
Capítulo 1820
O Estalajadeiro
Contam a lenda de um lendário fisiculturista cuja dedicação ao culturismo era coisa de outro mundo. Ele viajava pelos quatro cantos em busca de vulcões para se fortalecer, treinando no meio de calamidades contínuas.
Com o passar do tempo, vivendo diversas erupções vulcânicas, ele se tornou tão forte que até vulcões dormentes entravam em erupção ao se aproximar dele, por exposição excessiva à sua dedicação pura por experimentar vulcões!
Quando as pessoas o viam, especialmente os anjos, não podiam deixar de exaltar sua grandiosidade e atratividade. Levar tanta felicidade aos outros era um serviço que Lex fazia com alegria. Afinal, não havia cobrança por isso —
BUM!
O martelo de Orin abriu mais uma vez o rosto de Lex, despertando-o de seu estado desorientado e alucinado.
Já se passaram novecentas e noventa e nove horas desde que a forja começou, e o processo realmente colocou Lex à prova em um nível fundamental. Orin mesmo não era forte o bastante para prejudicá-lo, nem o peso da lava sobre ele. Mas a pressão exercida por todos os ingredientes fundidos na Conta Cármica podia neutralizar as defesas de Lex, afetando-o de maneiras que ele nunca tinha experimentado antes.
Como a conta deveria servir como um conduto para o Karma, cada vez mais a pressão dela influenciava diretamente o Karma de Lex e Orion. Seu corpo era forte o suficiente para resistir a qualquer ataque de Orin, deidades ou não, mas se o ataque fosse via seu Karma, burlando todas as defesas físicas, espirituais e da alma, então o que Lex sofria era dano puro.
Se fosse um jogo, o que Lex sofreria poderia ser classificado como dano verdadeiro — dano que passaria por cima de armaduras e defesas. Nesse caso, Lex não teria escolha a não ser resistir. Felizmente, enquanto suas defesas eram anuladas, seu fator de cura ainda funcionava.
Como o próprio sangue de Lex era uma verdadeira panaceia, acelerando sua recuperação.
Porém, nem tudo era perda. Esse dano que Lex estava sofrendo na verdade tornava mais eficazes os efeitos do seu temperamento corporal. A lava agora não era mais uma lava comum — era uma mistura de dezenas de milhares de ingredientes e recursos de nível imortal, que haviam sido derretidos e seriam absorvidos pela Conta Cármica. E, por acaso, Lex também absorvia alguns deles de vez em quando, enquanto seu corpo se recuperava, fortalecendo-o imensamente.
Se antes Lex começara a lamentar que recuara na defesa, após essa experiência isso não seria mais verdade. Pela natureza fundamental de sua existência incomum, uma vez concluído o processo, o corpo, espírito e alma de Lex estariam tão perto da indestrutibilidade quanto um Imortal da Terra pudesse chegar.
"Continue firme," disse Orin, não com seu sentido espiritual, mas com palavras, enquanto usava ambas as mãos para balançar seu poderoso martelo, investindo toda sua força em cada golpe. Acima do vulcão, nuvens negras se acumulavam, e a cada golpe, um relâmpago iluminava o céu e atingia as costas do martelo, tornando cada impacto ainda mais destrutivo.
A energia divina misturava-se à força pura, afetando tanto a conta quanto Lex de formas milagrosas que só a energia divina poderia proporcionar.
"Não se preocupe, estou bem," disse Lex, como se não tivesse acabado de alucinar uma recriação de um dos filmes mais incríveis já feitos, com ele mesmo como protagonista.
"Estou falando comigo mesmo, garoto," exclamou Orin, logo antes de outro golpe avassalador. "Estou ficando sem energia divina muito mais rápido do que imaginei. Calculé mal quanto de energia divina seria consumida ao temperar seu corpo. Assim posso ter que antecipar o ritual do Martelo Divino."
Lex gemia enquanto lutava para pensar claramente sob o impacto poderoso de cada golpe.
"Se ficar crítico, avise. Tenho um estoque de energia divina também — posso transferi-la para você."
Orin não respondeu, concentrando toda sua força no próximo golpe.
Fora do vulcão, milhares de anões se reuniram, formando um círculo perfeito ao redor da estrutura majestosa. Como se tivessem recebido um sinal, todos sincronizaram-se ao mesmo tempo, puxando martelos e, como um só, começando a bater nas bigornas vazias à sua frente. A cada impacto, eles concluíam uma rodada de veneração a Orin, gerando energia divina — energia essa que fluía naturalmente em direção a Orin, recarregando seus estoques.
Por algum tempo, um equilíbrio delicado foi alcançado. Milhares de anões juntos produziam energia divina suficiente para sustentar Orin, mas seus estoques nunca aumentavam. Ele consumia exatamente o que recebia — ou seja, se parassem, ele voltaria exatamente ao ponto de partida. Resta-lhes apenas esperar que os anões aguentassem o tempo necessário.
Quando a hora milésima se aproximava, Luthor apareceu no topo do vulcão, empunhando seu fogo infernal mais potente.
Os mitos e lendas de que o inferno castigava os malfeitores e pecadores não surgiram do nada. Um dos tipos mais potentes de Fogo Infernal era aquele que atacava diretamente o karma, sendo um dos incêndios mais mortais que existem.
Embora Luthor ainda não tivesse atingido o nível de domínio que lhe permitisse conjurar tal fogo, seu próprio fogo infernal já caminhava nessa direção, então…
Luthor jogou uma esfera de cristal contendo uma chama verde e malévola dentro do vulcão. Dentro dessa pequena esfera de cristal acumulava-se o resultado de meses de esforço, e no momento em que tocou a lava, a esfera quebrou, libertando a chama.
As chamas verdes se espalharam rapidamente, convertendo a lava em algo ainda mais maléfico — e, no entanto, o fogo de Luthor era apenas mais um ingrediente na mistura, nem mesmo o último.
Depois de concluir sua tarefa, Luthor estaria tecnicamente acabado, mas não foi embora. Pelo contrário, permaneceu observando de longe. Na verdade, nem ele era o único a assistir.
Z acreditava que Lex era um verdadeira potência oculta, fingindo ser fraco. Embora isso ou aquilo pudesse ser verdade, ninguém podia negar a dedicação e o esforço que Lex colocava na pousada.
Então, enquanto não tinham como fazer mais, muitos funcionários da pousada, que estavam livres, silenciosamente se reuniram e acompanharam tudo. Se testemunhar seus esforços era toda a ajuda que poderiam dar a Lex — se sua presença dava pelo menos um pouco de apoio moral para ele e facilitava seu trabalho — então eles ficariam ali, observando.
Não era que eles não quisessem fazer mais. Era que, às vezes, estar presente um para o outro já era suficiente. E foi isso que fizeram. Afinal, para que serve uma família, se não para apoiar?
Z, deitado numa poltrona de praia, saboreava uma água de coco mágica. Estar ali não significava que precisasse ficar de pé. Por trás do óculos de sol, assistia a um anime sem som. Tudo bem — ele estava lendo legendas mesmo.