Me tornei a filha adotiva do protagonista masculino.

Capítulo 37

Me tornei a filha adotiva do protagonista masculino.


“Você sempre faz isso na última hora, papai!”


Reclamando sem parar, Leonia foi colocada no chão por Ferio, que então virou-se e caminhou em direção ao centro do campo de treinamento.


Leonia correu atrás dele, ainda reclamando.


“Então, o que, acha que ser rico, bonito, musculoso e ter um título importante faz de você tudo isso?”


“Sim.”


Ferio mostrava uma confiança descarada.


“Pois é... isso é justo!”


Leonia concordou com um aceno de cabeça.


“Então, qual é o seu ponto?”


Ferio tocou levemente o nariz dela, achando sua lógica cada vez mais ridícula.


Leonia fez cara feia, com ar de birra, e cobriu o nariz com a mão.


“Só quis dizer... que você é meio irritante, mas como você é meu papai, eu deixo passar.”


“Obrigada por perdoar minhas razões extremamente superficiais.”


“Se você está grato, escreva no testamento que toda a riqueza da herança Voreoti vai para sua única filha, Leonia. Inclua uma linha passando seu poder para ela também.”


“Parece que você está tramando assassinar seu pai.”


“Com essa carinha, você é quem parece um assassino.”


Clara de não recuar, o bebê besta continuava a fazer barulho e latir sem parar.


“Minha filha é cheia de energia.”


Se fosse qualquer outra pessoa, Ferio, o beast, teria mandado embora por irritação. Mas essa criaturinha, que subia por ele e latia sem parar? Ele ouvia com carinho sincero.


Justamente como Leonia sentia falta das brincadeiras dezoitoque do pai, Ferio também tinha sentido falta da sua conversa incessante.


“Mas... por que mais ninguém está aqui?”


No meio de toda sua barulheira, Leonia finalmente olhou ao redor.


Sem surpresa, seu voice ecoava — eram só eles naquele enorme campo de treinamento.


Meleis, que tinha a levado até ali mais cedo, tinha desaparecido em algum momento.


“Hoje, é tudo nosso.”


“Oh, meu Deus!”


Leonia colocou a mão sobre o peito, fingindo estar envergonhada.


“Meu coração pulou...!”


“Onde exatamente?”


Ferio deu um olhar suspeito, com um olho fechado, desconfiado — ele achava que não tinha dito nada que deixasse sua pequena filha tão animada assim.


“Você alugou o prédio inteiro pra mim!”


“Querida, esse prédio já é nosso.”


Se a filha do duque de Voreoti ficava emocionada por usar o ginásio de treino interno do patrimônio…


Ferio realmente se perguntava se a necessidade da filha não era mais inocência infantil, mas a mentalidade de alguém que consegue usar a riqueza da próprio família com liberdade.


“Ainda assim, foi por minha causa...”


“Na verdade, pelos cavaleiros.”


Leonia ainda não controlava totalmente as Presas do Beast Negro. Havia muitas variáveis imprevisíveis.


Especialmente depois da última vez, quando ela perdeu o controle e destruiu tudo por perto.


Por isso, Ferio enviou todos os cavaleiros para o campo de treinamento ao ar livre — só por precaução.


“Se algum cavaleiro se machucar, você vai se responsabilizar?”


“Que chatice...”

O sorriso radiante de Leonia se esvaziou como um balão estourado.


De qualquer forma, o treinamento começou.


Ferio pegou um pau que estava por perto e começou a riscar o chão, mais ou menos grosseiramente.


“Presas do Beast Negro.”


Desenhou uma forma estranha na arena de treinamento. Leonia se agachou e ficou olhando fixamente para o formato que seu pai tinha feito.


Não era uma ilusão — a imagem que veio à cabeça dela foi de um bucho de creme fofinho, balançando dentro de uma caixinha até que o recheio explodisse.


“...Papai.”


Leonia hesitou.


“O que é isso?”


“As Presas do Beast Negro.”


“...Não, não é.”


Se a vida tivesse uma escolha entre nascer e morrer, a dúvida do desenho de Ferio estaria entre um desastre e uma destruição.


“O mundo é realmente justo.”


“...Você quer que isso esteja no seu rosto?”


“Então, o que são as Presas, mesmo?”


Leonia riu de maneira tímida, tentando mudar de assunto.


Ferio a olhou com desaprovação, mas suspirou e voltou a explicar.


Se ela não fosse sua filha de verdade, já teria mandado ela embora.


‘Realmente acho que estou passando da idade.’


Estava ali, completamente incapaz de lidar com a própria filha brincando em cima da sua cabeça.


“...As Presas do Beast Negro são um poder que foi passado antes mesmo da família Voreoti ser chamada assim. Ninguém sabe a origem — os registros mais antigos só mencionam que as pessoas com esse poder viviam no Norte.”


