
Capítulo 34
Me tornei a filha adotiva do protagonista masculino.
"Não é…… !"
Meleis, que estava para negar, parou.
"Então, é isso……."
Comparado com a capital e outras regiões, a parte norte do país é claramente mais tolerante com boas maneiras, mas isso não significa que elas sejam completamente ignoradas. Mesmo Meleis, que era uma plebéia, tinha consciência desse fluxo.
Ainda assim, havia uma razão pela qual Meleis interrompeu. Isso porque todos os professores de etiqueta mais rústicos com quem Leônia esteve até agora foram incomuns. Sem mencionar a professora, a condessa Bosgrouni, que veio desta vez, ainda brigava de forma pesada com seu marido dentro da porta.
"Os nortistas são apenas corajosos."
"Acho que não."
"Não."
Meleis confessou a verdade. Era só que o casal parecia um pouco sério. Leônia e Meleis suspiraram ao mesmo tempo.
"Mesmo no norte, etiqueta é uma virtude importante. A condessa Bosgrouni foi muito famosa no meio social quando era dama. Existe uma história famosa de que muitos lordes desistiram quando ela segurava a xícara de chá."
Logo, o som de uma xícara de chá rachando podia ser ouvido pela porta.
A voz aterrorizada do avô continuava sendo ouvida.
"Ainda é assim?"
"……."
"Aliás, essa é nossa xícara."
Destruir objetos domésticos de outras pessoas era muito irritante.
'Aliás, como você vai cuidar das consequências?'
Mesmo sendo nobre, jogar coisas pertencentes ao duque Voerotti indiscriminadamente seria um problema enorme. Pensando nisso, Leônia olhou para a porta pela qual ocorreu a confusão, como se fosse algo de outra pessoa.
"…… Que tal esperar na sala de estar?"
Meleis sugeriu com cautela. Felizmente, Leônia aceitou facilmente. Como se pudesse ver, a aula de hoje correu bem.
Leônia chegou na sala de estar, pegou um livro e começou a ler. Para sua saúde mental, deixou de ler ‘A Vida é toda em vão’ por um tempo e escolheu um livro infantil, alegre e inocente.
'Por que o pai só traz essas pessoas?'
Se Ardea e a condessa Bosgrouni se encontrassem, não teria como ele não pensar que eles brigariam daquele jeito.
Leônia parou de ler o livro infantil e colocou o queixo na mão, pensando seriamente. Será que ele Tentava ensiná-la que o mundo é louco? Ou ele só queria ver as habilidades reais delas?
Leônia concluiu tentativamente que a razão de só contratar esse tipo de pessoa como sua tutora era a profunda orientação de que ela não deveria ser assim. Engraçado, se fosse Pelliot, seria possível.
'Mas eu gosto de ficar quieta…….'
A última confusão causada pelo tutor foi suficiente.
"Senhora."
Naquele momento, Leônia, já decidida e tentando se concentrar no livro infantil, foi interrompida por Cara, que entrou na sala com uma expressão incomum. Leônia rapidamente percebeu, levantou os olhos bem abertos e saiu correndo com os pés.
"Vovó, o que aconteceu? O que……."
"Senhora Voerotti."
Uma voz familiar saiu atrás da porta que Cara havia bloqueado. Leônia, que avançava vigorosamente, freou. Seu corpo pequenino olhou para a pessoa muito mais alta que Kara.
Um bigode bem aparado e uma expressão afiada.
"Como você tem passado?"
Com um fedora na mão, o marquês Pardus cumprimentou educadamente.
* * *
"Vim ver o duque e acabei vendo a senhora."
"Fica no 3º andar, e o escritório do pai fica no 4º?"
"Pois é, sou bem velho, fica difícil dizer o número de andares."
"Então, descanse."
Leônia, que guiava o marquês Pardus até o escritório, comentou.
"Ainda não sou tão velha assim."
O marquês Pardus, que sorriu e respondeu descaradamente, foi atrevido.
'Ih, que marquês enjoadinho.'
Leônia olhou secretamente para o marquês.
O marquês Pardus veio propositalmente ao andar de cima para ver Leônia. Não era difícil para ele deduzir que Leônia estaria na sala de estar.
Ele sabia que hoje o conde Herop Bosgrouni tinha visitado a residência do duque Voerotti como professora de etiqueta. A notícia do norte estava ao alcance das mãos do marquês Pardus. Então, naturalmente, o conde encontraria e brigaria com a ex-esposa, Ardea, que morava na residência do duque. Nesse caso, era alto o risco de a aula de Leônia não acontecer.
Então, onde a criança iria?
Num cômodo onde pudesse relaxar sozinha ou na sala de estar que ela sempre preferiu. O marquês achava que a senhora, ainda jovem, preferiria um espaço onde não haveria muitas pessoas.
Depois de pensar perfeitamente assim, ele, sem vergonha, pediu a Leônia que o levasse até o escritório, como se estivesse se recompensando.
Leônia não teve jeito a não ser aceitar o pedido do marquês.
'Vou só visitar meu pai junto.'
