Me tornei a filha adotiva do protagonista masculino.

Capítulo 105

Me tornei a filha adotiva do protagonista masculino.

O Papa Beast não levou as palavras do Baby Beast ao pé da letra.

E com razão — Leonia era uma criança completamente dedicada a realizar cada um dos seus desejos egoístas, uma pessoa na qual você nunca imaginaria estar prestes a fazer oito anos.

“Você fica sempre gritando sobre músculos, todo coberto de ganância.”

“Hoje não, eu não.”

“Os outros amiguinhos não achavam isso nojento?”

Ferio perguntou.

Na honestidade, músculos só pareciam impressionantes quando cobertos de pele — por baixo, o que tinha de mais sério não era exatamente bonito de se ver.

Ferio tinha aprendido isso cedo, graças aos seus longos anos de caça a monstros.

Por isso, de algumas maneiras, ele não entendia o amor profundo de Leonia por músculos.

“Dizem que parece linguiça e ficam toda empolgada.”

Ao que parece, as crianças até cantaram sobre querer comer linguiças.

“E o papai também.”

Leonia falou em um tom incomum de sério.

Ao vê-la falar sem aquela sua brincadeira habitual, Ferio instinctivamente adotou a mesma gravidade.

“Músculos são bonitos por si só.”

Focar apenas na camada externa — as células mortas da pele que cobrem tudo — não era uma verdadeira devoção aos músculos.

Colocando a mão com seriedade no peito, Leonia declarou sua convicção.

“......”

Ela tinha um ponto.

Ferio se pegou concordando.

Ele também valorizava Leonia com um nível semelhante de afeição — talvez até maior.

No entanto, o “amor” que Leonia descrevia pelos músculos... soava assustadoramente doentio.

E Ferio se tranquilizou mais uma vez, reforçando que seu afeto paternal não era nada parecido com esse amor distorcido.

“Se eu amo alguém, tenho que amar até as fezes dentro do corpo dessa pessoa.”

“Então, para você, essa ‘fezes’ são músculos?”

“Exatamente!”

“Seu pequeno maniaco—”

Ferio se interrompeu no meio, quase deixando escapar o insulto.

“Você ia me chamar de louco, papai?!”

Leonia olhou para ele, incredula.

“...Eu ia dizer, minha filha, que eu amo tanto que fico louco por você.”

“Mentiroso! Aquilo foi totalmente uma palavra de baixo calão!”

Leonia pulou no sofá, afirmando que tinha ouvido tudo bem alto e claro.

Ferio rapidamente a colocou de volta no chão.

“Não fique em pé no sofá.”

“Tudo bem.”

Mesmo discutindo, a criança era obediente. Ela até limpou com um lenço o local onde tinha ficado em pé.

“......”

A marquesa Kerata silenciosamente cutucou a própria coxa com o leque.

Ela quase caiu rindo da disputa cômica entre o pai e filha Voreoti.

Ela não era a única. O resto da sala tinha ficado em silêncio, totalmente imerso assistindo ao bate-boca dessa dupla monstruosa, contendo o riso.

Enquanto isso, as crianças estavam distraídas com lanches demais para prestar atenção.

“Bom, vou deixar passar essa besteira — por bondade.”

Todos cometem erros, afinal.

Leonia lançou um olhar apontado para Ferio, mas o perdoou, com a condição de que não houvesse uma segunda chance.

“De qualquer jeito, se o papai me ama tanto assim, se um dia eu tiver diarreia explosiva, você vai limpar pra mim, né?”

“Não.”

Ferio respondeu sem hesitar.

“Deixarei as criadas fazerem isso.”

Ferio era extremamente cuidadoso ao tocar Leonia.

Mesmo quando tocava, era somente por cima das roupas e limitado a locais como a mão, o dorso ou a cabeça — qualquer lugar que não a deixasse desconfortável.

Ele seguia os conselhos dos livros de parentalidade que orientavam pais a terem cuidado com contato físico com as filhas, e Ferio concordava plenamente com esses princípios.

Se Leonia descobrisse, provavelmente choraria, comovida pela sua consideração.

“Por que eu iria tocar em você?”

O problema era que Ferio pulava todo esse contexto e ia direto para a piada.

A mandíbula de Leonia caiu, chocada.

Parecia que ela poderia parar de respirar a qualquer momento.

O resto da sala, curtindo o espetáculo, se mexia com diversão renovada.

“E por que suas metáforas sempre são tão nojentas?”

Ela não podia usar exemplos mais limpos, mais saudáveis?

A última — algo sobre pegar flores — tinha sido muito melhor.

“...Nossa, que chatice, pai.”

Leonia rosnou, agora realmente irritada.

