
Capítulo 79
Me tornei a filha adotiva do protagonista masculino.
A Lady Hieina não era uma personagem que apareceu no romance original que Leonia se lembrava.
Uma stalker autoproclamada e amplamente reconhecida, que era obcecada por Ferio, e tratava Ufikla—que era como a ❖ Nоvеl𝚒ght ❖ (Exclusivo no Nоvеl𝚒ght) uma irmã mais nova—como uma ameaça tola.
Mesmo hoje, Lady Hieina tinha enviado uma carta para a propriedade do duque, e Leonia havia visto isso com os próprios olhos mais uma vez.
Ao todo, haviam chegado quatorze cartas. Todas estavam agora guardadas em uma caixa, é claro.
Para ser honesta, Leonia tinha se acostumado tanto a vê-las que a ausência delas parecia estranhamente errada.
'É tão estranho...'
Leonia inclinou a cabeça.
'Ela é uma personagem tão marcante.'
Por que ela não tinha aparecido no romance original?
Com esse pensamento, ela olhou além do prédio logo além de onde o carruagem estava estacionada.
Ela era deslumbrantemente bonita.
Seu cabelo prateado, tingido de azul, destacava-se — como a superfície de um rio ao entardecer, absorvendo as cores do céu escurecendo.
Muito mais elegante e composta do que o esperado—uma beleza inteligente, refinada.
'A Ufikla não disse que ela não era legalmente adulta?'
Leonia lembrou-se das palavras de Ufikla.
No Império Bellius, a maioridade legal começava aos vinte anos. Então, ela provavelmente tinha, no máximo, dezenove.
E realmente, ela parecia ter essa idade.
'Por que ela não estava na história original?'
Leonia franzia os olhos, observando Lady Hieina com mais atenção.
“Haa... haa...!”
Com metade do corpo escondido atrás do canto do prédio, Lady Hieina olhava na direção dela, respirando com força, com olhos cheios de obsessão. Não importava como tentasse interpretar de forma gentil—ela claramente não estava bem da cabeça.
O fato de parecer tão completamente normal por fora só tornava tudo mais perturbador.
“Nossa, ela é uma pervertida total, hein?”
Leonia rangia a língua, enojada.
Ela achava que o autor do romance original tinha simplesmente achado a personalidade pervertida de Lady Hieina demais para aguentar—e a tinha omitido.
Leonia entendia perfeitamente.
Por outro lado, Abipher e os cavaleiros não conseguiam entender por que Leonia chamava Lady Hieina de pervertida.
Para ser franca, Leonia—que ficava louca por músculos—não era tão diferente de Lady Hieina.
Claro, dizer isso em voz alta lhes custaria suas vidas, então todos permaneciam em silêncio, como se fosse um entendimento tácito.
“O que vamos fazer?”
Meleis perguntou com cautela.
“Fingir que não vimos nada.”
Leonia respondeu firme.
“Primeira vez lidando com um pervertido? Você absolutamente não deve se envolver com esses loucos obsessivos! Se der uma atenção sequerzinha, eles vão só exigir mais! Não caia na cara de pau deles!”
Meleis teve, de alguma forma, a sensação de que todas aquelas palavras eram na verdade dirigidas a Leonia mesma.
“Mas, Senhorita, a senhora também não é uma pervertida?”
Paavo interrompeu com um sorriso, finalmente dizendo o que todos estavam pensando.
Que sujeito, pensou Probo, admirado com o sacrifício corajoso do colega.
“Do que você está falando? Eu sou um amante de músculos orgulhoso e de mente aberta.”
Leonia declarou com convicção, sem um pingo de vergonha.
Em algum momento, Abipher havia discretamente dado alguns passos para trás, fingindo que não estava com o grupo.
A conversa tinha ficado tão embaraçosa que quase doía assistir sóbrio.
“Você estava literalmente apalpando o ar uns dias atrás.”