“Os registros mais antigos?”


“As crônicas do primeiro imperador.”


“Existe isso?”

“Sua ignorância é de fazer inveja até a uma cadeia de montanhas.”


Não querendo deixar passar, Ferio fez uma brincadeira casual enquanto riscava duas linhas sob as “presas” que lembravam um bucho de creme.


“Ora e mana.”


Leonia tinha percebido que Ferio hesitou ao tentar desenhar ora antes, então decidiu fazer de conta que não tinha reparado, por orgulho próprio.


“As Presas do Beast Negro podem usar essas duas energias.”


Assim como a ora, que se manifesta pelo corpo ou armas, as Presas podem aumentar a força física e o armamento.


E assim como a mana, que empresta a força dos elementos naturais para magia, as Presas também podem usar a natureza para manifestar um poder parecido com magia.


“Oooh!”


Leonia bateu as mãos empolgada.

“E acho que você já experimentou as duas, Leo.”

“As duas?”

Leonia inclinou a cabeça, lembrando-se de algo como magia, durante sua confusão com as Presas.

Naquelas memórias dispersas e confusas, flechas afiadas de gelo tinham surgido do chão, e o ar ficou tão frio que ela podia ver a sua respiração.

Como se o poder tivesse respondido ao frio em suas emoções.

Mas fortalecer o corpo dela? Essa parte ela não se lembrava.

“...Talvez lá no orfanato.”

Ferio fez uma hipótese cautelosa.

“Talvez tenha ativado de forma inconsciente enquanto você sofria abusos.”

Ele havia lido os relatórios que Lupe compilara — sobre como Leonia tinha sido especialmente visada no orfanato, frequentemente entrando em confronto com os adultos por sua teimosia.

Ferio achava que era um milagre ela ter sobrevivido a tudo aquilo.

Os abusos relatados eram tão repulsivos que até daria nojo falar deles em voz alta.

O fato de Leonia ainda estar razoavelmente sã era algo surpreendente.

“Provavelmente, a presa que ficou adormecida dentro de você protegeu seu corpo e sua vida.”

Claro que era só uma hipótese.

Mas Leonia não se importou.

“...Então, quem me protegeu foi a Voreoti?”

Mesmo de forma indireta, era uma felicidade estar conectada ao pai.


“Hehe.”


Soltando uma risada besta, Leonia contorceu-se.


“O que há de tão engraçado nisso?”


Dessa vez, em vez de brincar, Ferio estendeu a mão grande e bagunçou o cabelo dela.


As mechas macias sob sua palma, o calor dela, e a risada animada — tudo era tão agradável.


Ele se sentia orgulhoso por ela ter sobrevivido àquele inferno... e profundamente arrependido.


E, ao mesmo tempo, uma onda de raiva surgia em relação aos pais que a abandonaram.


“... Agora, vou te fazer uma demonstração.”


Essa tradução é propriedade intelectual da Novelight.


Deixando de lado as emoções por um momento, Ferio deu um passo para trás. Uma luz vermelha, como uma névoa, espalhava-se pelos olhos negros dele.


Ao mesmo tempo, os olhos da criança brilhavam como poeira de ouro escondida debaixo d’água.


As duas feixes de presas ressoaram.


‘...Essa sensação.’


É estranhamente agradável.


Ferio segurou os lábios com força, tentando conter o sorriso que ameaçava surgir.


Só de ver sua filha olhando para ele com olhos tão brilhantes e atentos, seu peito enchia de orgulho.

Ele queria parecer ainda mais incrível na frente dela.

Pela primeira vez, as Presas do Beast Negro, que nunca tinham despertado nada nele antes, pareciam algo de que se pudesse se orgulhar.


‘Então, tudo bem.’


Se fosse para fazer isso, queria mostrar a ela de verdade — só o pensamento já enchia seus ombros de energia.


Ao seu redor, a aura das presas vermelhas, Ferio quebrou o pedaço de madeira que segurava com uma única mão.


Estalo. O som de quebra foi preciso e limpo, como um bombom de morango estourando no chão.


“Isto...”


Ferio infundiu a energia das presas em uma das metades do pedaço de madeira quebrado, e olhou de canto de olho.


Leonia observava com expectativa elevada.


Fingindo tropeçar, Ferio deixou o pedaço cair da mão.


Ele caiu com um baque forte, enterrado até a metade no chão da arena, como se tivesse afundado na areia.


“Uau!”


Leonia ajoelhou-se e passou a mão sobre o chão onde o pedaço estava preso.


Nenhuma rachadura. Nenhuma lasca. Nem uma pedra se soltou.


‘Mas disseram que isso era super resistente!’