“Um dia eu vou mesmo fazer cocô nas suas costas.”

“E esse será o dia em que você vai perder a herança.”

“Que saco!”

Voa, Leonia!

Leonia bateu com as mãos na coxa do Ferio.

Mesmo assim, ela teve cuidado para não bater forte demais — afinal, essa coxa era valiosa.

E assim terminou de forma caótica a primeira sessão de chá que Leonia tinha planejado.

Um final realmente bagunçado.

* * *

Depois que o chá acabou,

Leonia escreveu uma reflexão sobre a experiência, como tarefa de casa e punição imposta por Ferio.

Era sua penitência por ter ameaçado fazer cocô nas costas do pai.

“Quer dizer, não é a primeira vez que digo isso...”

Não é como se tivesse intenção de realmente fazer isso.

Leonia resmungou consigo mesma.

Repetia para si mesma várias vezes: ela não tinha nenhuma intenção de se sujar só para irritar alguém.

‘Deveria realmente fazer isso, só uma vez?’

Me embriagar e fingir que enlouqueci?

Leonia pensou seriamente nisso, depois suspirou e balançou a cabeça em sinal de resignação.

Ela nem conseguia pegar bebida com seu corpo atual, e mesmo se pudesse, duvidava que conseguisse beber.

Ela não queria estragar esse corpo saudável que trabalhou tanto para manter, tudo por vingança.

‘E nem vale a pena chamar de “SenhorBebedeira.”

Por que honrar algo que nem posso beber?

“Lixo de bebida, lixo de bebida~!”

Terminando sua reflexão, Leonia cantarolou uma melodia alegre enquanto se dirigia ao lugar onde Ferio estava.

“Papai!”

Ela bateu na porta do escritório com um risco — tocou e entrou. Ferio, descansando no sofá com um livro, estendeu o braço para chamá-la.

Leonia correu ◆Nоvеlіgһt◆ (Apenas no Nоvеlіgһt) em direção a ele a toda velocidade — então parou na hora.

“......”

Depois, fez uma cara fechada, com os lábios se formando em pura insatisfação.

“Hmph!”

Com um suspiro exagerado, virou o rosto para longe.

“Leonia, por que veio toda até aqui só pra fazer bico na minha frente?”

Ferio virou uma página sem olhá-la, lançando-lhe um olhar de lado. Sua reação indiferente só deixou Leonia ainda mais irritada.

“Não aguento que eu esteja brava!”

“Você é extremamente diligente, sabia?”

Você é a única que faria questão de procurar alguém que odeia só pra mostrar que está fazendo bico.

Mesmo brincando, Ferio fechou o livro e estendeu os braços.

Era um convite não dito para parar de fazer bico e se chegar ao abraço dele.

“Hmph.”

Leonia resmungou, mas, lentamente, tentou entrar em seus braços mesmo assim.

No entanto, o orgulho a fez torcer o corpo, de modo que seu rosto ficou estranho e deslocado.

‘Sério, simplesmente não é justo.’

Alguns momentos atrás, quando entrou, Ferio tinha parecido tão incrivelmente bonito que quase doía aceitar que era seu pai.

Tudo que ele vestia era uma camisa folgada, mas ele exalava a aura de um rebelde perigoso.

As mangas estavam meio enroladas, revelando braços firmes, e a forma como a camisa estava mal-tocada dentro da calça fazia sua cintura aparecer perigosamente.

Seus ombros largos e músculos do peito destacavam-se nitidamente.

E aquelas pernas longas — graças aos quadríceps que Leonia adorava — se mostravam com ousadia mesmo por baixo da calça.

Parecia um touro enfurecido.

Esse modo de sentar, lendo, exalando uma aura de indiferença, quase era divino.

Ferio realmente parecia estar em outro universo de charme.

‘...Se ao menos ele não fosse meu pai.’

O humor de Leonia caiu instantaneamente.

Ele era um homem tão lindo, magnífico — e, mesmo assim, esse maldito vínculo familiar o tornava tão inalcançável quanto comida numa tela de pintura.

Só de lembrar que ele era seu pai, a emoção nervosa que geralmente enchia seu peito se esvaziava.

‘Bem, não posso fazer nada a respeito. Ele é meu pai.’

Reclamando consigo mesma, Leonia deu uma leve palmada no braço de Ferio, aquele que envolvia sua cintura.

“Você disse que não iria me tocar.”

“Quando eu disse isso?”

Ferio respondeu calmamente, deixando a sua birra passar por cima dele.

“Você disse que não iria me tocar. Que não me toca.”

“Eu? Quando? Deve ter ouvido errado.”

“Na festa do chá! Você disse isso!”

