
Capítulo 1825
O Estalajadeiro
Foi um dia estranho no Pouso da Meia-Noite, embora os frequentadores habituais já esperassem por algo assim. Além dos serviços fenomenais, produtos de alta qualidade e eventos interessantes, uma das maiores atrações de vir ao Pouso era a possibilidade de encontrarem algum evento aleatório, que pudesse alterar o reino, talvez até influenciar o próprio universo, e que pudesse potencializar o talento e o nível de cultivo de alguém.
Tomemos, por exemplo, Jill. Houve uma época em que havia uma competição no Pouso chamada Senhora Cosmos, que na essência era um concurso de beleza. Jill participou desse concurso, mas, por causa disso, chamou a atenção de um sujeito bastante desagradável.
Ele tentou atacá-la algumas vezes, tentando sequestrá-la, mas a segurança do Pouso a protegeu. Agora, ela já tinha passado tanto tempo dentro do Pouso e experimentado tantas evoluções de poder que não tinha mais medo do lobo que vinha a atacá-la. Na verdade, em alguns anos, quando aprimorasse seu poder recém-descoberto, ela tinha a intenção de caçá-lo e resolver tudo de uma vez por todas.
De vítima, agora ela seguia o caminho da justiça, e tinha percorrido uma longa jornada, tudo graças a sua determinação de permanecer no Pouso, independentemente do que acontecesse.
Ela não estava sozinha nessa mentalidade. Por isso, quando, neste dia específico, as pessoas perceberam algo incomum acontecendo, ficaram mais empolgadas do que preocupadas. Mas o estranho era que a maioria não conseguia sequer perceber o que estava acontecendo.
Nos níveis dedicados aos mortais e cultivadores de baixo nível, parecia que nada de anormal acontecia. Somente os mais fortes pareciam notar as mudanças. Inicialmente, eles só se preocupavam em relatar a situação às suas organizações, mas, quanto mais o tempo passava, mais alarmados ficavam, a ponto de ficarem horrorizados.
Naquele momento em que a Continha do Karma finalmente atingiu o ponto na história de Lex em que ele adquiriu o sistema, muitos tropeçaram, quase caindo no chão!
O peso do karma acumulado na Continha do Karma tornou-se tão grande que o próprio sistema teve que intervir, categorizando a influência como passivamente prejudicial, protegendo os convidados.
Até mesmo os Imortais do Céu conseguiram perceber, embora não entendessem exatamente o que estavam percebendo. Como poderiam, estando ante uma situação decorrente da loucura de Lex, alimentada pela vasta história dos sistemas?
Mais uma vez, assim como Lex viu a Continha traçar suas origens karmicas, ela começou a rastrear as origens do sistema para calcular sua influência sobre Lex.
De início, apenas a quantidade de karma do sistema ao encontrar Lex era maior que a soma de todo karma que Lex havia acumulado anteriormente, mas, ao rastrear sua história, o karma se acumularia ainda mais.
Seu sistema, antes de chegar até ele, tinha ficado preso em uma zona morta, repousando dentro de um meteoro gigante. Lex nunca tinha pensado NISSO: como seu sistema, que um dia pertenceu a Mary, chegou ao Reino da Origem e como passou a estar com ele. Já pensou se havia outros que o sistema tinha fundido e que não conseguiram sobreviver?
Uma parte dele esperava que não houvesse outros hospedeiros, e que o sistema permanecesse exatamente como era desde Mary. Outra parte desejava que outros tivessem obtido o sistema com todo seu poder. Assim, Lex poderia provar que tinha sobrevivido não porque o sistema o fortalecia, mas porque ele próprio era digno.
Embora, na realidade, ambas as partes eram relativamente pequenas. A maior parte de Lex não se importava se havia outros usuários ou não. Seu valor próprio não dependia de fatores externos. Ele se apoiava no seu próprio eu de 25 anos, comum e equilibrado.
Os anos passaram, milhares de anos se tornaram milhões, até que alcançaram um ponto na história do Reino da Origem onde… apareceu a zona morta! Parecia que ela não tinha existido desde sempre. Na verdade, havia uma espécie de turbulência na fronteira do reino com o Caos, causando uma região totalmente desprovida de energia espiritual.
Parece que o sistema, e especialmente o cratera onde ele estava preso, entrou nesse reino como parte dessa turbulência. Antes disso, o cratera tinha se deslocado pelo Caos.
Milhões de anos rapidamente se transformaram em bilhões de anos de vazio, tanto que Lex tinha a impressão de que tinha passado uma era inteira. O tempo passava novamente rápido demais para que ele conseguisse acompanhar, até que a escuridão do Caos de repente desapareceu.
O tempo passou rápido demais para ele ter certeza, mas Lex juraria que sentiu uma aura familiar. Era a mesma que lhe pedira para se tornar um Augur do Céu, exceto que as pegadas de karma que ele detectava eram tudo, menos divinas. Na verdade, pareciam mais próximas do Inferno do que do Paraíso. A única coisa que tinha certeza é que ele sentia Mary.
De qualquer forma, Lex não conseguiu extrair muitas informações sobre o fim do tempo de Mary com o sistema, e, na verdade, ele sequer conseguiu perceber ou detectar algo que tivesse acontecido enquanto Mary possuía o sistema, pois sua passagem estava bloqueada, embora a Continha continuasse rastreando o karma — o que indicava que ele ainda não tinha sido apagado.
Mais anos se passaram, e o sistema voltou a ser revelado, desta vez na forma de uma luz tênue e brilhante. Essa deve ter sido a aparência do sistema em seus primórdios.
A trilha do karma desapareceu novamente ao final da primeira era, indicando que não era mais possível rastrear sua origem.
De qualquer modo, a Continha do Karma agora tinha um peso enorme — tanto que poderia ter distorcido o karma de toda a Pouso se o sistema não estivesse protegendo tudo. Mas, mesmo assim, os diversos Celestiais, e até Wu Kong, conseguiam perceber esse peso.