Paavo recordou o momento em que tinha pegado Leonia olhando fixamente para seu irmão mais novo na academia.
Leonia fez bico.
“...Vou contar pro meu pai.”
Ela sacou sua arma final.
“Vou dizer que o Paavo fica implicando comigo. Vou chorar na frente dele. Você sabe como meu pai fica desesperado quando eu choro, né?”
Ela olhou lentamente para os cavaleiros.
Ela tinha a sensação de que eles estavam mentalmente agrupando ela com a stalker que estava atrás do prédio.
“Querem ver o inferno?”
O filhote do monstro soltou um rosnado feroz.
“Vamos partir, que acham?”
De repente, Paavo se endireitou, com a voz séria e formal.
Ele até ajoelhou-se e estendeu a mão para ajudar Leonia a subir na carruagem com dignidade.
“Hmpf.”
Foi só então que Leonia deixou a raiva de lado e subiu na carruagem com passo confiante.
Abipher, ainda fingindo que não estava com eles, entrou logo depois.
Os cavaleiros, finalmente, respiraram aliviados e voltaram às suas posições.
“Que idiota, por que deu em cima da Senhorita?!”
Probo resmungou, rangendo os dentes. Se quer morrer, morra sozinho!
“Ela é uma pervertida, aliás.”
“Sim, mas não devia falar isso!”
Meleis repreendeu, preocupada que a criança incomumente madura pudesse, de fato, se magoar com o comentário.
“Você também não é tão inocente, Meleis.”
Probo acrescentou. Era óbvio o que Meleis realmente pensava sobre Leonia.
“Ainda assim... eu nem estava com medo dela mais cedo.”
Paavo murmurou, claramente ainda distraído.
Na verdade, Leonia não tinha ficado realmente brava naquele momento.
Ela tinha ficado só um pouco agitada durante uma brincadeira de provocações.
Ela já tinha esquecido toda aquela discussão.
“Mas...”
Paavo engoliu em seco.
“...Aproximar-se dele dá medo.”
A última ameaça de Leonia tinha sido assustadora.
Por mais que a criaturinha chorasse bem alto ou exibisse as pequenas garras de forma fofa, para os cavaleiros, ela ainda era só um gatinho.
Por trás dela, surgia o verdadeiro Black Beast.
Se o filhote ficava bravo ou angustiado, aquela fera mostrava os dentes e atacava sem hesitar.
“Vamos precisar reportar a Lady Hieina.”
Meleis, capitã da guarda, falou. Paavo e Probo concordaram.
Leonia claramente se sentiu desconfortável. Reportar a Ferio era a única opção.
“...Ela é uma mulher que merece a morte.
Paavo murmurou.
Todos pensaram silenciosamente a mesma coisa.
Esta tradução é de propriedade intelectual da Novelight.
***
Como era de se esperar—
“Ela ultrapassou os limites.”
Ferio ficou totalmente descontentes ao ouvir o relato de que Lady Hieina tinha espionado Leonia.
Suas sobrancelhas estavam tão franzidas que quase se tocaram no meio.
Na verdade, descontentes era palavra pouca. Meleis, que entregava o relatório, silenciosamente percebeu isso.
Ferio já começava a se levantar, como se estivesse pronto para ir pessoalmente à propriedade de Hieina.
Logo atrás dele, Lupe começou a rezar em silêncio. Até murmurou uma invocação pela alma de Lady Hieina.
“Mas a Senhorita...”
Meleis interrompeu rapidamente, para evitar que a situação piorasse ainda mais.
“...solicitou que observássemos a situação por mais um pouco.”
“O quê?”
Ferio achou que tinha entendido errado.
Leonia não era do tipo de achar generoso um pervertido que a espionasse secretamente.
Nesse aspecto, ela tinha muito dele—implacável e rigorosa.
Mas a expressão de Meleis não tinha vestígio de mentira.
“Qual o motivo?”
O olhar de Ferio era mais afiado que qualquer lâmina.