Leonia ficou furiosa, alegando que tinha ficado mortificada e emocionalmente ferida.

Só então Ferio se lembrou do que ela quis dizer.

“Aquela metáfora nojenta?”

“Ai, minha pressão arterial!”

Leonia segurou o pescoço, como se estivesse prestes a desmaiar.

“Hoje, esse pai claramente declarou guerra contra a própria filha!”

“Eu não planejei nada.”

“Fiquei tão envergonhada que não consigo mais aparecer em público! Como vou encarar o Conde Rinne e a Viscondessa Kerata?!”

“Olhem para eles. Normalmente.”

A resposta preguiçosa de Ferio fez Leonia chutar as pernas furiosamente.

Se ela tivesse penas, teria saído voando igual um pássaro.

Ferio esperou pacientemente ela se acalmar.

Por sorte, Leonia logo se cansou e escorregou como um balão murchando.

Ela se jogou sobre a coxa dele, enterrando o rosto lá.

“...Por que você não quer me tocar?”

ela perguntou baixo.

Na verdade, ela não estava brava tanto quanto profundamente magoada.

“Então você não vai mais segurar minha mão? Não vai mais me abraçar? Também não vai me beijar?”

“Por que não iria?”

Ferio respondeu imediatamente.

“Deixarei as criadas fazerem isso.”

Ferio era extremamente cuidadoso ao tocar Leonia.

Mesmo assim, era somente por cima das roupas e limitado a locais como a mão, o dorso ou a cabeça — qualquer lugar que não a deixasse desconfortável.

Ele seguia os conselhos dos livros de parentalidade que orientavam pais a terem cautela ao contato físico com suas filhas, e Ferio concordava plenamente com esses princípios.

Se Leonia descobrisse, provavelmente choraria, tocada por sua consideração.

“Por que eu iria te tocar?”

O problema era que Ferio pulava toda essa explicação e ia direto para a piada.

A mandíbula de Leonia caiu, chocada.

Parecia que ela poderia parar de respirar a qualquer momento.

O resto da sala, aproveitando o show, se mexia com diversão renovada.

“E por que suas metáforas sempre são tão nojentas?”

Não dava para usar exemplos mais limpos, mais saudáveis?

O último — algo sobre pegar flores — tinha sido bem melhor.

“...Nossa, que irritante, pai.”

Leonia rosnou, agora realmente irritada.

“Um dia eu vou mesmo fazer cocô nas suas costas.”

“E aí sim você perde a sua herança.”

“Que saco!”

Voa, Leonia!

Leonia bateu com os punhos na coxa do Ferio.

Mesmo assim, tomou cuidado para não bater forte demais — afinal, aquela coxa era preciosa.

E assim, o primeiro chá de que ela tinha pensado terminou numa confusão total.

Um final bastante bagunçado.

* * *

Depois do fim do chá,

Leonia escreveu uma redação reflexiva sobre a experiência, como tarefa de casa e punição dada por Ferio.

Era sua penitência por ter ameaçado fazer cocô nas costas do pai.

“Quer dizer, não é a primeira vez que digo isso...”

Não é como se realmente tivesse intenção de fazer isso.

Leonia resmungou para si mesma.

Repetia, várias vezes, que não tinha nenhuma intenção de se sujar só para irritar alguém.

‘Será que devo fazer isso, só uma vez?’

Me embriagar e fingir que enlouqueci?

Leonia pensou seriamente, então suspirou e balançou a cabeça em sinal de resignação.

Ela nem conseguia pegar bebida com seu corpo atual, e mesmo se pudesse, duvidava que conseguisse realmente beber.

Ela não queria estragar esse corpo saudável que trabalhou tanto para manter, tudo por vingança.

‘E nem valeria a pena chamar de “Senhor Bebe.”’

Por que honrar algo que ela nem consegue beber?

“Bebida lixo, bebida lixo~!”

Terminando sua reflexão, Leonia cantarolou uma melodia animada enquanto ia até onde Ferio estava.

“Papai!”

Ela bateu na porta do escritório, e entrou. Ferio, deitado no sofá com um livro, estendeu o braço para chamá-la.

Leonia correu ◆Nоvеlіgһt◆ (Somente no Nоvеlіgһt) em direção a ele a toda velocidade — então parou na hora.

“......”

Depois, fez uma face de rosto fechado, com os lábios esticados em pura insatisfação.

“Hmph!”

Com um suspiro exagerado, virou a cabeça de lado.

“Leonia, por que veio até aqui só pra fazer bico na minha frente?”

Ferio virou uma página sem olhar para ela, lançando-lhe um olhar de relance. Sua reação indiferente só deixou Leonia mais irritada.

