O Estalajadeiro

Capítulo 1962

O Estalajadeiro

Serene e Leon estavam rapidamente atravessando o céu de Arch-Heaven usando um modo de transporte que não era tão seguro quanto a balsa, mas oferecia muito mais liberdade. Eles estavam cavalgando Águias Demônio Albinas, que também faziam parte das regras de Arch-Heaven, já que eram montarias especificamente criadas por alguém com um cargo relativamente alto na hierarquia.

"Ele saiu de Rohas", disse Leon, percebendo uma mudança na postura de Lex. "Com base na velocidade e nos padrões de movimento, diria que ele pegou uma balsa."

"Esse meu filho é insolitamente ativo para alguém tão novo em Arch-Heaven", comentou Serene, com uma ponta de irritação na voz. Finalmente, finalmente eles tinham uma pista sobre Lex, que parecia ter desaparecido do rosto da terra. Antes de saírem do reino de Origem, suas ações eram um pouco limitadas, mas fizeram o melhor que podiam na época para encontrá-lo. Porém, ele não estava em lugar algum.

Talvez fosse um estranho golpe do destino, ou simplesmente circunstâncias que levaram a esse desfecho. De qualquer forma, agora que tinham sentido sua presença, não desistiriam dessa oportunidade de alcançá-lo.

Porém, sua tarefa não ficou mais fácil pelo fato de seu filho estar se aventurando por todo Arch-Heaven. Ele não sabia o quão perigoso esse lugar era?

Talvez soubesse, mas, assim como eles, tinha suas próprias dificuldades.

"Se for uma balsa, talvez ela seja usada para retornar ao forte. Acho melhor continuarmos até lá e esperar que ele volte. Se ele fizer isso, podemos segui-lo de lá. Quem sabe até conseguimos descobrir por que ele foi ao forte enquanto estivermos lá", sugeriu Leon.

Serene suspirou.

"Por que sinto que isso não vai ser tão simples assim?", questionou, uma leve ansiedade na voz.

"Desde quando deixamos que o fácil ou difícil decida o nosso caminho?", perguntou Leon suavemente. Os dois já tinham enfrentado muitas coisas na vida e nenhuma delas foi simples ou fácil.

"Eu não me importo. Leon Williams, se meu filho me der trabalho, juro que vou abandonar esse nome de família amaldiçoado, que você colocou no meu."

Leon apenas sorriu de forma sem graça, sem saber o que dizer. Não tinha como argumentar contra ela. Não podia ser diferente. Seu próprio pai, e o resto da família deles, tinha dado muito trabalho nos primeiros anos de casamento.

Quem disse que nascer numa família de cultivo poderosa e rica era coisa boa? Definitivamente, não Serene.

"No longo prazo, tudo vai se acertar, mesmo que ele esteja zangado conosco por enquanto", assegurou Leon. "Quando ele compreender nossa situação, eventualmente deixará de guardar ressentimentos. Para quem ama, Lex sempre teve um coração mole."

Serene não insistiu mais, mas a ansiedade nos olhos dela permanecia. Embora o que Leon dissesse fosse verdade, aquela era uma versão de Lex que já havia deixado de existir há muito tempo. Nem ela, nem seus clones, tinham tido contato com Lex desde que ele entrou no mundo da cultivação. Muitas coisas poderiam ter mudado desde então.

"Espero que as outras estejam bem", sussurrou Serene enquanto continuavam a voar, pensando em suas filhas. Nenhum dos filhos delas tinha vida fácil — cada um enfrentando seus próprios problemas. Mas, entre todas, Moon era quem mais sofria.

Serene segurou as emoções que surgiam em seu coração. Pessoas em posições extraordinárias não podiam esperar viver vidas comuns. Pelo bem maior, todos precisavam fazer sacrifícios. Ela apenas desejava que, no final, tudo valesse a pena.


Lex estava sentado na balsa, olhando com cara de bobo para Mango e Fenrir.

"Galera, prometo que vou compensar vocês. Não precisam agir assim", disse Lex, se sentindo culpado por ter gasto as Pedras de Bênção deles. Normalmente, ele seria ousado o suficiente para pedir mais a Vox, mas…

Quando seu poder aumentou e sua aura se espalhou pela cidade, os moradores acharam que seu forte tinha sido novamente atacado e entraram em pânico. Os guardas foram convocados, as casas trancadas, as armas empunhadas.

O poder de alguém com 11% de força era tremendo e difícil de combater, por isso até usaram suas armas secretas, fazendo com que muitos moradores sacrificassem seus próprios percentuais de energia para ativar esses armamentos.

Porém, depois que tudo estava pronto, não conseguiam encontrar os inimigos. Lex, constrangido demais para explicar a situação, apenas embarcou silenciosamente na balsa e partiu rápido. Na hora, sentiu-se um pouco mal por aqueles que sacrificaram seus porcentuais por causa de um mal-entendido, e prometeu a Mango e Fenrir que iria recompensá-los com Pedras de Bênção.

Porém, essa não era uma boa ideia, pois Lex nem perceberá que também tinha gastado as pedras deles. Falar em recompensas deu a entender que eles também tinham direito a algo, já que haviam se sacrificado para que ele se beneficiasse. Mas, em vez de agradecer ou tentar compensá-los, ele só falava em retribuir outros.

"Tudo bem. Não se preocupem. Eu, o grande e fabuloso peixe dourado, estou acostumado a ser passado para trás pelos outros. Quem trata celebridade como gente comum? Ninguém. Ninguém percebe que também somos peixes comuns, às vezes, quando queremos."

Lex sorriu de forma sem graça, sem perceber que sua expressão se parecia muito com a de seus próprios pais naquele exato momento.

"Olha, galera, prometo que vou compensar vocês. Vou te dar o dobro de Pedras de Bênção que vocês me deram, juro!", exclamou.

Porém, suas promessas não pareceram convencer Fenrir, que fez bico.

"Vai ser uma longa jornada", grunhiu Lex para si mesmo, olhando para os dois.

"Agora, ele virou bocudo", comentou Mango. "Vamos, Fenrir. Devemos saber quando não somos bem-vindos."

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