Meleis respirou fundo, então explicou.
E após ouvir a explicação, o rosto de Ferio se torceu com uma expressão de confusão estranha.
“Repita isso.”
Assim, Meleis repetiu.
“Ela disse que há algo a ganhar nisso, então vai deixar passar só dessa vez.”
“O que ela espera ganhar exatamente?”
“Vou te dizer isso!”
De repente, a porta do escritório se abriu de supetão.
Ferio e Meleis se viraram para olhar e então baixaram as cabeças.
“Ta-dá!”
Leonia entrou com energia.
Ela vestia uma roupa nova—uma das peças que tinham comprado mais cedo com o Barão Theon.
Pânico de bolinha com suspensórios, que aumentava a fofura.
“Senhorita, você está adorável!”
Meleis não conseguiu se conter.
“Totalmente encantadora. Será que foi feita pelo Barão Theon?”
Lupe também elogiou o visual. Leonia sorriu brilhando e mexia as mãos com orgulho.
“Pai, como eu estou? Sou fofa?”
“Você só é fofa quando se comporta.”
“Aff, que chatice.”
“De qualquer jeito, você veio na hora certa.”
Ferio fez um gesto para ela se aproximar. Com uma das mãos, ela segurava uma folha de papel.
“Você disse que ia explicar, né?”
Ferio perguntou por que ela estava deixando de lado o comportamento de Lady Hieina.
Em resposta, Leonia lhe entregou o papel.
“Quero fazer isso.”
Era um esquema rascunhado, feito com linhas desajeitadas, mas decididas.
Ferio imediatamente reconheceu do que se tratava.
“...Um relógio?”
Era um relógio, sim—mas não o típico de bolso com corrente.
“Um relógio de pulso.”
Ela bateu no próprio pulso.
“Fica bem aqui.”
“No pulso?”
Lupe examinou o papel novamente, assustado agora. Notou as correias desenhadas dos dois lados.
O que ele tinha achado que era um rabisco infantil era, na verdade, surpreendentemente detalhado.
“Pensei nisso depois de olhar seu relógio de bolso.”
De repente, Ferio lembrou-se de um momento — na carruagem rumo à capital, quando Leonia tinha ficado fascinada, brincando com seu relógio por um bom tempo.
Ele achou que ela só gostava de como ele parecia.
Mas era isso que ela tinha imaginado?
“O irmão mais novo do Paavo faz relógios, e a propriedade da Hieina produz couro de alta qualidade, certo? Eles fazem alfaiataria sob medida também.”
A família Hieina era renomada por seu trabalho com couro.
Usavam uma técnica secreta de curtimento passada de geração em geração para produzir couro de primeira, suficiente para exportação.
Também tinham conexão com muitos atelieres especializados.
“Não posso perder essa chance.”
Leonia bateu as mãos uma na outra.
“Eu tenho o artesão para fazer o relógio, e ainda posso conseguir o melhor couro de graça—”
“Leonia.”
Ferio pressionou o dedo na testa dela.
“Fique calma.”
Seus olhares se encontraram.
“...E assim, vou conseguir tudo sem pagar nada.”
Agora calma, Leonia completou sua frase com frieza.
“Que ideia brilhante.”
Lupe não pôde deixar de elogiá-la.
“Sinceramente, é genial. Relógios de bolso podem ser um incômodo. Tirando sempre, e se a caneta explosionar na sua jaqueta—”
Um relógio de pulso resolveria tudo. Nada de procurar a bolsa ou se enrolar buscando o relógio.
“Tem potencial de verdade.”
Lupe falou com confiança. Um sorriso orgulhoso se espalhou pelo rosto de Leonia.
“Pai, pensa nisso.”
Ela bateu na coxa de Ferio, atraindo sua atenção.
“Você está trabalhando e quer saber que horas são. O que faz?”
“Chama o Lupe.”
Claro. O alvo designado, Lupe, murmurou em derrota.