Depois de visitar a mansão do visconde Kerata, Pelliot ficou muito ocupado. No início do inverno, quando a nevasca atingiu, ele era o pai mais preguiçoso do mundo, e agora é o pai mais ocupado do planeta.
Ele estava tão ocupado que muitas vezes ela nem conseguia vê-lo na hora do jantar. Mesmo assim, Cara e Connie dizem que, no meio da noite, enquanto Leônia dormia, ele sempre ia ao quarto vizinho para ver ela dormir. A bala de leite de morango que sempre ficava na mesa de cabeceira era prova disso.
Naquele momento, os olhos de Leônia viraram para as duas caixas que o marquês segurava. Uma era uma caixa coberta por um veludo azul escuro macio. E a outra?
"…… É o sonho de nuvem fofinho."
Leônia murmurou como se estivesse possuída. Era uma caixa familiar e colorida, uma caixa de sonhos de nuvem fofinho que Peliot comprava frequentemente.
"Você conhece isso?"
O marquês Pardus virou rapidamente a cabeça. Leônia estremeceu como pescoço de boneca que ia se quebrar. Então, ela, atrasada, cobriu a boca com a mão. Tentou ao máximo não falar com o marquês Pardus, mas falhou.
Como se lesse seus pensamentos, o marquês Pardus levantou os cantos da boca. Por outro lado, os cantos ocultos dos lábios de Leônia ficaram insatisfeitos.
"…… Meu pai comprou pra mim."
Quando o comprou pela primeira vez, Leônia tinha os dentes afiados de uma fera prestes a atacar, ficou doente por vários dias e teve que descartá-lo, incapaz de comer. Peliot também se preocupou com Leônia e esqueceu o sonho de nuvem. Mas, alguns dias depois, comprou de volta. Naquela época, mãe e filha comeram juntas na frente da lareira.
Peliot deu uma mordida no sonho de nuvem e reclamou que não era do gosto dele, mas Leônia comeu tão bem que comeu duas ali mesmo. O sonho de nuvem fofinho era o favorito da Leônia.
"O duque parece gostar muito da senhora."
"É porque sou filha do pai."
"Não é natural?" Leônia bufou o nariz.
"…… Sério?"
"Então, qual seria a outra razão?"
"Isso, não sei."
"Então, viva sem saber até o fim da vida."
Leônia voltou a dar passos.
"A senhora é muito madura."
"Sou um pouco inteligente demais."
"É como uma adulta na forma de uma criança."
"O marquês é como um avô."
"Tenho três netos, então sou avô."
Depois que o marquês tentou de alguma forma aprender mais sobre Leônia, ela tentou não deixar transparecer nenhuma falha. Somente Meleis, que a acompanhou silenciosamente, sentiu o gosto da morte.
Enquanto isso, eles chegaram sem saber ao escritório no 4º andar.
Leônia bateu na porta de forma esperta.
"Senhora?"
Lupert, que logo abriu a porta e apareceu, perguntou surpreso. Leônia e o marquês Pardus estavam juntos.
"…… Não, e a aula?"
Lupert, que logo se percebeu, primeiro olhou para Leônia.
"Os professores estão brigando a dois."
"Eles brigaram mesmo?"
Lupert perguntou como se esperasse por isso.
"A cadeira voou. E a professora Bosgruni acalmou a professora Ardea com uma xícara de chá."
Ahh, Lupert, com uma ideia vaga da situação, concordou com um sorriso amargo. Então, ele fez uma breve reverência ao marquês Pardus, que estava ao lado de Leônia.
"Pai, o senhor está aqui?"
"Por que está tão magro? Está se alimentando bem?"
"Ainda tenho tempo de comer."
Mas parecia que logo acabaria, disse Lupert com amargura.
"Se alguém ouvir, vai pensar que eu te deixei sem comer."
De repente, Pelliot, que estava atrás de Lupert, piscou e pediu para ele sair do caminho. Lupert se afastou discretamente, e Pelliot abaixou-se, segurando Leônia nos braços.
"Como foi a aula?"
"Você está falando sério?"
Se fosse assim, Leônia virou os olhos, dizendo que seu pai era uma pessoa muito ruim. Pelliot soltou silenciosamente uma risadinha tímida, beijou a testa de Leônia. Foi bastante agradável ouvir a reclamação da filha após tanto tempo.
"Você atrasou."
E então, fingiu reconhecer o marquês com atraso, que olhava curioso para o pai e a filha. O marquês os observava como um explorador que tinha testemunhado uma descoberta interessante. Pelliot saiu casualmente do corredor, segurando Leônia, enquanto ela, envergonhada com o beijo anterior, tampava o rosto com as mãos.
"Cheguei cinco minutos antes?"
"Vai lá dentro e espera."
Ele se virou, dizendo que levaria Leônia à sala de estar.
"…… Lupert."
Só após Pelliot ter desaparecido completamente, o marquês Pardus abriu a boca. Ele desesperadamente rezou para que aquilo que tinha visto há pouco não fosse um sonho.
Como ele podia imaginar um Pelliot Voerotti tão humano assim? Isso foi um choque tão grande que atingiu a nuca do marquês Pardus, que se orgulhava de conhecer muita coisa até então.
"Ela é mesmo filha dele?"