Meleis e Paavo tinham dito antes que o piso de treino, localizado no centro do salão, era feito da pedra mais durável e cara do Império — forte o suficiente para resistir até a três mestres de espada usando aura na força máxima.


E mesmo assim... Ferio acabou de furar tudo com um pedaço de pau quebrado.


Parecia que estivesse mordendo um bolo de creme.


“Papai, você é tão foda!”


Leonia ficou apontando freneticamente para o pedaço preso ao chão, toda empolgada.


“Ele ficou na! ’


“Sim, eu sei.”


“Uau! Que incrível!”

Ela vibrava de tanta animação, sem conseguir ficar parada, batendo o pé de empolgação.


‘Ter um pai tão excepcional...’


Deve ser exaustivo ser uma criança como ela, pensou Ferio com um sorriso de canto.


“Tão limpo!”


“Eu fiz isso.”

Resposta calma, cheia de orgulho.


Depois, ele fez a demonstração final.


De repente, o pedaço de madeira no chão explodiu em chamas vermelhas vívidas. Leonia, que acompanhava bem perto, deu um grito e caiu de bunda no susto.


“Uau!”


Mas seus olhos continuaram fixos na haste em chamas.


“Papai, você é demais...!”


Tomada de admiração, Leonia agitava as mãos animada. O bebê besta, que acabara de assistir ao poder real das Presas do Beast Negro, agora estava completamente animado.


“...Mas... será que eu também consigo fazer isso?”


Ela ficou pra baixo.


“Papai está tão acostumado, mas eu não consigo fazer nada...”


A primeira vez que suas presas surgiram, foi por uma raiva avassaladora que a fez perder o controle — e causou muita destruição.


Para piorar, suas memórias daquele dia eram confusas. Ela nem conseguia lembrar como ativou o poder.


No começo, tinha muita confiança, mas agora, tentando, se sentia completamente perdida.

“Leo.”


Dois dedos levantaram delicadamente as pontas de sua boca caída.


Olhos de Ferio, agora calmos, com o poder das Presas escondido, fixaram-se nos dela.


“Todo mundo tem um começo.”


Os mais fortes Cavaleiros Gladiago do Império, a secretária sempre capaz Lupe, o mordomo impecável Kara, e Connie, que sempre amarra o cabelo de forma tão bonita.


“Todos eles tiveram que começar de algum lugar.”


“E eu serei quem vai te ensinar.”


O próprio Beast Negro seria seu professor — o que ela não pudesse aprender? O sorriso confiante dele dizia tudo.


Essa certeza arrogante fez o sorriso de Leonia retornar, mesmo após os dedos dele soltarem suas bochechas.


“Então, não deixe isso te abalar.”


“Ok...!”


Com um golpe de determinação, Leonia cerrava os punhos com força — isso significava que ela havia se recuperado.


“Então, o que eu faço primeiro?”


O que preciso para começar?


Seus olhos negros brilhavam de expectativa.


* * *


Huff... huff...


O som da respiração ofegante ecoava no salão de treinamento.


“Estou morrendo...”


“Você não vai morrer só com isso.”


Leonia, que mal tinha dado três voltas ao redor do salão de treino — tão grande quanto uma mansão — arrastou-se até a plataforma de sparring, quase rastejando.


Ela caiu no chão, ofegante.


“Papai, sério... ugh... você não acha que sou sua filha legítima, não?!”


De olhar de traição, a criança parecia quase explodir de raiva.


“Que pai se preocupa tanto com a filha assim?”


Ferio, que tinha trazido água para ela, parecia genuinamente ofendido.


“Para controlar direito as Presas do Beast Negro, é essencial ter resistência. Os efeitos colaterais podem ser severos.”


“Efeitos colaterais?”

Leonia, agora sentada com a ajuda de Ferio, tomou a água que ele ofereceu e perguntou.

Esse detalhe nunca tinha sido revelado na história original.

“Existem efeitos colaterais? Eu achava que as Presas eram simplesmente absurdamente fortes.”

“Você, mais que ninguém, não devia falar isso, depois de ficar tão machucada usando elas.”

Ah. Leonia assentiu.

“Então, quais são os efeitos colaterais? São ruins?”

Ela se lembrou dos dias em que ficou de cama com febre alta. Ainda hoje, só de lembrar, seus braços e pernas doíam.

“Dores de cabeça e calafrios.”

Erupções cutâneas e urticária. Dores pelo corpo, musculares — como uma gripe forte.

Ferio listou todos os efeitos colaterais confirmados das Presas do Beast Negro até então.

“...Isso é algum remédio?”

De repente, as Presas pareciam um remédio contra resfriado comum.

E foi assim que terminou a primeira sessão de treinamento de Leonia.

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