, está bem?
Ferio perguntou.
“Ela me disse para avisar que logo começará a assembleia dos nobres.”
Leonia bateu o ombro de irritação, passando a mensagem que tinha recebido da Imperatriz Tigria.
Só então, Ferio e Varia se afastaram dela discretamente.
Porém, pouco tempo depois, estavam novamente grudados ao seu lado.
“Posso sentar na frente?”
“E se a carruagem capotar?”
“Você não pode ficar sozinha.”
Mais uma vez, tanto Ferio quanto Varia a impediram em uníssono.
“Deixa eu ficar sozinha...!”
Leonia desesperadamente ansiava por uma fase rebelde de adolescente.
“Mas então, isso quer dizer...?”
Varia, cautelosamente, retomou a conversa anterior.
“Eles realmente vão fazer uma assembleia dos nobres?”
“Provavelmente sim.”
“Então finalmente estão dando o bote.”
O olhar de Varia, calmo e controlado, vacilou um pouco.
Agora, a família imperial estava se movendo na direção do Norte — e tudo começaria com essa próxima assembleia dos nobres.
Ao revisar a lista de membros revisada recentemente, Varia não pôde deixar de se preocupar.
Os assentos que ficavam vazios há anos agora eram ocupados por Olor e Erbanu.
Ambos tinham sido recomendados pela família imperial e certamente agiriam de acordo com os desejos do Imperador.
Até mesmo o nome Voreoti talvez não fosse suficiente para impedi-los.
“...Senhorita Varia.”
Toque.
“O que está te deixando tão pensativa?”
Ferio suavemente alisou a testa de Varia com o dedo. O humor dela, que tinha afundado na melancolia, de repente parecer esclarecido — como nuvens que se levantam e sobem ao céu.
“Vamos vencer de qualquer jeito.”
Varia assentiu lentamente. A preocupação que acabara de sentir desapareceu sem vestígios, enterrada sob uma certeza sombria e profunda como tinta negra.
“Então, pense em coisas pacíficas.”
“Coisas pacíficas...?”
“Tipo o que vamos comer no jantar hoje à noite.”
Como preparar roupas de inverno para a viagem ao Norte.
Como os pássaros que vinham visitar a janela pela manhã.
Como os lanches que ela dividiria com Leonia.
A lista absurda vazou da boca de Ferio sem nenhuma vergonha. Varia não pôde deixar de sorrir silenciosamente, um sorriso leve nos cantos dos lábios.
“...Ainda estou aqui, sabia?”
Esses adultos malucos, sério mesmo.
Leonia lançou um olhar penetrante para Ferio e Varia, que haviam esquecido completamente dela e agora irradiavam uma atmosfera ambígua.
Foi só então que os dois adultos desviaram os olhos e se afastaram constrangidos.
‘Que irritante.’
O pobre filhote de besta, preso entre o casal, de repente se lembrou da expressão amarga que Varia tinha mostrado antes — aquela que virou seus pulmões do avesso.
“Aliás, papai.”
Como uma espécie de vingança menor, ela soltou uma revelação.
“Mais cedo, a Varia-san fez que ia recusar sua confissão.”
“Sua mocinha!”
“O quê?”
Varia foi aos gritos de pânico, enquanto Ferio a encarava incrédulo.
“Ela achou que você estava apaixonada pela minha mãe biológica.”
Leonia, que não aguentava mais enrolar, revelou tudo de uma só vez.
“Vocês acham que eu gostava da Regina?”
Quando ouviu o nome daquela mulher, a expressão de Varia escureceu novamente.
Elas nem estavam realmente namorando, e ainda assim, só de ouvir o nome Regina sair da boca dele, o humor dela afundou outra vez.
“Por que eu iria gostar dela?”
Principalmente alguém que ele cresceu considerando como um irmão sob o mesmo teto.
Ferio parecia realmente enojado.
Ele franzia a testa, como se a própria ideia fosse repulsiva.
“Irmã?”
Os olhos de Varia arregalaram de incredulidade.
“Mas ela era uma mulher comum pela qual você estava apaixonado!”
“Quem disse isso?”
Ferio retrucou, querendo saber quem tinha espalhado tal absurdo.
“Você foi quem espalhou esse boato.”