“Não aguento mais ficar brava!”

“Você é uma criança extremamente dedicada, sabia?”

É a única que procura alguém que odeia só pra mostrar que está fazendo bico.

Mesmo brincando, Ferio fechou o livro e estendeu os braços.

Era um convite silencioso para ela parar de fazer bico e vir ao seu beijo.

“Hmph.”

Leonia resmungou, mas lentamente se aproximou e entrou em seus braços.

Porém, o orgulho a fez torcer o corpo, de modo que seu rosto ficou estranho, um pouco deslocado.

‘Sério, não é justo mesmo.’

Alguns momentos atrás, quando entrou, Ferio parecia tão incrivelmente bonito que quase doía aceitar que era seu pai.

Vestindo apenas uma camisa folgada, ele exalava a aura de um rebelde perigoso.

As mangas estavam meio enroladas, revelando braços fortes, e o jeito como a camisa estava mal-tocada dentro da calça fazia sua cintura parecer perigosamente visível.

Seus ombros largos e músculos do peito se destacavam claramente.

E aquelas pernas longas — graças aos quadríceps que Leonia mais admirava — se mostravam audaciosamente mesmo por baixo da calça.

Parecia um touro enfurecido.

A maneira como ele sentava ali, lendo, transmitindo uma indiferença perfeita, era quase divina.

Ferio parecia estar em outro patamar de charme.

‘...Se ao menos ele não fosse meu pai.’

O humor de Leonia caiu instantaneamente.

Ele era um homem tão lindo, magnífico — e esse vínculo tão amaldiçoado tornava-o irrealizável, como comida numa pintura.

Só de lembrar que ele era seu pai, a alegria nervosa que geralmente enchia seu peito desaparecia.

‘Bem, não posso fazer nada a respeito. Ele é meu pai.’

Reclamando para si, Leonia deu uma leve palmada no braço de Ferio, aquele que envolvia sua cintura.

“Você disse que não ia me tocar.”

“Quando eu disse isso?”

Ferio respondeu com calma, deixando a sua birra passar.

“Você disse que não iria me tocar. Que não me toca.”

“Eu? Quando? Deve ter entendido errado.”

“Na festa do chá! Você disse isso!”

Leonia ficou furiosa, alegando que tinha ficado mortificada e ferida emocionalmente.

Só então Ferio se lembrou do que ela quis dizer.

“Aquela metáfora nojenta?”

“Nossa, minha pressão arterial!”

Leonia segurou o pescoço como se estivesse prestes a desmaiar.

“Hoje, esse pai claramente declarou guerra contra a própria filha!”

“Eu não planejei nada.”

“Fiquei tão envergonhada que nem consigo mais sair de casa! Como vou encarar o Conde Rinne e a Viscondessa Kerata?!”

“Olhem para eles. Como sempre.”

A resposta preguiçosa de Ferio fez Leonia chutar as pernas furiosamente.

Se ela tivesse penas, teria saído voando como um pássaro.

Ferio esperou pacientemente ela se acalmar.

Por sorte, Leonia logo se cansou e se deitou como um balão murchando.

Ela se jogou sobre a coxa dele, enterrando o rosto lá.

“...Por que você não quer me tocar?”

Ela perguntou baixo.

Na verdade, ela não estava com raiva, mas profundamente magoada.

“Então você não vai mais segurar minha mão? Nem me abraçar? Nem me beijar?”

“Por que não iria?”

Ferio respondeu imediatamente.

“Deixarei as criadas fazerem isso.”

Ferio era extremamente cuidadoso ao tocar Leonia.

Mesmo quando tocava, era só por cima das roupas e somente em lugares como a mão, costas ou cabeça — qualquer local que não a deixasse desconfortável.

Seguia as orientações dos livros de parentalidade, que aconselhavam os pais a terem cautela com o contato físico com suas filhas, e Ferio concordava totalmente com esses princípios.

Se Leonia descobrisse, provavelmente choraria, tocada por sua consideração.

“Por que eu iria te tocar?”

O problema era que Ferio pulava toda essa explicação e ia direto para a piada.

A mandíbula de Leonia caiu, chocada.

Parecia que ela poderia parar de respirar a qualquer momento.

O resto da sala, curtindo a cena, se mexia com diversão renovada.

“E por que suas metáforas sempre são tão nojentas?”

Não podia usar exemplos mais limpos, mais saudáveis?

A última — algo sobre pegar flores — tinha sido muito melhor.

“...Nossa, que irritante, pai.”

Leonia rosnou, agora realmente irritada.

“Um dia eu vou mesmo fazer cocô nas suas costas.”

“E esse será o dia em que você vai perder sua herança.”

“Que saco!”

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