Leonia deu um olhar sem expressão, desapontada, por ele não se lembrar sequer disso.
Ferio tossiu de leve, evitando o olhar dela timidamente.
“Varia-san.”
No final, foi Leonia quem interveio.
“Eu não sou filha biológica do meu pai.”
A pequena besta revelou seu próprio segredo em nome do amor pelo pai.
‘Não há filha mais filial do que eu no mundo.’
Enquanto ela suavemente trancava a boca de Varia com sua própria força, Leonia admirava seu próprio sacrifício e devoção de nobreza.
Certamente, não havia nenhuma criança como ela no mundo.
Sorrindo intensamente ao pensar nisso, Leonia se virou para Ferio.
“...Não há mesmo nenhuma criança como você.”
Ferio repetiu a opinião dela, embora com um significado muito diferente, e suspirou fundo.
***
Nessa noite—
Ferio e Leonia contaram a Varia seu segredo.
A expressão de Varia mudou rapidamente enquanto ouvia a verdade escondida.
Quando soube que Regina havia fugido com um cavaleiro misterioso, seu rosto ficou cheio de preocupação. Mas, ao descobrir que Ferio e Leonia tinham se conhecido na orfanato, ela chorou de alegria.
Depois, seus olhos brilharam de fúria diante da crueldade dos funcionários do orfanato.
Quando descobriu que “ Professora Connie” na verdade era Saura disfarçada, seu rosto ficou pálido de medo.
Mas o que mais chocou Varia —
Foi a verdadeira identidade do cavaleiro errante que supostamente fugiu com Regina.
“R-Remus Olor...?”
Varia ficou tão abalada que mal conseguiu falar.
“Por enquanto, vamos chamá-lo de doador de sêmen.”
Até mesmo Leonia não se sentia bem ao dizer isso.
Principalmente porque ela continha na memória a falsa gentileza de Remus no banquete. Sua insatisfação fervia.
Se ela o encontrasse, queria partir sua garganta.
“Doador de sêmen, que besteira.”
Ele é um criminoso visto de perto.
Ferio corrigiu o termo de forma direta.
“A melhor coisa que esse idiota fez na vida foi nem saber que você existia.”
“Quero arrancar uma torneira e enfiar na garganta dele.”
“Nem pense em tocar nisso, seu nojento.”
Ferio franziu o cenho profundamente.
Suprimindo a vontade de tirar o lenço e limpar as mãos da criança, ele calmamente ensinou alguns métodos horríveis de tortura.
“Ooooh!”
Os olhos de Leonia brilharam.
“Papai, você é tão inteligente!”
“Por que fica surpreso com algo tão óbvio?”
“Certo! Vou começar a aprender a tirar alguém com a espada!”
Justo quando Leonia jurava dominar uma nova técnica mortal—
“Por que vocês dois estão tão calmos?!”
Varia olhou para o pai e a filha com descrença.
As duas pessoas mais envolvidas nisso não estavam apenas calmas — estavam praticamente serenas.
Enquanto isso, Varia parecia ter vivido aquela trauma de verdade.
Sua voz, carregada de lágrimas não derramadas, saiu como se tivessem sido espremidas de sua garganta.
“Vocês não ficam com raiva disso?”
Ainda furiosa como se fosse sua própria história, seus olhos franziram-se, as lágrimas escorriam, seus lábios tremiam de raiva.
Seus punhos cerrados na mesa ficaram brancos.
‘Quero matá-lo...!’
Um desejo assassino nasceu em Varia.
Mesmo quando ela morreu e voltou ao passado, mesmo quando encontrou a família que a traiu e o próprio homem que a apunhalou — Remus — ela nunca tinha sentido algo assim.
Ela tinha vontade de vê-lo morto, sim.
Mas não assim, não por ela mesma.
Agora,... essa raiva era real.
Se Remus estivesse na sua frente agora, ela o agarraria pelo pescoço e acabaria com ele.
Ela tinha certeza de que poderia assistir com alegria enquanto seus olhos vermelhos revirassem.
E então, queria despedaçar o cadáver e espalhá-lo pelo mar do sul, para que ninguém pudesse encontrá-lo.
“Q-Como... como um ser humano...!”